Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d

Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”. Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente. Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado. Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.

4 respostas


O que você descreve pode ser entendido, em muitos casos, como uma tentativa da mente de lidar com angústias que não encontram outra forma de expressão. Quando um pensamento aparece de forma involuntária, isso não significa que ele represente um desejo ou que tenha chance de acontecer. Significa apenas que algo está produzindo sofrimento e encontrou essa forma de se manifestar. Quanto mais medo esses pensamentos provocam, maior tende a ser a vontade de afastá-los ou de buscar certezas de que nada ruim vai acontecer. Paradoxalmente, essa luta costuma fazer com que eles apareçam ainda mais. Na psicanálise, base para meu trabalho clínico, não tratamos esses pensamentos como algo a ser simplesmente eliminado, mas como uma manifestação que merece ser compreendida dentro da história de vida de cada pessoa. O foco não é apenas o sintoma, mas o que ele pode estar expressando. Pelo fato de isso estar acontecendo com frequência e gerar sofrimento, vale a pena procurar um psicólogo para uma avaliação mais aprofundada. Dependendo da evolução do quadro, uma avaliação psiquiátrica também pode ser importante. Você não precisa ter medo desses pensamentos nem enfrentá-los sozinho. Eles dizem que existe um sofrimento pedindo para ser escutado, não que definem quem você é. Estou disponível para ajudá-lo caso decida se consultar com um psicólogo.

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Os pensamentos que você descreve podem ser compatíveis com pensamentos intrusivos, comuns no TOC, principalmente por surgirem de forma involuntária, causarem ansiedade e levarem à necessidade de checar ou prevenir algo. Já os episódios da infância, com alterações da percepção (como a "bola gigante", espinhos e sensação de pressão), merecem investigação à parte, pois também podem ter causas neurológicas. O mais indicado é iniciar a avaliação com um psiquiatra. Se necessário, ele poderá encaminhá-lo a um neurologista para investigar esses episódios perceptivos. Uma avaliação detalhada é importante para diferenciar as possíveis causas e definir o tratamento adequado.


Olá, seus sintomas precisam ser avaliados com muita calma e cuidado para que seja compreendidos e diagnosticados da forma correta, logo, também tratados. Apenas com seu relato, mesmo bastante detalhado é inviável fazer qualquer consideração acerca de seu estado. Inicialmente o caminho é a psicoterapia, o profissional poderá também te encaminhar para um psiquiatra caso sinta necessidade para que eles trabalhem em conjunto. Melhoras!


Olá! Obrigada por compartilhar sua experiência com tantos detalhes. Pelo que você descreve, não é possível definir um diagnóstico apenas por esse relato, mas os sintomas merecem uma investigação cuidadosa. Esses pensamentos intrusivos podem estar relacionados a diferentes condições, como transtornos de ansiedade (incluindo TOC), mas as alterações perceptivas que você relata desde a infância também indicam a importância de uma avaliação médica, especialmente com um neurologista, além do acompanhamento em saúde mental. Na psicoterapia, podemos compreender melhor a natureza desses sintomas, como eles impactam sua vida e quais caminhos de cuidado fazem mais sentido para o seu caso. Se houver necessidade, também posso orientar sobre o encaminhamento para outros profissionais durante o processo. Se você sentir que faz sentido, será um prazer acolher sua demanda e iniciarmos essa investigação juntos. Você pode agendar uma consulta diretamente pela plataforma ou entrar em contato comigo para conversarmos.

Luciana Silva Marins

Luciana Silva Marins

Psicólogo

Rio de Janeiro

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