Perguntas do paciente (5)

  • Eu e neu namorado temos borderline,ja aconteceu de quase terminarmos mais de 3 vezes,ele uma hora di

    Eu e neu namorado temos borderline,ja aconteceu de quase terminarmos mais de 3 vezes,ele uma hora diz que não sente nada e na msm hora que eu abraço ele e choro,ele começa a chorar tbm e diz que não quer terminar e que esta só confuso,eu o amo mt não quero perde-lo,mas agora ele esta querendo abrir o relacionamento para ficar com outras pessoas e eu não quero,ele quer manter nosso relacionamento do msm jeito esperando que continue igual e eu mude de ideia e abra o relacionamento,não sei o que fazer sobre isso,eu me sinto desvalorizada quando ele pensa nisso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Bárbara Oliveira

    Relacionamentos em que ambas as pessoas têm Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tendem a ser emocionalmente intensos e instáveis, o que está de acordo com os critérios descritos no DSM-5-TR, especialmente no que se refere à instabilidade afetiva, medo de abandono, dificuldades na identidade e relações interpessoais marcadas por oscilações entre idealização e desvalorização.

    O que você descreve (momentos em que ele diz não sentir nada e, logo depois, demonstra forte vínculo emocional) é compatível com essa oscilação emocional característica do transtorno. Isso não significa que os sentimentos não existam, mas sim que podem variar de forma rápida e intensa, principalmente diante de situações de estresse relacional.

    Sobre a questão de abrir o relacionamento, é importante destacar que acordos afetivos só são saudáveis quando há consentimento genuíno de ambas as partes. Permanecer em um modelo de relacionamento que te causa sofrimento, sensação de desvalorização ou viola seus limites emocionais não é recomendado, especialmente em pessoas com TPB, nas quais a vivência de rejeição e insegurança pode ser ainda mais intensa. A SBP reforça que a validação emocional e o respeito aos limites individuais são fundamentais no manejo do transtorno.

    Esperar que você “mude de ideia” enquanto sofre não configura um acordo equilibrado. Seus sentimentos são legítimos, e o desconforto que você relata é um sinal importante de que algo precisa ser cuidado.

    Diante disso, é fortemente indicado que:

    Ambos estejam em tratamento psiquiátrico e psicoterápico, preferencialmente com abordagens baseadas em evidências, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT);

    As decisões sobre o relacionamento não sejam tomadas em momentos de crise emocional;

    Seus limites sejam respeitados, já que preservá-los faz parte do cuidado com sua saúde mental.

    Amar alguém não deve significar se anular ou aceitar uma situação que gera sofrimento contínuo. Cuidar de si também é uma forma de amor.


  • Estou tomando fluoxetina a 21 dias ... ainda tenho picos de ansiedade e estou tendo dor de cabeça há

    Estou tomando fluoxetina a 21 dias ... ainda tenho picos de ansiedade e estou tendo dor de cabeça há dois dias . Tem algum calmante ou relaxante q pode tomar junto pra dar uma aliviada na ansiedade ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Bárbara Oliveira

    A fluoxetina, especialmente nas primeiras semanas de uso (como no seu caso, com 21 dias), pode cursar com picos de ansiedade, agitação interna e dor de cabeça, que estão entre os efeitos adversos iniciais mais comuns. Em geral, esses sintomas tendem a reduzir progressivamente entre a 3ª e a 6ª semana de tratamento.

    Em relação a algo para aliviar a ansiedade nesse período, existem opções que podem ser associadas, mas a escolha depende do seu histórico clínico e deve ser individualizada:

    Ansiolíticos de curto prazo (como benzodiazepínicos) podem ser usados temporariamente, em dose baixa e por tempo limitado, quando bem indicados, sempre com acompanhamento médico, devido ao risco de dependência.

    Opções não benzodiazepínicas, como a hidroxizina, podem ajudar em quadros leves a moderados de ansiedade e costumam ser bem toleradas.

    Em alguns casos, betabloqueadores (como o propranolol) ajudam nos sintomas físicos da ansiedade (palpitação, tremor), quando não há contraindicações.

    Medidas não farmacológicas também ajudam bastante: técnicas de respiração, redução de cafeína, higiene do sono e atividade física leve.

    Quanto à dor de cabeça, analgésicos simples como dipirona ou paracetamol costumam ser suficientes e não apresentam interação relevante com a fluoxetina.

    É importante não se automedicar, nem suspender ou ajustar a fluoxetina por conta própria, pois isso pode piorar os sintomas.

    Caso a ansiedade esteja muito intensa, persistente ou associada a piora importante do funcionamento, o ideal é reavaliar a medicação, ajustar dose ou associar algo de forma segura.

    Fico à disposição para te orientar, avaliar seu caso com mais detalhes e ajudar a encontrar a melhor forma de atravessar esse período inicial do tratamento com mais conforto e segurança.


