Perguntas do paciente (17)

  • O Transtorno Da Personalidade Paranóide (TPP) é hereditário?

    O Transtorno Da Personalidade Paranóide (TPP) é hereditário?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Olá! Sim, pode haver certa relação genética nesse transtorno, mas não é uma regra. Existem algumas evidências do aumento da prevalência do transtorno da personalidade paranoide em parentes de pessoas com esquizofrenia, além de evidências de uma relação familiar mais específica com transtorno delirante do tipo persecutório. Mas em termos de transtornos de personalidade, é importante pensar além da questão genética, já que fatores ambientais, por exemplo, podem facilitar ou dificultar a incidência dos transtornos. É bom lembrar que para compreender com maior profundidade sobre si mesmo e até sobre algum tipo de diagnóstico relacionado a saúde mental o acompanhamento profissional de uma psicóloga e/ou uma psiquiatra são indispensáveis. Pois muitas vezes, buscar informações soltas na internet ou mesmo em livros tende a despertar confusão e até interpretações diagnósticas incorretas, o que pode causar mais preocupação do que alívio e respostas. Cabe buscar uma profissional, que independente de abordagem, consiga proporcionar um espaço seguro, no qual você sinta-se confortável para expressar suas dúvidas, angústias e história.


  • Queria saber se o oxalato de escitaloprám 10mg tem lactose

    Queria saber se o oxalato de escitaloprám 10mg tem lactose

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Sim! Pode conter lactose a depender do laboratório. O Reconter, que é o oxalato de escitalopram da Libbs, por exemplo, tem sim a lactose. Mas nos demais é preciso olhar na primeira parte da bula, em "composição", no campo "excipientes", que irá conter todos os componentes do comprido de qualquer medicamento. Se não tiver mais a bula é sempre possível encontrar a bula digital no google. E se tiver alguma dúvida sobre o medicamente e possíveis efeitos colaterais, é sempre bom conversar com se médico para esclarecer.


  • É possível desenvolver transtorno de estresse pós-traumático em decorrência de bullying e ambientes

    É possível desenvolver transtorno de estresse pós-traumático em decorrência de bullying e ambientes inóspitos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Sim, é possível desenvolver transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em decorrência de bullying e de ambientes inóspitos. Se esses eventos forem muito intensos e sentidos como traumas, isso pode acontecer, ainda que você não tenha sido vítima direta da situação, pois o TEPT também pode se manifestar em quem presencia a violência, desastre, abuso, etc. No entanto, o TEPT tem algumas características semelhantes à alguns outros transtornos e por isso é necessário avaliar cada caso com cautela, a fim de direcionar a melhor condução da análise/psicoterapia e encaminhamentos.


  • Tenho notado ultimamente que meu humor muda em um horário específico do dia. Meu rosto "enrijesse",

    Tenho notado ultimamente que meu humor muda em um horário específico do dia. Meu rosto "enrijesse", tenho dificuldade de abrir a boca para conversar e sorrir. Tenho dificuldade em procurar ajuda, não aceito que eu possa estar com algum problema físico ou mental, o que eu posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Olá! Além da descrição dos sintomas, chama a atenção que você reconhece a dificuldade em pedir ajuda. Apesar da resistência relatada, cabe olhar que um passo já foi dado, que é o de buscar este espaço para pelo menos externar o que tem acontecido. E, possivelmente, pensar no que pode ser feito a partir do olhar de profissionais.
    Quanto aos sintomas, o que sobressai é que há um horário específico em que eles aparecem. Seria importante conseguir aprofundar mais a conversa sobre esse período em que a rigidez se manifesta, compreender quais as sensações e tarefas nesse momento do dia, hoje e em outras épocas de vida, enfim, aprofundar outros aspectos. Muitas vezes, quando temos dificuldade de reconhecer alguma angústia, ela se manifesta no corpo a fim de nos sinalizar que há algo o qual não pode mais ser ignorado. Muitas vezes a hesitação em buscar saber o porquê dessas manifestações, pode dizer sobre seu processo interno, a dificuldade do tema, o medo do que mais precisará ser olhado a partir disso. Enfim, fazer essa análise com auxílio de um(a) profissional de psicologia, poderia contribuir no seu movimento e trazer alívio.


