Como sabemos se as ações de uma pessoa são resultado do transtorno ou...

O cuidado com uma pessoa com transtorno bipolar não pode ser nem excessivo nem muito limitado. Fora da crise, a pessoa deve ter incentivo da familia para ter uma vida normal, com deveres e responsabilidades.
Qualquer doença pode levar o paciente a sentir o benefício secundário da doença através de mimos e superproteção de quem cuida , sendo pejudicial `a pessoa por infantilizar e criar uma excessiva dependencia.

As doenças como um todo não só as psiquiátricas geram no paciente, algo chamado "ganho secundário".

Ou seja licenças médicas, benefícios do INSS, afastamento do trabalho.

Não temos como fazer um "diagnóstico de certeza" nestes casos. O que podemos é suspeitar da natureza do ganho secundário pela ação da pessoa. Pensar o que ela deseja com isso? ser afastada do trabalho?

Isso varia de caso a caso. A pergunta é bastante complexa e inteligente, no entanto não é tão simples responder de um modo reducionista.

Há de ver o contexto socio-economico e familiar as relações como um todo para que possamos "suspeitar do ganho secundário", no entanto nunca com absoluta certeza.

Em terapia, importante que se avalie a personalidade, se é forte, por exemplo, talvez fique mais difícil o convívio. No funcionamento maniaco muitas vezes as atitudes podem causar estranhamento para quem esta próximo pois apresentam-se muitas vezes mais agressivas, intolerantes, resistentes; nestes momentos o convívio pode ficar difícil. É mais fácil quando entra no ciclo depressivo pois a pessoa não mobiliza tanto o meio.Porem tambem tem as consequências da desmotivação, prostracao e outros sintomas associados. Pode ser confundido também, como sendo uma pessoa manipuladora. O ambiente terapêutico pode avaliar e diferenciar estes aspectos, integrando com os resultados do acompanhamento médico.

A diferença constatada por você não procede.

O comportamento bipolar é difícil de se viver para a pessoa mesma. Ela sabe disso. Ela procura ajuda nos relacionamentos humanos do jeito que ela pode e entende. Pela maneira diferente de ser dela, ela não tem o mesmo acesso aos sentimentos d@s outr@s, pois ela não se sente levado em conta pel@s outr@s, desde a infância, não se sente aconchegada. Os sentimentos dessa pessoa são mais defensivos e ela aceita só que não a machuque. Você a percebe como manipuladora pois ela não consegue atender aos seus sentimentos.

A tarefa de quem convive com uma pessoa assim é grande. Não pense que você vai mudá-la, a não ser por conseguir aliviar o sofrimento dela. Não abra mão das suas expectativas com respeito ao atendimento dos seus sentimentos, mas as comunique claramente, para a outra pessoa ter mais chance de entender . Aquente quando não forem atendidas.

Para se fortalecer, você pode trabalhar com um@ psicoterapeuta humanista ou psicanalista.

  • Obrigado25
  • 1 especialista está de acordo
  • Alessandra Girotto

Compreendo a sua pergunta em dois níveis: o consciente e o inconsciente. Quando você sugere a possibilidade de a pessoa estar se beneficiando da situação, dá a entender que seria algo premeditado e, portanto, consciente. Já quando se refere ao transtorno, parece sugerir que as ações seriam da ordem do inconsciente. Penso que é importante ressaltar que os sintomas sejam eles psicóticos ou neuróticos são da ordem do inconsciente, ou seja, algo que se mostra a revelia da intenção. No entanto, é importante sublinhar que isso não exime a pessoa da responsabilidade de suas ações. E neste caso também não estou falando em culpa. No âmbito da culpa geralmente se espera uma penalização, já no âmbito da responsabilidade é possível, por meio da implicação subjetiva, operar transformações no modo pelo qual a pessoa se coloca e atua.

Quero reforçar a resposta dada pelo colega acima. A tarefa de quem cuida e convive com um bipolar pode ser bem pesada, porém não será de ajuda passar a classificar seu comportamento como manipulador ou aproveitador. É preciso equilíbrio, tanto para que a pessoa possa dar passos na autorresponsabilidade e autocuidado, quanto para que o cuidador/quem convive com ela, possa respirar e viver a própria vida, sem se sentir soterrado. É preciso também empatia e consciência de que a pessoa diagnosticada não tem acesso aos sentimentos e reações emocionais da mesma maneira de quem não possui esse diagnóstico. Além disso, é preciso clareza, para conseguir estabelecer os seus limites, como cuidador/quem convive, e assim saber comunicar da melhor forma possível. Muitas vezes quem convive e cuida de pessoas bipolares ou com outros tipos de transtornos também precisam de apoio e acompanhamento terapêutico, para conseguir entender e lidar melhor, sem sobrecarga. Tente perceber se não é seu caso. Até!

No transtorno bipolar como qualquer outra doença mental, as pessoas as vezes manifestam um ganho secundário como já foi dito pela colega acima, o que é necessário observar é ate que ponto esta ganho esta relacionado com o transtorno, ou não, pois muitas vezes a pessoa pode estar de alguma maneira querendo chamar a atenção para algo que não consegue manifestar de outra forma, a não ser mesmo que sem estar na crise, emitindo os mesmos comportamentos que se ainda estivesse. Não deixa de precisar de atenção é observação. Mas se esta tendo dificuldades, o importante também é buscar uma ajuda, pois as pessoas próximas de pacientes com transtornos também estão em sofrimento, e muitas vezes não conseguem enfrentar sozinhos.

Em diversas situações da vida, para os portadores de Transtornos Psiquiátricos (ou não) podem surgir certos benefícios que acabam ajudando a manter esses comportamentos, então pode existir essa desconfiança de que o portador do transtorno está "se aproveitando", como citado acima. A isso chamamos de "ganhos secundários" ou "fatores mantenedores" - é importante lembrar que existem diversas formas de explicação, de acordo com a abordagem terapêutica usada.

Porém, é impossível definir quando é um comportamento proveniente de um transtorno e quando, como citado, a pessoa "está se aproveitando".

É importante salientar que muitas pessoas se suicidam e só depois os parentes e familiares vão se lembrar dos sinais que a pessoa deu, mas na época acharam que era "frescura" ou "bobagem". Por isso nós, profissionais, trabalhamos com a verdade do paciente.

Concluindo, é uma desconfiança pertinente, é necessário estar atento. Mas é importante nunca subestimar os sentimentos das pessoas.

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