Depois de longos anos com diagnósticos errados fui recentemente diagnosticado com transtorno bipolar
Depois de longos anos com diagnósticos errados fui recentemente diagnosticado com transtorno bipolar tipo 1. Com esse transtorno quais cuidados devo ter? Uma vez que apresento delírios e alucinações. Muito eu ouço mas posso tomar café? Tenho que tomar remédio para o resto da minha vida? Quais cuidados devo ter para um tratamento eficaz sem recaídas?
1 resposta
Após um diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1, especialmente quando já ocorreram delírios e alucinações, o principal objetivo do tratamento é prevenir novas crises e manter a estabilidade do humor. É possível ter uma vida estável e funcional, mas é importante manter acompanhamento psiquiátrico regular e seguir corretamente o tratamento. O tratamento medicamentoso costuma ser de longo prazo e, em muitos casos de bipolar I, pode ser necessário por muitos anos ou até por toda a vida. Isso não significa necessariamente usar os mesmos medicamentos e doses para sempre. O tratamento pode ser ajustado conforme a resposta e os efeitos colaterais. Medicamentos como o lítio, quando indicados e eficazes, são frequentemente utilizados na prevenção de novas fases de mania e depressão. Nunca se deve interromper ou alterar a dose por conta própria. O sono é um dos fatores mais importantes. É recomendável manter horários regulares para dormir e acordar, evitar noites sem dormir e tentar manter uma rotina previsível. Dormir muito menos do que o habitual, principalmente sem sentir sono, pode ser um dos primeiros sinais de mania. Também é importante evitar álcool em excesso e, principalmente, drogas recreativas, pois podem aumentar o risco de desestabilização e psicose. O café não é necessariamente proibido para quem tem transtorno bipolar. Porém, a cafeína em excesso pode aumentar ansiedade, agitação e prejudicar o sono. Por isso, é melhor manter um consumo pequeno e regular, preferencialmente durante o dia, evitando grandes quantidades ou café à noite. Se estiver usando lítio, mudanças bruscas no consumo de cafeína podem alterar seus níveis sanguíneos, portanto qualquer redução importante deve ser feita de maneira planejada. Também é importante ter cautela com medicamentos que podem aumentar a ativação, como alguns antidepressivos e estimulantes. Eles não são necessariamente proibidos, mas devem ser utilizados somente com acompanhamento do psiquiatra, especialmente em quem já teve mania com sintomas psicóticos. Aprender a reconhecer os próprios sinais de recaída é fundamental. Entre os sinais de possível mania estão dormir menos, aumento de energia, pensamentos acelerados, falar mais que o habitual, irritabilidade, impulsividade, gastos excessivos, aumento da libido e sensação exagerada de confiança ou importância. O retorno de alucinações, delírios, paranoia ou dificuldade de distinguir o que é real deve ser considerado um sinal de alerta importante. Quanto mais cedo a equipe médica identificar uma recaída, maior a possibilidade de intervir antes que ela se torne grave. Além dos medicamentos, psicoterapia e psicoeducação podem ajudar a reconhecer sinais precoces, melhorar a adesão ao tratamento e desenvolver estratégias para evitar recaídas. Também é muito útil ter uma pessoa de confiança que conheça seus sinais de alerta e possa ajudá-lo a procurar atendimento caso perceba uma mudança importante no seu comportamento. Se voltarem alucinações ou delírios, principalmente se as vozes derem ordens, ameaçarem você, houver perda importante do contato com a realidade ou pensamentos de machucar a si mesmo ou outra pessoa, não é recomendável esperar pela próxima consulta: deve-se procurar atendimento psiquiátrico ou uma emergência imediatamente.
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