Eles crescem silenciosos, às vezes sem aviso, como pequenas pedras que se alojam no útero, mudando a paisagem do corpo feminino sem pedir licença. Chamam-se miomas, e são fibras e células que se multiplicam onde deveriam apenas repousar. Alguns se escondem, discretos, quase imperceptíveis; outros se impõem com cólicas, sangramentos que insistem em não terminar, ou com aquela sensação de peso que não se explica.
O corpo observa, a mulher sente, e a vida continua, marcada por pequenas interrupções, por perguntas que ecoam silenciosas: “Será que vai passar? Será que devo interferir?”
O tratamento é, ao mesmo tempo, ciência e escolha pessoal. Há quem apenas vigie, esperando que a natureza siga seu curso. Há quem precise de medicamentos que tentem frear esse crescimento, como se contivessem o impulso da própria célula. E há aqueles casos em que a cirurgia se apresenta como a necessidade inevitável: retirar o mioma, aliviar o corpo, dar espaço para a respiração voltar ao normal.
E, no final, talvez o que reste seja apenas a percepção de que o corpo tem sua própria memória, suas pequenas revoluções, e que cuidar dele é escutar cada mudança com atenção, paciência e um pouco de respeito pelo mistério que somos.
26/02/2026