Perguntas do paciente (5)

  • Estou tomando sertralina 100mg há 29 dias. Desde o início tive aumento da ansiedade, mas depois de u

    Estou tomando sertralina 100mg há 29 dias. Desde o início tive aumento da ansiedade, mas depois de um tempo estabilizou mais. Só que ultimamente estou com vários pensamentos intrusivos, julgadores, então a ansiedade aumentou. É possível que agora depois de quase 1 mês a Sertralina esteja começando a agir mais forte na área ligada ao TOC, por isso estou com esses sintomas do TOC que fui diagnosticada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Abrahão Baldino

    1. Tempo de ação da sertralina no TOC
    Para sintomas de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), a resposta clínica à sertralina costuma demorar mais que em quadros de ansiedade ou depressão.

    É comum que os efeitos começam a surgir entre 4 e 6 semanas, e o efeito completo pode levar até 10 a 12 semanas.

    Como você está com 29 dias (pouco mais de 4 semanas), é possível que o medicamento esteja começando a atuar mais diretamente nas áreas ligadas ao TOC, o que pode trazer à tona mais pensamentos obsessivos antes de haver melhora.

    2. A piora inicial e oscilações são comuns
    Em muitas pessoas com TOC, os primeiros estágios do tratamento com ISRS (como a sertralina) trazem:

    Aumento da ansiedade;

    Mais atenção aos pensamentos obsessivos;

    Sensação de estar "mais dentro da cabeça".

    Isso não significa que o remédio está “dando errado” — na verdade, pode ser um sinal de que está começando a atingir o circuito cerebral envolvido no TOC, antes de trazer alívio.

    3. Pensamentos intrusivos e julgadores fazem parte do TOC
    Esses pensamentos que você está tendo, como autocrítica, medo de julgamento, obsessões morais ou existenciais, são formas comuns de obsessões em pessoas com TOC.

    O aumento desses sintomas durante o início do tratamento é algo esperado e temporário em muitos casos.

    O que você pode fazer agora:
    Não interrompa a medicação sem orientação médica.

    Registre seus sintomas: escrever os tipos de pensamentos, horários em que aparecem e intensidade da ansiedade ajuda o psiquiatra a ajustar a dose ou considerar outras estratégias.

    Converse com seu médico sobre ajuste de dose: pode ser que a sertralina precise ser aumentada gradualmente até atingir uma dose mais eficaz para TOC (doses de 150mg a 200mg são comuns nesses casos).

    Considere iniciar ou manter psicoterapia (principalmente TCC com foco em TOC): é a combinação mais eficaz com o uso de ISRS.

    Se os sintomas estiverem muito intensos, o médico pode avaliar o uso temporário de medicações ansiolíticas de apoio (como propranolol ou outros, dependendo do caso).


  • Há um ano, faço tratamento para Compulsão Alimentar e Transtorno de Ansiedade com o Venvanse 70mg e

    Há um ano, faço tratamento para Compulsão Alimentar e Transtorno de Ansiedade com o Venvanse 70mg e a Fluoxetina 60mg, no qual eliminei 30kg!
    Quero me preparar para engravidar e sei que o Venvanse é contra indicado. É possível continuar o tratamento de alguma forma, substituindo o medicamento por algum outro ou algo do tipo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Abrahão Baldino

    Parabéns por sua conquista no tratamento — eliminar 30kg com acompanhamento médico é um marco importante!

    Sobre sua dúvida: sim, é possível continuar o tratamento, mas ele precisará ser ajustado com muito cuidado, especialmente agora que você está se preparando para engravidar.

    1. Venvanse (lisdexanfetamina) e gravidez
    O Venvanse é contraindicado durante a gestação porque não há estudos suficientes que garantam segurança para o feto.

    Por isso, o ideal é suspender o Venvanse antes de engravidar.

    2. Opções de substituição para o Venvanse
    Nenhum medicamento substitui diretamente o Venvanse com o mesmo grau de eficácia para compulsão alimentar e perda de peso, mas existem alternativas que podem ser consideradas, especialmente no contexto de planejamento gestacional:

    a) Durante o planejamento (antes de engravidar):
    Topiramato (em alguns casos): tem efeito sobre compulsão alimentar e peso, mas deve ser interrompido ao engravidar devido ao risco de malformações.

