Tenho 42 anos Fui diagnosticada com esse crise de ausência a + ou - 6 anos,e tenho SAF .as duas do

2 respostas
Tenho 42 anos
Fui diagnosticada com esse crise de ausência a + ou - 6 anos,e tenho SAF .as duas doenças podem uma auxiliar a outra a não ter melhorado no quadro .
Me queimei em 2017 cozinhando conversando com uma prima eu tive a convulsão, sou destra mas parece que o cérebro inverteu e tive uma quemadura na mão esquerda.
E normal?
Dra. Thais Augusta Martins
Neurologista, Neurofisiologista
Brasília
Bom dia. Crises epilépticas que causam apenas alteração da percepção do paciente têm vários diagnósticos diferenciais. Podem ser de origem focal ou generalizada, secundária à alguma lesão no cérebro ou não. É fundamental a correta correlação com exames de eletrencefalograma e exames de imagem do cérebro para melhor definição do seu caso. Crises de alteração de consciência e crises convulsivas não são "normais", e devem ser prontamente investigadas e tratadas. Sugiro acompanhamento periódico com seu médico neurologista. Espero ter ajudado.

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Dra. Camila Cirino Pereira
Neurologista, Médico do sono, Psiquiatra
São Paulo
Sim, o seu relato é muito coerente do ponto de vista neurológico e merece uma análise cuidadosa, pois tanto as crises de ausência quanto a Síndrome Antifosfolípide (SAF) podem estar inter-relacionadas. A SAF é uma condição autoimune em que o organismo produz anticorpos que aumentam o risco de trombose nos vasos sanguíneos, inclusive nos vasos cerebrais. Essa microcirculação comprometida pode gerar sofrimento ou irritação cortical, predispondo a descargas elétricas anormais que favorecem o aparecimento de crises epilépticas, especialmente do tipo ausência, que são caracterizadas por momentos breves de desconexão da consciência, olhar fixo, interrupção do que está sendo feito e retomada logo em seguida, sem queda ou confusão prolongada. Em alguns casos, o cérebro pode sofrer microlesões isquêmicas ou inflamatórias, visíveis ou não em exames de imagem, o que torna o controle das crises mais difícil. Portanto, sim — é possível que a SAF esteja contribuindo para a persistência das suas crises, dificultando uma melhora completa. O tratamento da epilepsia em pacientes com SAF precisa considerar essa base vascular e imunológica: manter o sangue em estado de anticoagulação estável (com varfarina, apixabana ou outro medicamento conforme prescrição), além de usar um anticonvulsivante adequado e bem ajustado, como lamotrigina, levetiracetam ou valproato, que atuam estabilizando os neurônios. O episódio em que você se queimou durante uma crise é típico do que chamamos de automatismo epiléptico: durante uma ausência ou crise parcial complexa, a pessoa pode continuar realizando gestos automáticos, sem perceber o que está fazendo, pois há uma desconexão temporária entre a consciência e o controle motor. O fato de a queimadura ter ocorrido na mão esquerda, mesmo sendo destra, sugere que a descarga elétrica anormal se originou no hemisfério direito do cérebro, que controla os movimentos do lado esquerdo do corpo — ou seja, não houve “inversão” cerebral, mas sim uma manifestação lateralizada do foco epiléptico. Isso é perfeitamente compatível com crises focais de origem temporal ou parietal, que podem se generalizar ou evoluir para ausência de consciência momentânea. É fundamental que você mantenha acompanhamento neurológico regular, realizando eletroencefalograma e, se necessário, ressonância magnética com protocolo epiléptico, para avaliar se há atividade elétrica persistente ou cicatrizes cerebrais associadas à SAF. Também é importante monitorar os níveis de anticoagulação (INR) e evitar interrupções do tratamento, pois desequilíbrios podem aumentar o risco de novos eventos vasculares. Do ponto de vista funcional, é essencial manter boa qualidade de sono, alimentação equilibrada, hidratação e evitar o consumo de álcool, cafeína e privação de descanso, pois todos esses fatores podem facilitar o aparecimento de crises. Em resumo: a Síndrome Antifosfolípide pode sim estar associada à persistência das crises epilépticas, tanto por alterações vasculares quanto pela irritabilidade cortical secundária; o episódio da queimadura durante uma crise é uma manifestação típica do automatismo e da lateralização cerebral, e não um “erro do cérebro”; e, com acompanhamento adequado e tratamento conjunto (neurológico e reumatológico), é possível reduzir significativamente a frequência das crises e evitar novas complicações. Reforço que esta resposta tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual. O acompanhamento com seu neurologista é essencial para confirmar o diagnóstico e garantir segurança no uso. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais e atendimento online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica, epilepsia, doenças autoimunes e regulação neurofuncional, sempre com uma abordagem técnica, empática e humanizada. Dra. Camila Cirino Pereira – Neurologista | Especialista em TDAH | Especialista em Medicina do Sono | Especialista em Saúde Mental CRM CE 12028 | RQE Nº 11695 | RQE Nº 11728

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