Olá, doutores. Sou um homem de 21 anos e, desde a adolescência, tenho problemas com a comida. Aco
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Olá, doutores.
Sou um homem de 21 anos e, desde a adolescência, tenho problemas com a comida. Acontece que fui gordo durante toda a infância e lembro de sofrer com essa consciência desde muito novo. Dessa forma, quando virei vegano aos 15 anos (hoje algo que me dá uma enorme satisfação), mudei meus hábitos alimentares e comecei a comer mais alimentos frescos, além de ter iniciado a prática regular de exercícios físicos, culminando no meu emagrecimento.
Entretanto, há uma parte de mim que nunca se curou da obesidade: minha mente. Apesar de ter um IMC normal (peso 66 kg e meço 183 cm), tenho, diariamente, desde aquela época, episódios de ruído alimentar. Além disso, há momentos em que, depois de esperar muito para comer, como compulsivamente — alimentos saudáveis, de maneira não saudável. Isso tudo, inclusive, tem piorado, de maneira que não consigo sequer me concentrar nas aulas da faculdade sem pensar: "o que comerei depois?".
Estou ficando exausto. Quando era jovem, eu conseguia "compensar" as compulsões me exercitando mais ou comendo menos depois delas, porém, atualmente, por o problema ser mais frequente, não cosigo mais fazer essa estratégia, o que tem sugado o restinho de apreço que tenho pela alimentação.
Antes que suponham: não, não tenho deficiências nutricionais. Como disse anteriormente, acompanho bem a minha ingestão dos macronutrientes, especialmente a de proteína. Ademais, faço trimestralmente exames de vitaminas, como a B12 e D. Está tudo certo.
Uma tia minha, que fora obesa também, disse que tomando o famigerado Mounjaro conseguiu resolver a sua obsessão mental por comida. Considero a alternativa, mas não sei se é o ideal para meu caso.
Portanto, gostaria de saber a opinião de vocês enquanto profissionais. Já fiz psicoterapia por 4 anos, com diferentes profissionais, levando o assunto em consideração, mas nunca resolvi o meu problema de ruído alimentar. Penso, ainda assim, em retornar à terapia, mesmo que não me ajude em completude. Pelo que me parece, preciso de outra estratégia associada. Qual especialista devo procurar agora?
Sou um homem de 21 anos e, desde a adolescência, tenho problemas com a comida. Acontece que fui gordo durante toda a infância e lembro de sofrer com essa consciência desde muito novo. Dessa forma, quando virei vegano aos 15 anos (hoje algo que me dá uma enorme satisfação), mudei meus hábitos alimentares e comecei a comer mais alimentos frescos, além de ter iniciado a prática regular de exercícios físicos, culminando no meu emagrecimento.
Entretanto, há uma parte de mim que nunca se curou da obesidade: minha mente. Apesar de ter um IMC normal (peso 66 kg e meço 183 cm), tenho, diariamente, desde aquela época, episódios de ruído alimentar. Além disso, há momentos em que, depois de esperar muito para comer, como compulsivamente — alimentos saudáveis, de maneira não saudável. Isso tudo, inclusive, tem piorado, de maneira que não consigo sequer me concentrar nas aulas da faculdade sem pensar: "o que comerei depois?".
Estou ficando exausto. Quando era jovem, eu conseguia "compensar" as compulsões me exercitando mais ou comendo menos depois delas, porém, atualmente, por o problema ser mais frequente, não cosigo mais fazer essa estratégia, o que tem sugado o restinho de apreço que tenho pela alimentação.
Antes que suponham: não, não tenho deficiências nutricionais. Como disse anteriormente, acompanho bem a minha ingestão dos macronutrientes, especialmente a de proteína. Ademais, faço trimestralmente exames de vitaminas, como a B12 e D. Está tudo certo.
Uma tia minha, que fora obesa também, disse que tomando o famigerado Mounjaro conseguiu resolver a sua obsessão mental por comida. Considero a alternativa, mas não sei se é o ideal para meu caso.
Portanto, gostaria de saber a opinião de vocês enquanto profissionais. Já fiz psicoterapia por 4 anos, com diferentes profissionais, levando o assunto em consideração, mas nunca resolvi o meu problema de ruído alimentar. Penso, ainda assim, em retornar à terapia, mesmo que não me ajude em completude. Pelo que me parece, preciso de outra estratégia associada. Qual especialista devo procurar agora?
Boa tarde
Sugiro fortemente que você procure um nutrólogo para orientação dietética e tratamento da sua compulsão alimentar. Temos ótimas e diversas opções no momento. Espero ter ajudado. Um abraço.
