Bom dia Fui diagnosticada com bipolaridade, toc,ansiefade e depressão (segundo uma médica eu tenho c

Bom dia Fui diagnosticada com bipolaridade, toc,ansiefade e depressão (segundo uma médica eu tenho comorbidades psiquiatricas). Estou há três anos sofrendo.Parece que estou morrendo um pouco a cada dia... Sinto muita depressão com estes medicamentos. Quando retiro some a depressão e aparece ansiedade e um toc enlouquecedor. Tem algum tratamento complementar?Ect,emt,cetamina... Para que eu saia desta depressão medicamentosa e melhore em relação a estes problemas citados. Obrigada

4 respostas


Os tratamentos que você citou têm sua principal indicação a Depressão Resistente a Tratamento. E o que seria isso? Uma depressão que não responda a pelo menos dois tipos de antidepressivos de classes medicamentosas diferentes que tenham sido usados em dose adequada e por tempo adequado. Isso serviria tanto para a indicação de Eletroconvulssoterapia, quanto ao uso dos psicodélicos como a piscicobilina (ainda em estudo) e a Escetamina. Em muitos casos o que acontece também é a falha no diagnóstico e se o diagnóstico não está adequado, o tratamento também não será adequado. O exame psíquico e o raciocínio clínico são as principais ferramentas de um psiquiatra e os bons, estarão sempre revisitando a sua história e os seus diagnósticos. Não deixe de procurar ajuda profissional!

Obtenha respostas com a consulta online

Precisa do conselho de um especialista? Agende uma consulta online: receba todas as respostas sem sair de casa.


Sim, existem alternativas e tratamentos complementares, inclusive ECT, estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr/rTMS) e, em situações selecionadas, cetamina. Mas o ponto mais importante do seu relato é outro: você descreve um equilíbrio muito ruim entre depressão durante o tratamento e ansiedade/TOC muito intensos quando retira a medicação. Isso merece uma reavaliação médica estruturada do esquema inteiro, e não simplesmente acrescentar mais um tratamento. Também é importante não suspender ou reduzir os medicamentos por conta própria. Dependendo de quais são, a retirada pode provocar rebote, abstinência, piora do TOC/ansiedade e, no transtorno bipolar, desestabilização do humor. Mas eu investigaria primeiro o que você chama de "depressão medicamentosa" Isso é muito importante. Existem pelo menos três situações diferentes que podem parecer iguais para quem está vivendo o problema: um episódio depressivo bipolar que continua apesar dos remédios; efeitos adversos dos medicamentos produzindo apatia, sedação, anedonia e lentificação; ou uma combinação das duas coisas. Além disso, TOC + transtorno bipolar é uma associação que exige bastante cuidado terapêutico. Os medicamentos serotonérgicos usados habitualmente para TOC podem ser mais complicados no transtorno bipolar, enquanto retirar esses medicamentos pode fazer o TOC reaparecer de maneira brutal. As diretrizes recomendam tratar também as comorbidades, mas mantendo o transtorno bipolar adequadamente estabilizado.


Existem tratamentos complementares e estratégias de neuromodulação para quadros depressivos difíceis de tratar, mas a primeira questão é revisar cuidadosamente o diagnóstico e o esquema medicamentoso, especialmente quando existe suspeita de transtorno bipolar. ECT, estimulação magnética transcraniana e tratamentos baseados em cetamina possuem indicações, evidências e riscos diferentes; não são simplesmente alternativas intercambiáveis para qualquer depressão. A ECT tem papel importante em depressões graves e algumas situações de maior urgência. EMT é uma opção não invasiva em determinados quadros depressivos, e cetamina/esketamina pode ser considerada em situações específicas. Como você relata depressão com a medicação e ansiedade/TOC intensos quando a retira, uma avaliação especializada em transtornos do humor e psicofarmacologia pode revisar diagnóstico, doses, interações e tratamentos anteriores antes de escolher a próxima estratégia. Se houver pensamentos de morte ou risco de autoagressão, procure atendimento imediatamente.

Dra. Joyce Moreno

Dra. Joyce Moreno

Psiquiatra

Rio de Janeiro

Agendar consulta

O psiquiatra avalia que quadros complexos com transtorno bipolar, TOC, ansiedade e depressão exigem um manejo extremamente cuidadoso, pois o uso de antidepressivos pode desestabilizar o humor na bipolaridade e gerar efeitos colaterais intensos, enquanto a retirada abrupta costuma agravar as obsessões e a ansiedade; por isso, diante do sofrimento prolongado e da chamada depressão induzida ou refratária aos remédios, tratamentos de neuromodulação e intervenções avançadas como a eletroconvulsoterapia, a estimulação magnética transcraniana e a infusão de cetamina surgem como alternativas viáveis e estudadas na prática médica para casos difíceis, mas a indicação, a segurança e a escolha de qualquer uma dessas modalidades dependem de uma reavaliação minuciosa do perfil clínico do paciente, sendo fundamental que a pessoa procure o seu psiquiatra para discutir essas opções terapêuticas de forma personalizada e jamais altere a medicação por conta própria.

Dr. Márcio Candiani

Dr. Márcio Candiani

Psiquiatra

Belo Horizonte

Agendar consulta

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.