Tive uma forte pneumonia e desenvolvi empiema nível 3 e precisei fazer uma pleurectomia mais uma min

Tive uma forte pneumonia e desenvolvi empiema nível 3 e precisei fazer uma pleurectomia mais uma mini pleurostomia e agora estou com um dreno que precisarei ficar por mais ou menos 1 mês. O problema é que eu estou tendo dores intensas na região da costela onde o dreno está. Sinto como se eu estivesse levando facadas, queimação intensa e fisgadas quando as crises estão maiores. Não estou conseguindo me locomover normalmente porque a dor por vezes está insuportável. Falei com o cirurgião e ele falou que dor é relativa. Tomei alguns medicamentos indicados mas a dor não melhora. Tentei começar exercícios fisioterápicos mas as crises de dores pioraram. O que pode ter acontecido e o que eu posso fazer nesse caso?

2 respostas


Pelo que você descreve — dor em facadas, queimação e fisgadas na região das costelas após a pleurectomia e próxima ao dreno — existe uma possibilidade importante de que sua dor não seja apenas a dor “esperada” da cirurgia. Após uma cirurgia torácica, especialmente com manipulação da pleura e permanência de dreno, a dor pode ter mais de um mecanismo ao mesmo tempo. Pode existir um componente nociceptivo, pela inflamação e lesão dos tecidos da cirurgia, mas as características de queimação, facadas e fisgadas levantam bastante a suspeita de um componente neuropático, relacionado à irritação ou lesão dos nervos intercostais. A dor neuropática costuma justamente se manifestar como queimação, choques, pontadas ou dor lancinante. Além disso, o próprio dreno pode provocar estímulo mecânico contínuo na parede torácica e nos espaços intercostais. Por isso, simplesmente aumentar analgésicos comuns nem sempre resolve. O tratamento ideal da dor aguda pós-operatória costuma ser multimodal, combinando estratégias diferentes de acordo com o mecanismo da dor, com o objetivo não apenas de diminuir a intensidade, mas também de permitir respirar profundamente, dormir, caminhar e realizar a reabilitação. E um ponto importante: dor não deve ser desconsiderada por ser “relativa”. Dor é uma experiência individual e deve ser avaliada juntamente com o prejuízo que está causando. Se ela está impedindo você de caminhar, respirar adequadamente ou fazer fisioterapia, isso merece investigação e tratamento. A própria definição contemporânea de dor reconhece que ela é uma experiência sensitiva e emocional individual e que o relato do paciente deve ser respeitado. No seu caso, eu não recomendaria simplesmente “forçar” a fisioterapia durante crises intensas. O ideal é primeiro conseguir um nível de analgesia que permita mobilização e exercícios respiratórios com segurança e, então, progredir a fisioterapia gradualmente. Dependendo do exame físico e das medicações que você já utilizou, pode ser necessário ajustar o esquema analgésico, tratar especificamente o componente neuropático e, em alguns casos, avaliar técnicas de analgesia regional ou bloqueios dos nervos da parede torácica. Também é fundamental confirmar que não existe uma complicação relacionada à cirurgia, ao empiema ou ao próprio dreno. Procure avaliação com urgência se houver febre ou calafrios, falta de ar nova ou piorando, queda da saturação, dor que piorou abruptamente, secreção com pus ou vermelhidão importante ao redor do dreno, sangramento significativo, alteração importante na drenagem ou suspeita de que o dreno tenha saído da posição. O próximo passo é uma avaliação direcionada da dor, examinando a região do dreno e o trajeto dos nervos intercostais, procurando alterações de sensibilidade e revisando exatamente quais medicamentos você já tomou, em quais doses e com qual resposta. A partir daí conseguimos tratar o mecanismo da dor, e não somente a intensidade, e estabelecer uma meta muito concreta: conseguir respirar, dormir, caminhar e retomar a fisioterapia com tolerância. Se você continua com dor intensa apesar das medicações e isso já está limitando sua locomoção, vale uma avaliação especializada em Medicina da Dor sem esperar a retirada do dreno. Se quiser, agende uma consulta para avaliarmos o componente pós-operatório e neuropático dessa dor e montarmos um plano de controle que permita sua recuperação e a continuidade segura da fisioterapia.

Dr. Igor Bernardes Caciquinho

Dr. Igor Bernardes Caciquinho

Especialista em Dor

Belo Horizonte

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A dor relacionada a manipulação na caixa torácica realmente é muito incômoda. Você deve relatar seus sintomas ao cirurgião e se não houver melhora procurar um especialista em medicina da dor.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.