Perguntas do paciente (26)

  • Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2

    Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.

    Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Obrigada pela pergunta — é um tema delicado e você está certa em buscar orientação.
    Sobre a idade: não existe uma idade "errada" para começar. Na verdade, o recomendado é que a criança cresça sabendo a verdade de forma gradual e adequada ao desenvolvimento dela, em vez de descobrir tudo de uma vez mais tarde. Aos 3 anos, a criança ainda percebe a morte de forma muito concreta — como ausência e falta — então a conversa deve ser simples, curta e repetida ao longo do tempo, conforme ela for fazendo perguntas. Existem algumas literaturas que ajuda a explicar e bordar o assunto.
    Algumas orientações importantes:
    • Use linguagem clara e concreta — dizer "seu pai morreu" é mais adequado do que "ele foi embora" ou "virou estrela", que podem gerar confusão em uma criança pequena
    • Não crie segredo — segredos tendem a virar fantasias e ansiedade. A criança já convive com o padrasto, então saberá que existe um pai biológico que morreu
    • Reconheça o papel do padrasto sem substituir — a criança pode ter duas figuras de cuidado: o pai biológico que morreu (e pode ser lembrado) e o padrasto que está presente no dia a dia
    • Acolha as emoções — deixe espaço para tristeza, raiva e perguntas, sem apressar ou julgar
    Sobre livros, alguns títulos adequados para essa faixa etária (2 a 6 anos):
    • "A Árvore das Lembranças" (Britta Teckentrup) — indicado para 2 a 5 anos, fala da saudade e das boas lembranças que ficam
    • "O Livro do Adeus" (Todd Parr) — indicado até 6 anos, linguagem e ilustrações simples
    • "Vazio" (Anna Llenas) — aborda a sensação de perda e o ressignificar
    E, se sentir necessidade, um psicólogo infantil pode apoiar esse processo de forma mais próxima, no ritmo da criança.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Obrigada por compartilhar isso com tanta honestidade — deve ter dado trabalho colocar esses sentimentos em palavras. O que você está vivendo é mais comum do que parece, e quero te tranquilizar: dúvidas sobre os próprios sentimentos aparecem em quase toda relação que passa da fase inicial.
    Aquele friozinho na barriga, a ansiedade boa do começo — isso costuma diminuir com o tempo em qualquer relacionamento. E isso não significa que o amor acabou; significa que ele está mudando de forma: o encantamento inicial vai dando lugar a um sentimento mais calmo, de companheirismo, cuidado e cumplicidade. É uma fase diferente, não uma perda.
    E uma coisa importante: você não precisa decidir nada hoje. Essa pressão de "saber se amo ou não" aumenta a ansiedade e confunde ainda mais. Em vez de buscar uma resposta definitiva, que tal se dar um tempo para observar?
    Algumas perguntas que podem ajudar nessa observação:
    • Em quais momentos, com ele, você ainda se sente bem? O que vocês fazem juntos que te dá alegria?
    • O que você sente falta?
    • Quando você diz que "não sente mais a sensação gostosa" — isso acontece sempre, ou só em alguns dias?
    • O que o carinho que você sente por ele significa para você?
    A rotina também é uma vilã silenciosa: casais que só repetem os mesmos programas — casa, jantar, TV — tendem a esfriar, não por falta de amor, mas por falta de novidade. Que tal propor algo diferente? Um passeio, uma viagem curta, um hobby novo juntos? Muitas vezes o que resgata a animação não é "esperar sentir de novo", mas criar condições para o sentimento aparecer.
    Conversar com ele também pode ajudar — não como cobrança ou ameaça, mas como um convite: "sinto falta de a gente fazer coisas diferentes juntos, o que você acha?". Ele parece alguém que se importa com você; se abrir pode aproximar vocês em vez de afastar.
    E se essa angústia continuar pesada, buscar apoio de um profissional para esse momento pode te ajudar a entender seus sentimentos com mais clareza — não para decidir por você, mas para te acompanhar nesse processo.


