Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi

Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto. Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?

50 respostas


Por mais que possa parecer estranho, muitas das vezes nos habituamos com o sofrimento e ele se aloca como um modo de funcionamento, ou seja, por traz desse sofrimento pode haver uma função sendo exercida por ele. Com a introdução da medicação, o sofrimento foi tirado de forma rápido e isso pode sim gerar desconforto, pois o sofrimento não foi elaborado, ele foi tirado. Por isso, é fundamental que você continue em seu processo terapêutico a fim de entender a origem desse sofirmento, qual era a função dele e ressignifica-lo para dar lugar ao bem-estar proporcionado pelo remédio.

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O que você descreve é bastante compreensível no início do tratamento, pois a diminuição da ansiedade pode produzir uma sensação de estranhamento, como se houvesse um “silêncio” interno ao qual você ainda não está habituada, especialmente após anos funcionando sob tensão; do ponto de vista clínico e também psicanalítico, não se trata de você deixar de ser quem é, mas de um rearranjo do seu modo de funcionamento psíquico, em que a ausência do excesso de angústia pode inicialmente ser vivida como perda de referência, o que explica essa sensação de não reconhecimento e até certa tristeza; com o tempo, a tendência é que essa tranquilidade deixe de parecer estranha e passe a ser integrada como parte do seu modo de estar no mundo, desde que possa ser elaborada em terapia, onde você vai construindo novas formas de se reconhecer sem precisar da ansiedade como eixo organizador, mantendo sempre o acompanhamento com a psiquiatra para avaliar efeitos e ajustes, caso necessário.

Anthony Souza

Anthony Souza

Psicólogo

Mogi Guaçu

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Sim, a tendência é que a medicação sirva ao propósito de reduzir a ansiedade e proporcionar uma sensação de calmaria e tranquilidade maior. Provavelmente você esteja estranhando porque o seu normal era se sentir ansiosa, mas a tendência é que você se acostume seu novo normal. Para isso, seria interessante trabalhar em terapia a racionalização dos pensamentos disfuncionais que te fazem questionar seu novo funcionamento. Caso precise, estou à dissociação. Sou especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, abordagem que utiliza dessa técnica e muitas outras.


O que você descreve é relativamente comum, especialmente em pessoas que conviveram por muitos anos com ansiedade intensa. Quando a ansiedade diminui, a sensação de calma pode parecer estranha, como se algo estivesse "fora do lugar". Isso não significa, necessariamente, que você esteja deixando de ser quem é. Muitas vezes, passamos a nos identificar com um determinado padrão de funcionamento, como pensar "eu sou uma pessoa ansiosa". Quando esse padrão muda, pode surgir a impressão de que perdemos uma parte da nossa identidade. No entanto, ansiedade é um estado, não uma definição de quem você é. Além disso, nosso cérebro tende a preferir aquilo com que já está familiarizado, mesmo quando esse padrão gera sofrimento. Por isso, é esperado que exista um período de adaptação. Antes, você já conhecia a ansiedade e, de certa forma, sabia como conviver com ela. Agora, está aprendendo a lidar com uma experiência nova: a tranquilidade. Na psicoterapia, vale a pena explorar qual era a função que a ansiedade exercia na sua vida. Em algumas pessoas, ela pode estar associada à sensação de estar sempre alerta, produtiva ou preparada para evitar problemas. Compreender esse papel facilita a adaptação a essa nova fase, em que a calma deixa de ser algo estranho e passa a ser uma experiência natural. Se a medicação está reduzindo sua ansiedade e você segue sendo acompanhada pela sua psiquiatra e pela sua psicóloga, a tendência é que, com o tempo, essa sensação de bem-estar se torne cada vez mais familiar. Caso a sensação de "não ser eu" persista ou aumente, converse novamente com sua psiquiatra para que ela possa avaliar se faz parte da adaptação ao tratamento ou se há necessidade de algum ajuste.


Pelo que você descreve, tanto sua psiquiatra quanto sua psicóloga trouxeram uma explicação bastante compatível com o que costuma acontecer. Quando alguém convive por muito tempo com ansiedade intensa, a ausência desse estado pode inicialmente parecer estranha, como se "faltasse alguma coisa". Isso não significa que você esteja deixando de ser quem é, mas que seu cérebro está se adaptando a um funcionamento diferente. Com a continuidade do tratamento, a tendência é que essa sensação de tranquilidade se torne mais familiar e natural. A psicoterapia é um espaço importante para ajudar nessa adaptação e para diferenciar o bem-estar de uma sensação de "estranhamento". Continue acompanhando como você se sente e mantenha esse diálogo com sua psiquiatra, especialmente se notar apatia intensa, tristeza persistente ou qualquer efeito que lhe preocupe.


É possível que essa tranquilidade seja justamente a redução da ansiedade, mas ainda é cedo para afirmar exatamente como você se sentirá ao longo do tratamento. Com 22 dias de sertralina, seu organismo permanece em adaptação, e os benefícios podem continuar se ajustando durante as próximas semanas. Quando alguém vive muitos anos com TAG, o estado de alerta pode passar a parecer parte da própria identidade. Nesse contexto, descansar a mente pode causar estranheza e até ansiedade: “Se não estou preocupada, será que continuo sendo eu?”. Isso não significa necessariamente que você tenha perdido sua personalidade; pode indicar que ainda está aprendendo a reconhecer como é funcionar sem tanta tensão. Mais importante do que decidir agora se essa sensação será seu “novo normal” é observar sua qualidade. Uma tranquilidade saudável permite continuar sentindo interesse, alegria, tristeza, afeto e motivação, mas sem a ansiedade dominando tudo. Já uma sensação persistente de vazio, apatia, indiferença, desconexão ou redução marcante das emoções merece ser relatada à psiquiatra. Você já tomou uma atitude adequada ao conversar com as duas profissionais. Continue levando exemplos concretos para as consultas: como estão seu sono, disposição, interesse, emoções e funcionamento diário. Não modifique ou suspenda a medicação por conta própria. Procure orientação antes do retorno programado se surgirem tristeza intensa, pensamentos de morte, agitação importante, insônia acentuada, impulsividade ou uma elevação de energia muito diferente do seu padrão.

