Perguntas do paciente (10)

  • Ciclotimia pode ser grave e ter depressão grave? Fui diagnosticada e n consigo entender pois a minha

    Ciclotimia pode ser grave e ter depressão grave? Fui diagnosticada e n consigo entender pois a minha depressão é severa

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    Entendo a confusão — e ela faz todo sentido. Ciclotimia é um diagnóstico que, na teoria, soa "mais leve" do que ele muitas vezes é vivido na prática, e quando alguém recebe esse rótulo mas sente uma depressão pesada, a sensação de "isso não bate" é bem comum.

    Vamos por partes. Ciclotimia faz parte do espectro dos transtornos do humor bipolares, mas na definição clássica ela é caracterizada por oscilações mais brandas: períodos de humor elevado que não chegam a ser uma hipomania ou mania completa, e períodos depressivos que, tecnicamente, não preenchem todos os critérios de um episódio depressivo maior. Isso é o que os manuais diagnósticos descrevem "no papel". Só que a prática clínica é mais confusa do que os livros: existem quadros que começam como ciclotimia e, com o tempo, evoluem para um transtorno bipolar tipo II, com episódios depressivos que aí sim são graves e incapacitantes. Também existem diagnósticos que foram feitos em um momento da vida e que precisam ser revisados depois, porque o quadro mudou ou porque a avaliação inicial não captou toda a intensidade dos sintomas.

    Então, respondendo diretamente: sim, é possível ter uma base ciclotímica e, junto com ela, atravessar fases de depressão bastante severa — seja porque o quadro evoluiu, seja porque a gravidade da depressão nunca foi totalmente proporcional à "leveza" que o nome ciclotimia sugere. Isso não invalida seu sofrimento nem significa que alguém erra ao te chamar de grave.

    O que costuma ajudar nesses casos é revisitar a história com calma: como foram as fases de humor elevado, quanto tempo duraram, o que aconteceu antes e depois dos episódios depressivos mais intensos, se houve momentos de energia muito alta, impulsividade ou necessidade de dormir pouco sem cansaço. Esse tipo de reconstrução ajuda a entender se o diagnóstico atual ainda descreve bem o que você vive hoje, ou se ele precisa ser atualizado.

    Dado que você fala em depressão severa, isso é algo que merece uma reavaliação presencial, com alguém que possa olhar o quadro completo, o histórico de tratamentos e a intensidade atual dos sintomas. Só numa consulta dá para ajustar o diagnóstico e pensar em conduta terapêutica de forma individualizada — existem diferentes classes de tratamento para quadros do espectro bipolar e para depressões associadas a ele, mas a escolha depende muito das particularidades de cada pessoa.

    Se em algum momento esse sofrimento vier acompanhado de pensamentos de se machucar ou de que a vida não vale a pena, procure ajuda imediata — pronto-socorro, CVV (188) ou alguém de confiança. Espero que você encontre um espaço de cuidado que faça sentido com o que você está vivendo.


  • Bom dia! Gostaria de saber se eu tomar 2 comprimidos de desvenlafaxina 50mg, isso equivale a 1 compr

    Bom dia! Gostaria de saber se eu tomar 2 comprimidos de desvenlafaxina 50mg, isso equivale a 1 comprimido de 100mg. Tomo o desve de 100mg mas estou com uma caixa de 50mg e como esse medicamento é de *liberação prolongada*, tenho dúvida se isso pode ser feito.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    Sim, dois comprimidos de 50mg equivalem a um de 100mg, desde que sejam tomados inteiros, sem partir, é isso que preserva a liberação prolongada. Se for de laboratório diferente do que você já usa, pode haver pequena variação de efeito, então vale confirmar com quem te acompanha. De qualquer forma, fico feliz que você tenha checado antes de simplesmente fazer a substituição por conta própria, isso mostra bastante cuidado com o próprio tratamento. Qualquer dúvida que persista, não hesite em perguntar.


  • Estou fazendo uso do lítio(900mg) (há duas semanas aumentei mais um comprimido), porém não senti mel

    Estou fazendo uso do lítio(900mg) (há duas semanas aumentei mais um comprimido), porém não senti melhoras da depressão bipolar. Ele não consegue tratar essa parte?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    Entendo sua frustração. Aumentar a medicação e não perceber melhora na parte depressiva é desanimador, ainda mais quando isso mexe com o dia a dia e com a esperança de alívio.