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Obrigada por compartilhar isso com tanta sinceridade. O que você descreve mostra uma evolução real, e quero começar por aí: você começou um trabalho que exigia interação constante, passou por momentos muito difíceis de ansiedade e, mesmo assim, continuou. Seis meses depois, você mesma percebe que as interações ficaram mais leves e a ansiedade diminuiu. Isso não é pouco — é um progresso concreto.
    Sobre os comentários dos colegas ("você é séria", "quieta", "não fala"): é importante separar duas coisas. O que os outros percebem de você não define quem você é. Muitas vezes, quem tem um perfil mais reservado recebe esse tipo de comentário não porque tem algo errado, mas porque o outro espera um comportamento diferente do seu. Isso diz mais sobre a expectativa deles do que sobre você.
    E aqui vai um ponto importante: você não precisa se encaixar no que esperam de você. Ser mais quieta ou reservada não é um defeito a ser corrigido. É um jeito de ser. O que importa é você se sentir confortável com a forma como se relaciona — e não se anular para agradar.
    Sobre a sua pergunta "estou me curando?": o que você está vivendo mostra que está em processo. E "se curar" aqui não significa virar outra pessoa — alguém extrovertida, que fala o tempo todo e nunca sente ansiedade. Significa, na prática, conseguir viver sua vida, fazer suas coisas, se relacionar no seu ritmo, sem que a ansiedade te paralise. Você já está fazendo isso: trabalha, interage, melhora a cada dia. Os comentários podem continuar existindo — o que muda é o quanto eles te afetam.
    Sobre a sensação de não pertencimento: é comum, principalmente para quem passou por experiências difíceis, como o bullying. Mas pertencer não é ser igual a todo mundo. É encontrar espaços e pessoas onde você se sinta bem sendo quem é. Isso se constrói aos poucos.
    Se essa cobrança interna e a ansiedade continuarem pesadas, buscar um psicólogo pode te ajudar muito — não para "te mudar", mas para te apoiar a lidar com essas situações com mais leveza e menos sofrimento.


  • Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico

    Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá. Obrigada por compartilhar isso — deve estar sendo muito difícil lidar com tudo isso ao mesmo tempo. Quero que você saiba que o que você está sentindo é real e merece cuidado.
    Sobre as pesquisas: sim, elas podem piorar muito o quadro. Quando a gente está num momento de ansiedade, cada sintoma lido vira um novo gatilho, e isso alimenta um ciclo que parece não ter fim. Isso não é fraqueza sua — é uma resposta muito comum. O primeiro passo é, sempre que der vontade de pesquisar, tentar parar e lembrar: "isso está me fazendo mal agora".
    Você já começou o tratamento medicamentoso, o que é um passo importante. O próximo é fortalecer o acompanhamento — e se a terapia online não está funcionando para você agora, vale buscar apoio presencial, mesmo que seja para começar devagar, no seu ritmo.
    Sobre sair de casa: não se cobre para fazer isso rápido. Cada pequena conquista conta — e se um dia não der, tudo bem, tem o próximo. O importante é não se julgar por isso.
    E sim, buscar fontes confiáveis e evitar pesquisas aleatórias é um caminho. Mas o mais importante é você não passar por isso sozinho: um profissional vai te ajudar a desfazer, aos poucos, essas ideias negativas que as pesquisas deixaram.
    Você merece se sentir melhor. Não desista antes de buscar esse apoio.


  • Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Entendo a preocupação — é comum a gente ler algo na internet e começar a se perguntar se tem algum problema. Mas fica tranquilo(a): dormir com a mão dobrada junto ao peito, no estilo "t-rex", é uma posição bem comum e, sozinha, não significa nenhum transtorno. Muita gente dorme assim por hábito ou conforto, e isso é normal.
    O que vale observar é o conjunto: se, além disso, você notar outros comportamentos ou sentimentos que te incomodam e atrapalham seu dia a dia, aí sim pode valer a pena conversar com um profissional. Mas só um psicólogo ou psiquiatra, numa avaliação presencial, pode dizer se existe algo a ser cuidado — e isso nunca se define por um único hábito de sono.
    No geral, dormir assim não é motivo de preocupação.


  • Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom

    Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
    A terapia pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Obrigada por compartilhar isso. O que você está vivendo é difícil e faz sentido que você esteja buscando respostas — é uma forma de tentar se sentir no controle.
    Sobre a sua pergunta: sim, pesquisar sintomas na internet pode atrapalhar. Quando a gente está num momento vulnerável, a pesquisa começa como uma tentativa de se acalmar, mas acaba gerando o efeito contrário: cada sintoma lido vira um novo gatilho de ansiedade, que aumenta o medo, que traz mais crises e leva a mais pesquisas. É um ciclo que se alimenta sozinho — e não é culpa sua, é uma resposta muito comum.
    Sobre a medicação: vale conversar com seu psiquiatra sobre o tempo de efeito do escitalopram. Esses medicamentos costumam levar algumas semanas para agir por completo, e qualquer avaliação sobre ajuste precisa ser feita por quem acompanha seu tratamento.
    E sim, a terapia pode ajudar muito. Um psicólogo vai te apoiar a entender o que está por trás desse medo de sair de casa, a lidar com as crises quando elas aparecem e a construir, aos poucos e no seu ritmo, caminhos para retomar sua rotina.
    Uma dica simples para enquanto isso: quando sentir vontade de pesquisar, tente anotar antes o que está sentindo — e leve essas anotações para a terapia. Isso transforma a angústia em material de cuidado, em vez de mais ansiedade.


  • Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus

    Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus maiores prazeres quando mais novo, agora parece mais um fardo do que qualquer outra coisa, mesmo tentando muito. Como lidar com isso? Como não me render a vontade de 'instagramar' e ser mais produtivo? Sinto que tem atrapalhado muito minha vida acadêmica.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Obrigada por compartilhar isso. O que você descreve — a leitura que era prazer virando fardo, a dificuldade de focar, a vontade constante de pegar o celular — tem sido uma queixa muito frequente depois da pandemia. Você não está sozinho nisso.
    Vale entender uma coisa: as redes sociais foram feitas para capturar nossa atenção em ciclos curtos e rápidos. Depois de tanto tempo convivendo com esse tipo de estímulo, é natural que atividades que pedem atenção sustentada — como ler um livro — fiquem mais difíceis. Não é falta de força de vontade: é um hábito de atenção que mudou.
    Algumas coisas que podem ajudar:
    • Começar pequeno: retomar a leitura com metas mínimas (5 minutos, uma página), em um momento fixo e sem o celular por perto
    • Criar barreiras: deixar o celular em outro cômodo ou usar limites de tempo no Instagram
    • Observar os gatilhos: em que momentos você pega o celular? Tédio, procrastinação, ansiedade? Identificar o gatilho ajuda a escolher uma resposta diferente
    • Não se cobrar tanto: a volta da concentração é gradual, não acontece de um dia para o outro
    E se isso está afetando sua vida acadêmica e te trazendo sofrimento, buscar um psicólogo pode te ajudar a entender o que está por trás dessa dificuldade e a construir estratégias que funcionem para você, no seu ritmo.


  • A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion

    A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá. Obrigada por compartilhar tudo isso — não deve ter sido fácil escrever. O que você está sentindo parece ser muito pesado e solitário.
    Você descreveu várias coisas que estão acontecendo ao mesmo tempo: lapsos de memória, dificuldade de concentração, cansaço, choro frequente, sensação de vazio, vontade de se isolar. E tudo isso está afetando sua escola, seu namoro e sua relação com as pessoas. Isso é muito difícil de carregar sozinha.
    Sobre sua pergunta: só um profissional pode fazer uma avaliação e te dar um diagnóstico. Mas o que você está sentindo é real e merece atenção — não é "frescura", não é "exagero". O sofrimento que você descreve é legítimo e existem profissionais preparados para te ouvir e ajudar.
    O caminho mais indicado é buscar um psicólogo ou psiquiatra para uma avaliação. Eles vão ouvir sua história com cuidado e entender o que está acontecendo. Enquanto isso, se sentir que pode, tenta conversar com alguém de confiança — um familiar, um amigo, um professor na escola. Você não precisa passar por isso escondida.
    Você merece se sentir melhor. Não desiste antes de buscar ajuda.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! O que você está sentindo é completamente normal e faz todo sentido.
    Depois de passar quatro dias inteiros vivendo uma rotina juntos — acordar, cozinhar, dormir ao lado — o contraste ao voltar para casa é muito maior do que o de um fim de semana comum. Quanto mais especial foi a experiência, mais forte tende a ser a saudade quando ela termina. Isso não é um sinal de que algo está errado, mas sim de que o que vocês viveram foi significativo.
    O vazio que você descreve não é um alerta — é uma resposta natural a um momento muito bom que terminou. E não tem nada de errado nisso.
    Enquanto a distância ainda existe, algumas coisas podem ajudar:
    • Manter momentos de conexão online durante a semana
    • Planejar juntos o próximo encontro — isso transforma a saudade em expectativa
    • Se permitir sentir a tristeza sem se cobrar, sabendo que ela vai passar
    Se essa tristeza começar a atrapalhar seu sono, apetite ou rotina por vários dias seguidos, aí vale buscar apoio. Mas o que você descreve parece uma resposta saudável a um momento especial — e isso é humano.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá. Primeiro, quero te dizer uma coisa muito importante: você não é defeituosa. O que aconteceu com você não foi sua culpa. Você era uma criança — duas vezes — e merecia proteção, cuidado e segurança. A dor que você carrega hoje não é um defeito seu, é uma ferida que alguém causou em você.
    O que você sente — o medo, o choro, as memórias que voltam — é uma resposta do seu corpo e da sua mente a algo muito grave que você viveu. Não é frescura, não é exagero.
    Buscar um psicólogo especializado em traumas é o caminho mais indicado. Esse profissional vai te ajudar, no seu tempo e sem pressa, a elaborar essas memórias e a construir uma relação mais segura com seu corpo e com a intimidade.
    Conversar com seu namorado também pode ser importante, mas só quando você se sentir preparada. Não se cobre para falar antes da hora. Um bom parceiro vai entender e te apoiar.
    Você não está quebrada. Você está ferida — e feridas podem ser cuidadas.


  • Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen

    Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Obrigada por compartilhar isso com tanta sinceridade. O que você sente não é fútil — é humano. O desejo de se conectar profundamente com alguém é uma necessidade legítima, e senti-lo desde cedo mostra que você valoriza relações verdadeiras.
    Sobre a idade: não existe uma idade certa para ter vivido um grande amor ou um relacionamento profundo. Aos 25 anos você ainda está se construindo, e isso inclui tanto a carreira quanto a vida afetiva. Uma coisa não precisa esperar a outra.
    Você não precisa ter todas as respostas agora. E não precisa estar "pronto" ou "estável" para merecer um relacionamento significativo. O que você pode fazer é se colocar em situações que favoreçam conexões reais — estar em lugares que fazem sentido para você, cultivar interesses, se abrir para conhecer pessoas sem a pressão de que "tem que ser a pessoa certa".
    E se essa angústia persistir ou atrapalhar sua autoestima, buscar um psicólogo pode te ajudar a entender o que está por trás desse medo e a construir uma relação mais leve consigo mesmo — o que também reflete nas relações com os outros.
    Você não está atrasado. Você está no seu processo.


  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Você tocou num ponto muito importante e que muitas pessoas que já passaram por depressão se perguntam. Sim, quem já teve depressão pode sim ter recaídas, especialmente após momentos difíceis — e isso não significa que o tratamento anterior falhou ou que a pessoa "não se esforçou o suficiente".
    Isso acontece porque a depressão não é apenas tristeza passageira: ela mexe com a química do cérebro, com a forma como a gente processa emoções e com nossa vulnerabilidade diante do estresse. Acontecimentos ruins — perdas, frustrações, mudanças — podem ativar esse ciclo novamente.
    Mas a boa notícia é que, assim como da primeira vez, isso pode ser tratado. Procurar um psiquiatra e um psicólogo é o caminho mais indicado para entender o que está acontecendo e retomar o cuidado. E não apenas para "passar pela crise", mas para aprender a identificar os sinais precoces e construir estratégias para lidar com os momentos difíceis de forma que a tristeza — que é humana e faz parte da vida — não se transforme em sofrimento profundo.
    Você não está recomeçando do zero. Você está retomando um caminho que já conhece.


  • Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo

    Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Obrigada por compartilhar isso. O que você descreve é mais comum do que parece — e tem um detalhe importante: o que você chama de "vício em livro/curso" não é preguiça. É um hábito que te dá prazer e sensação de progresso, então é natural que ele dispute sua atenção com tarefas que exigem mais esforço ou trazem menos recompensa imediata.
    O problema não é gostar de estudar. O problema é quando esse hábito vira uma forma de fuga — de adiar o trabalho, de evitar o que parece "não perfeito" o suficiente, de se sentir produtivo sem concluir o que importa. E o perfeccionismo costuma andar junto: a gente se distrai porque a tarefa "ainda não está pronta para ser feita do jeito certo".
    E sim, a terapia pode ajudar muito nisso. Um psicólogo vai te apoiar a entender o que está por trás dessa impulsividade — o que você evita quando se distrai, o que o perfeccionismo protege — e a construir estratégias práticas para organizar seu tempo e lidar com a ansiedade de "não estar fazendo o suficiente".
    Enquanto isso, uma dica simples: tente definir antes de começar o expediente o que precisa ser concluído naquele dia — uma tarefa só, pequena e realista. Concluir algo concreto ajuda a quebrar o ciclo de começar mil coisas e não terminar nenhuma.


  • Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz

    Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! O que você descreve — dificuldade de concentração, agitação, pensamento acelerado — é algo que muita gente vive no trabalho, especialmente com a pressão de entregar resultados. Mas isso não significa que você precise simplesmente aceitar como normal: quando começa a te fazer mal, merece atenção.
    Algumas coisas que podem ajudar no dia a dia:
    • Quebrar a tarefa em pedaços menores — em vez de pensar no projeto inteiro, foque em uma etapa pequena e concreta de cada vez. Isso reduz a sensação de sobrecarga que alimenta a agitação
    • Fazer pausas curtas e regulares — alguns minutos para levantar, respirar, olhar para longe. Parece simples, mas ajuda o cérebro a "resetar" e voltar com mais foco
    • Evitar multitarefa — fazer várias coisas ao mesmo tempo parece produtivo, mas costuma aumentar a agitação e reduzir a qualidade. Uma coisa por vez costuma render mais
    • Observar o que dispara — em quais momentos a agitação aumenta? Reuniões, prazos, cobranças, excesso de estímulos? Identificar os gatilhos ajuda a se preparar para eles
    • Cuidar do básico — sono, alimentação e movimento fora do trabalho influenciam diretamente a concentração e a agitação durante o expediente
    E se, mesmo tentando, isso continuar te atrapalhando e te trazendo sofrimento, buscar um psicólogo pode ser um ótimo passo. Esse profissional vai te ajudar a entender o que está por trás dessa agitação e a construir estratégias que funcionem para você — no trabalho e fora dele.


  • Olá está bem difícil por aqui, pois minha filha está ficando bem irritada , as coisa Tenque ser tudo

    Olá está bem difícil por aqui, pois minha filha está ficando bem irritada , as coisa Tenque ser tudo do jeito dela , arruma uma cama tenq ser do jeito que ela bota se muda pronto já faz escândalo começa a jogar os brinquedos pro alto , as vezes que me bater me morde , as vezes colocar uma meia no pé a meia estando certa ela cisma que está errada aí começa o choro os gritos, está bem difícil até na rua agora ela está fazendo essas coisas ela tem 3 anos , ela fica tão irritada aí ponto até da cara dela ficar cm algumas placas vermelhas. Qual especialista devo procurar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Sinto muito que vocês estão passando por isso — deve ser realmente desgastante e preocupante para você como mãe.
    Antes de tudo, quero te tranquilizar em parte: crianças de 3 anos estão em uma fase importante do desenvolvimento, onde estão descobrindo a própria vontade, testando limites e ainda não têm recursos emocionais para lidar com frustrações. Birras, choros, jogar objetos e até tentativas de bater são comportamentos que podem acontecer dentro do esperado nessa idade.
    No entanto, alguns sinais que você descreu merecem atenção e uma avaliação mais cuidadosa:
    • A intensidade e frequência das reações (birras muito explosivas, com agressividade)
    • As manchas vermelhas no rosto (podem indicar um nível de ativação emocional muito alto)
    • O comportamento estar acontecendo também em ambientes externos (escola, rua)
    • A rigidez com detalhes específicos (posição da cama, meia "certa" vs. "errada")
    Qual especialista procurar?
    O primeiro passo é buscar um neuropediatra ou um psicólogo infantil para uma avaliação inicial. O neuropediatra vai investigar se há questões do neurodesenvolvimento (como Transtorno Opositivo-Desafiador, Transtorno do Processamento Sensorial ou até mesmo características do espectro autista) que possam estar contribuindo para essa intensidade. O psicólogo infantil vai ajudar a entender os gatilhos emocionais e orientar você sobre estratégias de manejo em casa.
    Já o psiquiatra infantil geralmente entra em um segundo momento, se houver indicação após essas avaliações.
    Enquanto isso, algumas coisas que podem ajudar:
    • Manter uma rotina previsível (crianças pequenas se sentem mais seguras com rotina)
    • Observar se há padrões: antes de dormir, após tela, em transições (trocar de roupa, sair de casa)
    • Oferecer escolhas limitadas ("você quer a meia azul ou a vermelha?") — isso dá sensação de controle sem abrir mão do necessário
    Você não está sozinha nessa. Buscar ajuda já é o melhor caminho.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Obrigada por compartilhar isso. São 4 anos carregando essa história — isso já mostra o quanto esse vínculo foi significativo para você.
    O que você descreve é mais comum do que se imagina: uma pessoa que marcou, um erro que ficou, e a dificuldade de seguir em frente de verdade. Você chegou a namorar outra pessoa, mas não se sentiu feliz — e isso pode indicar que você não estava emocionalmente disponível para esse novo relacionamento porque ainda não tinha elaborado o que ficou para trás.
    Se essa história já dura 4 anos e continua te impedindo de seguir em frente — atrapalhando sua vida afetiva, sua autoestima ou sua paz — pode ser muito útil buscar acompanhamento terapêutico. Não para "esquecer ela", mas para entender o que essa história representa para você e conseguir, de verdade, se libertar dela.
    Você merece seguir em frente sem carregar esse peso todos os dias.


  • Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissiona

    Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissional deveria falar primeiro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Excelente você estar buscando se entender melhor — esse já é um passo muito importante.Diante das suas suspeitas (autismo, TDAH e depressão), o caminho mais indicado é:

    Primeiro passo — Neuropsicólogo(a)
    Esse profissional é o mais indicado para realizar a avaliação neuropsicológica, que é um processo composto por sessões com entrevistas, testes e escalas específicas para investigar TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH. Ele vai levantar um perfil detalhado do seu funcionamento cognitivo e emocional.


    Segundo passo — Psiquiatra
    Com o resultado da avaliação neuropsicológica em mãos, o psiquiatra pode fechar o diagnóstico formal (especialmente no caso de TEA e TDAH, que exigiam critérios médicos) e avaliar se há necessidade de medicação, tanto para os sintomas de TDAH quanto para a depressão.


    Apoio contínuo — Psicólogo(a)
    O psicólogo vai acompanhar você no processo terapêutico, ajudando a lidar com os sintomas do dia a dia, a regulação emocional e o manejo da depressão — independente dos diagnósticos fechados ou não.

    Na prática, o fluxo fica assim:Avaliação neuropsicológica (neuropsicólogo)
    Fechamento diagnóstico (psiquiatra)
    Acompanhamento terapêutico (psicólogo)E sim, é muito comum que uma pessoa desconfie de uma coisa e, ao investigar, descubra um quadro mais amplo. TDAH e autismo podem ter sintomas que se sobrepõem e também podem vir acompanhados de depressão e ansiedade. Você está no caminho certo ao buscar respostas.


  • Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando

    Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Primeiro, quero reconhecer sua coragem em identificar e nomear essa situação. Não é fácil olhar para um comportamento que está te causando desconforto e buscar ajuda — você já deu o passo mais importante.

    O que você está descrevendo — o aumento do uso do celular e a escalada para a compulsão — acontece com frequência em momentos de transição e estresse, como a chegada de um filho. A gravidez mexe com a identidade, a rotina, a intimidade do casal e as emoções de formas que nem sempre a gente consegue processar sozinho.
    Sobre a ajuda profissional:
    A melhor abordagem nesse caso é buscar um psicólogo ou psicóloga especializado em dependências sexuais e comportamentais. Também existe a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que é uma das abordagens mais eficazes para lidar com compulsões, pois trabalha com a identificação dos gatilhos, a reestruturação de pensamentos e a criação de estratégias práticas para interromper o ciclo.
    Como costuma ser o tratamento:
    - Avaliação inicial — entender o histórico, os gatilhos e o impacto na vida pessoal e profissional
    - Psicoeducação — explicar como a compulsão funciona no cérebro (o ciclo de ativação, culpa e recomeço)
    - Identificação de gatilhos — situações, emoções ou momentos que disparam o comportamento (celular, tédio, estresse, solidão)
    - Estratégias de intervenção — técnicas para interromper o ciclo no momento da vontade
    - Prevenção de recaídas — plano para lidar com momentos de vulnerabilidade

    Vale lembrar que a compulsão geralmente está ligada a emoções mais profundas e o tratamento ajuda a olhar para a causa, não só para o sintoma.