  • Meu marido é depressivo e desenvolveu alcoolismo. Está em uma quadro de depressão cada vez pior. Se

    Meu marido é depressivo e desenvolveu alcoolismo. Está em uma quadro de depressão cada vez pior. Se recusa a buscar ajuda. Não sei como agir. Qual é a melhor forma de abordar o tema?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Bárbara Oliveira

    A situação que você descreve é muito difícil e desgastante, e é compreensível que você se sinta perdida sobre como agir. A associação entre depressão e transtorno por uso de álcool é frequente e, conforme descrito no DSM-5-TR, essas condições tendem a se agravar mutuamente, aumentando o risco de piora do humor, isolamento, impulsividade e prejuízos familiares.

    Quando a pessoa está em um quadro depressivo mais grave, é comum haver negação da doença, desesperança e resistência em buscar ajuda, o que não significa falta de amor ou de vontade, mas sim um sintoma do próprio adoecimento. A Sociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP) reforça que, nesses casos, a abordagem deve ser feita com empatia, firmeza e sem confronto direto.

    Algumas orientações importantes:

    Escolha um momento em que ele esteja menos alcoolizado e emocionalmente mais estável;

    Evite acusações ou cobranças. Fale a partir de você, expressando sua preocupação com a saúde e o sofrimento dele;

    Reforce que buscar ajuda é um cuidado, não um sinal de fraqueza;

    Estabeleça também limites claros para proteger sua própria saúde emocional.

    É importante lembrar que você não consegue tratar sozinha um quadro que exige acompanhamento profissional. Caso haja sinais de risco (ideias de morte, piora importante do consumo de álcool, agressividade ou abandono de autocuidados), a busca por ajuda especializada torna-se ainda mais urgente, inclusive com apoio de outros familiares ou serviços de saúde.

    Coloco-me à disposição para orientá-los, esclarecer dúvidas e ajudar a pensar juntos na melhor forma de encaminhamento e cuidado nesse momento. Você não precisa enfrentar isso sozinha.


  • quem toma bupropiona pode tomar dipirona ou dorilax para dores de cabeça e coluna?

    quem toma bupropiona pode tomar dipirona ou dorilax para dores de cabeça e coluna?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Bárbara Oliveira

    De forma geral, quem faz uso de bupropiona pode utilizar dipirona para dores de cabeça ou dores musculares, não havendo interação medicamentosa relevante descrita entre esses dois fármacos.

    No entanto, é preciso atenção com o Dorilax. Embora ele contenha dipirona, também associa orfenadrina (relaxante muscular) e cafeína. A bupropiona, conforme descrito no DSM-5-TR e em bulas oficiais, pode reduzir o limiar convulsivo, e tanto a orfenadrina quanto a cafeína podem aumentar esse risco, especialmente em doses elevadas ou em pessoas com outros fatores predisponentes (histórico de convulsão, uso de álcool, privação de sono, transtornos neurológicos).

    Resumo prático:

    Dipirona isolada: geralmente segura para quem usa bupropiona.

    Dorilax: deve ser usado com cautela e apenas sob orientação médica, especialmente se houver uso regular, doses altas ou outros fatores de risco.

    Se as dores forem frequentes ou persistentes, o ideal é investigar a causa e avaliar opções analgésicas mais seguras para o seu caso específico.

    Fico à disposição para orientar melhor, avaliar seu histórico e ajustar a conduta de forma individualizada.


  • Já tô tomando sertralina a duas semanas e não passa a tremedeira é normal?

    Já tô tomando sertralina a duas semanas e não passa a tremedeira é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Bárbara Oliveira

    Sim, pode acontecer, especialmente nas primeiras semanas de uso da sertralina.

    A sertralina é um ISRS e, no início do tratamento (geralmente nas primeiras 2–4 semanas), algumas pessoas apresentam tremor fino, sensação de “agitação interna”, ansiedade aumentada ou inquietação. Isso costuma ser transitório e tende a diminuir à medida que o organismo se adapta à medicação.

    Alguns pontos importantes:

    A intensidade do tremor varia de pessoa para pessoa e pode depender da dose, da sensibilidade individual e do uso de outras medicações ou estimulantes (como cafeína).

    Em geral, se o tremor for leve e tolerável, a conduta é observar por mais alguns dias ou semanas.

    Se o tremor for intenso, persistente, estiver piorando, ou vier acompanhado de outros sintomas como rigidez, sudorese excessiva, confusão ou taquicardia, é importante procurar o médico que prescreveu para reavaliar a dose ou a medicação.

    Às vezes, ajustes simples ajudam bastante, como:

    reduzir cafeína,

    ajustar a dose ou o horário da sertralina,

    ou associar temporariamente alguma medicação para aliviar os sintomas, quando indicado.

    Não suspenda nem mude a dose por conta própria.

    Se quiser, fico à disposição para avaliar melhor a intensidade desse sintoma, a dose que você está usando e pensar juntos na melhor forma de manejar esse efeito adverso com segurança.


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