Olá! Minha pergunta é sobre saúde sexual e pornografia: Passei minha adolescência consumindo pornogr
Olá! Minha pergunta é sobre saúde sexual e pornografia: Passei minha adolescência consumindo pornografia com muita frequência. Com 18 anos comecei a ter relações sexuais e desde então tenho tido dificuldades. O meu desejo sexual está praticamente condicionado ao ato da masturbação sozinho com uma tela. Durante a intimidade com outra pessoa minha sensibilidade sexual é quase nula, e mesmo o clímax é frustrante. Nos últimos meses tenho tomado bastante consciência sobre isso, e diminuí consideravelmente esse hábito, porém tenho dúvidas sobre o processo. Muito se fala do "reboot de 90 dias sem pornografia", me parece um pouco promessa milagrosa haha. Acredito ser capaz de parar com o hábito e "reformular" minha experiência com a sexualidade, porém gostaria de saber sobre isso com especialistas. É realmente possível que, parando com esses hábitos, eventualmente se possa "reprogramar" a experiência sexual? Digo, desenvolver uma sexualidade saudável, sensibilidade na intimidade com outra pessoa, reverter disfunções causadas pelo consumo prolongado de pornografia... Já tive experiências reais mais agradáveis, geralmente quando envolve sentimento e relacionamento. Porém, no geral, tem sido muito difícil manter relações sexuais. Tenho pensado em algum acompanhamento também. Um psicólogo que trata de sexualidade é capaz, ou é necessário também uma especialidade médica? Agradeço desde já a todos que cederem um tempo para me responder. Grato!
6 respostas
Olá! Parabéns pela forma como você está refletindo sobre sua própria sexualidade. O que você descreve é uma situação observada por muitos profissionais da sexualidade e pode estar relacionado ao condicionamento da excitação a determinados estímulos, e não necessariamente a um dano permanente. Até o momento, não existem evidências científicas de que um "reboot de 90 dias" seja capaz de restaurar automaticamente a função sexual. Por outro lado, sabemos que a sexualidade é dinâmica e pode ser modificada ao longo da vida. Ao reduzir o consumo de pornografia e desenvolver novas experiências de intimidade, prazer e conexão com o próprio corpo e com o(a) parceiro(a), muitas pessoas apresentam melhora significativa. O acompanhamento com um psicólogo ou terapeuta sexual costuma ser um excelente ponto de partida. Em alguns casos, também podem ser indicadas terapias corporais baseadas em educação e consciência corporal, além de avaliação médica para excluir fatores orgânicos quando necessário. Como você já percebe que as experiências são melhores quando existe vínculo afetivo, esse é um sinal bastante positivo. Um acompanhamento individual pode ajudá-lo a compreender quais fatores estão mantendo esse padrão e favorecer uma vivência sexual mais saudável e satisfatória.
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Olá! Sim, um psicólogo que trabalhe com sexualidade pode ajudá-lo, e a Terapia Cognitivo-Sexual é especialmente indicada para compreender dificuldades como as que você descreveu. Nesse processo, não trabalhamos apenas a retirada da pornografia. Investigamos como seu desejo e sua excitação foram sendo associados à masturbação, à tela e a determinados estímulos, além de fatores como ansiedade de desempenho, expectativas, pensamentos durante a relação, atenção às sensações corporais e dificuldades em responder aos estímulos presentes na intimidade com outra pessoa. É possível desenvolver novas formas de vivenciar a sexualidade. Por isso, eu teria cautela com a ideia de um “reboot de 90 dias”. Não existe um prazo mágico para “reprogramar” a resposta sexual. O tratamento busca ampliar gradualmente o repertório de excitação e prazer, favorecendo uma sexualidade compartilhada mais satisfatória. O acompanhamento médico também pode ser importante, mas não necessariamente substitui a terapia sexual. Dependendo da dificuldade apresentada, um urologista pode investigar fatores orgânicos, hormonais, medicamentosos ou outras condições físicas. Muitas vezes, o melhor cuidado é justamente a atuação complementar entre psicólogo e médico. Sou psicóloga, atuo com Terapia Cognitivo-Sexual e Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalhando questões relacionadas à sexualidade, pornografia, ansiedade de desempenho e dificuldades sexuais. Atendo on-line brasileiros em qualquer lugar do mundo e presencialmente no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Espero ter ajudado!