Arthur Bicalho Lage

Arthur Bicalho Lage

Psicólogo

Belo Horizonte

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Olá! Quando você para de usar a medicação é que se sente agoniada? Quais são os seus objetivos com esses dois tratamentos?


Olá! Pelo que você descreve, essa sensação pode acontecer nas primeiras semanas de tratamento. Muitas pessoas que conviveram por anos com ansiedade intensa estranham o fato de se sentirem mais calmas, porque o estado de alerta acabou se tornando o "normal" do cérebro. Se sua psiquiatra e sua psicóloga avaliaram que essa tranquilidade está dentro do esperado, a tendência é que, com o tempo, ela deixe de parecer estranha e passe a ser percebida como um estado natural de bem-estar. A terapia é importante justamente para ajudá-la a se adaptar a essa nova forma de se sentir e a reconhecer que estar tranquila não significa "não ser você". Por outro lado, se essa sensação evoluir para apatia, perda de interesse pelas atividades, dificuldade para sentir emoções ou um desconforto persistente, vale conversar novamente com sua psiquiatra para reavaliar o tratamento. Continue acompanhando sua evolução com as profissionais que já conhecem o seu caso. Esse período de adaptação costuma fazer parte do início do tratamento, e a tendência é que você se sinta cada vez mais confortável com esse novo equilíbrio emocional.


Me parece muito importante levar essa dúvida para a terapia e dedicar um tempo para explorar esse tema. Antes, você passou muitos anos se reconhecendo a partir de um funcionamento marcado pela ansiedade e, agora, com o início da medicação e a melhora dos sintomas, pode estar vivendo um processo de se reconhecer de uma forma diferente. Essa estranheza merece ser compreendida, não apenas em relação aos efeitos da medicação, mas também ao significado que essa nova experiência tem para você. Vale refletir, junto da sua psicóloga, como tem sido a proporção desses efeitos no seu dia a dia, o que mudou na forma como você se percebe e como tem sido construir essa nova relação consigo mesma. Acredito que esse seja um tema muito importante de ser trabalhado em terapia, para que essa experiência possa ser integrada à sua história e vivida com mais tranquilidade.


Olá! O que você está descrevendo é uma experiência relativamente comum nas primeiras semanas de tratamento para o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Pelo seu relato, houve uma melhora importante da ansiedade e das crises após o início da sertralina. Ao mesmo tempo, essa sensação de tranquilidade tem lhe causado estranheza, como se você não estivesse sendo "você mesma". Isso pode acontecer porque, quando uma pessoa convive por muitos anos com um nível elevado de ansiedade, o estado de alerta constante passa a ser percebido como familiar. Quando esse estado diminui, o cérebro pode interpretar a calma como algo "diferente" ou até estranho, simplesmente porque ainda não está habituado a ela. A explicação dada pela sua psiquiatra e pela sua psicóloga é compatível com o que costuma ser observado na prática clínica. À medida que o tratamento evolui, muitas pessoas passam a perceber essa tranquilidade como algo mais natural. Em vez de sentir que "não são elas mesmas", começam a reconhecer que estavam vivendo sob um nível de ansiedade tão elevado que esse estado havia se tornado o padrão. Também é importante diferenciar tranquilidade de apatia ou embotamento emocional. A tranquilidade costuma vir acompanhada da capacidade de sentir emoções de maneira mais equilibrada e de lidar melhor com as situações do dia a dia. Já o embotamento emocional envolve uma redução importante da capacidade de sentir tanto emoções positivas quanto negativas. Caso você perceba que está indiferente a tudo, sem conseguir sentir alegria, interesse ou afeto, vale a pena conversar novamente com sua psiquiatra para reavaliar o tratamento. Na psicoterapia, esse período costuma ser muito importante. Com a redução da ansiedade, muitas pessoas começam a entrar em contato com emoções, pensamentos e necessidades que antes ficavam encobertos pelo estado constante de preocupação. Além disso, é um momento favorável para desenvolver estratégias que permitam manter a melhora a longo prazo, sem depender exclusivamente da medicação. Por isso, a tendência é que essa sensação de calma vá se tornando mais familiar ao longo das próximas semanas e meses. Em vez de representar uma perda da sua identidade, ela pode significar que seu organismo está encontrando um funcionamento mais equilibrado. Ainda assim, continue compartilhando essas percepções com sua psiquiatra e sua psicóloga, pois acompanhar essa adaptação faz parte do tratamento. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Olá! Pelo que você descreve, essa sensação de estranheza pode acontecer quando alguém passa muito tempo vivendo em estado de alerta e começa a experimentar uma redução importante da ansiedade. Quando a tensão, a antecipação e as crises estiveram presentes por muitos anos, elas podem acabar sendo percebidas como parte do próprio “jeito de ser”. Por isso, sentir-se mais tranquila pode inicialmente causar a impressão de que algo está diferente demais ou de que “não sou mais eu”. Isso não significa, por si só, que você esteja perdendo sua identidade. Com a continuidade do tratamento, é possível que esse estado de maior tranquilidade se torne mais familiar e natural. A psicoterapia pode ajudá-la justamente a reconhecer que descanso, silêncio mental e diminuição da vigilância não representam perigo, além de trabalhar os pensamentos e medos que aparecem quando você percebe essa mudança. Ao mesmo tempo, é importante continuar observando como essa tranquilidade se manifesta. Há diferença entre estar menos ansiosa e sentir apatia, sonolência excessiva, falta de motivação, indiferença emocional ou dificuldade para realizar suas atividades. Caso perceba esses sinais, aumento da tristeza ou piora no funcionamento, converse novamente com sua psiquiatra para que ela avalie a resposta e a tolerabilidade da medicação. Com apenas 22 dias de uso, você ainda está em uma fase inicial do tratamento. Evite interromper ou alterar a dose por conta própria. Continue acompanhando com sua psiquiatra e levando essa sensação para a terapia. O objetivo não é que a medicação transforme quem você é, mas que a ansiedade deixe de ocupar tanto espaço, permitindo que você viva com mais liberdade e bem-estar.