    Parabéns por estar buscando informações. Isso já mostra que você quer cuidar de si e da sua família.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá. Primeiro, quero reconhecer que esse sofrimento que você descreve é real e profundo. Carregar uma culpa por tanto tempo, mesmo após o perdão do outro, é algo que desgasta e merece cuidado.

    Sobre a necessidade de repetir e confirmar o perdão:
    Sim, isso é mais comum do que se imagina. Na psicologia, chamamos isso de busca por reassurance — a necessidade de repetir uma pergunta ou situação para obter alívio temporário da ansiedade. O ciclo funciona assim: o pensamento de culpa vem → você sente uma angústia enorme → busca confirmação (pergunta se ele perdoa, conta um detalhe a mais) → sente um alívio momentâneo → o pensamento volta dias ou horas depois, muitas vezes mais forte.
    O problema é que esse ciclo alimenta a ansiedade em vez de resolvê-la. Cada vez que você busca confirmação, o cérebro aprende que "precisa" daquilo para se sentir segura — e a dúvida volta cada vez mais rápido.

    Isso pode ser TOC?
    O que você descreve — pensamentos intrusivos recorrentes, culpa intensa e a necessidade de repetir comportamentos (pedir confirmação) para aliviar o desconforto — pode sim estar relacionado a características de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), mais especificamente ao que chamamos de ruminação e compulsões de verificação. Mas também pode ser apenas um padrão de culpa prolongada com ansiedade, sem necessariamente fechar diagnóstico.
    Só uma avaliação presencial com psicólogo ou psiquiatra pode determinar isso com segurança. O importante é que, seja TOC ou não, o sofrimento é legítimo e tem tratamento.

    É possível superar essa culpa?
    Sim, é possível — mas o caminho não é simplesmente "se perdoar" por esforço próprio. Alguns passos que um terapeuta pode te ajudar a construir:
    • Diferenciar a culpa saudável da culpa tóxica — uma reconhece o erro e permite aprender; a outra prende a pessoa no passado sem função
    • Interromper o ciclo de reassurance — aprender a tolerar a angústia sem buscar confirmação
    • Ressignificar o ocorrido — entender o contexto, as motivações e o que mudou desde então
    • Trabalhar a autocompaixão — que não é justificar o erro, mas conseguir se olhar com honestidade sem se punir indefinidamente

    O fato de você ainda estar sofrendo com isso, mesmo após tanto tempo e mesmo tendo sido perdoada, mostra que essa culpa já ultrapassou a função de aprendizado. Nesse ponto, a terapia pode te ajudar a elaborar isso para seguir em frente — não esquecendo, mas deixando de viver refém do passado.


  • Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar

    Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar com a ansiedade e angústia nos dias em que não tenho sessão. Queria saber se é uma prática comum na psicologia os profissionais entregarem algum tipo de material físico para o paciente levar para casa, como cartões com mensagens de apoio, blocos de exercícios rápidos ou lembretes para momentos difíceis? E isso realmente ajuda na eficácia do tratamento durante a semana?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Aline Liberato

    Olá! Obrigada pela sua pergunta — é super comum e importante.

    Sim, é uma prática bastante comum e recomendada que psicólogos ofereçam materiais de apoio para o paciente levar para casa. Cartões com lembretes, blocos de exercícios rápidos, registros de emoções, áudios guiados ou até planilhas de acompanhamento são ferramentas que muitos terapeutas utilizam para dar continuidade ao que é trabalhado em sessão.E sim, isso realmente ajuda na eficácia do tratamento. Esses recursos funcionam como uma ponte entre as sessões, ajudando você a:

    Identificar gatilhos e padrões de ansiedade no dia a dia
    Ter um recurso concreto para momentos de crise
    Manter o foco nos objetivos terapêuticos entre os encontros

    O processo terapêutico não acontece só dentro do consultório — ele se fortalece quando você leva os aprendizados para a rotina. Por isso, vale conversar com seu terapeuta sobre que tipo de material funcionaria melhor para o seu caso. Cada profissional tem seu estilo, mas a maioria está aberta a combinar estratégias que te ajudem fora da sessão também.

    Espero ter ajudado!


Perguntas frequentes

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