Olá! Em 3+ anos de tratamento c/ mesmo psiquiatra, não houve melhora significativa do quadro depress
Olá! Em 3+ anos de tratamento c/ mesmo psiquiatra, não houve melhora significativa do quadro depressivo que se mostra persistente, c/ alternância entre períodos melhores e ruins. Nestas ocasiões, há o acréscimo de algum outro medicamento estabilizador de humor, que não faz efeito no médio prazo, tem efeito por período reduzido, ou efeitos colaterais que neutralizam os (+s). Como proceder qdo já se está no limite da exaustão, por falta duma melhora algo significativa num momento de hipomania prolongada? Grata pela atenção!
8 respostas
É impossível opinar sobre seu caso individual, sem conhecê-la pessoalmente. Infelizmente, em alguns casos, a depressão é mesmo mais difícil de tratar e, mesmo com tratamento correto, acontece o que você está descrevendo. Por outro lado, não é raro recebermos pacientes no consultório que não estão melhorando, talvez, porque o tratamento não está sendo bem conduzido e os principais problemas que encontramos são os seguintes: uso de medicação em doses insuficientes, não-seguimento das diretrizes comprovadas de tratamento (no sentido de progredir de tratamentos com antidepressivos menos potentes para os mais potentes ou associações de remédios) e uso das medicações por tempo insuficiente (i.e., todas as medicações devem ser tentadas em doses suficientes e por períodos corretos, antes de se tentar uma nova medicação). Estes problemas podem ocorrer tanto por inexperiência do psiquiatra quanto por questões do paciente como, por exemplo, ser pouco tolerante a efeitos colaterais e, sempre que aparecem, solicitar troca da medicação ou não comparecer às consultas com suficiente regularidade para que se mude o tratamento, caso não esteja funcionando adequadamente.
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Além disso, para que qualquer tratamento seja bem sucedido, é necessário o diagnóstico correto e completo. É comum a depressão vir como diagnóstico segundário e esse primeiro não tratado pode estar intervindo. Em caso de depressão, a ciência já mostrou a importância da psicoterapia para a melhora do paciente. Sugiro, então, conversar com atual psiquiatra sobre as possibilidades da instabilidade no tratamento, quanto a busca por psicoterapia, em que a melhora para sintomas depressivos costuma ser significativa.
Acho q a psicoterapia poderia ajudar no tratamento global. Como também a terapia ocupacional. Ou seja uma equipe interdisciplinar
Olá, sua pergunta é bem importante, pois nos permite pensar sobre a depressão como um sintoma não estritamente médico, mas global, social e contemporâneo. É bastante comum o uso de antidepressivos e estabilizadores de humor diversos em pacientes com quadros depressivos persistentes, ou em fases depressivas do Transtorno Afetivo Bipolar, a medicação atua diretamente nas questões orgânicas e neuronais, dando suporte ao paciente para lidar com o desânimo excessivo, a falta de tônus muscular, apatia, ausência de prazer na maior parte das atividades que realiza, dificuldade de se alimentar, ou alimentação em excesso, etc, porém, a ação dos psicotrópicos(remédios) tem um lugar no tratamento e um limite de ação, que não exclui o paciente da responsabilidade de prover um cuidado de si. Muitas vezes os sintomas depressivos ocupam vazios existenciais, lugares de frustração amorosa, pessoal, familiar ou profissional que requerem um cuidado mais intensivo, e que convocam a pessoa que vive este sofrimento a contar sobre sua vida, a lidar com as limitações que as realidades que vivenciamos impõem. Este processo de elaboração, muitas vezes doloroso, tem o objetivo de gerar novas possibilidades de existência, ainda não pensadas e experimentadas por quem vive este intenso sofrimento psíquico, nomeado hoje como Depressão. Os acompanhamentos psiquiátricos têm um lugar importante no cuidado da Depressão, principalmente nos casos mais graves, mas geralmente não dispõem do tempo necessário para a escuta do sofrimento de seus pacientes. Pelos motivos expostos é possível entender a eficácia das psicoterapias no tratamento da Depressão, como formas complementares e humanizadas de cuidado no processo de elaboração do sofrimento psíquico.