  • Devido a problemas com diabetes tardiamente detectada tornei-me um impotente sexual. Estou em tratam

    Devido a problemas com diabetes tardiamente detectada tornei-me um impotente sexual. Estou em tratamento com remédios, dieta, e exercícios, mas até agora não obtive resultado algum e devido a essa situação minha esposa pediu para abrir o casamento. Acabei concordando e agora ela frequentemente encontra-se com outros homens. Aceitei essa situação confiando na minha recuperação, mas o problema é que constantemente tenho pensamentos negativos de vergonha e raiva que estão afetando minha vida. Perdi bastante a auto estima e não estou conseguindo lidar com tudo isso, às vezes penso em me separar mas sempre volto atrás, outras vezes penso em aceitar de vez e deixar rolar pois a amo de verdade e não quero perdê-la. Estou muito confuso com tudo isso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    É natural sentir-se confuso em uma situação com tantos aspectos da vida envolvidos, os sentimentos e pensamentos ficam intensos e embaralhados. Observei que parte importante de seu descontentamento parece estar relacionado com a decisão que vocês tomaram juntos sobre a abertura do relacionamento. Se isso está gerando um desconforto, talvez possa fazer sentido avaliar se você gostaria de continuar sem comunicar esse incômodo. Pelo relato, houve uma conversa para decidirem essa abertura, se a situação não está da forma como imaginou, não seria possível tentar rever a questão?
    Outro ponto é que você tem feito tratamento com remédios, dieta e atividade física, mas isso não é tudo. Existem outras alternativas em termos fisiológicos que podem ser levados em consideração. Quando as estratégias farmacológicas se esgotam, há aparelhos para o estímulo elétrico da região, além dos implantes e próteses penianas que ficam internas, sem aparentar nada diferente visualmente e com funcionalidade preservada. Cabe buscar um médico urologista para avaliar seu caso e explorar opções. Além disso, existem formas de se relacionar sexualmente, que não sejam necessariamente a partir da penetração peniana, como o sexo oral, uso de vibradores, entre outros. Vocês já pensaram sobre essas opções? Ainda, sobressai o fato de que a diabetes trouxe impactos emocionais significativos para você que também precisam de atenção, por isso seria importante considerar fazer um acompanhamento com profissional de psicologia para conseguir aprofundar melhor essas questões.


  • Eu tenho muito ciúme do passado de minha esposa e isso me consome. As vezes passamos uma semana inte

    Eu tenho muito ciúme do passado de minha esposa e isso me consome. As vezes passamos uma semana inteira em harmonia, mas do nada vem um pensamento sobre o passado dela que me deixa muito enciumado e fico envergonhado do que penso. Deveria procurar qual tipo de especialista para me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Seria importante compreender melhor o porquê dessa questão aparecer dessa forma e como você se sente além da vergonha e angústia que relatou, enfim conseguir falar sobre o tema, até que possa encontrar um caminho para esvaziar essa questão e ter alívio. Na psicoterapia é possível fazer um trabalho a fim de encontrar as respostas para essas questões, logo, seria importante buscar um(a) psicóloga(o) para te acompanhar nesse processo.
    Para mais, a fim de contribuir com a sua possibilidade de elaboração, pensei em algumas reflexões. A pessoa com quem você está hoje tem um passado, assim como você também tem e ainda que vocês não tivessem tido nenhum relacionamento anterior, vocês teriam pensando e fantasiado com outras pessoas, em outras possibilidades de estar junto e isso é natural para todas as pessoas. Além disso, quem ela é hoje vem das experiências que ela teve na vida, seja com outras pessoas ou com situações, trabalhos, amigos, família, etc. O que ela é hoje, é fruto de tudo que ela viveu e é dessa pessoa, de hoje, que você gosta, sem essas exatas vivências, ela não seria da maneira como você a conhece. De mais a mais, há algumas coisas que são impossíveis de serem controladas, uma delas é justamente o passado, então focar suas energias nisso, tende a alimentar esse movimento que te consome. Talvez, pode ser muito mais benéfico focar em construir hoje com ela, o que você entende que será importante para fortalecer o vínculo de vocês e, consequentemente, possibilitar ter mais certezas do que dúvidas. Ainda, em um nível mais social da questão, faz sentido olhar para as expectativas que você tem e que vêm da cultura, daquilo que socialmente é esperado em uma mulher. Faça o movimento de pensar sobre o que já ouviu a vida toda sobre como mulheres devem ser, se vestir e se relacionar. Perceba que há expectativas que, muitas vezes, limitam a mulher em uma posição de objeto, deslocada de suas vontades próprias e como se determinadas características ou atitudes pudessem imputar determinado valor. Essas construções são da cultura, de costumes, que se parar para refletir, não encaixam de maneira justa quando em comparação com homens. Colocam a mulher como alguém que não pode muita coisa, enquanto o homem fica numa posição de maior liberdade para viver como bem entender, com julgamentos muito mais amenos.


