Olá, doutores. Tenho 22 anos e estou em investigação para possível transtorno bipolar. Após a primei

3 respostas
Olá, doutores. Tenho 22 anos e estou em investigação para possível transtorno bipolar. Após a primeira consulta psiquiátrica, me foi prescrito Divalcon ER 250mg para uso noturno. Gostaria de entender melhor o motivo clínico que pode levar um psiquiatra a optar pelo valproato (Divalcon) em vez de outros estabilizadores de humor, considerando que tenho um histórico de episódios depressivos intensos e de formação recorrente de cálculos renais, com quatro cirurgias já realizadas tão novo.

Minha principal dúvida é se o Divalcon é seguro e indicado para quem tem histórico de pedras nos rins, e se há risco de agravar esse quadro. Também gostaria de entender se o valproato costuma ser prescrito mesmo em casos onde o diagnóstico bipolar ainda não está confirmado, e qual seria a justificativa terapêutica para iniciá-lo em um paciente com predominância de sintomas depressivos. Agradeço desde já pela atenção e pela explicação sobre a lógica dessa escolha e os cuidados que devo ter.
Normalmente não se prescrevem estabilizadores de humor, a não ser que já se tenha um diagnóstico, no mínimo "provável" de transtorno bipolar. O valproato é mais indicado nos episódios de mania, mas não é errado usá-lo como estabilizador de humor, nas outras fases, apesar de geralmente não ser a primeira opção - o porquê de o ter escolhido em seu caso, é algo que deve perguntar ao seu médico. Não está contra-indicado em casos de cálculos renais ou mesmo de insuficiência renal.

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Boa tarde! Transtorno afetivo bipolar (TAB) é um diagnóstico que pode demorar a ser realizado pela própria complexidade do quadro. É necessário ao menos um episódio de mania (a pessoa pode apresentar humor elevado, como uma felicidade fora do comum ou muito irritado, um aumento importante da energia, aceleração dos pensamentos, necessidade de falar o tempo tood, redução da necessidade de sono, se sentir muito distraída, com dificuldade em manter o raciocínio, aumento no uso de substâncias, gastos e compras excessivas, aumento na atividade sexual, além de outros sintomas, como delírios e alucinações em casos muito graves) para fazer o diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1 e ao menos um episódio de hipomania (uma forma mais leve dos sintomas de mania) e depressão para transtorno bipolar tipo 2. Muitas vezes, episódios hipomaníacos passam despercebidos pelo paciente e por pessoas próximas, sendo necessário uma anamnese cuidadosa e algumas vezes conversas com familiares para que o psiquiatra consiga detectar e fazer esse diagnóstico com precisão. Também é comum que na maior parte do tempo (sem tratamento) os pacientes estejam na fase depressiva do TAB, que é exatamente igual à depressão maior (a depressão "comum"). Apesar dos sintomas serem os mesmos, o tratamento é completamente diferente. Para depressão maior, utilizamos os antidepressivos; para TAB, estabilizadores de humor e antipsicóticos. Quando utilizamos antidepressivos em pessoas com TAB, usualmente não há efeito algum ou uma desestabilização de humor que chamamos de "virada maníaca" na qual o paciente "melhora" muito rápido e apresenta os sintomas de mania ou hipomania. Sobre a escolha do tratamento, existem muitas opções que envolvem estabilizadores de humor clássicos, como lítio, lamotrigina e divalproato de sódio (Divalcon) e os antipsicóticos. O divalcon é um dos medicamentos de primeira linha para tratamento do TAB, eficaz tanto para tratar a fase depressiva, quanto para tratar a fase maníaca ou hipomaníaca e para manter o humor estável durante a fase de manutenção (mantemos o medicamento mesmo depois que o paciente se sente bem para evitar que volte a ficar deprimido ou em mania). Escolho o tratamento baseado em algumas variáveis, como eficácia, segurança, custo, mas principalmente, preferência do paciente. Cada medicamento vai ter efeitos colaterais diferentes, então sempre informo as principais opções, como funciona, o que pode causar de efeitos negativos no organismo e compartilho a decisão com o paciente. Especificamente sobre o Divalcon, a substância não aumenta o risco de desenvolver pedras nos rins. Os efeitos colaterais mais comuns da substância são sonolência, ganho de peso e tremores. Aproveito para alertar que é um remédio que só pode ser utilizado por mulheres em idade fértil caso use também um método contraceptivo, pois causa malformações fetais. Converse com seu médico sobre essas dúvidas para que ele possa lhe informar melhor e explicar o que o faz pensar nesse diagnóstico de TAB baseado na sua história clínica. Desejo melhoras!!
São várias perguntas importantes. Infelizmente a maioria delas só podem ser respondidas por um psiquiatra que tenha escutado atentamente a sua história de vida inteira e de todos os seus episódios.
O divalproato (Divlacon ER) é uma medicação adequada para casos de transtorno bipolar e não afeta a formação de novas pedras no rim.
Normalmente é prescrito com o diagnóstico de bipolar já confirmado, até porque medicar para bipolar não se deve ser feito de maneira leviana, já que um profissional que no futuro lhe atenda sempre terá medo de tirar uma medicação dessas se pergunta "porque foi prescrita?" No entanto seria necessário entender mais sobre o seu psiquiatra quis dizer com ainda estar em dúvida e os motivos que ele teria de ter prescrito agora. Pois eles existem e conversando bem com o paciente, explicando bem é possível sim, e é isso que cria uma boa relação de confiança entre médico e paciente.

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