    Bupropiona + naltrexona (em formulação como Contrave): também atua na compulsão, mas é contraindicada na gravidez.

    Mudanças no esquema antidepressivo: eventualmente, pode-se usar outros ISRS com bom perfil ansiolítico e efeito sobre compulsão, como sertralina.

    Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): abordagem fundamental, tanto para manutenção do peso quanto para controle da ansiedade.

    b) Durante a gestação (se já estiver grávida):
    O foco muda para estabilizar o humor, controlar a ansiedade e manter hábitos saudáveis.

    Fluoxetina é uma das medicações mais estudadas e utilizadas na gravidez, portanto, pode ser mantida, conforme orientação médica.

    A psicoterapia torna-se ainda mais importante nesse período.

    3. Abordagem recomendada
    Faça esse planejamento junto ao seu psiquiatra e seu obstetra.

    Em geral, o Venvanse é gradualmente retirado antes da concepção.

    O tratamento pode ser reestruturado com medicações mais seguras ou focado em psicoterapia, acompanhamento nutricional e estratégias de manejo da ansiedade.


  • Tenho dificuldade para ler em voz alta na sala de aula. Fico nervosa, gaguejo e acabo lendo mal. Já

    Tenho dificuldade para ler em voz alta na sala de aula. Fico nervosa, gaguejo e acabo lendo mal. Já quando estou sozinha ou com amigos, leio normalmente. Também percebo que, quando leio em sala, meu cérebro fica confuso, como se várias informações se misturassem. Além disso, se o professor me entrega um artigo e diz que tenho 10 minutos para ler e apresentar, não consigo. Não entendo direito o que li nesse tempo e, por isso, não consigo apresentar bem. Já precisei de vários dias lendo o mesmo texto para conseguir entender e explicar. Isso pode ser ansiedade, dificuldade de leitura ou algum transtorno de aprendizagem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Abrahão Baldino

    1. Ansiedade de desempenho ou fobia social leve
    Sentir-se nervosa, gaguejar, “travar” ou não conseguir ler em voz alta na frente da turma é muito comum em pessoas com ansiedade de desempenho.

    Isso ocorre porque o cérebro entra em estado de alerta, e esse estresse dificulta a concentração, a fluência da leitura e até a compreensão do que está sendo lido.

    Isso explicaria o fato de você ler normalmente sozinha ou com amigos, mas ter dificuldades apenas em situações de exposição.

    2. Dificuldade na velocidade de processamento ou compreensão leitora
    Quando você precisa ler um artigo rapidamente e apresentar em seguida, e sente que não entendeu ou não reteve o conteúdo, isso pode apontar para:

    Dificuldade na compreensão de leitura sob pressão.

    Ou uma velocidade de processamento mais lenta, o que exige mais tempo para absorver e organizar a informação.

    Isso não é necessariamente um transtorno, mas pode ser uma característica do seu funcionamento cognitivo — e merece atenção se atrapalha no dia a dia.

    3. Possível transtorno de aprendizagem (como dislexia)
    A dislexia, por exemplo, envolve dificuldades persistentes na leitura, escrita ou soletração, mesmo fora de situações de pressão.

    Como você lê bem quando está sozinha ou relaxada, isso não parece ser dislexia clássica, mas não pode ser descartada sem uma avaliação mais completa.

    Outras condições, como o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção), também podem prejudicar a concentração e a compreensão em situações com limite de tempo.

    Como entender melhor o seu caso?
    Uma avaliação com neuropsicólogo ou psiquiatra pode ajudar a identificar:

    Se há ansiedade de desempenho;

    Se existe um transtorno de aprendizagem (como dislexia ou TDAH);

    Se o padrão é mais de perfil cognitivo individual (por exemplo, você precisa de mais tempo para compreender, e isso é uma característica sua — não um transtorno).

    O que você pode fazer agora?
    Psicoterapia com foco em ansiedade: ajuda muito a lidar com o medo de errar em público, e a aumentar a confiança.

    Técnicas de leitura em voz alta: praticar em casa, gravar-se, ler para um amigo — tudo isso ajuda a treinar seu cérebro a lidar melhor com a pressão.

    Consulta com um profissional de saúde mental (psiquiatra ou neuropsicólogo): para avaliar se existe um transtorno de base que precise de acompanhamento.