  • Tenho um namorado totalmente viciado em videogames, eu tenho sempre que estar cobrando a atenção del

    Tenho um namorado totalmente viciado em videogames, eu tenho sempre que estar cobrando a atenção dele, porque não consigo nem conversar com ele porque ele não para de jogar em momento nenhum. Além disso, ele tem uma amiga de jogo que está sempre com ele jogando e quando ele sai do jogo, ele fica conversando no WhatsApp com ela enquanto está comigo e quando ele finalmente me dá atenção ela manda mensagem cobrando a presença dele. Já conversei com ele sobre o assunto e ele fala que acha normal agir assim com a amiga e que jogar é o hobby favorito dele, então eu tenho que aprender a aceitar isso. Estou sendo incompreensiva em querer terminar o relacionamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Olá! Ao ler o seu relato, percebi que o seu namorado parece ter facilidade para apontar para você quais são os desejos e necessidades dele, mas com pouca abertura para acolher os seus. Quando ele coloca quais as disposições ele tem para com você, ele está sinalizando os limites e possibilidades dele. E me parece, pelo seu relato, que sobra para você aceitar os limites dele, sem muito espaço para encontrar um meio termo. Também observei, pela sua pergunta, que para você, essa mesma movimentação, de compreensão dos seus limites, ainda é um pouco difícil. Seria importante refletir se para você é aceitável estar em um relacionamento assim; se você gostaria de conversar para tentar encontrar um meio termo; se acredita que há possibilidade de mudança; se essa situação de distanciamento entre vocês é suportável. Perceba que os pontos que elenquei vão no sentido de ajudar a estabelecer os seus limites? Porque uma vez que você não o faz, provavelmente irá se perder nos limites difusos dos outros, não só nesse relacionamento, mas em outros também. É preciso compreender até que ponto você sustenta o seu desejo de estar junto e em que condições você não sustenta. Porque ele está no direito dele de querer estar junto apenas dessa forma, tendo o jogo como parte central da vida, mas você não precisa aceitar essa posição, também pode compreender que quer outras formas de estar junto e que há outras vontades que precisam ser atendidas em um relacionamento amoroso.


  • Qual a diferença entre deficiência intelectual e dificuldade de aprendizagem?

    Qual a diferença entre deficiência intelectual e dificuldade de aprendizagem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Olá! A diferença entre deficiência intelectual (DI) e a dificuldade de aprendizagem é que na deficiência intelectual há limitações nas habilidades cognitivas gerais relacionadas à genética ou a outros fatores (como a ingestão alcoólica na gravidez) que afetam o desenvolvimento intrauterino ou no nascimento. Enquanto que a dificuldade de aprendizagem é um descompasso na aquisição de algumas habilidades e conhecimentos. Nas DIs vários campos são afetados, como memória, linguagem, raciocínio, percepção e compreensão de si e dos contextos, que também podem acompanhar dificuldades e/ou características físicas típicas. Enquanto a dificuldade de aprendizagem pode ser passageira, ela pode ocorrer com qualquer pessoa e em qualquer momento da vida, como pela falta de conhecimento prévio, cansaço extremo, falta de sono e estresse, por exemplo. Em outros casos, a dificuldade de aprendizagem acompanha a pessoa por toda a vida, como nos quadros em que há algum transtorno de aprendizagem atrelado.
    Os transtornos de aprendizagem relacionam-se a condições neurológicas que afetam a forma de aprender e de processar as informações de maneira específica. Eles costumam apresentar uma expressão bastante comum entre as pessoas afetadas pelo mesmo transtorno. Diferente das DIs, que têm a expressão das limitações mais diversas, mesmo se tratando de pessoas com a mesma síndrome causadora daquela DI. Alguns exemplos de Transtornos de Aprendizagem são o TDAH; o TPAC (muito confundido com o TDAH); a dislexia; a discalculia; a disgrafia; entre outros. E, a fim de exemplificar, essas são algumas síndromes que acarretam em DIs: síndrome do x frágil; de down; síndrome alcoólica fetal; de Willians; entre outras.


