Bom dia. Fui diagnosticada com resistência insulínica, onde meu pâncreas está a produzir uma maior q
Bom dia. Fui diagnosticada com resistência insulínica, onde meu pâncreas está a produzir uma maior quantidade de insulina para manter a minha glicose normal. Não estou diabética e nem pré-diabética. Apenas apresento uma alteração no índice de resistência insulínica que está a 3.43, glicose a 93, insulina a 14.8 e hemoglobina glicada a 5.4%. Devido a estar com sobrepeso precisando perder em média 20kg e ter histórico familiar de doenças metabólicas e obesidade, a médica receitou-me Mounjauro. Minha dúvida se refere ao fato de que li que um dos mecanismo de ação do Mounjauro é aumentar a produção de insulina. Uma vez que já estou com ela aumentada o uso desse remédio não pode ser mais prejudicial ainda para o meu pâncreas? Desde já, agradeço e fico a aguardar.
4 respostas
Olá. Medicamentos como Mounjaro e Ozempic agem aumentando a secreção de insulina apenas proporcionalmente à glicose ingerida, então não há o risco de serem prejudiciais ao pâncreas. Pelo contrário, fazem com que a produção de insulina seja otimizada e por diversos mecanismos permitem que o pâncreas "descanse" e a resistência à insulina diminua.
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O Mounjaro é um agonista de GLP-1 e GIP. A liberação de insulina que ele promove é dependente da glicemia capilar, ou seja, é de acordo com os níveis presentes na circulação. O seu uso irá promover uma perda de peso importante e isso vai reduzir a sua resistência à insulina. A medicação está muito bem indicada nessa situação.
Olá! A sua pergunta é excelente, e demonstra algo muito importante: você não está apenas seguindo uma prescrição, mas está buscando entender o funcionamento do tratamento. Esse tipo de participação ativa no cuidado costuma trazer mais segurança e melhores resultados. Primeiro, vamos separar alguns conceitos. Na resistência à insulina, realmente pode acontecer o que você descreveu: o organismo encontra uma dificuldade maior para utilizar a glicose adequadamente e, como mecanismo de compensação, o pâncreas passa a produzir mais insulina para conseguir manter a glicemia normal. No seu caso: glicemia de jejum: 93 mg/dL (normal); hemoglobina glicada: 5,4% (normal); insulina de jejum: 14,8; HOMA-IR: 3,43 (sugere resistência à insulina, dependendo do critério utilizado). Ou seja, seu corpo aparentemente está conseguindo manter a glicose controlada, mas fazendo um esforço metabólico maior. Sobre o Mounjaro® (tirzepatida): é verdade que ele estimula a liberação de insulina, mas existe um detalhe fundamental: essa liberação é dependente da glicose. Isso significa que ele não simplesmente “força o pâncreas a trabalhar mais o tempo todo”. O medicamento age principalmente quando existe aumento da glicose, ajudando o organismo a responder de uma forma mais adequada. Além disso, a tirzepatida atua em outros mecanismos importantes: melhora a sensibilidade à insulina; reduz a produção inadequada de glicose pelo fígado; diminui a liberação de glucagon; aumenta a saciedade e reduz a ingestão alimentar; favorece a perda de peso. Então, a ideia não é sobrecarregar o pâncreas, mas melhorar a eficiência do sistema metabólico. Em pessoas com resistência à insulina, a perda de peso e a melhora da sensibilidade dos tecidos à insulina podem, inclusive, reduzir a necessidade do organismo de produzir grandes quantidades desse hormônio. É compreensível a sua preocupação, porque a lógica inicial parece ser: “se minha insulina já está alta, por que usar algo que aumenta insulina?”. Mas o mecanismo é mais sofisticado do que simplesmente aumentar uma substância. O objetivo é fazer o metabolismo funcionar de maneira mais equilibrada. Outro ponto importante: a indicação do medicamento não depende apenas do diagnóstico de diabetes. Pessoas com sobrepeso ou obesidade, especialmente com fatores de risco metabólico e histórico familiar importante, podem ter indicação de tratamentos que auxiliem na redução de peso e prevenção de complicações futuras, sempre com avaliação individualizada. Também é fundamental acompanhar durante o tratamento: evolução do peso e da composição corporal; ingestão adequada de proteínas; preservação de massa muscular; glicemia e hemoglobina glicada; possíveis efeitos gastrointestinais. Quero reforçar uma coisa: a sua preocupação é muito válida, mas o fato de você ter identificado essa alteração antes de evoluir para diabetes é justamente uma oportunidade de prevenção. O objetivo não é apenas “baixar um número”, mas melhorar a saúde metabólica como um todo. Uma avaliação individualizada permite analisar seus exames, seu histórico familiar, sua composição corporal e seus objetivos para definir a estratégia mais segura e eficaz, com acompanhamento próximo e tranquilidade durante todo o processo.
Essa é uma dúvida bastante pertinente. A tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1 e pode estimular a secreção de insulina, porém esse efeito é predominantemente dependente da glicose: ocorre principalmente quando a glicemia está elevada. Portanto, não significa simplesmente manter o pâncreas produzindo cada vez mais insulina. Além disso, com perda de peso e melhora da sensibilidade à insulina, a necessidade de hiperinsulinemia compensatória pode diminuir ao longo do tratamento. No seu caso, glicemia, hemoglobina glicada, insulina e HOMA-IR precisam ser interpretados juntamente com peso, circunferência abdominal, histórico familiar e demais fatores metabólicos; um índice isolado não deve determinar toda a conduta. Como há necessidade de perder aproximadamente 20 kg, uma avaliação endocrinológica completa pode estabelecer metas, acompanhar composição corporal e verificar se a tirzepatida é realmente a estratégia mais apropriada para você.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.