Sim, isso pode acontecer. Muitas pessoas que convivem com ansiedade por muito tempo estranham a sensação de calma quando os sintomas começam a melhorar. Após anos em estado de alerta, o cérebro pode interpretar a tranquilidade como algo incomum. Isso não significa que você "deixou de ser você", mas sim que está experimentando um funcionamento diferente, com menos ansiedade. Com 22 dias de uso da sertralina, o tratamento ainda está em fase inicial. É comum que o organismo continue se adaptando nas próximas semanas. Em geral, essa sensação de estranheza tende a diminuir à medida que você se acostuma ao novo estado emocional. O fato de você ter relatado isso tanto à psiquiatra quanto à psicóloga é positivo, e as orientações delas são coerentes entre si: a medicação reduz os sintomas, enquanto a terapia ajuda a reconstruir a relação com essa nova experiência de tranquilidade. Se, com o tempo, essa sensação evoluir para apatia intensa, perda de prazer nas atividades ou a impressão persistente de estar "desconectada" de si mesma, vale conversar novamente com a psiquiatra para reavaliar a medicação. Mas, pelo que você descreve, esse período de adaptação é compatível com o início do tratamento.


Olá, na verdade esse seu "novo normal" é sua realidade sem a ansiedade. Como se essa novidade na verdade fosse ser você mesma entende? A questão é você passou tanto tento sob efeito da turbulência da ansiedade que foi de alguma forma se acostumando e achando que era "normal" e agora que está sem estes sintomas acha estranho. Como já te falaram este é o processo e pelo que percebo você está indo muito bem, basta ter paciência com sua realidade atual.


Olá, acredito que a resposta que você procura realmente precisará de um pouco mais tempo para aparecer, você ainda está em um período relativamente inicial do tratamento. A Sertralina, como qualquer outro medicamento, podem surgir efeitos relacionados à adaptação, cada organismo processará de forma diferente. Caso essa sensação persista ou passe a causar um sofrimento importante, vale continuar discutindo isso com sua psiquiatra, para avaliar se há necessidade de algum ajuste, na dosagem ou no medicamento em si. Mas, não necessariamente estamos falando de um problema relacionado ao medicamento, mas com a sua adaptação para um estado mais relaxado, comparado ao que você experienciava anteriormente. Pode não ser um novo normal, mas um novo lado que você esteja conhecendo e que precisará aprender a lidar com o estado de "não estar em alerta". De qualquer forma, tente observar com calma como seu corpo e sua mente reagirão nas próximas semanas, para entender qual a melhor rota para seguir! :)

Leonardo Filho

Leonardo Filho

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Sim, é esperado, om a ansiedade crônica controlada, a sensação de calma pode estranhar no início porque seu corpo se acostumou a viver em alerta constante — isso tende a se tornar mais natural com o tempo, como suas médicas apontaram. A tristeza/agonia ao parar pode ser tanto reação emocional a "não se reconhecer" quanto sinal de descontinuação da medicação, então vale sempre suspender só com orientação médica. Continue relatando essas sensações nas consultas, é assim que psiquiatra e psicóloga ajustam o tratamento e a terapia para essa adaptação.


Olá, como vai? Lidar com a adaptação da medicação, logo no início do tratamento, é uma das questões mais difíceis dentro do tratamento, e você está indo muito bem! Pois ao invés de desistir, você procura ajuda e mantém o seu tratamento regularmente! Leve essa questão à sua psicóloga, ela fez uma ótima orientação. Acredite também no vínculo dos profissionais que estão te acompanhando :) Espero ter ajudado, fico à disposição


Você descreve uma experiência que muitas pessoas relatam no início do tratamento para o transtorno de ansiedade generalizada. Após viver por muito tempo em um estado de alerta constante, a redução da ansiedade pode causar uma sensação de estranheza, como se algo estivesse "diferente". Isso, por si só, não significa que você tenha deixado de ser quem é. Pelo seu relato, sua psiquiatra e sua psicóloga já ofereceram uma explicação compatível com o que costuma ocorrer nesse período de adaptação. Ainda assim, é importante manter esse acompanhamento, pois a resposta à medicação é individual e precisa ser avaliada ao longo das próximas semanas. Do ponto de vista da psicanálise, além dos efeitos da medicação, vale a pena explorar o significado dessa sensação de "não ser eu". Muitas vezes, quando a ansiedade deixa de ocupar um lugar central, a pessoa precisa se familiarizar com uma forma diferente de estar no mundo e consigo mesma. Esse processo pode despertar dúvidas, estranhamento e até tristeza, especialmente quando a ansiedade esteve presente por muitos anos. Se essa sensação persistir, aumentar ou vier acompanhada de apatia intensa, perda de prazer ou outros sintomas que lhe causem preocupação, converse novamente com sua psiquiatra. O acompanhamento conjunto entre psicoterapia e psiquiatria é a melhor forma de distinguir uma adaptação esperada de algo que exija ajustes no tratamento. O objetivo não é que você se sinta "outra pessoa", mas que possa viver com menos sofrimento e mais liberdade, reconhecendo essa nova forma de funcionamento como algo que faça sentido para você.

Clarice Coelho

Clarice Coelho

Psicanalista

Curitiba

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Sim, essa sensação de bem estar é o seu novo normal, com o tempo você vai entender que é dessa homeostase que o nosso corpo e mente precisam


Sim, e não necessariamente seja TAG, vc poderia estar com TOC de pensamentos. A sertralina é uma excelente medicação. Ex. Digamos que o tanque do seu carro estava vazio, a sertralina mexeu nós neurotransmissores que estavam vazios e sáo essenciais, vc colocou a gasolina, a sertralina, agora teu cérebro prende nos teus neurônios as sinapses, como ocitocina, noradrenalina, neurônios bons para o melhor funcionamento da mente. A sertralina está enchendo o tanque e não deixando nada de bom passar sem ser captado pelos neurônios. Por isso, o bem estar, a mente calma. Um abraço