Olá! Em primeiro lugar, quero parabenizá-lo pela forma como você está refletindo sobre a sua sexualidade. Pelo seu relato, você já percebeu que existe um padrão aprendido entre masturbação, pornografia e excitação sexual. A boa notícia é que esse padrão não é permanente. Não existem evidências científicas de que seja necessário um “reboot de 90 dias” ou que haja um prazo específico para “reprogramar” o cérebro. O que sabemos é que, ao reduzir o consumo de pornografia e ampliar gradualmente as experiências de intimidade real, muitas pessoas conseguem desenvolver uma resposta sexual mais flexível e satisfatória. O fato de você relatar que as experiências reais são mais prazerosas quando envolvem vínculo afetivo é um indicativo positivo e sugere que sua resposta sexual não está “perdida”, mas pode estar condicionada a um determinado padrão de estímulo. Acredito que um acompanhamento com um psicóloga e também sexóloga seja um excelente primeiro passo. Caso exista alguma suspeita de fatores hormonais ou outras condições clínicas, um médico (urologista ou endocrinologista) também poderá contribuir com a investigação. Na maioria dos casos, porém, o tratamento envolve principalmente a reeducação sexual e o trabalho psicoterápico. Em relação ao Uso Problemático de pornografia a terapia sexual tem bons resultados; Fico á disposição!
Olá. O que você descreve é uma dificuldade que algumas pessoas relatam após anos de consumo frequente de pornografia, principalmente quando a excitação fica muito associada a um tipo específico de estímulo. Isso não significa que sua sexualidade esteja “perdida”, mas que novos caminhos de prazer e conexão podem precisar ser construídos. O chamado “reboot de 90 dias” não deve ser visto como uma fórmula ou prazo fixo, mas algumas pessoas percebem mudanças ao reduzir ou interromper o consumo de pornografia e ao desenvolver uma relação mais consciente com a própria sexualidade. A resposta varia de pessoa para pessoa. Um psicólogo com formação em sexualidade pode ajudar bastante nesse processo, trabalhando aspectos relacionados à excitação, expectativas, ansiedade, vínculo e experiências sexuais. Uma avaliação médica pode ser necessária caso existam fatores físicos envolvidos. O fato de você já perceber que experiências com afeto e conexão foram mais satisfatórias é uma informação importante sobre sua própria sexualidade. Buscar ajuda pode ser um caminho para compreender melhor esses padrões e construir uma vida sexual mais saudável.
Olá! Neste caso, é importante procurar um sexólogo ou um profissional de Psicologia especializado em sexologia e sexualidade, como eu. É possível, sim, construir uma vida sexual saudável, na qual estejam presentes liberdade, prazer e autonomia sexual. A pornografia pode trazer diversos impactos negativos para a saúde sexual, especialmente quando utilizada de forma excessiva, podendo reforçar crenças e comportamentos que geram sofrimento, além de contribuir para padrões de dependência e afastamento da realidade da sexualidade.
É possível e faz parte terapia sexual propor formas de modificar padrões de excitação e construir uma experiência sexual mais satisfatória, mas eu teria cuidado com a ideia de um "reboot de 90 dias" como uma fórmula ou prazo garantido. A resposta sexual é influenciada por diversos fatores, e o consumo de pornografia pode ser apenas uma parte dessa história. Como você já percebeu mudanças positivas ao reduzir o consumo, vale explorar isso com mais profundidade. A terapia sexual realizada por um psicólogo especializado em sexualidade, pode ajudar a compreender os padrões de excitação, masturbação, expectativas, ansiedade e dificuldades na intimidade, trabalhando gradualmente para ampliar as experiências de prazer com outra pessoa. A sexualidade pode ser aprendida, ressignificada e desenvolvida ao longo do processo terapêutico.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.



