Olá, sou bipolar tipo 2 e faço acompanhamento continuo com o psiquiatra a 20 anos. A quetiapina é o

Olá, sou bipolar tipo 2 e faço acompanhamento continuo com o psiquiatra a 20 anos. A quetiapina é o único remédio que me estabilza, mas tenho dores abdominais horríveis e engordo cerca de 2kg/mês então uso outros medicamentos não tão eficazes. Os antipsicóticos atípicos me causam acatisia. Sim, faço atividade física, como pouco e sou magra. Eu gostaria de saber se vale a pena associar o Mounjaro para melhorar o quadro metabólico, caso tente a quetiapina novamente. Obrigada.

8 respostas


Pode fazer sentido discutir essa possibilidade, mas não como uma decisão isolada. Medicamentos como o Mounjaro podem ajudar no controle de peso e parâmetros metabólicos em alguns pacientes, inclusive quando o ganho de peso está relacionado a antipsicóticos. Porém, no seu caso, como você relata dor abdominal importante com quetiapina, ganho de peso rápido, bipolaridade tipo 2 e boa estabilidade apenas com essa medicação, a decisão precisaria ser feita em conjunto entre psiquiatra e endocrinologista.

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Entendo sua preocupação, principalmente porque você já identificou um tratamento que controla bem os sintomas, mas que traz efeitos colaterais difíceis de tolerar. Hoje sabemos que alguns pacientes apresentam alterações metabólicas importantes durante o uso de determinados medicamentos psiquiátricos, e existem estratégias para tentar minimizar esse impacto. No entanto, a decisão de associar outro tratamento com esse objetivo precisa ser muito individualizada, levando em consideração seu histórico, exames, risco metabólico e os possíveis benefícios e limitações dessa abordagem. Como você faz acompanhamento há muitos anos e conhece bem a resposta do seu organismo, acredito que essa seja uma discussão válida para ter com o seu psiquiatra. O objetivo é encontrar o melhor equilíbrio possível entre estabilidade do transtorno bipolar e qualidade de vida, sempre considerando tanto a eficácia do tratamento quanto sua tolerabilidade a longo prazo.


Entendi seu contexto, e ele é bem relevante porque envolve transtorno bipolar tipo 2, resposta clara à quetiapina e efeitos metabólicos importantes. Sobre o Mounjaro (tirzepatida): ele é um medicamento aprovado para diabetes tipo 2 e obesidade, com forte efeito em redução de peso e melhora da resistência à insulina, e pode sim ser considerado em pessoas que usam antipsicóticos que causam ganho ponderal importante, como a quetiapina. Em termos práticos, em psiquiatria e endocrinologia, já existe uso cada vez mais frequente de agonistas incretínicos (como semaglutida e tirzepatida) para mitigar ganho de peso induzido por antipsicóticos, especialmente quando: há estabilidade psiquiátrica importante com o antipsicótico outras opções foram mal toleradas (como no seu caso com acatisia) existe impacto metabólico relevante apesar de dieta e exercício No seu caso, alguns pontos são importantes: Você relata que a quetiapina é a única que estabiliza seu humor → isso pesa muito a favor de mantê-la se necessário Você tem ganho de peso rápido e sintomas gastrointestinais → isso torna a estratégia metabólica ainda mais relevante Já tentou outros antipsicóticos com efeitos colaterais importantes → limita alternativas psiquiátricas Então, sim: faz sentido discutir Mounjaro como estratégia adjuvante, mas com algumas cautelas: precisa ser avaliado por endocrinologista (ou psiquiatra com experiência metabólica) monitorar humor (qualquer perda de apetite importante ou perda de peso rápida pode impactar estabilidade em transtorno bipolar) avaliar função gastrointestinal, já que você já tem dor abdominal com quetiapina (Mounjaro também pode dar efeitos GI no início) Sobre o risco psiquiátrico: os agonistas de GLP-1/GIP como tirzepatida não são conhecidos por piorar bipolaridade diretamente, mas qualquer mudança metabólica rápida pode impactar energia, sono e apetite — por isso o acompanhamento conjunto é essencial. Em resumo: Sim, pode ser uma estratégia válida para reduzir o impacto metabólico da quetiapina, especialmente no seu perfil de boa resposta psiquiátrica e intolerância a outras medicações — mas deve ser integrado ao seu tratamento, não isolado.