Enquanto eu lia sua pergunta, fiquei com a impressão de que você está vivendo algo que costuma acontecer com algumas pessoas no início do tratamento: a melhora dos sintomas trouxe uma sensação nova, mas essa novidade também passou a gerar dúvidas. Isso pode ser bastante angustiante, principalmente para quem conviveu durante muitos anos com a ansiedade como forma habitual de funcionar. Uma primeira reflexão importante é que, hoje, grande parte dos tratamentos em saúde mental acaba concentrando seus esforços na redução dos sintomas. E isso é muito importante, porque os sintomas podem causar um sofrimento enorme. No entanto, quando eles diminuem, muitas pessoas descobrem que precisam aprender a viver de uma forma diferente. Ou seja, não basta apenas a ansiedade diminuir; é preciso construir uma nova relação consigo mesma e com o mundo. Pela sua descrição, parece que isso já está começando a acontecer. Antes, muitas situações do cotidiano despertavam ansiedade e mantinham sua atenção constantemente voltada para o que poderia acontecer no futuro. Agora, com a melhora proporcionada pela medicação, você passa a experimentar um estado de maior tranquilidade. Curiosamente, aquilo que deveria ser um alívio pode causar estranheza justamente porque é uma experiência pouco conhecida para você. Também fiquei pensando em uma frase que você escreveu: "parece que não sou eu". Essa sensação costuma assustar bastante, mas nem sempre significa que você perdeu sua identidade. Muitas vezes, ela acontece porque durante anos a ansiedade esteve tão presente que acabou sendo confundida com a própria personalidade. Quando esse funcionamento muda, é natural surgir a dúvida: "quem sou eu sem essa ansiedade?". Essa costuma ser uma das tarefas mais importantes da psicoterapia. Existe outro aspecto que considero muito importante. A ansiedade generalizada raramente aparece do nada. Em muitas pessoas, ela vai sendo construída ao longo da vida como uma forma de lidar com determinadas experiências, conflitos ou até situações traumáticas. Aos poucos, o organismo aprende que precisa permanecer em alerta para tentar prever e controlar aquilo que poderia dar errado. Nesse sentido, a ansiedade não é apenas um conjunto de sintomas, mas também uma forma de se relacionar com o mundo. Talvez seja justamente esse o trabalho que sua psicóloga esteja propondo quando diz que essa nova sensação precisa ser elaborada na terapia. Se antes sua atenção estava constantemente ocupada tentando antecipar o futuro, agora você passa a ter um encontro muito maior com o presente. E esse encontro também pode ser assustador, principalmente para quem viveu muito tempo acreditando que precisava estar sempre preparada para resolver algo inesperado. Uma pergunta que talvez possa enriquecer esse processo terapêutico é: quando você olha para a sua história, consegue identificar quando essa forma ansiosa de viver começou? Houve algum período em que você passou a sentir que precisava controlar tudo ou antecipar tudo para se sentir segura? Compreender como essa maneira de funcionar foi construída costuma trazer muito mais segurança para viver as mudanças do que apenas observar a redução dos sintomas. Por fim, acredito que a tendência seja que essa tranquilidade deixe de parecer algo estranho e passe a ser vivida com mais naturalidade. Mas isso normalmente não acontece apenas pelo efeito da medicação. A psicoterapia tem um papel fundamental nesse processo, ajudando você a compreender sua história, fortalecer sua confiança e construir uma forma de viver em que o bem-estar deixe de parecer algo "emprestado" e passe a ser reconhecido como parte de quem você também pode ser.:::


É compreensível que essa tranquilidade cause estranheza, especialmente após muitos anos convivendo com a ansiedade. Quando estamos acostumados a viver em estado de alerta, sentir-se mais calma pode inicialmente parecer algo desconhecido. A medicação pode contribuir para a redução dos sintomas de ansiedade, enquanto a psicoterapia pode ajudá-la a compreender e se adaptar a essa nova experiência emocional. O objetivo não é deixar de sentir emoções, mas conseguir vivenciá-las sem que a ansiedade domine sua vida. É importante observar como essa tranquilidade se manifesta. Se você se sente mais calma, mas mantém seus interesses, vínculos e emoções, pode ser uma adaptação positiva. Caso perceba apatia, desconexão ou perda de interesse, converse com sua psiquiatra e sua psicóloga para que possam avaliar juntas. O mais importante é dar tempo ao processo e continuar acompanhando a evolução com os profissionais que cuidam de você. Estranhar o bem-estar, por si só, não significa que algo esteja errado.

Karla Teixeira

Karla Teixeira

Psicólogo

São Paulo

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Olha, busque reencontrar com sua essência, entendo isso. É muito estranho, mas entenda que existem momentos que são necessários esses espaços para que saiba que também merece relaxar. Deixe que o cuidado te alcance e respeite seu momento


Olá, tudo bem? Talvez a pergunta não seja se essa tranquilidade será o seu "novo normal", mas quem você acredita ser sem a ansiedade. Depois de tantos anos vivendo a partir dela, é compreensível estranhar sua ausência. Em vez de tentar voltar ao que era conhecido, talvez valha a pena perguntar: quem é você quando não precisa mais viver em estado de alerta?


O contraste entre viver durante anos em estado de alerta por causa do TAG e, de repente, experimentar tranquilidade pode gerar uma sensação de estranhamento. Muitas pessoas acabam associando, sem perceber, a própria identidade a esse funcionamento ansioso, então, quando a mente desacelera, pode surgir a impressão de "não ser mais a mesma pessoa". Isso não significa que você perdeu quem é, mas que seu cérebro está se adaptando a um padrão emocional diferente, com menos tensão e hipervigilância. Com o passar das semanas e dos meses, é comum que essa sensação de estranheza diminua e a tranquilidade passe a ser vivenciada de forma mais natural, tornando-se o seu novo referencial de bem-estar. A terapia tem um papel importante nesse processo, ajudando você a reconhecer que essa calma não é um vazio ou uma perda da sua identidade, mas um espaço que antes era ocupado pela ansiedade. É natural sentir alguma agonia durante essa adaptação, mas, na maioria dos casos, ela tende a diminuir à medida que o cérebro e a percepção de si mesma se reorganizam. O fato de você já perceber melhora nas crises é um sinal de que o tratamento está produzindo o efeito esperado, e essa fase de adaptação costuma fazer parte do processo.


Sim, essa sensação pode acontecer no início do tratamento e, em muitas pessoas, tende a diminuir à medida que o organismo se adapta à medicação. Quando alguém conviveu por muito tempo com TAG, viver com menos ansiedade pode parecer estranho no começo, porque o estado de alerta constante acabou se tornando familiar. Com o tempo, é comum que essa tranquilidade passe a ser percebida como algo natural, sem a sensação de "não ser eu". A psicoterapia é muito importante nesse processo, pois ajuda a compreender essa transição, adaptar-se a essa nova forma de funcionamento e construir uma identidade que não esteja baseada na ansiedade. Como sua psiquiatra e sua psicóloga já acompanharam essa mudança e consideram essa reação esperada, vale continuar compartilhando com elas como você tem se sentido ao longo das próximas semanas, para que o tratamento siga sendo ajustado às suas necessidades.