Não sei em detalhes o tipo de tratamento que você está recebendo. Mas a depressão é algo que não é só causada por fatores biológicos, portanto a medicação não dá conta de tudo. Há algo psíquico que deve ser trabalhado. A medicação vai tratar os sintomas, mas o que causa os sintomas vai permanecer sem ser trabalhado se não houver espaço para a palavra. Ou seja, o ideal é que você esteja fazendo atendimentos psicológicos para falar e trabalhar suas questões, indo na "raiz do problema" e ressignificando sua história de vida.
Após mais de três anos de tratamento sem melhora significativa, com múltiplas estratégias farmacológicas e relato de possível hipomania, é pertinente realizar uma revisão diagnóstica e terapêutica ampla, e não apenas acrescentar sucessivamente novos medicamentos. A presença de períodos de hipomania pode modificar substancialmente o raciocínio sobre antidepressivos, estabilizadores do humor e diagnóstico dentro do espectro bipolar. É importante reconstruir cronologicamente episódios de depressão e elevação do humor, sono, energia, impulsividade e resposta a cada medicamento, incluindo dose e duração. Em quadros realmente resistentes, também podem ser discutidas estratégias especializadas, incluindo modalidades de neuromodulação, dependendo do diagnóstico final. Uma segunda opinião com psiquiatra experiente em transtornos do humor resistentes pode ser bastante útil. Se essa exaustão estiver acompanhada de pensamentos de morte ou incapacidade de manter sua segurança, procure avaliação de urgência.
A persistência de sintomas depressivos apesar de vários tratamentos exige reavaliação diagnóstica e terapêutica abrangente, especialmente quando existem episódios descritos como hipomania prolongada. Essa informação é clinicamente relevante porque pode sugerir um transtorno do espectro bipolar, embora a confirmação dependa de investigação detalhada da duração, intensidade e características das alterações do humor. É importante revisar todos os medicamentos utilizados, doses, tempo de tratamento, adesão, efeitos adversos e possíveis condições associadas, como alterações tireoidianas, distúrbios do sono e uso de substâncias. Em determinados casos, estratégias farmacológicas específicas, psicoterapia estruturada e tratamentos para depressão resistente podem ser considerados. Entretanto, mudanças frequentes sem esclarecimento diagnóstico podem dificultar a estabilização. Recomendo reavaliação psiquiátrica prioritária, preferencialmente com experiência em transtornos do humor. Se a exaustão estiver acompanhada de pensamentos suicidas ou incapacidade de manter sua segurança, procure atendimento de urgência.
A persistência de sintomas depressivos após três anos de tratamento, associada a períodos de possível hipomania e respostas insatisfatórias a diferentes medicamentos, exige uma reavaliação diagnóstica abrangente. É fundamental investigar a possibilidade de transtorno bipolar, depressão resistente ao tratamento, estados mistos e condições clínicas ou medicamentosas que possam interferir na estabilidade do humor. A presença de sintomas hipomaníacos é particularmente relevante, pois pode modificar significativamente a estratégia terapêutica e exigir cautela com antidepressivos. A investigação deve incluir histórico longitudinal dos episódios, tratamentos anteriores, doses, duração, efeitos adversos e padrões de sono. Dependendo do diagnóstico, existem alternativas farmacológicas, psicoterapêuticas e intervenções como estimulação magnética transcraniana ou eletroconvulsoterapia em situações selecionadas. Recomendo reavaliação psiquiátrica prioritária, especialmente diante da exaustão relatada, para construir um plano terapêutico mais direcionado e seguro. Caso existam pensamentos suicidas ou perda importante do controle comportamental, procure atendimento de urgência.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.