Com base nas suas informações, não há como saber se já esgotou realmente os tratamentos mais eficazes para transtorno bipolar - por exemplo, você não relata se já usou lítio. Quanto à acatisia, ela é mais frequente com antipsicóticos de primeira geração e não com os atípicos - ou seja, seu caso é diferente da maioria ou se confundiu com o termo. Quanto ao uso do Mounjaro* (tirzepatida) vai depender de cada caso mas, certamente, em alguns casos como o seu, está indicado. No entanto, deve-se lembrar que seu uso não deve ser permanente e pessoas que não fazem reeducação do comportamento alimentar, durante o uso da tirzepatida, frequentemente recuperam o peso, quando param a droga. Assim, seu uso sempre se deve associar a reeducação nutricional. Quanto aos exercícios físicos, são sempre bons para a saúde (se não houver contraindicação, logicamente), porém para contribuírem significativamente para a perda de peso, em geral precisam ser praticados numa intensidade e frequência que não corresponde àquelas com que a maioria das pessoas os pratica. Assim, hoje em dia, acredita-se que o principal fator para o controle de peso seja mesmo a alimentação.


Pode associar sim


Sim, essa é uma possibilidade que pode ser discutida com o seu psiquiatra. Os agonistas do receptor de GLP-1, como a tirzepatida (Mounjaro), têm demonstrado resultados promissores na redução do ganho de peso associado a alguns psicofármacos, incluindo antipsicóticos. Entretanto, essa decisão deve considerar o conjunto do seu tratamento, seus sintomas, outras doenças, possíveis efeitos adversos e o custo da medicação. No seu caso, também merece atenção o relato de dor abdominal importante com a quetiapina, pois esse sintoma não deve ser atribuído apenas ao ganho de peso e pode exigir investigação. O objetivo do tratamento não é apenas controlar o transtorno bipolar, mas encontrar a melhor combinação entre eficácia, tolerabilidade e qualidade de vida. Respeitosamente, Prof. Dr. Fábio Silva


A situação que você descreve é relativamente comum no acompanhamento do transtorno bipolar tipo 2: alguns pacientes apresentam excelente resposta com determinados estabilizadores, mas precisam lidar com efeitos adversos que impactam a qualidade de vida. A quetiapina realmente possui evidência para estabilização do humor em transtornos bipolares, porém pode estar associada a efeitos metabólicos, como aumento de peso, alterações de glicemia e resistência à insulina, além de sintomas gastrointestinais em algumas pessoas. O Mounjaro® (tirzepatida) atua no metabolismo da glicose e no controle do peso, mas sua indicação deve ser avaliada individualmente. Ele não trata diretamente o transtorno bipolar nem substitui o acompanhamento psiquiátrico. Em alguns pacientes que apresentam ganho de peso relacionado a medicamentos psiquiátricos, pode ser considerado como estratégia metabólica, desde que haja indicação clínica e acompanhamento adequado. Antes de iniciar, é importante discutir com o psiquiatra e, idealmente, com endocrinologista, avaliando peso, composição corporal, glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico e histórico gastrointestinal. Também é necessário considerar possíveis efeitos adversos da tirzepatida, como náuseas, redução importante do apetite e sintomas digestivos, especialmente porque você já relata dor abdominal com a quetiapina. Uma alternativa é conversar com seu psiquiatra sobre estratégias para minimizar os efeitos metabólicos da quetiapina, incluindo dose, horário, monitorização e possíveis combinações terapêuticas. A decisão deve buscar manter a estabilidade do humor com o menor impacto possível na saúde física.


No Transtorno Afetivo Bipolar tipo 2 (TAB II), a escolha do estabilizador de humor deve sempre considerar o equilíbrio entre controle dos sintomas psiquiátricos, tolerabilidade e efeitos metabólicos. A quetiapina realmente possui boa evidência no tratamento do transtorno bipolar, mas em alguns pacientes pode causar efeitos adversos como aumento do apetite, ganho de peso, alterações de glicemia e perfil lipídico, além de desconfortos gastrointestinais. Os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como a tirzepatida (Mounjaro), têm sido estudados principalmente para obesidade e diabetes, com resultados positivos na redução de peso e melhora de parâmetros metabólicos. Entretanto, no contexto do transtorno bipolar, o uso deve ser avaliado com cautela, pois a prioridade é manter a estabilidade do humor. Ainda existem limitações sobre o uso desses medicamentos especificamente para prevenir ou tratar efeitos metabólicos causados por antipsicóticos em pessoas sem indicação metabólica formal. No seu caso, a decisão envolve uma análise individual entre o benefício de voltar a uma medicação que estabiliza bem o humor e o impacto dos efeitos adversos. O psiquiatra pode avaliar alternativas como ajuste de dose, mudança de horário, estratégias para reduzir efeitos metabólicos ou associação com tratamentos específicos quando houver indicação. Também é importante investigar as dores abdominais, pois um sintoma intenso e persistente merece avaliação antes de atribuí-lo apenas ao medicamento. A conversa ideal envolve o psiquiatra que acompanha seu transtorno bipolar há anos, pois ele conhece sua resposta aos tratamentos anteriores, histórico de recaídas e riscos individuais. Qualquer intervenção para peso ou metabolismo deve ser planejada em conjunto, evitando comprometer a estabilidade psiquiátrica conquistada ao longo do tempo.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.