Leandro Paes

Leandro Paes

Psicólogo

Presidente Prudente

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Olá! Pelo seu relato, parece que você está passando por um processo de adaptação a uma nova experiência emocional. Quando uma pessoa passa muito tempo em estado de ansiedade, a sensação de calma pode inicialmente parecer estranha ou até desconfortável, como se fosse algo “fora do lugar”. Isso não significa, necessariamente, que você deixou de ser você mesma. A medicação pode ajudar a reduzir sintomas, mas a psicoterapia é importante justamente para compreender essa nova forma de se relacionar consigo, com seus pensamentos e com suas emoções. Com o tempo, essa tranquilidade tende a se tornar mais familiar. O processo terapêutico pode ajudar você a construir um sentido para essa nova experiência, sem precisar voltar ao sofrimento conhecido para sentir que está no controle.


O que você está descrevendo é uma experiência bastante comum entre pessoas que conviveram por muitos anos com o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Quando a ansiedade deixa de ocupar tanto espaço, pode surgir uma sensação de estranhamento, como se algo estivesse "faltando". Isso acontece porque, durante muito tempo, seu cérebro e seu corpo se acostumaram a funcionar em estado de alerta constante. Quando esse estado diminui, a tranquilidade pode parecer estranha, artificial ou até fazer você sentir que "não é mais você". No entanto, essa sensação não significa que você esteja perdendo sua identidade, mas que está conhecendo uma forma diferente de viver. É muito positivo que você já tenha percebido melhora nas crises após 22 dias de tratamento, embora ainda seja um período relativamente inicial para a sertralina, que costuma consolidar seus efeitos ao longo das semanas seguintes. A tendência, se a medicação continuar sendo eficaz e bem ajustada para você, é que essa sensação de calma deixe de parecer incomum e passe a ser vivida de forma cada vez mais natural. O objetivo não é fazer com que você deixe de sentir emoções ou se torne indiferente, mas permitir que elas aconteçam sem que a ansiedade domine sua vida. A tristeza e a estranheza que surgem nesse processo também merecem ser acolhidas, pois fazem parte de uma readaptação emocional. Na psicanálise, compreendemos que abandonar um modo antigo de funcionamento, mesmo que ele causasse sofrimento, pode despertar um sentimento de perda, porque ele fez parte da sua identidade por muito tempo. É justamente nesse momento que a psicoterapia se torna tão importante: ela ajuda você a reconhecer que existe uma diferença entre ser uma pessoa tranquila e ser alguém "sem personalidade". Com o tempo, você poderá construir uma nova relação consigo mesma, percebendo que a calma não diminui quem você é, mas amplia sua liberdade para viver, sentir e fazer escolhas com mais segurança. Continue mantendo o acompanhamento com sua psiquiatra e sua psicóloga, pois elas estão conduzindo esse processo de forma integrada. E lembre-se: você não está deixando de ser você; está, aos poucos, conhecendo uma versão sua que talvez a ansiedade não permitisse aparecer há muito tempo.


Olá, tudo vai depender do teu plano de acompanhamento, ou seja, quanto tempo é esperado que você faça uso do medicamento, como anda teu acompanhamento com a psicóloga e a intensidade dos sintomas de TAG. Se você perceber que esse sentimento se mantém por muito tempo ou gera algum outro sintoma desconfortável, recomendo conversar com a psiquiatra sobre pra checar se é necessário alguma alteração na dosagem, mudança na medicação ou até mesmo a interrupção do tratamento medicamentoso.


Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. Sim, essa sensação é comum. Quando alguém vive anos em estado de alerta por TAG, a tranquilidade parece “suspeita”, como se fosse ausência de algo. O cérebro se acostuma à ansiedade como se fosse o normal, e quando ela diminui, surge uma sensação de silêncio interno que pode parecer desconfortável no início. Com o tempo, essa tranquilidade deixa de parecer estranha e passa a ser natural. A tendência é que esse estado se torne seu novo normal, sim, mas com nuances: você volta a sentir alegria, motivação e energia, só sem o peso constante da ansiedade. A terapia é essencial para ajudar seu cérebro a se adaptar a esse novo funcionamento. Você não está perdendo sua identidade, está recuperando sua saúde emocional. Atenciosamente, Fernando Segundo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Atendimento presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços


Sim, o que ocorre é que tudo o que faz parte das nossas vidas por um espaço de tempo grande, como a sua ansiedade, passa a ser o que nos habituamos, ou seja, mesmo sendo ruim o que já conhecemos é o "mais confortável", por isso mesmo que mudemos para algo melhor estamos saindo da zona de conforto e estranhamos, mas acabamos nos acostumando. Abraço.


O que você descreve é uma experiência relativamente comum no início do tratamento. Quando a ansiedade esteve presente por muito tempo, a sensação de tranquilidade pode parecer estranha, como se você ainda estivesse se adaptando a uma nova forma de funcionar. Isso não significa, necessariamente, que você "não seja mais você". Como sua psiquiatra e sua psicóloga já orientaram, a tendência é que, com o tempo, essa sensação se torne mais familiar, à medida que seu organismo se adapta à medicação e você também vai se apropriando desse novo estado emocional. É importante continuar acompanhando essa percepção nas consultas e falar sobre a tristeza ou estranheza que ela desperta. A terapia pode ajudá-la justamente a reconhecer que viver com menos ansiedade não significa perder sua identidade, mas criar espaço para experimentar a vida com mais tranquilidade. O fato de expressar verbalmente essa estranheza para sua terapeuta irá lhe ajudar muito, a terapia se dá quando nós nos ouvimos falar para o outro, assim tiramos nossas próprias conclusões. Fico à disposição para aprofundar tuas demandas.