    Vale entender uma coisa importante sobre o lítio: ele é excelente estabilizador de humor e tem grande valor na prevenção de novos episódios (tanto de mania quanto de depressão) e na redução do risco de recaída a longo prazo. Mas o efeito dele especificamente sobre um episódio depressivo já instalado costuma ser mais lento e, em muitos casos, mais discreto do que o efeito sobre os episódios de mania ou hipomania. Isso não significa que ele "não funciona" — significa que, para a fase depressiva do transtorno bipolar, frequentemente ele funciona melhor como parte de uma estratégia combinada do que sozinho.

    Outro ponto que costuma passar despercebido: a resposta ao lítio depende muito do nível dele no sangue (a chamada litemia), não só da quantidade de comprimidos. Duas pessoas tomando a mesma dose podem ter níveis sanguíneos bem diferentes, por isso o acompanhamento com exame de sangue é parte essencial do tratamento — tanto para verificar se você está numa faixa terapêutica adequada quanto para segurança, já que o lítio tem uma margem estreita entre o que é eficaz e o que pode ser tóxico.

    Diante desse cenário, o que costuma ajudar é observar e anotar como os sintomas depressivos vêm se comportando desde o aumento da dose — se pioraram, estabilizaram ou melhoraram só um pouco — e levar isso para quem acompanha seu caso. Existem, sim, outras classes de medicamentos e estratégias usadas como complemento ao lítio quando a depressão bipolar não responde bem só a ele, mas a escolha entre elas depende de histórico, resposta prévia, outros sintomas associados e exames — não é algo que dá para definir à distância.

    Por isso, o passo mais importante agora é uma reavaliação presencial com seu psiquiatra, de preferência incluindo um controle de litemia, para entender se a dose e o nível sanguíneo estão adequados e se faz sentido ajustar a estratégia terapêutica. Não deixe de compartilhar com ele exatamente o que você me contou aqui — esse tipo de informação faz toda diferença na conduta.

    Espero que essa reavaliação te traga mais clareza e um caminho mais efetivo pela frente. Qualquer nova dúvida, fico à disposição.


  • Trabalho a noite, e vou ter que iniciar o escitalopram para tag,pode me fazer mal iniciar?

    Trabalho a noite, e vou ter que iniciar o escitalopram para tag,pode me fazer mal iniciar? Tenho receio dos efeitos colaterais

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    Entendo a preocupação — é bem comum sentir esse receio antes de começar um antidepressivo, ainda mais quando a rotina já é mais desafiadora por causa do trabalho noturno. Isso não significa que algo vai dar errado, mas faz sentido você querer se preparar para o que pode acontecer.

    O escitalopram, como outros inibidores seletivos de recaptação de serotonina, pode causar alguns efeitos nas primeiras semanas: náusea leve, dor de cabeça, um certo desconforto gástrico, e às vezes uma sensação de inquietação ou ansiedade um pouco maior logo no início — o que parece contraditório, mas é um efeito transitório conhecido, que costuma diminuir depois dos primeiros dias a duas semanas. Alterações no padrão de sono também podem ocorrer, para mais ou para menos, dependendo de como seu organismo reage à medicação.

    Trabalhar à noite acrescenta uma variável real nessa equação, porque o horário da dose pode influenciar como você se sente durante o turno. Algumas pessoas percebem mais efeito sedativo, outras mais efeito estimulante — isso varia de pessoa para pessoa e só se sabe observando a resposta individual. Por isso, vale prestar atenção nos primeiros dias a como você se sente em diferentes horários do dia, e anotar isso para levar na próxima consulta.