  • Geralmente meu namorado não sabe o que dizer nos momentos que estamos conversando por mensagens. Por

    Geralmente meu namorado não sabe o que dizer nos momentos que estamos conversando por mensagens. Por ele não conseguir se comunicar eu fico estressada e triste, pois parece que estou sozinha nos momentos que preciso dele. Por isso, guardo muita coisa pra mim e ultimamente tenho ficado triste em qualquer coisa que nos leve ao mesmo assunto dele não se comunicar. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Olá, primeiro, sinto muito que esteja passando por essas dificuldades. Percebo que temos um recorte da situação e, por não ter tantas informações, acredito que faz sentido trazer algumas possibilidades de reflexões, mais amplas, para que você consiga pensar sobre o tema e encontrar estratégias que caibam dentro da relação de vocês.
    Os homens, em um panorama geral, crescem e se desenvolvem em uma condição cultural e social, que tende a impossibilitá-los de compartilhar sentimentos, fragilidades e emoções. Você certamente já ouviu frases como "meninos não choram" ou "isso é coisa de mulherzinha", são esses os discursos dirigidos a homens desde a infância. A partir desse fluxo de direcionamentos, surge uma tendência que é a de se isolar de tudo e todos, por acreditarem que ninguém poderá compreendê-los, sendo que eles mesmos não se compreendem. E isso ocorre, em grande medida, porque não conseguem se expor para o mundo. É por isso que muitos se recusam a pedir ajuda, se expressar e a se comunicar dentro das relações, sejam elas românticas, familiares ou de amizades. Nesses casos, o repertório de comportamento acaba sendo mais limitado de fato. E o silêncio tende a ser a melhor escolha, visto que assim eles não se colocam em uma posição que poderia ser sentida como de vulnerabilidade ou de impossibilidade. Digo de impossibilidade, porque por ser algo construído socialmente, homens tendem a acreditar que precisam ser fortes, ter compostura, reconhecimento e sucesso. Logo, não cabe mostrar emoções, sentimentalismos ou conversas "fiadas". Visto que essas são características que a sociedade liga à fraqueza e à algo natural das mulheres, afinal ainda somos uma sociedade extremamente misógina.
    Dito isso, penso que seria importante conseguir ampliar o diálogo sobre esse tema dentro da relação, a fim de compreender se há alguma possibilidade de acesso a essa parte mais íntima. O diálogo sincero sobre o tema poderia ajudar a compreender se haverá esforços ou mesmo vontade de seguir por um caminho de maior compartilhamento por parte dele e, com isso, possibilitar pensar se faz sentido para você estar em um relacionamento com essas limitações. Além disso, o acompanhamento de uma psicóloga poderia te auxiliar nesse processo.


  • É possível que desejo por ter experiência com alguém do mesmo sexo seja algo passageiro ou esse dese

    É possível que desejo por ter experiência com alguém do mesmo sexo seja algo passageiro ou esse desejo é algo que, de fato, faz parte da minha sexualidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Oii! É sim possível que o desejo de ter experiências com alguém do mesmo sexo seja algo passageiro, pode ser uma via para conseguir se encontrar em sua sexualidade e expressão sexual. Esses questionamentos e descobertas são muito comuns, principalmente na adolescência e juventude adulta, mas também podem ocorrer mais tardiamente. Me parece que essa vivência é nova para você e se rotular como homossexual ou bissexual, apenas por ter algum interesse inicial pode ser de fato algo prematuro. À medida que você for se permitindo viver os desejos e afetos que estão latentes, haverá maiores possibilidades de compreensão dessa questão.


  • Minha esposa não tem desejo sexual, já conversamos sobre o assunto e ela disse que não sente vontade

    Minha esposa não tem desejo sexual, já conversamos sobre o assunto e ela disse que não sente vontade. Mas normalmente a nossa média está em duas vezes por semana.

    Existem técnicas que posso aplicar para aumentar o desejo sexual da minha esposa?

