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Ansiedade não é um inimigo
Quando falamos em ansiedade, é comum imaginarmos um inimigo interno: algo que aparece “do nada”, atrapalha a vida e precisa ser eliminado. Mas, pela perspectiva fenomenológica, a ansiedade não é apenas um sintoma, é um modo de experimentar o mundo.
A ansiedade surge quando o familiar se torna estranho. De repente, aquilo que antes era automático, como levantar da cama, sair de casa, encontrar pessoas e decidir, passa a exigir esforço. É como se o chão conhecido cedesse um pouco, revelando que nossas certezas não são tão sólidas quanto pareciam.
Essa experiência é desconfortável, mas também reveladora: ela mostra que estamos expostos ao mundo, às escolhas, às mudanças e às possibilidades que nos atravessam todos os dias.
Ansiedade não é só medo. O medo tem um alvo claro: algo que podemos apontar, nomear, evitar.
A ansiedade, por outro lado, costuma aparecer sem um “objeto”. Ela envolve um desconforto difuso, uma inquietação que não sabemos exatamente de onde vem. A fenomenologia chama isso de angústia: um tipo de abertura para a vida que escapa ao nosso controle. Não significa fraqueza, muito menos patologia em si. Significa que estamos diante de algo que exige uma resposta pessoal (uma reorganização).
Sinal de que algo está pedindo atenção:
algo da vida deixou de fazer sentido,
alguma escolha precisa ser revista,
estamos vivendo acima das nossas possibilidades,
ou estamos tentando nos adaptar a um mundo que não combina com quem somos.
Em vez de tratá-la apenas como “algo a ser eliminado”, podemos perguntar:
O que ela está me mostrando sobre o modo como estou vivendo? A tentativa de controlar tudo aumenta o sofrimento. Muitas pessoas tentam lidar com a ansiedade tornando-se hiper-racionais, hiperprodutivas ou hipercontroladoras, algo quase impossível de se fazer.
Na abordagem fenomenológica, o trabalho não é “fechar” a experiência, mas compreender como o mundo, as relações e o tempo estão sendo vividos. Quando a pessoa começa a se perceber nesse emaranhado, a ansiedade deixa de ser um monstro invisível e passa a ser algo compreensível e trabalhável.
A ansiedade pode ser um início, não um fim. Por mais difícil que seja sentir-se perdido, é justamente nesse momento que algo novo pode emergir.
Quando procurar ajuda: se a ansiedade está limitando seu cotidiano, tomando energia, atrapalhando o sono ou prejudicando seus relacionamentos, a terapia pode ajudar.
Na minha prática, trabalho com uma abordagem fenomenológica que busca compreender o modo de existir da pessoa, respeitando sua história, suas possibilidades e seu próprio ritmo de mudança.
Se você sentir que precisa conversar sobre o que está passando, estou por aqui.
02/12/2025