  • Olá tudo bem? Estou tomando aymee a noite mas não tenho costume de jantar, como só 1 pão com manteig

    Olá tudo bem?
    Estou tomando aymee a noite mas não tenho costume de jantar, como só 1 pão com manteiga e queijo e suco. Será que é suficiente para absorção do remédio, ou seria melhor mudar para o almoço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    A vilazodona é um antidepressivo cuja absorção é bastante influenciada pela presença de comida no estômago. Na prática, tomar em jejum reduz significativamente a quantidade do medicamento que realmente chega à circulação — as bulas oficiais são claras nesse ponto, orientando que ela seja sempre tomada junto com alimento, justamente porque em jejum ela "pode não funcionar tão bem". A boa notícia é que não precisa ser uma refeição robusta: mesmo uma refeição leve já aumenta de forma relevante essa absorção, então o que você descreveu — pão com manteiga, queijo e suco — entra bem na categoria de "comer algo junto", cumprindo esse papel.

    Ou seja, o ponto central aqui não é tanto o horário (noite versus almoço), mas sim garantir que sempre haja algum alimento no estômago no momento em que você toma o comprimido. Se você mantém esse hábito de comer algo, mesmo que simples, todos os dias antes ou junto da medicação, isso tende a ser suficiente para manter a absorção esperada. O problema seria tomar em jejum completo, sem nada no estômago — aí sim a quantidade absorvida cai de forma mais significativa.

    Vale ficar atento a sinais indiretos de que a dose não está sendo bem aproveitada, como sintomas depressivos que não melhoram como esperado ou que oscilam bastante — isso pode ter várias explicações, mas é um dado importante para levar ao seu psiquiatra. Não é motivo para trocar horário ou repetir dose por conta própria; é mais uma informação a compartilhar na próxima consulta ou até por mensagem com quem te acompanha, para confirmar se o padrão alimentar que você tem hoje está adequado para o seu caso específico.

    De resto, o hábito que você já tem parece ir na direção certa. Qualquer mudança de esquema, ainda assim, vale sempre confirmar com o médico que prescreveu, já que ele conhece o contexto completo do seu tratamento.

    Fico à disposição se tiver mais dúvidas!


  • O médico tirou a paroxetina e me deu venlafaxina de 150 ela é para pânico como a paroxetina?

    O médico tirou a paroxetina e me deu venlafaxina de 150 ela é para pânico como a paroxetina?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    Sua dúvida faz todo sentido: trocar de remédio no meio do tratamento do pânico gera insegurança, ainda mais quando o antigo já era conhecido.

    Tanto a paroxetina quanto a venlafaxina têm indicação reconhecida para transtorno de pânico, mas elas atuam em mecanismos um pouco diferentes. A paroxetina faz parte da classe dos ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), enquanto a venlafaxina é um IRSN (inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina) — ou seja, ela age em dois neurotransmissores, não só um. Na prática clínica, isso significa que a venlafaxina costuma ter um efeito parecido no controle do pânico, mas pode trazer uma resposta ligeiramente diferente em termos de energia, ansiedade física e até efeitos colaterais, já que a noradrenalina também entra na equação.

    É esperado um período de adaptação nas primeiras semanas, com possível oscilação da ansiedade. Vale observar como você se sente, crises, sono, disposição, efeitos incomuns, e relatar isso ao médico que fez a troca.

    Como é um ajuste individualizado, o acompanhamento presencial com quem prescreveu é essencial nesse período. Se notar piora importante antes da consulta marcada, não espere, procure contato antes.

    Torço para que essa transição corra bem.


  • Olá. Estou em acompanhamento psicológico e psiquiátrico para tratar ansiedade. Estou em uso de Sertr

    Olá. Estou em acompanhamento psicológico e psiquiátrico para tratar ansiedade.
    Estou em uso de Sertralina há 19 dias.
    Sinto extremo alívio na ansiedade, porém sinto "tranquilidade extrema", mas que não atrapalha em minha rotina, mas causa muita estranheza, pois por consequência, acabo me sentindo lenta. Ao questionar a psicóloga, ela comentou que isto é comum de uma mente não ansiosa e a psiquiatra comentou que a expectativa é que esta sensação seja cada vez mais comum para mim.
    Esta expectativa é correta? A tendência é que com o andar dos tratamentos, essa sensação seja meu novo normal e eu me sinta bem deste modo ou pode ser sinal do tratamento incorreto ainda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    Olá! Entendo bem a estranheza que você descreve. É curioso: a gente imagina que "melhorar da ansiedade" vai ser só alívio, e quando a sensação chega, às vezes ela vem acompanhada de uma sensação de lentidão que pesa quase como um efeito colateral, mesmo sendo, na teoria, o que se esperava do tratamento. Faz sentido que isso gere dúvida.