    Em algumas vezes eu vejo que ela nua na minha frente e fica olhando para ver se estou olhando ela. Porém se tenho a iniciativa ela corta e diz que não quer fazer.

    Já conversamos algumas vezes sobre este tema e sinto que vai ser assim sempre. Então penso que possa ter algo que eu tenha que fazer, agir diferente… alguma dica sobre?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Olá. Penso que seria mais interessante do que as dicas que você pediu, propor algumas reflexões. Primeiro, sobre a sua fala a respeito da frequência das relações sexuais entre vocês, se entendi corretamente, sua esposa não tem desejo sexual já há algum tempo e continua assim. Se é esse o caso, como ocorrem essas relações sexuais duas vezes na semana? São tentativas mútuas de estarem juntos ou é uma suposta obrigação sendo cumprida? É importante estar ciente de que manter relações sexuais, de qualquer tipo, sem vontade, apenas a fim de satisfazer as necessidades do parceiro(a) é considerado uma violência sexual. Perceba que, ainda que ela não recuse explicitamente, continua sendo violência. O ato de transarem, ao estar ciente de que ela não tem vontade alguma, é uma imposição, que, muitas vezes, se pauta em um engodo, de que a mulher, mesmo sem vontade, precisa cumprir uma obrigação, uma convenção do casamento. E pela pressão que sofre do parceiro, a mulher tende a ceder e passar pelo ato contrariada, obrigada, mas silenciada, por sentir que não tem direito a se opor. Se esse for o caso, isso configura estupro marital e pode machucá-la de diversas formas, causando traumas físicos e psicológicos.

    Além disso, pensando nas reflexões que citei no início, vejo outros pontos que podem ser trazidos para o diálogo entre vocês. Por exemplo, como ocorrem as conversas sobre esse tema? Há abertura para ambos lados se expressarem? Quais são os arranjos pensados por vocês no que tange o aspecto da satisfação sexual dos dois? Já conversaram sobre o modelo de relacionamento que vocês têm? Ele segue fazendo sentido hoje? Como é a relação de vocês em outros aspectos? Há respeito e parceria para lidar com os outros campos da vida a dois?

    Também é importante refletir sobre a queda da libido ser algo natural em alguns momentos da vida. Em alguns períodos, essa baixa pode estar atrelada a alguma questão hormonal, que pode ser corrigida com auxílio médico, se os exames indicarem e fizer sentido à pessoa afetada. Além disso, há pessoas, de ambos sexos, que por natureza, sentem pouco ou nenhum interesse em relações sexuais e essa também é uma expressão normal e saudável da sexualidade humana, apesar de pouco aceita socialmente. Essa categoria está disposta na sigla LGBTQIA+, no A, de assexuados(as).

    Perceba que são muitas variáveis a serem observadas, seria importante que vocês refletissem juntos, conversassem e pudessem, acima de tudo, conseguir encontrar um caminho que faça sentido para ambos, sem imposições. Buscar ajuda profissional poderia ser uma possibilidade de trilhar esse caminho com amparo e responsabilidade afetiva.


  • É possível uma pessoa ter mais de um distúrbio alimentar ?

    É possível uma pessoa ter mais de um distúrbio alimentar ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Gostaria de salientar um ponto importante, ainda não abordado. A resposta mais simples a sua pergunta seria sim, porém apenas no sentido de que uma pessoa pode apresentar sinais e sintomas de diferentes Transtornos Alimentares (TAs). Todavia, quando falamos de categorização diagnóstica, a resposta é quase sempre NÃO. Segundo o DSM-V, que é o manual utilizado para a devida categorização dos transtornos mentais, os TAs são mutuamente excludentes entre si, com exceção do diagnóstico de pica que pode ser atribuído na presença de qualquer outro TA. Logo, uma pessoa não pode ser diagnosticada com bulimia e anorexia ao mesmo tempo, por exemplo. No entanto, é sim possível que a pessoa passe de um quadro a outro no decorrer de sua vida. É preciso avaliar o quadro clínico atual a fim de adequar a categorização diagnóstica. E sim, os TAs, que são os quadros aos quais você se referiu na pergunta, podem ser perpassados por outros transtornos MENTAIS, mas não por outros TAs (com exceção do transtorno de pica). A justificativa para essa conduta é que, apesar de uma série de aspectos psicológicos e comportamentais comuns, os TAs diferem substancialmente em termos de curso clínico, desfecho e necessidade de tratamento.