    Adaptações pedagógicas (se necessário): dependendo do diagnóstico, a escola ou faculdade pode permitir mais tempo para leitura e apresentações alternativas.


  • Estou tomando lisdexanfetamina ha uns 10 dias e tenho apresentado um comportamento de aumento de lib

    Estou tomando lisdexanfetamina ha uns 10 dias e tenho apresentado um comportamento de aumento de libido, inclusive com uma sensação de prazer na vagina mesmo em momentos como trabalho. Esse efeito vai diminuir com tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Abrahão Baldino

    1. Estímulo dopaminérgico
    A lisdexanfetamina age principalmente aumentando os níveis de dopamina e noradrenalina, que são neurotransmissores ligados à motivação, foco, energia e também ao desejo sexual (libido).

    Em algumas pessoas, especialmente no início do tratamento, pode haver um aumento marcado de libido;

    Em casos mais raros, podem ocorrer reações físicas involuntárias associadas à excitação sexual, como você relatou (sensação de prazer ou tensão genital sem estímulo direto);

    Isso pode se parecer com o que a literatura chama de genital arousal disorder induzido por medicação, embora esse termo normalmente se aplique a outros contextos.

    2. É comum?
    Não é um efeito colateral frequente ou típico, mas já foi relatado em alguns casos com estimulantes, especialmente:

    Quando a dose está alta demais para a sensibilidade individual;

    Nos primeiros dias de uso, quando o corpo ainda está se adaptando.

    Isso vai passar?
    Na maioria dos casos, sim.

    Esse tipo de efeito costuma diminuir em algumas semanas, conforme o cérebro se adapta ao novo nível de dopamina.

    O efeito tende a estabilizar, e o foco volta a ser mais cognitivo (atenção, clareza, organização mental), com menor interferência em sensações físicas intensas.

    O que você pode fazer:
    Anote a frequência e intensidade dos episódios — isso ajuda seu médico a entender se o efeito está se regularizando.

    Evite associar o sintoma à culpa ou julgamento, pois é um efeito neuroquímico e involuntário.

    Converse com o médico que prescreveu a medicação:

    Pode ser necessário ajustar a dose;

    Em casos persistentes ou incômodos, avaliar troca de medicação.


  • Estou fazendo o desmame do sertralina 100mg, 50mg de sertralina e 50mg de desvenlafaxina por 1 mes,

    Estou fazendo o desmame do sertralina 100mg, 50mg de sertralina e 50mg de desvenlafaxina por 1 mes, depois vou ficar apenas no desvenlafaxina 100mg. Minha dúvida é, posso beber com o desvenlafaxina?
    Raramente bebia cm o sertralina 100mg um drink, ai queria saber se com o desve também posso tomar um drink de vez em quando.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Abrahão Baldino

    1. Aumento do risco de efeitos colaterais
    O álcool pode potencializar efeitos colaterais da desvenlafaxina, como:

    Sonolência ou sedação;

    Tontura;

    Náuseas;

    Redução dos reflexos.

    Isso pode variar muito de pessoa para pessoa. Se você se sentir estranha mesmo com pouco álcool, o ideal é evitar.

    2. O álcool pode afetar o humor
    Mesmo pequenas quantidades de álcool podem, em algumas pessoas, piorar sintomas de ansiedade ou depressão no dia seguinte.

    Como você está no processo de transição de medicamentos, o ideal é observar como seu corpo e mente reagem durante esse período.

    3. Fígado e metabolização
    Tanto a desvenlafaxina quanto o álcool são metabolizados pelo fígado.

    O consumo moderado raramente sobrecarrega o fígado de forma preocupante, mas é algo a ser considerado se houver histórico de problemas hepáticos (aí sim seria contraindicado).

    Em resumo:
    Você pode tomar um drink ocasional com desvenlafaxina, desde que:

    Seja algo raro e com moderação (1 taça de vinho, 1 cerveja pequena, 1 coquetel leve);

    Você não dirija ou opere máquinas após;

    Esteja se sentindo estável emocionalmente e fisicamente no momento;

    Observe se no dia seguinte há queda de energia, piora do humor ou aumento da ansiedade — o que indicaria que o álcool não está te fazendo bem mesmo em pouca quantidade.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.