    Vou explicar o que costuma acontecer nesse momento do tratamento. Aos 19 dias de Sertralina, o efeito ainda está se consolidando — normalmente esse processo leva de quatro a seis semanas para estabilizar, então seu sistema nervoso ainda está se ajustando a um patamar novo de funcionamento. Uma pessoa que viveu muito tempo com o "motor" da ansiedade ligado em alta rotação tende a sentir a queda desse ritmo como algo estranho, quase artificial, porque o corpo e a mente se acostumaram a operar em alerta. Isso é diferente de "lentidão patológica" — é mais uma readaptação à ausência de um estado que, mesmo desconfortável, era familiar.

    Dito isso, existe sim uma distinção clínica importante entre essa "calma desconhecida" e o que chamamos de embotamento afetivo, que é um efeito que pode aparecer com alguns antidepressivos em algumas pessoas — quando a pessoa sente não só menos ansiedade, mas também menos intensidade emocional de forma geral, incluindo prazer, interesse ou reatividade às coisas boas do dia a dia. A forma de diferenciar uma coisa da outra, na prática, é observar se essa sensação de lentidão interfere em concentração, motivação ou na capacidade de sentir prazer nas atividades que você gosta, ou se é só uma sensação de "estar mais devagar" sem prejuízo real nas suas tarefas e vínculos.

    Como você mesma relatou, no momento isso não está atrapalhando sua rotina — esse é um dado importante e tranquilizador. Minha sugestão prática é continuar observando esse padrão nas próximas semanas: se a sensação for se tornando mais confortável e natural com o tempo, é um sinal de que o corpo está se ajustando bem ao novo estado. Se, pelo contrário, ela se intensificar, passar a incomodar, ou vier acompanhada de apatia, perda de interesse ou dificuldade de concentração, isso merece ser levado de volta à sua psiquiatra com esses detalhes específicos.

    Como você já está em acompanhamento ativo com psicóloga e psiquiatra, o caminho certo é justamente esse: seguir relatando essas sensações com a mesma clareza que trouxe aqui, para que a condução do tratamento — incluindo eventual ajuste, se necessário — seja feita de forma individualizada por quem acompanha seu caso de perto. Não dá para saber à distância se essa é definitivamente a resposta esperada ou se merece algum ajuste; isso depende da avaliação clínica contínua que só quem está te acompanhando pode fazer.

    Fico feliz que você esteja atenta ao que sente e questionando com cuidado — isso ajuda bastante o próprio tratamento a ser mais preciso. Qualquer mudança nova nesse padrão, vale a pena levar para a próxima consulta.


  • É possível tratar Transtorno bipolar tipo 2 somente com antipsicótico atípico?

    É possível tratar Transtorno bipolar tipo 2 somente com antipsicótico atípico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    Embora seja possível tratar alguns pacientes com transtorno bipolar tipo II apenas com um antipsicótico atípico, essa não é uma estratégia que possa ser generalizada para todos os casos. O transtorno bipolar tipo II é uma condição bastante heterogênea, com pacientes que apresentam padrões distintos de recorrência, predominância de episódios depressivos, hipomanias, sintomas mistos e diferentes riscos de recaída. Alguns antipsicóticos de segunda geração, especialmente a quetiapina, possuem evidências robustas para uso em monoterapia, sobretudo quando predominam episódios depressivos, podendo representar uma alternativa adequada para pacientes que não toleram ou têm contraindicações aos estabilizadores clássicos. No entanto, é importante lembrar que o lítio continua sendo o medicamento com as evidências mais consistentes para prevenção de recorrências ao longo do tempo e, principalmente, para redução do risco de suicídio, um benefício que nenhum antipsicótico demonstrou de forma tão sólida. Dessa forma, a decisão de utilizar apenas um antipsicótico deve ser individualizada, levando em consideração o curso longitudinal da doença, o histórico de recaídas, a presença de sintomas mistos, a frequência dos episódios, a tolerabilidade, os efeitos adversos e as características clínicas de cada paciente. Em psiquiatria, especialmente no tratamento do transtorno bipolar, o objetivo não é escolher a medicação "mais forte" ou "mais moderna", mas sim aquela que oferece o melhor equilíbrio entre eficácia, segurança e qualidade de vida para aquele indivíduo específico.


