Como o pensamento dicotômico pode influenciar a transferência na relação médico-paciente?

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Com rompimento de vínculo por motivos banais

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O pensamento dicotômico pode influenciar a transferência na relação médico-paciente ao favorecer percepções polarizadas do profissional, como idealização (“é o único médico que pode me ajudar”) ou desvalorização (“esse médico não serve para nada”). Na perspectiva psicodinâmica, essa oscilação pode dificultar a construção de uma aliança terapêutica estável, especialmente quando o paciente apresenta dificuldades de integrar aspectos positivos e negativos de uma mesma figura. Pequenas frustrações, discordâncias ou mudanças na conduta podem ser interpretadas como rejeição, abandono ou falta de cuidado, desencadeando reações emocionais intensas. O reconhecimento desse padrão pelo profissional permite manter uma postura empática e consistente, evitando respostas igualmente polarizadas e favorecendo continência, mentalização, elaboração da ambivalência e fortalecimento da relação terapêutica.


O pensamento dicotômico pode influenciar a transferência ao favorecer percepções polarizadas do médico, como “excelente” ou “incompetente”, “acolhedor” ou “frio”, com pouca integração entre características positivas e negativas. No transtorno de personalidade borderline (TPB), essas oscilações podem intensificar-se diante de frustrações, limites ou mudanças no enquadre terapêutico, repercutindo na aliança, confiança e adesão. O psiquiatra deve reconhecer essas mudanças sem reagir de forma defensiva ou aderir à polarização, mantendo postura empática, previsível e consistente. A contratransferência também deve ser observada, pois respostas emocionais intensas do profissional podem influenciar o manejo clínico.


O pensamento dicotômico pode influenciar a transferência ao favorecer percepções polarizadas do terapeuta ou médico, como idealização intensa (“é o único profissional que pode me ajudar”) ou desvalorização abrupta (“não serve para nada”) diante de uma frustração. Pequenas divergências, limites ou mudanças no tratamento podem ser interpretadas como rejeição ou abandono. Esse padrão não significa falta de colaboração ou má-fé do paciente; pode refletir mecanismos cognitivos e emocionais relacionados ao seu sofrimento psíquico. Na relação médico-paciente, reconhecer essas oscilações com empatia e estabelecer limites claros ajuda a preservar uma aliança terapêutica estável. A psicoterapia pode trabalhar progressivamente a capacidade de integrar aspectos positivos e negativos de uma mesma pessoa ou situação.


Na relação médico-paciente, o pensamento dicotômico pode favorecer idealização ou desvalorização do profissional, por exemplo, considerando-o excelente quando tudo melhora e incompetente diante de uma dificuldade ou recaída. Essa dinâmica pode prejudicar a confiança, a comunicação e a continuidade do tratamento, especialmente quando há sofrimento emocional intenso. Na psicoterapia e no acompanhamento psiquiátrico, é importante acolher a insatisfação sem confrontar o paciente de maneira julgadora, esclarecendo expectativas, limites e possibilidades terapêuticas. Uma relação baseada em diálogo, transparência e decisões compartilhadas ajuda a construir uma compreensão mais equilibrada dos resultados, inclusive quando são necessários ajustes no plano de cuidado.

Dra. Joyce Moreno

Dra. Joyce Moreno

Psiquiatra

Rio de Janeiro

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Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.