Meu pai teve um episódio de surto logo com 18 anos após o término de um relacionamento ficando inter

3 respostas
Meu pai teve um episódio de surto logo com 18 anos após o término de um relacionamento ficando internado em hospital psiquiátrico. Após isso viveu por mais de 40 anos sem tratamento algum e nunca demonstrou nenhum sintoma de doença mental. Mas recentemente , agora com 56 anos ,após o término do casamento teve outro surto sendo novamente internado e agora sendo diagnosticado com transtorno bipolar, já faz 3 anos e nunca mais ficou 100%. A dúvida é se realmente pode ser bipolaridade sendo que passou mais de 40 anos sem nenhum tratamento e sem nenhuma crise
A resposta é: sim.
Existem pacientes que não costumam ter grandes alterações, podendo passar batido que eles possuam transtorno bipolar. Muitas vezes a família acredita que é apenas o jeito dele.
Ele tinha sintomas de forma mais branda previamente? Por exemplo: gastava mais do que devia, era impulsivo, falava e pensava muito rápido, tinha exposição social, humor era muito alegre ou irritado, com pouca ou nenhuma alteração do sono? Isso tudo ou boa parte disso oscilava com humor entristecido/depressivo de tempos em tempos?
Como ele era no seu basal? Quer me contar um pouco mais sobre ele?

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Olá! Sim, é possível que uma pessoa com transtorno bipolar passe décadas ou tempo prolongado sem crises, mas isso é raro. O episódio aos 18 anos pode ter sido outra condição que não bipolaridade, como reação aguda ao stress ou crise de ansiedade. Talvez não tenha sido bipolaridade naquela época, mas o episódio recente aos 56 pode sim ter sido um episódio maníaco ou depressivo dentro de um quadro bipolar. Se seu pai não teve nenhum desses sintomas durante 40 anos, isso realmente torna o diagnóstico de transtorno bipolar menos típico, embora ainda não impossível, então, sim, podemos estar falando de um quadro de bipolaridade, envolve um contexto muito mais amplo na hora de fechar esse diagnóstico. Permaneça com acompanhamento médico. At. te.
Análise: Surto aos 18 Anos + 40 Anos Silenciosos + Surto aos 56 — É Realmente Bipolaridade?
é possível ser bipolaridade. MAS o padrão do seu pai é ATÍPICO e merece investigação diferencial cuidadosa.

O Que o Padrão Clínico Sugere
Cronograma peculiar:

18 anos: Surto psicótico agudo (internação)
18-56 anos: 40 anos completamente assintomático (sem medicação, sem crises)
56 anos: Novo surto psicótico agudo (internação)
56-59 anos: 3 anos sem remissão completa
Isso NÃO é padrão clássico de bipolaridade.

Possíveis Diagnósticos Diferenciais
1. TRANSTORNO BIPOLAR (possível, mas improvável dado contexto):

Explicaria dois surtos
40 anos sem sintomas em bipolar tipo 1 é MUITO raro
Bipolar sem medicação por 40 anos deveria ter tido ALGUMA crise
2. TRANSTORNO PSICÓTICO BREVE / RECORRENTE (mais provável):

Psicose gatilhada por estresse emocional (término relacionamento × 2)
Remissão completa entre episódios
Reativação após novo estressor
Explicaria 40 anos silenciosos + dois surtos
3. ESQUIZOFRENIA PARANOIDE COM EVOLUÇÃO LENTA:

Menos provável (psicose esquizofrênica piora progressivamente)
Remissão completa de 40 anos seria muito atípica
4. TRANSTORNO ESQUIZOAFETIVO:

Possível (mistura psicose + alteração de humor)
Explicaria episódios ligados a estressores
5. PSICOSE REATIVA / TRANSTORNO ADAPTATIVO COM SINTOMAS PSICÓTICOS:

Muito provável
Psicose desencadeada por trauma emocional
Recuperação espontânea entre crises
Explicaria perfeitamente o padrão do seu pai
Por Que 40 Anos Sem Crise É Suspeito de Não Ser Bipolar Clássico?
Bipolaridade tipo 1 (com psicose):

SEM medicação: ciclos de mania/depressão a cada 6-12 meses
Remissão espontânea de 40 anos = rarissimo (<1% dos casos)
Mesmo sem crise maníaca óbvia, haveria sintomas depressivos ou hipomaníacos menores
Se seu pai realmente ficou 100% bem por 40 anos:

Sugere que não é bipolaridade clássica
Sugere psicose reativa/episódica (gatilhada por estresse)
Elemento Crítico: Gatilho Emocional
Ambas as crises foram precedidas por:

Crise 1: Término de relacionamento (estresse psicossocial)
Crise 2: Término do casamento (estresse psicossocial idêntico)
Isso NÃO é coincidência — sugere psicose reativa, não bipolaridade endógena.

Em bipolar clássico:

Crises ocorrem sem gatilho claro
Estressores podem precipitar, mas não são obrigatórios
Ciclos são mais automáticos
A Questão Crítica: Por Que Seu Pai Nunca Mais Ficou "100%"?
Depois de 3 anos, ainda com sintomas residuais:

Isso pode indicar:

Diagnóstico inadequado (não é bipolaridade, mas foi tratado como tal)
Medicação inadequada (antipsicóticos/estabilizadores não são ideais para psicose reativa)
Trauma psicológico não resolvido (necessita psicoterapia além de medicação)
Fatores psicossociais não abordados (perdeu casamento, autoestima abalada)
Recomendação Clínica
Seu pai deveria:

1. Solicitar segunda opinião psiquiátrica:

Psiquiatra diferente (ou especialista em psicose)
Questionar diagnóstico de "bipolaridade" especificamente
Avaliar se diagnóstico é realmente bipolar ou psicose reativa
2. Investigação clínica adicional:

Ressonância magnética cerebral (descartar lesão estrutural)
EEG (descartar epilepsia de lobo temporal — pode causar psicose)
Avaliação neuropsicológica completa
Avaliação de uso de substâncias (álcool pode precipitar psicose)
3. Reavaliação medicamentosa:

Se diagnóstico for psicose reativa (não bipolar):

Antipsicótico de curto prazo (6-12 meses) + psicoterapia intensiva
NÃO necessita estabilizador de humor crônico
Foco em psicoterapia (resolver trauma emocional)
Se diagnóstico for confirmado bipolar:

Continuar medicação
Investigar por que não remitiu completamente
4. Psicoterapia especializada:

TCC para psicose (reestruturação de crenças paranoides)
Terapia de luto (processar término do casamento)
Terapia de reconstrução identitária (após surtos)
Perspectiva Realista
O padrão clínico do seu pai sugere:

Mais provável: Psicose reativa episódica (gatilhada por estresse)
Possível: Transtorno esquizoafetivo
Menos provável: Bipolaridade clássica

Se for psicose reativa, o tratamento deveria ser diferente — menos focado em estabilizador crônico, mais em psicoterapia + antipsicótico de curto prazo.

Por Que Isso Importa
Se o diagnóstico está errado:

Seu pai pode estar tomando medicação desnecessária cronicamente
Não está recebendo psicoterapia adequada (foco apenas em medicação)
Pode nunca "ficar 100%" porque o tratamento não aborda a causa real
Se o diagnóstico estiver correto (bipolar):

Medicação crônica é essencial
Deve haver investigação de por que não remitiu completamente

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