A minha função como psicanalista é levantar questionamentos. Isso com o objetivo de descobrir frustrações, emoções contidas, desejos reprimidos e todas as emoções que geram "nós” emocionais na sua vida.
Assim, durantes as sessões de terapia, eu, como psicanalista descubro esses fatores. Esse trabalho é feito em conjunto com você, de forma que os traumas ou situações que te levam a agir de determinada maneira, causando algumas situações internas ou externas, não continuem se repetindo e te causando dor.
O psicanalista é aquele que despertou para a outra cena. Àquela que abriga sua verdade subjetiva. A escolha por um psicanalista é o que poderá propiciar uma análise. Uma transferência bem estabelecida, consente a travessia da cena fantasmática que sustentou o sujeito até ali, na maneira de estar no mundo e em sua relação com o outro. Este aceite leva a uma viagem engenhosa e também desconhecida para ambos. Nesta passagem, existem corredores apertados que trazem consigo um bom tempo de angústia e de resistência. Ao mesmo tempo e em contraponto, possibilita novas ancoragens e reinvenções. Nada simples e demanda coragem. Esta travessia vai nos levando a um reposicionamento diante da vida e do outro. Reposicionamento, que vem dizer da assunção de uma responsabilidade subjetiva. Lembrando Lacan, "Por nossa posição de sujeito, somos sempre responsáveis." Trata-se esse reposicionamento de uma outra coisa, uma virada que vem acompanhada de outras tantas. Há uma história recontada e recomposta que se inicia de um novo lugar. De certa forma, há um nascimento, o nascimento de uma verdade. Essa nova edição aprendeu a conjugar perdas e separações, também. Condição sine qua non para quem faz escolhas. Talvez, não seja mais possível seguir a caminhada com todos. É preciso despedir-se de alguns. A solidão faz parte dessa travessia e é muito bem-vinda se vivida como grandeza. Grandeza que escancara a abertura para novos encontros e possibilidades. O de fechar algumas portas e escancarar tantas outras.
O que a psicanálise promete? Seguindo Lacan, a psicanálise promete a cura da ilusão, entre outras coisas. A experiência analítica tem a ver com conhecer-se, adentrar nos labirintos do inconsciente, saber discernir aquele Outro que se habita e começar a ser coerente com o desejo que nos habita.
Por isso a psicanálise é uma abertura para o ser humano que sente a necessidade urgente de repor sua existência, suas decisões, seu modo de pensar, sua ideologia e, acima de tudo, saber o que ama e o que fazer com isso.
É verdade que a psicanálise recorre ao passado como fonte de onde emana o presente; Seria um absurdo acreditar que o passado pudesse ser mudado, nada disso, a ideia de voltar ao passado é dar suporte à história de vida e dar conta do lugar que ela ocupa no presente; saber como é que as pulsões inconscientes nos empurraram para o lugar que ocupamos hoje.