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, e tenho que deixar minha mãe só. Estou com medo

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, e tenho que deixar minha mãe só. Estou com medo e com ansiedade por deixa lá sozinha, ela tem 75 anos estou com o coração doendo. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    É compreensível que seu coração esteja apertado. Sair de casa para construir sua própria vida não significa abandonar sua mãe, mesmo que a culpa e a ansiedade façam parecer isso neste momento. Quando amamos profundamente alguém, especialmente um dos nossos pais, é natural que a ideia de vê-los envelhecendo desperte medo, preocupação e até uma sensação de responsabilidade que muitas vezes vai além do que realmente nos cabe. Como psiquiatra, vejo com frequência que a ansiedade faz o cérebro superestimar riscos e nos convence de que, se não estivermos presentes o tempo todo, algo ruim acontecerá. Mas amar não é o mesmo que estar fisicamente ao lado em todos os momentos. Você pode continuar sendo um filho presente, cuidadoso e afetuoso, mantendo uma rotina de visitas, ligações e apoio, enquanto também constrói sua própria família e sua felicidade. Permitir-se viver essa nova fase não diminui o amor pela sua mãe; ao contrário, apenas mostra que a relação entre vocês está amadurecendo. A saudade que ambos sentirão faz parte desse processo e não é sinal de que você está fazendo algo errado. Você não está deixando de ser filho, apenas está ocupando um novo lugar na sua própria história, e tenho certeza de que, se ela deseja verdadeiramente a sua felicidade, vê-lo construir uma vida ao lado de quem ama será motivo de orgulho, ainda que essa transição seja difícil para vocês dois.


  • Revoc está me deixando sem vontade de fazer nada. Absolutamente nada. Isso é normal?

    Revoc está me deixando sem vontade de fazer nada. Absolutamente nada. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Aldo Pereira De Araujo Neto

    Esse tipo de relato é mais comum do que as pessoas imaginam.
    Quando você diz que está "sem vontade de fazer absolutamente nada", eu gostaria de entender um pouco melhor se isso é uma tristeza intensa, uma falta de energia ou uma sensação de que as emoções ficaram "apagadas". Essa diferença é importante.
    Mas pelo jeito que você falou, acredito que você esteja apresentando o que chamamos de embotamento afetivo, um efeito colateral que pode ocorrer com alguns antidepressivos da classe dos ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), como o Revoc.
    O embotamento afetivo não significa necessariamente que você esteja deprimido. Na verdade, muitas pessoas descrevem como uma sensação de "anestesia emocional". É como se o volume das emoções tivesse sido diminuído: não apenas as emoções negativas, como tristeza e ansiedade, mas também as positivas. A pessoa pode sentir que perdeu o entusiasmo, a motivação, a empolgação e até o prazer pelas coisas que antes gostava. Alguns pacientes descrevem como "estou vivendo no piloto automático" ou "não sinto vontade de fazer nada, mas também não estou exatamente triste".
    Isso acontece porque a serotonina influencia circuitos cerebrais que também participam da motivação, do prazer e da recompensa. Em algumas pessoas, o aumento da serotonina pode acabar reduzindo a atividade desses sistemas, especialmente os relacionados à dopamina, levando a essa sensação de apatia ou diminuição da iniciativa.
    A boa notícia é que, quando esse efeito realmente está relacionado ao medicamento, existem alternativas. Dependendo da sua evolução clínica, podemos avaliar ajustes na dose, mudança da medicação ou outras estratégias. Mas isso deve ser feito com cautela e sempre de forma individualizada.
    Por isso, eu não recomendo interromper o Revoc por conta própria. O ideal é conversarmos com mais detalhes sobre quando esses sintomas começaram, como está o seu humor, sua ansiedade e como você estava antes de iniciar o tratamento. Assim conseguimos diferenciar se estamos diante de um efeito do medicamento ou de sintomas da própria doença.
    Vamos avaliar isso juntos. O mais importante agora é entender melhor exatamente o que está acontecendo para escolher a melhor conduta.


Perguntas frequentes

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