  • É verdade que o estresse pode causar queda de cabelo?

    É verdade que o estresse pode causar queda de cabelo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Sim, o estresse pode causar queda de cabelo, principalmente devido ao aumento dos níveis de cortisol, um hormônio que tende a ficar elevado quando enfrentamos períodos estressantes. Todavia, seria importante buscar acompanhamento de um médico(a) dermatologista, para que você seja avaliado(a) a fim de saber se não existem outras causas para essa queda.
    Pontuo isso, pois em fases mais estressantes é comum que as pessoas estejam com o tempo muito reduzido para o autocuidado, o que tende a ocasionar hábitos que também influenciam na queda de cabelo, como a má alimentação e a redução da higiene. Que da mesma forma, podem ocasionar queda capilar, pela baixa de vitaminas e minerais essenciais e acúmulo de sujidade no couro cabeludo. Sem contar outros fatores gerais como: predisposição genética; inflamações; contaminação por fungos, distúrbios endócrinos, etc. Logo, é necessário passar por uma avaliação profissional a fim de verificar se outros fatores fisiológicos não estão envolvidos. Bem como, também é importante conseguir compreender e manejar o próprio estresse, o que pode ser feito com o acompanhamento de uma psicóloga.


  • Em que idade o transtorno afetivo bipolar (TAB) se manifesta?

    Em que idade o transtorno afetivo bipolar (TAB) se manifesta?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Olá, a idade média da manifestação é de 18 a 25 anos. Além disso, o transtorno se categoriza em diferentes tipos e também podem existir transtornos relacionados. Apesar de existir uma idade média para início do curso de cada tipo, eles também podem se manifestar em outros períodos da vida. Como no tipo I, que pode iniciar no final da vida adulta ou na velhice e pode indicar a possibilidade de condições médicas, como transtorno neurocognitivo frontotemporal e de ingestão ou abstinência de substância. Ainda, pode ser identificado na infância, no tipo I e no tipo II, porém são mais difíceis de serem apontados os sintomas, visto que no curso do desenvolvimento infantil é comum uma diferenciação do que é esperado naquela idade, por conta das divergências naturais e ambientais de cada criança, sendo importante um acompanhamento e comparação em relação ao comportamento habitual de cada uma. Comparado ao início no adulto, o início do transtorno bipolar tipo II na infância ou na adolescência, pode estar associado a um curso mais grave ao longo da vida.
    Perceba que são muitas as possibilidades e também os diagnósticos diferenciais, que são outras condições que podem ser confundidas com o TB, por ter sinais e sintomas similares, por isso é sempre importante buscar acompanhamento profissional qualificado.


  • Olá, como faço para lidar com pessimismo extremo? Sou uma pessoa extremamente negativa. Isso vai des

    Olá, como faço para lidar com pessimismo extremo? Sou uma pessoa extremamente negativa. Isso vai desde coisas pequenas até coisas grandes na vida. Sempre espero o pior, seja qual for a situação, e sempre acho que sou inferior aos outros e incapaz de atingir um objetivo. Eu tento guardar essa negatividade, esse pessimismo sufocante para mim mesmo para não “contaminar” outras pessoas (afinal, acho que ninguém gosta de uma pessoa negativa o tempo todo), mas a sensação é horrível. Não consigo realizar planos ou projetos porque sempre acho que não vai dar certo. Isso pode ter a ver com quadro depressivo ou seria apenas um traço da minha personalidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Sinto muito que você esteja passando por isso. Geralmente, esses pensamentos negativos e persistentes, ocorrem em função de defesa de si mesmo. Provavelmente, há alguma questão sua que você precisa olhar, mas que encontra dificuldades de entrar em contato mais diretamente. Então você se defende, pensando de maneira repetitiva em outros temas incômodos. Digamos que esse movimento interno, funciona como uma cortina de fumaça, te desvia do assunto principal.