A terapia e a medicação trabalham em conjunto para que possamos compreender que o que vivíamos no passado não é algo aceitável e que podemos viver algo melhor. Talvez por ter se acostumado à uma certa agitação, você tenha introduzido em si todo o caos de uma rotina exigente e o estresse que a acompanha. Aos pouco, a sensação da melhora vai se tornando uma companhia mais aturável e desejável, sem que a estranheza habite nessa relação. Entender que podemos nos tornar aquilo que almejávamos parece distante, mas algumas intervenções dentro do nosso processo podem trazer essa sensação. Perceber que nossos problemas podem ser trabalhados com mais calma e que algumas de nossas reações são de raíz química são pontos importantes a serem reconhecidos dentro do nosso processo de melhora.


Francamente, o melhor é vc procurar um tratamento onde o remédio não seja tão valorizado e onde o seu mal estar ( ansiedade) possa ser tratado de outra maneira e não como doença ou transtorno. Se Transtornada está sua vida a ansiedade e o jeito que seu corpo e sua mente encontraram pra te dizer que algo vai mal e que sem falar sobre isso, tudo vai continuar do mesmo jeito. A sensação de bem estar com o remédio e só uma sensação e vai passar. Vc é mais do que sensações e merece um tratamento complexo sobre si mesma. Ansiedade e só um sinal de que algo vai mal.... Procure um analista, trate pra valer a raiz de seu problema ... Não se deixe seduzir pela facilidade da retirada do sintoma.... Atrás do sintoma, existe uma pessoa e se anestesiar com remédio e uma ilusão que não ajuda.


Olá! O que você está descrevendo é uma experiência que algumas pessoas relatam no início do tratamento. Quando alguém conviveu por muito tempo com ansiedade intensa, viver um estado de maior tranquilidade pode parecer estranho, justamente porque o organismo se acostumou a funcionar em estado de alerta. Pelo seu relato, tanto sua psiquiatra quanto sua psicóloga estão acompanhando esse processo, o que é muito positivo. É importante respeitar o tempo de adaptação e continuar compartilhando com elas como você tem se sentido. A psicoterapia tem um papel muito importante nessa fase. Não apenas para aliviar sintomas, mas para ajudá-la a reconhecer essa nova experiência, compreender os sentimentos que surgem diante dela e reconstruir, aos poucos, a confiança de que é possível viver sem estar constantemente em estado de tensão. Muitas vezes, a estranheza não está na tranquilidade em si, mas no fato de ela ser uma experiência nova. Com o tempo, é comum que essa sensação deixe de parecer "estranha" e passe a ser vivida com mais naturalidade. Isso não significa que você deixará de ser quem é, mas que poderá experimentar uma forma diferente de estar no mundo, com menos sofrimento e mais disponibilidade para viver o presente. Continue conversando abertamente com os profissionais que acompanham você. Esse período de adaptação faz parte do tratamento e merece ser acolhido, não como um sinal de que você perdeu sua identidade, mas como uma oportunidade de conhecer uma versão de si mesma que talvez estivesse encoberta pela ansiedade durante muito tempo.


Quando você vive por anos em estado de alerta, a tranquilidade pode parecer estranha porque ela ainda não combina com a forma como você aprendeu a se reconhecer. A terapia pode ajudar a transformar essa calma em algo familiar, sem confundi-la com apatia. E leve também essas dúvidas à sua psiquiatra, especialmente se perceber perda de interesse, indiferença ou sensação de estar emocionalmente “desligada”.


A estranheza que você sente com a tranquilidade é compreensível e esperável. Após anos com TAG, a ansiedade se tornou seu "normal", quando a medicação reduz esse padrão, a calma pode parecer "não ser você" inicialmente. Com o tempo e o apoio da psicoterapia, essa sensação se tornará familiar e integrada ao seu novo funcionamento. Se quer apoio para transformar essa tranquilidade em algo natural, entre em contato comigo para agendar uma consulta comigo.


Sim, é possível que essa sensação de tranquilidade se torne mais familiar com a continuidade do tratamento. Após anos convivendo com ansiedade, a redução importante da hiperativação pode inicialmente ser percebida como algo estranho ou até como uma sensação de “não ser eu”. Isso não significa, por si só, que a sertralina esteja causando uma alteração negativa da personalidade. Aos 22 dias, o tratamento ainda está em fase inicial de adaptação, e a resposta pode continuar se modificando nas próximas semanas. O trabalho psicoterápico pode ajudar justamente na adaptação a esse novo estado, inclusive aprendendo a não interpretar a ausência da ansiedade como algo ameaçador. Entretanto, como você relata também tristeza e sensação de estranheza, é importante continuar comunicando isso à sua psiquiatra. Não altere ou suspenda a medicação por conta própria. Se surgirem redução importante da necessidade de sono, euforia incomum, aceleração do pensamento, impulsividade ou agitação intensa, a avaliação médica deve ser antecipada.


A melhora da ansiedade e a ausência das crises são sinais positivos, mas essa mudança pode também provocar estranheza. Quando a ansiedade esteve presente por muitos anos, ocupando grande parte dos pensamentos, da rotina e da forma de se relacionar consigo mesma, a sua redução pode inicialmente ser percebida como um “vazio” ou como a sensação de que algo está faltando. Esse vazio não significa necessariamente que você deixou de ser quem é. Pode indicar que um espaço antes ocupado pela preocupação, pelo medo e pelo estado constante de alerta agora está se abrindo. Esse espaço poderá ser compreendido e ressignificado gradualmente, permitindo a construção de novas formas de estar consigo mesma, descansar a mente e experimentar o bem-estar. Nesse processo, além do acompanhamento com a psiquiatra, pode ser muito importante iniciar um acompanhamento psicológico. A medicação pode ajudar na redução dos sintomas, enquanto a psicoterapia oferece um espaço de escuta e reflexão para compreender a história da ansiedade, elaborar os sentimentos que surgem com essa mudança e desenvolver recursos para lidar com a nova experiência. A combinação entre psicoterapia e tratamento medicamentoso é frequentemente utilizada no cuidado de quadros de ansiedade, embora o plano de tratamento deva ser individualizado. Recomendo que você converse com sua psiquiatra sobre essa sensação e considere buscar uma psicóloga ou um psicólogo com quem se sinta confortável.


Bom dia! Excelente a sua percepção e mais ainda sobre o que acostumamos a definir como "normal". Veja, você diz que o normal para você era se sentir triste e meio apática. O ser humano se acostuma aos diferentes cenários. A pergunta é: O que você acha que perdeu não se reconhecendo mais como você, sendo que um bem estar é notável desde que começou com a medicação? uma vida interessante também dá trabalho, não é verdade?


