Nos últimos quatro anos, passei por diversos tratamentos com diferentes classes de antidepressivos e
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Nos últimos quatro anos, passei por diversos tratamentos com diferentes classes de antidepressivos e antipsicóticos, em doses e tempo suficientes para observar melhora, mas sem resultados significativos e com muitos efeitos colaterais. Já utilizei pregabalina para ansiedade por cerca de seis meses, também sem eficácia. Recentemente, recebi o diagnóstico de bipolaridade atípica, pois não me enquadro totalmente nos quadros de bipolaridade típica ou ciclotimia. Atualmente uso ácido valproico, escitalopram 10 mg durante o dia, amitriptilina 25 mg e clonazepam 0,25 mg para dormir. Meu psiquiatra sugeriu aumentar as doses dos antidepressivos e do ácido valproico para 1000 mg. Considerando meu histórico desses quatro anos e o risco de virada maníaca, gostaria de entender se o aumento dos antidepressivos costuma ser uma conduta recomendada em casos de bipolaridade atípica e quais critérios costumam ser avaliados antes desse tipo de ajuste.
O transtorno bipolar é classificado de várias formas diferentes, mas desconheço o "tipo" "atípico", como sendo um diagnóstico. Certamente, à exceção do transtorno bipolar tipo I e do tipo II, todos poderiam ser classificados como "atípicos". Quanto às medicações, são basicamente as mesmas para todos os tipos de transtorno bipolar, baseando-se principalmente em estabilizadores de humor e, eventualmente, também com uso de antidepressivos, com a ressalva de que naqueles que apresentam sintomas psicóticos, obrigatoriamente se usam antipsicóticos, hoje em dia. Quanto a aumentar ou não os antidepressivos, depende de cada caso e, portanto, em alguns casos, certamente se deve aumentar, sobretudo se não apresentarem boa resposta antidepressiva a doses terapêuticas de estabilizadores de humor.
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Em casos de bipolaridade atípica, o aumento de antidepressivos deve ser avaliado com muita cautela. Embora eles possam ajudar a aliviar sintomas depressivos persistentes, seu uso isolado ou em doses altas pode aumentar o risco de viradas maníacas, agitação ou ciclos rápidos de humor. Por isso, a conduta mais comum é primeiro otimizar o estabilizador de humor, como o ácido valproico ,até atingir níveis terapêuticos adequados, o que pode melhorar o quadro depressivo e reduzir o risco de instabilidade. Só depois dessa estabilização é que, se ainda houver sintomas depressivos importantes e ausência de sinais de ativação, o médico pode considerar aumentar gradualmente a dose dos antidepressivos, sempre com acompanhamento próximo. Em pacientes que já tiveram pouca resposta a vários antidepressivos, como no seu caso, costuma-se priorizar o reforço do estabilizador ou a introdução de medicações com efeito antidepressivo mais seguro em bipolaridade, como lamotrigina, lítio ou alguns antipsicóticos atípicos, em vez de simplesmente elevar as doses dos antidepressivos atuais.
É uma excelente pergunta. Infelizmente ela está justamente na fronteira do conhecimento da psiquiatria, então não é possível te dar uma resposta certeira. É porem razoável que pessoas no "espectro bipolar" recebam um tratamento similar ao de transtorno bipolar. Quanto ao antidepressivo é razoável imaginar um teste e observar o comportamento. Se você tem episódios depressivos mais problemáticos e que respondem a antidepressivo sem instabilidade emocional durante a remissão e também não faz virada é possível que ele tenha um espaço para você. Sempre com alguma proteção (parcial ou total) do valpróico.
É importante porém que você seja unha e carne com o psiquiatra, pois um bom profissional fará isso avaliando as oscilações do seu humor.
É importante porém que você seja unha e carne com o psiquiatra, pois um bom profissional fará isso avaliando as oscilações do seu humor.
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