Perguntas do paciente (4)

  • Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso faz

    Tenho muita dificuldade em concentração no trabalho, agitação, pensamento acelerado. O que posso fazer nessa situação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Amanda Arcanjo

    Quando a mente acelera, o sistema nervoso simpático (responsável pela ação e alerta) está em dominância. É como se uma parte de você estivesse constantemente em modo de "luta ou fuga", pronta para um perigo que talvez nem exista mais, mas que ficou registrado.

    Na perspectiva da psicologia corporal biodinâmica compreendemos essa agitação muitas vezes como uma carga energética que subiu para a cabeça, desconectada do resto do corpo. As pernas e a pelve podem estar menos "habitadas", menos sentidas. É como se sua energia estivesse tentando resolver tudo com o pensamento, criando um redemoinho mental, porque a base (suas raízes) está com pouca presença.

    Geralmente, no processo terapêutico, com muita gentileza, redirecionamos a atenção para ancorar a energia no corpo, com o objetivo é criar uma "vasodilatação energética", descendo o volume da cabeça para o resto do organismo. Depois precisamos identificar o que há por trás da aceleração, que muitas vezes existe um sentimento mais profundo e incômodo que o movimento incessante tenta evitar. Pode ser medo, cobrança, uma sensação de inadequação.

    Espero ter ajudado de alguma forma...


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Amanda Arcanjo

    Sinto muito que você tenha passado por uma experiência tão invasiva e dolorosa com aquele terapeuta. Lendo teu relato, me parece que não foi uma pergunta clínica, foi um julgamento que desconsiderou completamente a sua vulnerabilidade.
    Veja, percebo que o que acontece com você não tem relação com um "vício" em pornografia ou com uma "recaída", a dinâmica é outra, e muito mais profunda porque você não busca o conteúdo bizarro, você tropeça nele. O mal-estar avassalador, a culpa e a sensação de sujeira que surgem não são apenas sobre o que você viu. O choque com o "bizarro" (o zoo, por exemplo) pode ter tocado, por associação inconsciente, em afetos muito primitivos como por exemplo: angústias de ser invadida, de ser tratada como um corpo sem subjetividade, de uma sexualidade vivida como violenta ou sem afeto. Uma pessoa "viciada" busca ativamente e sente prazer, mesmo que seguido de culpa. Pelo seu relato, me parece diferente: você acessa por tédio e acaba encontrando o insuportável e imediatamente, mergulha na angústia. A repetição aqui não é a do prazer, mas a repetição de um trauma.

    Do ponto de vista da psicologia corporal, a libido é o pulso da vida. Uma libido cronicamente baixa não é preguiça ou frieza, mas um estado de baixa carga energética que seu sistema adotou como defesa. Quando você tem esse choque, o que acontece no seu corpo? Provavelmente uma contração, um congelamento. A energia de excitação (que é a mesma, seja para o sexo, para a alegria ou para o medo) sobe de forma caótica e não encontra um canal de expressão e descarga saudável. Ela não consegue "descer" para a pelve (zona de prazer e troca) e fica represada no peito (angústia) e na cabeça (pensamentos obsessivos de culpa). A sensação de "sujeira" pode ser uma angústia de contato: a energia quer se expandir para o mundo, para o outro, mas encontra uma couraça tão forte que essa expansão é sentida como algo invasivo.

    Você não precisa carregar esse peso como um vício ou uma falha moral, pois isso é apenas uma dinâmica psíquica e corporal de proteção que pode ser transformada. A pergunta do terapeuta a feriu porque tocou sem anestesia em um lugar que precisa de muito cuidado para ser abordado. O caminho é exatamente o que sua intuição apontou: "Sei que preciso de terapia".
    Espero ter te ajudado de alguma forma


  • Como o terapeuta pode ajudar o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a aprender

    Como o terapeuta pode ajudar o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a aprender a manter a calma durante situações de conflito intenso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Amanda Arcanjo

    Na perspectiva da Psicologia Corporal, no processo terapêutico são utilizadas intervenções que integram corpo das emoções, regulando o sistema nervoso autônomo. Assim, ensinamos o paciente a perceber sinais precoces de ativação e a interromper o ciclo de reatividade com técnicas de ancoragem. Na sessão, atuamos como um "sistema de regulação externo" co-regulando com a própria presença corporal, para que o paciente, aos poucos, internalize essa capacidade de auto acalmar em contextos conflituosos.


  • O que é a "Invalidação Somática" e como ela aparece na sessão dos pacientes com Transtorno de Person

    O que é a "Invalidação Somática" e como ela aparece na sessão dos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Amanda Arcanjo

    A invalidação somática é um conceito usado principalmente na psicologia corporal e se refere ao processo em que as sensações, emoções, os sinais do corpo de uma pessoa são ignorados ou desacreditados. O corpo é uma via essencial de comunicação emocional e quando há invalidação somática a pessoa pode perder a conexão com o próprio corpo, reprimindo emoções como tristeza e ansiedade. Pessoas com TPB já carregam, na história, experiências de invalidação emocional e corporal, ou seja, quando sente algo no corpo, rapidamente invalida dizendo: “Acho que estou exagerando” ou “Não sei se é real ou coisa da minha cabeça”, porque há uma ruptura entre sentir e confiar no que se sente.


Perguntas frequentes

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