O que você está sentindo faz sentido e é mais comum do que parece. Depois de anos convivendo com TAG, a ansiedade deixa de ser apenas sintoma e passa a funcionar como referência de identidade, então a calma chega com gosto de estranhamento, quase como perda. Não é que você não seja mais você, é que o estado que você conhecia como normal era o alerta constante, e agora falta esse ruído de fundo familiar. Sua psicóloga está certa ao apontar que esse é justamente o material a ser trabalhado, porque aprender a habitar a tranquilidade sem desconfiar dela é um processo de reorganização, não algo automático. Nomear essa estranheza nas sessões, em vez de tentar afastá-la, costuma ser o caminho. Cuide-se.

Daniele Rodrigues

Daniele Rodrigues

Psicólogo

Rio de Janeiro

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O TAG, assim como outros , reflete um sofrimento psíquico, não uma doença como uma infecção bacteriana curada por remédios. O fármaco não muda quem você é, mas estabiliza o excesso de angústia para que você conquiste o suporte biológico necessário para falar.Essa estranheza ocorre porque a ansiedade organizava sua identidade; sem o ruído dela, surge um vazio desconhecido. A medicação atua como um solo firme para você investigar as causas reais desse desconforto. Tratar apenas o sintoma biológico seria o mesmo que silenciar o alarme sem apagar o fogo. Use essa calmaria para dar voz na sua terapia ao que a ansiedade tentava expressar.

Patricia Rocha

Patricia Rocha

Psicólogo

Porto Alegre

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É possível que a sensação de tranquilidade se torne mais familiar à medida que o tratamento avança. Depois de muito tempo funcionando em estado de alerta, experimentar menos ansiedade pode ser inicialmente estranho, como se o corpo ainda estivesse esperando que alguma coisa acontecesse. Ao mesmo tempo, é importante diferenciar tranquilidade de uma sensação de apatia, desconexão ou de não se reconhecer. Como você já conversou com sua psiquiatra e sua psicóloga, vale continuar observando essas mudanças e relatá-las a elas, especialmente se a tristeza ou a sensação de "não ser você" persistirem. Na psicoterapia, esse processo pode ser bastante interessante: aprender a reconhecer que estar tranquila não significa estar desatenta, desmotivada ou deixando de ser quem você é. Às vezes, quando a ansiedade deixa de ocupar tanto espaço, é preciso justamente aprender a habitar esse espaço novo.

Rafael Martins

Rafael Martins

Psicólogo

São Paulo

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Olá, espero que esteja bem. O que você descreve é mais comum do que parece, e acho importante começar validando: estranhar a calma não é sinal de que algo está errado com você, é sinal de quanto tempo você viveu em estado de alerta. Quando alguém convive muitos anos com ansiedade generalizada, a vigilância deixa de ser apenas um sintoma e vira quase uma identidade. A pessoa se acostuma a antecipar problemas, a estar sempre pronta, e passa a interpretar essa tensão como parte de quem ela é, às vezes até como aquilo que a mantém competente e responsável. Quando esse ruído de fundo baixa, sobra um silêncio interno desconhecido, e o desconhecido incomoda mesmo quando é melhor. Daí a sensação de "não sou eu", que costuma ser, na verdade, "não é o que eu estava acostumada a ser". Existe uma distinção que vale observar com atenção e levar para sua psiquiatra: calma não é a mesma coisa que embotamento. Sentir-se tranquila e ainda assim conseguir se emocionar, se alegrar, se irritar quando faz sentido e se interessar pelas coisas é o efeito esperado. Sentir-se anestesiada, indiferente ao que antes importava ou incapaz de sentir prazer é outra coisa, e isso merece ser relatado. Pelo que você conta, parece mais o primeiro caso, mas quem confirma é quem acompanha você de perto. Sobre a tristeza que aparece quando você para para pensar, ela também tem sentido. É comum surgir uma espécie de luto ao perceber quanto tempo se viveu sofrendo à toa, junto de uma pergunta incômoda sobre quem se é sem aquilo. Esse é um material excelente para levar para a sua psicóloga, que já conhece sua história e pode trabalhar essa readaptação com você. Aproveite esse espaço, porque as duas orientações que você recebeu fazem sentido e caminham na mesma direção. Fica uma reflexão para levar junto: o que você fazia com toda a energia que a ansiedade consumia, e o que gostaria de fazer com ela agora? Quem é você quando não está se preparando para um problema? Caso precise, estou à disposição.

Helio Martins

Helio Martins

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Boa noite! Espero que esteja bem. Depois de muito tempo convivendo com ansiedade alta, o corpo acaba tratando esse estado ansioso quase como o "normal", então quando a calma chega, ela pode soar estranha justamente por ser desconhecida, não porque tenha algo errado. A decisão sobre a medicação, dose ou eventuais ajustes é sempre da psiquiatra que te acompanha; o papel da terapia aqui é justamente processar essa mudança de identidade que você está sentindo, esse "não sou eu" quando a ansiedade breca, e ir construindo uma relação mais confortável com esse novo estado. Esse "não sou eu" que você sente quando para a medicação é mais uma falta da ansiedade em si, ou algo mais específico que você notava em você mesma antes? Caso precise, estou à disposição.

Thais  Mazzini

Thais Mazzini

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Olá! Espero que esteja bem. O que sua psiquiatra e sua psicóloga apontaram faz sentido: depois de anos convivendo com TAG, o sistema nervoso se acostuma a operar em estado de alerta constante, e quando a ansiedade diminui com a medicação, essa calma pode parecer "estranha" simplesmente porque é desconhecida, não porque tenha algo errado. Com o tempo e o trabalho em terapia, essa sensação tende a deixar de parecer estranha e passar a ser reconhecida como "normal" mesmo — não porque você vai se acostumar a algo artificial, mas porque seu cérebro vai reaprender que calma não é sinal de perigo. Quando você fica agoniada ao parar a medicação, é mais medo de a ansiedade voltar, ou de perder essa sensação de bem-estar? Caso precise, estou à disposição.

