Me tratou como filho, uma empatia imensurável. Mas, sem nunca perder à ética médica e o profissionalismo. Sempre muito solicita, até mesmo quando não tinhamos horários marcados de sessões. Consegui me descobrir, me abrir. Conviver e aceitar o transtorno de personalidade borderline. Que até então, NINGUÉM, tinha me dado o diagnóstico correto. Então, saber mais, aprofundar, ouvir e ser ouvido, empatia. Isso me ajudou muito. Criei laços de amor, carinho, afeto, respeito, admiração. E só parei o tratamento, por um tempo. Por falta de grana mesmo. São quase 15 anos que estou com o quadro clínico psiquico debilitado. Foram inúmeros psiquiatras, até que uma entrou e disse de cara esse menino está dopado, estão matando ele, com esse monte de remédios, e disse ele possui todos os laudos de Border, me indicou o TCD, procurei e de cara me identifiquei com Janilda. Daí por diante, foi uma história e estória. Mas, diria que eu dei uma volta de 360º em torno não só de mim, mas de tudo. De todos os prés e prós, conceitos. Concebidos. Aos poucos consegui me desmistificar. Hoje estou outra pessoa. Com uma percepção cognitiva infinitamente melhor. Pois, quando adoeci, tinha 16 anos de idade. E parece que minha mente parou alí, naquele tempo e naquele estado mental. O corpo envelhecia, mas à mente de certa forma, com uma infantilidade e uma ingênuidade que não eram boas. Janilda, me ajudou à voltar aos traumas, e dizer: ei, pera, isso me faz mal, mas foi no passado. Hoje eu sou outro Ádonis, tenho 27 anos. Infelizmente passei por diversos traumas, mas, eles só me afetaram enquanto, eu os der poder." E graças à ela, eu amadureci, na porrada, mas foi uma dor que purificou, ela sempre, sempre solicita, disposta realmente à me ajudar. Ligava até em dias que não tinhámos terapia. Só que sou de família humilde, não sou da região metropolitana do Recife ou das localidades próximas, então ficava deveras alto o preço e cansativo. Mas, pretendo, sim, voltar. Pra dar continuidade ao tratamento. Pois, com ela eu aprendi à ter novamente gosto pela vida, ter gana por ela. Ela viu um dom em mim, que eu mesmo desconhecia, ela foi à primeira pessoa em que mostrei os meus escritos: contos, poemas, história, músicas. E à única que me encorajou à continuar, pois eu sou muito bom no que faço e isso me devolveu à auto-estima, quer dizer, me deu, pois eu nunca à tive. E guardo cada, ensimento. E uma frase dela, dita com insistência, mas deveras verídica. "Eu não sou o meu diagnóstico." E pra finalizar, e pontuar que ela é realmente competente, empática, você se sente de casa, e muito confortável. Mas, só vá se realmente estiver disposto à percorrer esse caminho de cura e libertação, junto com à mesma.