Após 3 anos de tratamento com terapia, acompanhamento médico e diferentes classes de antidepressivos

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Após 3 anos de tratamento com terapia, acompanhamento médico e diferentes classes de antidepressivos e antipsicóticos, recebi o diagnóstico de transtorno bipolar atípico e TAG. Atualmente faço uso do divalproato com ecitalopram, já que não me adaptei bem aos antipsicóticos atípicos. No entanto, continuo com ansiedade intensa e crises de pânico, que só consigo controlar com o uso de alprazolam. Quais outras alternativas de tratamento podem ser indicadas nesses casos?
Dra. Naarai Camboim
Psiquiatra, Médico de família, Psicanalista
Florianópolis
Olá, aqui é a Dra. Naarai. Obrigada por compartilhar sua trajetória, sei o quanto pode ser desgastante passar por diferentes tratamentos e ainda sentir que os sintomas não estão plenamente controlados. No transtorno bipolar atípico associado ao transtorno de ansiedade generalizada, o uso de estabilizadores do humor, como o divalproato, costuma ser a base do tratamento. O escitalopram pode ajudar em sintomas depressivos e ansiosos, mas, em alguns casos, pode também aumentar a instabilidade se não houver bom equilíbrio com o estabilizador, e por isso é sempre importante acompanhar de perto a resposta clínica.

Entre as opções além dos antipsicóticos atípicos, que você não tolerou bem, existem outras estratégias que podem ser discutidas com seu médico: uso de lamotrigina (que tem perfil diferente do divalproato e pode ser útil em depressão bipolar), lítio (que segue sendo padrão-ouro em estabilização do humor, embora demande mais monitorização) e até topiramato, em casos selecionados, especialmente quando há ansiedade importante ou questões de compulsão.

Como você descreveu crises de pânico que exigem alprazolam, pode ser interessante rever alternativas não benzodiazepínicas, como a pregabalina, que em alguns pacientes ajuda na ansiedade generalizada e pode reduzir a dependência dos ansiolíticos de uso pontual.

Além da farmacoterapia, há recursos naturais e complementares que podem apoiar bastante: manter rotina de sono regular (horários fixos de deitar e acordar), evitar cafeína e álcool, praticar exercícios físicos moderados (a caminhada e a musculação leve têm forte evidência na regulação do humor), técnicas de respiração lenta e profunda ou meditação (mindfulness tem estudos positivos para ansiedade e pânico).

No campo dos suplementos, algumas opções com evidência em ansiedade incluem L-teanina (200 a 400 mg/dia), magnésio glicina ou treonato (para relaxamento e sono), ômega-3 (com EPA/DHA em doses adequadas, que pode ajudar na estabilidade do humor) e, em alguns casos, N-acetilcisteína (NAC), que tem sido estudada como adjuvante no transtorno bipolar. Fitoterápicos como a passiflora ou a valeriana também podem oferecer alívio leve da ansiedade.

O caminho, muitas vezes, é integrar estratégias farmacológicas, psicoterapêuticas e naturais de forma personalizada, até encontrar o ponto de equilíbrio mais adequado para você.

Espero ter ajudado, a equipe da Dra. Naarai fica à disposição para o que precisar

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Supondo que você realmente seja bipolar, temos de focar principalmente na sua estabilização do humor para somente assim, podermos usar remédios antidepressivos que auxiliem na sua ansiedade (apenas em associação com estabilizadores de humor). Alguns deles podem substituir o escitalopram se for o caso.
A abordagem psicoterápica também influencia muito nos resultados, levando em conta que existem muitas abordagens diferentes com diferentes níveis de eficácia comprovada.
Alguns estabilizadores de humor também tem o papel ansiolítico (apesar de mais fracos do que o poder de melhora da ansiedade dos antidepressivos convencionais).
Bom dia!
A pregabalina é um anticonvulsivante que também pode ser utilizada no tratamento do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), sendo considerada uma opção de primeira linha. Um estudo recente (metanálise) comparou sua eficácia com a de antidepressivos tradicionalmente usados no TAG e mostrou resultados semelhantes, tanto em relação à redução dos sintomas quanto à tolerabilidade dos efeitos colaterais. Esta resposta não é uma indicação de tratamento, ok? Sugiro que converse com seu médico psiquiatra.

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