Uma paciente de 98 anos de idade, portadora de insuficiência renal crônica (em acompanhamento com ne
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Uma paciente de 98 anos de idade, portadora de insuficiência renal crônica (em acompanhamento com nefrologista), portadora de quadro demencial leve, portadora de insuficiência cardíaca (em uso de medicamentos para tal condição), e portadora de insuficiência arterial periférica crônica em membro motor inferior esquerdo (apresenta lesão necrótica em hálux esquerdo em tratamento paliativo de ferida - já fora encaminhada para avaliação em pronto-atendimento, sendo indicada na ocasião a amputação transtibial de membro motor inferior esquerdo, porém não realizado o procedimento devido ao risco cirúrgico alto de acordo com a avaliação de cardiologista). De acordo com o relato de familiar que a acompanha, em últimos meses paciente tem apresentado dificuldades para deglutir e engolir alimentos (tem sido utilizado alimentos pastosos, líquidos, e tentado fórmulas especiais para reposição via oral de eletrólitos, carboidratos e proteínas, porém de acordo com familiar, paciente ainda tem períodos em que mastiga o alimento, mas não consegue engolir, resultado em redução de ingesta nutricional).
Em vista do quadro apresentado, e com o objetivo de proporcionar cuidados paliativos adequados à paciente, neste caso seria indicada a nutrição enteral (sonda nasogástrica, ou gastrostomia), ou haveria alternativas para nutrição via oral? Minha dúvida é referente se para a paciente apresentada com as características descritas a indicação das modalidades de nutrição enteral não poderia acarretar em desconforto à paciente, ou se neste caso seria a única possibilidade?
No mais, agradeço a atenção.
Em vista do quadro apresentado, e com o objetivo de proporcionar cuidados paliativos adequados à paciente, neste caso seria indicada a nutrição enteral (sonda nasogástrica, ou gastrostomia), ou haveria alternativas para nutrição via oral? Minha dúvida é referente se para a paciente apresentada com as características descritas a indicação das modalidades de nutrição enteral não poderia acarretar em desconforto à paciente, ou se neste caso seria a única possibilidade?
No mais, agradeço a atenção.
Na fase final de vida é natural a perda do apetite e a redução da percepção de sede. Gradativamente o organismo se adapta ao processo de morrer que está acontecendo em todos os órgãos. Dito isso, me parece que a pessoa está caminhando para o fim de vida, nesses casos o melhor é respeitar o processo natural de redução do apetite e da percepção de sede realizando atendimento por fonoaudilogia para trabalho da musculatura de deglutição e realização da adaptação da consistência e da quantidade de alimento.
Sugiro também revisar os medicamentos em uso retirando aqueles que já não sejam mais necessários.
À disposição para mais esclarecimentos
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Caso complexo, essa decisão só pode ser tomada mediante avaliação clínica minunciosa com médico geriatra com respaldo do fonoaudiólogo.
Olá!
Obrigada por compartilhar detalhes tão importantes do caso. Em situações como a da sua familiar — com múltiplas condições crônicas avançadas, fragilidade importante e já em cuidados paliativos — a indicação de nutrição enteral (por sonda) deve ser feita com muito cuidado, sempre considerando o conforto, os valores e a dignidade da paciente.
A decisão entre manter a alimentação via oral modificada (mesmo que limitada) ou introduzir uma sonda depende de vários fatores, como o nível de consciência, a presença de sofrimento durante a alimentação, risco de aspiração e os objetivos definidos pela equipe de cuidados e pela família.
Na prática paliativa, a alimentação por sonda nem sempre traz benefícios claros em pacientes com demência avançada ou condições clínicas muito frágeis, podendo gerar desconforto, agitação ou complicações como aspiração e infecções.
Em muitos casos, a alimentação via oral adaptada — mesmo que em pequenas quantidades — é mantida enquanto houver prazer ou aceitação, sendo acompanhada por estratégias para conforto, hidratação e suporte da equipe multiprofissional.
Recomendo discutir esse ponto com a equipe médica e de cuidados paliativos que acompanha a paciente, para que juntos possam definir o plano mais respeitoso, individualizado e alinhado com os objetivos de cuidado neste momento da vida.
Estou à disposição para ajudar nesse processo, sempre com carinho e escuta.
Obrigada por compartilhar detalhes tão importantes do caso. Em situações como a da sua familiar — com múltiplas condições crônicas avançadas, fragilidade importante e já em cuidados paliativos — a indicação de nutrição enteral (por sonda) deve ser feita com muito cuidado, sempre considerando o conforto, os valores e a dignidade da paciente.
A decisão entre manter a alimentação via oral modificada (mesmo que limitada) ou introduzir uma sonda depende de vários fatores, como o nível de consciência, a presença de sofrimento durante a alimentação, risco de aspiração e os objetivos definidos pela equipe de cuidados e pela família.
Na prática paliativa, a alimentação por sonda nem sempre traz benefícios claros em pacientes com demência avançada ou condições clínicas muito frágeis, podendo gerar desconforto, agitação ou complicações como aspiração e infecções.
Em muitos casos, a alimentação via oral adaptada — mesmo que em pequenas quantidades — é mantida enquanto houver prazer ou aceitação, sendo acompanhada por estratégias para conforto, hidratação e suporte da equipe multiprofissional.
Recomendo discutir esse ponto com a equipe médica e de cuidados paliativos que acompanha a paciente, para que juntos possam definir o plano mais respeitoso, individualizado e alinhado com os objetivos de cuidado neste momento da vida.
Estou à disposição para ajudar nesse processo, sempre com carinho e escuta.
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