Bianca Pacheco

Bianca Pacheco

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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É possível que, após anos convivendo com ansiedade, uma sensação de tranquilidade pareça estranha no início. Quando a mente está acostumada a permanecer em alerta, perceber que os pensamentos desaceleraram pode até gerar a sensação de “não sou eu”. A resposta à medicação, porém, varia de pessoa para pessoa, e não é possível afirmar que essa sensação permanecerá exatamente da mesma forma. Como sua psiquiatra e sua psicóloga já estão acompanhando você, é importante continuar compartilhando essas mudanças com elas, principalmente porque você também relata momentos de agonia e tristeza. Talvez o objetivo não seja voltar a sentir a ansiedade que você conhecia, mas aprender a reconhecer que estar tranquila também pode ser uma forma legítima de estar sendo você. A psicoterapia pode ajudar justamente nessa adaptação, permitindo que você experimente esse estado de bem-estar sem precisar desconfiar dele ou tentar encontrar novamente a preocupação que antes parecia familiar.

Anna Mezaonik

Anna Mezaonik

Psicólogo

São Paulo

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Sim, o que você está descrevendo pode acontecer, especialmente nas primeiras semanas de adaptação à sertralina. Quando uma pessoa passou muitos anos funcionando em um nível elevado de ansiedade, preocupação e hipervigilância, experimentar um estado de maior tranquilidade pode ser inicialmente estranho. O cérebro pode interpretar aquilo que é novo como algo “errado”, simplesmente porque não está acostumado. A melhora da ansiedade e a possibilidade de conseguir “descansar a cabeça” fazem parte justamente dos objetivos do tratamento. Portanto, não significa necessariamente que você esteja deixando de ser você; pode significar que você está começando a experimentar uma versão sua que não precisa estar o tempo todo em estado de alerta. Ao mesmo tempo, é importante observar como essa tranquilidade se apresenta. Existe uma diferença entre sentir-se mais calma e sentir-se indiferente, emocionalmente anestesiada, sem prazer, sem motivação ou com a sensação persistente de estar desconectada de si mesma. Se for mais essa segunda experiência, vale comunicar novamente à sua psiquiatra, para que ela avalie a resposta à medicação e a dose. Com apenas 22 dias de tratamento, você ainda está em um período relativamente inicial de adaptação. A tendência não é necessariamente permanecer exatamente com a mesma sensação que você está tendo agora, porque a resposta ao medicamento pode continuar se ajustando nas próximas semanas. E existe também uma parte importante que pode ser trabalhada na psicoterapia: aprender que estar tranquila não significa estar desatenta, improdutiva ou “não sendo você”. Depois de muito tempo vivendo com TAG, talvez seja necessário reaprender a reconhecer a calma como um estado seguro, e não como algo que precisa ser imediatamente preenchido por preocupação. Então, em vez de tentar decidir agora se essa será ou não sua “nova personalidade”, observe: “Estou mais tranquila e continuo sendo eu? Consigo sentir alegria, tristeza, interesse, motivação e vínculo com as pessoas?” Essas informações serão muito mais úteis para você e para sua psiquiatra acompanharem a evolução do tratamento.


Procure repensar sua relação com medicamento

Dra. Leticia  Milesi

Dra. Leticia Milesi

Psicanalista

Rio de Janeiro

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Sim, é possível que essa sensação de tranquilidade se torne cada vez mais familiar para você, principalmente porque você passou muitos anos funcionando com um nível elevado de ansiedade. Quando estamos acostumados a viver em alerta, preocupados e antecipando problemas, a ausência desse estado pode inicialmente parecer estranha. Às vezes, o que é percebido como “não sou eu” é justamente a experiência de não estar o tempo todo em estado de alerta. A sertralina pode começar a produzir melhora nas primeiras semanas, mas o efeito completo pode levar mais tempo, especialmente quando o objetivo é tratar ansiedade. Então, com 22 dias de uso, você ainda está em uma fase relativamente inicial do tratamento. Ao mesmo tempo, existe uma diferença importante entre sentir uma tranquilidade nova e sentir-se emocionalmente anestesiada ou diferente de si mesma. Algumas pessoas relatam alterações emocionais ou sensação de “entorpecimento” com antidepressivos, e isso merece ser conversado com o psiquiatra caso esteja causando sofrimento. Não é preciso simplesmente aceitar qualquer mudança desagradável como se fosse obrigatoriamente parte do tratamento. O que você contou sobre ficar agoniada quando para também é bastante interessante para ser trabalhado em terapia. Se durante muitos anos sua cabeça esteve acostumada a estar ocupada com preocupações, talvez o silêncio mental inicialmente seja interpretado como algo estranho ou até perigoso. É como se uma parte sua tivesse aprendido que estar pensando, antecipando e se preocupando significa estar preparada. Aprender que você pode descansar sem precisar estar preocupada o tempo inteiro pode ser justamente uma parte importante do processo terapêutico. Então, sim, a tendência pode ser que essa tranquilidade fique mais familiar, mas não existe uma obrigação de você se sentir “outra pessoa” para que o tratamento esteja funcionando. O objetivo é que você continue sendo você, só que com mais liberdade para escolher quando pensar, quando se preocupar e quando simplesmente descansar. Se a sensação de estar diferente, triste ou emocionalmente desconectada continuar ou aumentar, converse novamente com sua psiquiatra antes de fazer qualquer alteração na medicação. Não interrompa ou modifique a sertralina por conta própria. Na terapia, também pode ser muito interessante trabalhar justamente essa adaptação ao bem-estar, porque às vezes aprender a viver sem a ansiedade que sempre esteve presente é um processo por si só. No meu trabalho, posso te ajudar a compreender melhor essa mudança e a construir uma relação mais confortável com seus pensamentos e emoções. Se quiser, pode me chamar para conhecer melhor meu trabalho.


Olá! É compreensível estranhar essa tranquilidade depois de tantos anos convivendo com a ansiedade. Quando estamos acostumados a viver em estado de alerta, a calma pode parecer desconhecida, e aprender a lidar com essa nova experiência pode fazer parte do processo terapêutico. Porém, como você também relata tristeza e a sensação de não se reconhecer, é importante continuar compartilhando isso com sua psicóloga e sua psiquiatra, para compreender melhor o que está acontecendo. A psicoterapia pode ajudar você a acolher essas sensações e a se reconectar consigo mesma, sem precisar voltar ao estado constante de preocupação. Você merece vivenciar o bem-estar sem sentir que perdeu quem é.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.