É comum ouvir que pessoas com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) mentem ou distorcem os

É comum ouvir que pessoas com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) mentem ou distorcem os fatos com frequência. Como o psiquiatra avalia essas distorções e qual a diferença entre isso e um comportamento antissocial (psicopatia)?

6 respostas


sim, mas não se trata de psicopatia muitas vezes

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É uma dúvida comum compreender a relação entre o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e as distorções de percepção. No TPB, essas alterações geralmente estão associadas à intensa instabilidade emocional, medo de abandono, dificuldade de regular sentimentos e interpretações influenciadas pelo estado emocional do momento, não sendo necessariamente uma mentira intencional. O psiquiatra avalia padrões de comportamento, motivações, empatia, histórico de relacionamentos e funcionamento social. Diferentemente do comportamento antissocial, em que pode haver manipulação deliberada, desrespeito persistente por normas e pelos direitos dos outros, no TPB predominam sofrimento emocional e dificuldades de regulação afetiva.


No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), as distorções de percepção ou relatos inconsistentes dos acontecimentos geralmente estão relacionadas à intensidade emocional, medo de abandono, interpretações influenciadas pelo estado afetivo e dificuldades de regulação emocional. Isso não significa necessariamente uma intenção consciente de enganar. Em momentos de grande sofrimento, o paciente pode interpretar situações de acordo com a emoção vivenciada naquele momento, apresentando uma visão mais polarizada dos fatos. O psiquiatra avalia esses padrões considerando contexto, intenção, capacidade de reflexão, histórico de relacionamentos e funcionamento global da personalidade. A diferença em relação ao comportamento antissocial envolve principalmente a motivação e o padrão persistente: no TPB, frequentemente há sofrimento, culpa, medo de perder vínculos e instabilidade emocional; já no transtorno de personalidade antissocial, podem predominar padrões de manipulação, violação de direitos e menor preocupação com o impacto causado aos outros. Durante a avaliação também são investigados sintomas associados como ansiedade, depressão, insônia, irritabilidade, estresse, crise de ansiedade, ataques de pânico, tristeza profunda, falta de motivação, transtorno de ansiedade, transtornos de humor e transtorno depressivo. O tratamento busca desenvolver maior consciência emocional, melhorar relações interpessoais e reduzir comportamentos impulsivos, com psicoterapia especializada e, quando indicada, farmacoterapia.


No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a ideia de que o paciente “mente” frequentemente é uma simplificação que pode gerar estigma. A psiquiatria avalia não apenas o conteúdo da informação relatada, mas principalmente o funcionamento psicológico por trás daquele relato. Em muitos casos, o que parece uma mentira pode estar relacionado a distorções cognitivas, interpretações influenciadas por emoções intensas, dificuldade de mentalização e alterações na percepção de situações interpessoais durante momentos de estresse. No TPB, sentimentos como medo de abandono, rejeição ou humilhação podem modificar a forma como uma situação é lembrada ou interpretada. O paciente pode acreditar genuinamente em determinada percepção naquele momento, especialmente quando está emocionalmente desregulado. Isso é diferente de uma estratégia consciente e planejada para obter vantagem. Já no transtorno de personalidade antissocial, associado popularmente ao termo “psicopatia” em alguns contextos, a psiquiatria observa um padrão persistente de desrespeito aos direitos dos outros, menor empatia, ausência ou redução de culpa e uso mais instrumental da manipulação e da mentira para benefício próprio. A diferença central está na intenção, padrão de funcionamento, empatia e relação emocional com as consequências dos próprios atos. No consultório, o psiquiatra investiga história de vida, vínculos afetivos, padrão de relacionamentos, impulsividade, capacidade de reconhecer o ponto de vista do outro e evolução dos comportamentos ao longo do tempo. O tratamento do TPB busca desenvolver regulação emocional, mentalização e uma percepção mais equilibrada da realidade. Psicoterapias baseadas em evidências, como a Terapia Dialética Comportamental e a Terapia Baseada em Mentalização, auxiliam o paciente a diferenciar sentimentos, pensamentos e fatos, reduzindo conflitos e aumentando a estabilidade nas relações. O acompanhamento psiquiátrico também pode abordar sintomas associados, como ansiedade, depressão, insônia, crise de ansiedade, irritabilidade, transtornos de humor e impulsividade, quando presentes.


A avaliação psiquiátrica diferencia as distorções de percepção no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) de comportamentos antissociais pela compreensão da motivação, contexto emocional e padrão de funcionamento do indivíduo. No TPB, relatos imprecisos, interpretações equivocadas ou mudanças na percepção dos acontecimentos frequentemente estão relacionados à intensa reatividade emocional, medo de abandono, insegurança nos vínculos e dificuldade de regulação das emoções. Em muitos casos, a pessoa não está deliberadamente tentando enganar, mas interpreta as situações a partir de estados emocionais intensos. O psiquiatra investiga se há intenção consciente de manipular, capacidade de reconhecer a própria participação nos conflitos, presença de culpa, empatia e padrão histórico desses comportamentos. Também avalia a relação entre essas distorções e sentimentos como rejeição, raiva, ansiedade, tristeza profunda ou sensação de ameaça. No comportamento antissocial, associado ao transtorno de personalidade antissocial, as mentiras e manipulações tendem a ocorrer de forma mais instrumental, com objetivo de obter vantagens, controlar situações ou prejudicar terceiros, frequentemente acompanhadas por menor remorso e menor preocupação com as consequências para outras pessoas. Assim, a diferença central está no funcionamento psicológico subjacente: no TPB predominam dificuldades de regulação emocional e interpretação afetiva dos eventos; no comportamento antissocial há maior padrão de exploração e violação dos direitos alheios. A avaliação por um psiquiatra é essencial para diferenciar TPB de outros quadros como transtornos de humor, depressão, transtorno de ansiedade, transtorno do pânico e TDAH em adultos, permitindo um diagnóstico mais preciso e tratamento adequado.


Não é correto caracterizar pessoas com TPB como “mentirosas”. Em momentos de intensa ativação emocional, algumas podem interpretar situações de forma mais polarizada ou reconstruir acontecimentos sob forte influência do estado afetivo, mas isso é diferente de mentira deliberada e não ocorre em todos os pacientes. O psiquiatra avalia intenção, contexto, padrão longitudinal e capacidade de mentalização. Também não se deve confundir TPB com Transtorno da Personalidade Antissocial: são condições distintas, embora possam coexistir. No transtorno antissocial há um padrão próprio de violação dos direitos alheios e outras características diagnósticas específicas. Diagnósticos exigem avaliação clínica ampla, não comportamentos isolados.

Dra. Joyce Moreno

Dra. Joyce Moreno

Psiquiatra

Rio de Janeiro

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