Sugiro fortemente que você procure um nutrólogo para orientação dietética e tratamento da sua compulsão alimentar. Temos ótimas e diversas opções no momento. Espero ter ajudado. Um abraço.
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Olá. Obrigado por compartilhar seu relato com tanta clareza dá para perceber o quanto isso tem sido desgastante para você.
O que você descreve é muito compatível com um quadro de “food noise” persistente associado a comportamento alimentar compulsivo, mesmo com IMC normal. Isso acontece porque o problema não está apenas na alimentação em si, mas na forma como o cérebro regula fome, saciedade e recompensa. Ou seja, é um quadro neurobiológico, não uma questão de falta de disciplina.
É bastante comum em pessoas que tiveram histórico de sobrepeso na infância: o corpo muda, mas os circuitos de fome e recompensa permanecem hiperativados.
Sobre qual especialista procurar: o ideal é uma abordagem integrada. O psiquiatra pode ajudar, principalmente na modulação de compulsão e ansiedade. Porém, médicos com atuação em metabolismo/nutrologia também têm um papel importante, especialmente quando pensamos em estratégias mais modernas que atuam diretamente no controle do apetite, saciedade e redução desse “barulho mental”.
Em relação ao uso de medicações como tirzepatida (Mounjaro), existe evidência de melhora significativa do “food noise” em muitos pacientes, mas isso precisa ser avaliado com critério, principalmente no seu caso, que já apresenta IMC baixo. Não é uma decisão baseada apenas em peso, e sim em contexto clínico completo.
O fato de seus exames estarem normais não exclui o problema o que você está sentindo é real, relativamente comum e tem tratamento.
Você já fez uma parte muito difícil, que é reconhecer e buscar ajuda. Agora, talvez o que falte seja uma estratégia mais direcionada e individualizada.
Se quiser, posso te ajudar com uma avaliação completa, integrando parte metabólica, comportamental e, se necessário, terapêutica, para reduzir esse “food noise” e melhorar sua qualidade de vida.
Dr. Julio Ide
O que você descreve é muito compatível com um quadro de “food noise” persistente associado a comportamento alimentar compulsivo, mesmo com IMC normal. Isso acontece porque o problema não está apenas na alimentação em si, mas na forma como o cérebro regula fome, saciedade e recompensa. Ou seja, é um quadro neurobiológico, não uma questão de falta de disciplina.
É bastante comum em pessoas que tiveram histórico de sobrepeso na infância: o corpo muda, mas os circuitos de fome e recompensa permanecem hiperativados.
Sobre qual especialista procurar: o ideal é uma abordagem integrada. O psiquiatra pode ajudar, principalmente na modulação de compulsão e ansiedade. Porém, médicos com atuação em metabolismo/nutrologia também têm um papel importante, especialmente quando pensamos em estratégias mais modernas que atuam diretamente no controle do apetite, saciedade e redução desse “barulho mental”.
Em relação ao uso de medicações como tirzepatida (Mounjaro), existe evidência de melhora significativa do “food noise” em muitos pacientes, mas isso precisa ser avaliado com critério, principalmente no seu caso, que já apresenta IMC baixo. Não é uma decisão baseada apenas em peso, e sim em contexto clínico completo.
O fato de seus exames estarem normais não exclui o problema o que você está sentindo é real, relativamente comum e tem tratamento.
Você já fez uma parte muito difícil, que é reconhecer e buscar ajuda. Agora, talvez o que falte seja uma estratégia mais direcionada e individualizada.
Se quiser, posso te ajudar com uma avaliação completa, integrando parte metabólica, comportamental e, se necessário, terapêutica, para reduzir esse “food noise” e melhorar sua qualidade de vida.
Dr. Julio Ide
seu quadro sugere Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica com “food noise” crônico e ciclo de restrição–compulsão, mesmo com IMC normal, o que aponta para base neuropsiquiátrica mais do que nutricional, sendo o profissional prioritário o psiquiatra com experiência em transtornos alimentares para reavaliar diagnóstico (incluindo espectro obsessivo) e indicar tratamento combinado, podendo envolver medicações com evidência para reduzir compulsão e ruminação alimentar (como lisdexanfetamina, bupropiona/naltrexona ou, em casos selecionados, agonistas de GLP-1 como tirzepatida), sempre associado a psicoterapia estruturada específica (TCC para compulsão) e suporte nutricional comportamental, já que abordagens isoladas tendem a falhar em quadros persistentes como o seu. procure o Doutor Rodrigo Teixeira para um acompanhamento personalizado
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