Perguntas do paciente (3)

  • De acordo com a psicologia , incesto é um transtorno psicológico ou doença mental?

    De acordo com a psicologia , incesto é um transtorno psicológico ou doença mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ana Clara Di Coimbra

    Não, seja na psicologia ou na psiquiatria o incesto em si não é um transtorno, ou seja, não é formalmente classificado como um transtorno mental nos principais manuais diagnósticos (DSM IV / CID 11). Porém, o ato ou o desejo incestuoso pode indicar que a pessoa tem dificuldades em interiorizar as normas sociais e culturais que regulam os relacionamentos humanos (proibição fundamental que organiza os nossos laços sociais) e isso pode ser a expressão de um conflito psíquico importante que merece ser investigado e pode estar relacionado a outros desdobramentos. Assim, pode acontecer do comportamento incestuoso aparecer como parte de um quadro mais amplo, como transtorno de personalidade, transtorno psicóticos ou parafilias. Importante: a maior parte dos atos incestuosos registrados na literatura não se enquadra nesses diagnósticos.


  • Como a psicologia explica o fato de quase todo pai ficar bastante incomodado e triste ao saber que s

    Como a psicologia explica o fato de quase todo pai ficar bastante incomodado e triste ao saber que sua filha tem vida sexual ativa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ana Clara Di Coimbra

    Antes de tudo, talvez valha a pena parar na própria pergunta: "quase todo pai", já sinalizando a dificuldade de generalizar razões para as nossas emoções. Cada pessoa tem uma experiência subjetiva única, ou seja, com vivências, valores, medos e formas muito particulares de lidar com a vida... e com a sexualidade! Dito isso, quando um pai se incomoda ou se entristece ao saber que a filha tem vida sexual ativa, o que será que realmente está por trás desse sentimento? Há algumas investigações a serem feitas na vivência desse pai para tentar responder à questão. Será a ideia, muitas vezes inconsciente, de que a mulher deve ser “pura” para ser valorizada? Uma noção herdada de tradições religiosas e culturais predominantes na cultura brasileira que ainda estão muito presentes no nosso imaginário coletivo? Ou seria o medo da perda de controle, da filha crescendo, se tornando autônoma, se afastando daquela imagem de menina protegida? Pode haver projeções ali também: Como esse pai lida com a própria sexualidade? O Como ele mesmo lida com o desejo, com o corpo, com os limites? Especialmente se a filha for heterossexual: o que esse pai pensa sobre os homens? E até se não for heterossexual: o que ele teme que a filha viva? E será que o incômodo é sempre o mesmo? Ou pode vir de lugares diferentes: insegurança, culpa, rigidez, preocupação legítima?
    A psicologia não pode explicar com uma razão única um fenômeno que pode ser derivado de múltiplos fatores relacionados a história daquele pai específico. A verdade é que só um espaço de escuta cuidadosa, como a terapia, pode ajudar a compreender de fato o que está acontecendo ali, pois sentimentos assim nunca nascem por acaso.


  • É possível o paciente fazer análise mas experimentar a Terapia do Esquema com outro profissional mas

    É possível o paciente fazer análise mas experimentar a Terapia do Esquema com outro profissional mas sem deixar o profissional nem abandonar o prosseguimento da terapia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Ana Clara Di Coimbra

    Possível é, mas não é recomendado. O processo de autoconhecimento mexe bastante com o sujeito e cada profissional vai ter à sua maneira e técnica de direcionar o tratamento, podendo inclusive o deixar mais angustiado ou confuso. Dois profissionais não implicam em avanços no seu tratamento, ainda mais com técnicas tão distintas. Além disso, vale lembrar, o código de ética do psicólogo orienta o atendimento conjunto com outro profissional somente em caso de emergência ou se for uma demanda do próprio profissional, desde que entenda que essa é uma alternativa viável para o paciente. Converse com o profissional que te acompanha expondo suas necessidades.

    De todo modo, o desejo de buscar uma alternativa terapêutica revela uma angústia importante que o sujeito não está conseguindo lidar e que por si só pode trazer várias questões se for levado para a análise. O que te faz buscar a terapia do esquema? Qual a expectativa que a análise não tem conseguido atender? Qual a demanda que a nova terapia atenderia? Nesse caso, por que não renunciar à análise?

    Ficam algumas questões para que você pense sobre o lugar da sua busca.


Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.