    Também é comum que esses tipos de pensamentos, mais pessimistas, estejam relacionados a um padrão de comportamento já bem antigo e, que se apoia em uma criação de desejos que já nascem fadados ao fracasso. Nesse padrão, é comum se sabotar para conseguir viver desfechos mais negativos, dos seus próprios esforços. Assim, sem perceber, se cria uma reencenação de momentos anteriores da própria vida, os quais são familiares e sentidos como mais seguros de se viver, ainda que dolorosos. Junto disso, também podem surgir sentimentos de culpa e de insuficiência, justamente como você descreveu. Na depressão, pensamentos mais pessimistas podem ser intensificados, mas apenas uma avaliação mais aprofundada conseguiria responder essa questão de maneira individual.

    A respeito de sua pergunta inicial, sobre como lidar com esse pessimismo extremo, é preciso se dar conta dessa movimentação interna, entender quais foram os contextos passados para os quais você parece retornar internamente. Para isso, é necessário conversar com alguém que saiba escutar sem bloquear suas falas e cujas respostas não lhe sirvam como oportunidade para se menosprezar. A psicoterapia seria ideal, com alguém que, independente da abordagem, proporcione um ambiente seguro e acolhedor.


  • Boa tarde. Há alguma relação entre a ansiedade e doenças de pele? Quando estou em um período que a a

    Boa tarde. Há alguma relação entre a ansiedade e doenças de pele? Quando estou em um período que a ansiedade está mais grave, algumas áreas da pele ficam com um aspecto mais ressecado e aparentemente machucado. De ínicio pensei que era alguma alergia, mas depois percebi que nesses momentos específicos que a pele fica assim.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Olá! Lamento que esteja passando por isso. Pode sim haver relação entre a ansiedade e as doenças de pele. Para algumas doenças, como a dermatite atópica, por exemplo, que se caracteriza por lesões secas, avermelhadas e que coçam, períodos em que se experiencia mais ansiedade, tendem a agravar ou desencadear manifestações da doença. É importante identificar e tratar as causas orgânicas. Porém, quando o aparecimento das lesões na pele costumam estar sempre ligadas a períodos mais ansiosos, esse pode ser um sinal de que a ansiedade é um gatilho para o surgimento dos sintomas e, portanto, a saúde emocional precisa de atenção. Desse modo, é importante buscar tratamento para a pele, mas também para ansiedade. Fico à disposição.


  • Bom dia! A ansiedade deixa a gente como se tivesse com uma bola na garganta?

    Bom dia!
    A ansiedade deixa a gente como se tivesse com uma bola na garganta?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Amanda  Ferraz dos Anjos

    Oii, sim, a ansiedade pode causar essa sensação de bola na garganta. Eu gosto de explicar que nós precisamos dos estados mais ansiosos para conseguir fazer as nossas tarefas diárias, traçar os nossos objetivos e avançar na vida. Precisamos olhar para o futuro e perceber que temos que nos movimentar no agora para conseguir alcançar os resultados que queremos. Sejam eles objetivos menores do dia a dia ou maiores, como os projetos de vida. Porém, quando esse olhar para o futuro torna-se um movimento repetitivo e exagerado, há uma tendência de vivenciar um sofrimento que atrapalha a vida a andar em diversos aspectos. Isso geralmente ocorre, por que fica difícil olhar e aproveitar o agora, já que se instala uma preocupação intensa com o futuro, com o que pode vir a acontecer, além de que tende-se a traçar os mais variados desfechos, para todo tipo de situação. E essa preocupação, muitas vezes, vem acompanhada do medo, dos receios que podem estar ligados aos desfechos que são imaginados. Com esse turbilhão de pensamentos, é comum que apareçam sintomas relacionados a esse estado, entre eles, essa sensação na garganta, que você nomeou de bola e que também é muito comumente descrita como um nó na garganta.
    Nesse sentido, é importante destacar, que quando a ansiedade não é tratada ela pode ter dois destinos, a cronificação dos sintomas, ou seja, essas sensações podem virar parte da vida de maneira contínua, apenas aliviando conforme o período. E o segundo destino, é que essa ansiedade intensa, também pode passar sozinha. O que, infelizmente, é mais difícil de acontecer, a não ser que haja um esforço significativo para mudanças de contextos e estilo de vida. Por isso, é importante buscar acompanhamento profissional, a fim de encontrar espaços em que essa carga possa ser compartilhada, compreendida e, desse modo, você consiga sentir um alívio dos sintomas e na vida.


Perguntas frequentes

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