Perguntas do paciente (13)
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O medo de julgamento pode ser um obstáculo significativo para a aceitação do diagnóstico de Transtor
O medo de julgamento pode ser um obstáculo significativo para a aceitação do diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Como podemos trabalhar para reduzir esse medo e ajudar o paciente a se sentir mais confortável com a ideia de que o diagnóstico não é um julgamento pessoal?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O medo do julgamento no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma barreira real e dolorosa. Para muitos pacientes, receber esse diagnóstico soa como uma sentença de que eles são "difíceis", "manipuladores" ou "instáveis por escolha".
Como psicólogos, nossa missão é transformar esse "carimbo" em uma chave de compreensão. Para reduzir esse medo sem intensificar a negação, podemos adotar as seguintes estratégias:
1. Despatologizar com a "Metáfora do Termostato"
O paciente teme o diagnóstico porque ele foca na falha. Podemos mudar o foco para a biologia da sensibilidade.
Como abordar: "Imagine que todo mundo nasce com um termostato emocional. O seu é regulado para ser extremamente sensível; ele detecta 'fumaça' muito antes dos outros. O diagnóstico não diz que você é o problema, ele apenas explica que seu sistema de alerta é mais potente e que precisamos aprender a calibrar esse aparelho juntos."
O efeito: Isso retira o peso da "personalidade defeituosa" e coloca na "funcionalidade do sistema".
2. Validar a "Dor Invisível" antes do Rótulo
O medo do julgamento diminui quando o paciente percebe que o diagnóstico valida o sofrimento dele em vez de ignorá-lo.
Técnica: Antes de usar o nome do transtorno, descreva os sintomas como respostas adaptativas. "Você aprendeu a reagir intensamente porque, em algum momento, essa foi a única forma de ser ouvido ou de sobreviver emocionalmente. O diagnóstico é apenas o nome técnico para essa estratégia de sobrevivência que hoje te faz sofrer."
3. O Diagnóstico como "Manual de Instruções"
Apresente o diagnóstico como uma ferramenta de utilidade, não como uma definição de identidade.
Lógica sugerida: "Se você compra um aparelho complexo e ele não funciona, você se sente frustrado. Mas, se você lê o manual e entende que ele exige uma voltagem diferente, tudo muda. O diagnóstico de TPB é o seu manual: ele nos diz qual é a 'voltagem' certa para que você pare de entrar em curto-circuito."
4. Enfrentar o Estigma Social de Frente
Não finja que o preconceito não existe. Reconheça que a sociedade (e até alguns profissionais) julga o TPB de forma errada.
Transparência clínica: "Eu sei que você pode ter lido coisas terríveis sobre esse diagnóstico na internet. Mas o que eu vejo aqui não é uma pessoa 'difícil'; vejo alguém com uma sensibilidade acima da média tentando lidar com uma dor profunda. No meu consultório, o TPB não é um julgamento, é o ponto de partida para o seu alívio."
O Foco na "Linguagem Descomplicada"
Para reduzir o medo, evite o "psicologuês" distante. Use uma linguagem que humanize:
Em vez de "Labilidade Emocional", use "Sentimentos que mudam como o clima".
Em vez de "Impulsividade", use "Agir rápido para tentar parar a dor".
Quando o paciente percebe que o diagnóstico não é um ataque ao seu caráter, mas uma explicação para o seu caos interno, a negação começa a dar lugar à colaboração.
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Comportamentos autodestrutivos são comuns em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB
Comportamentos autodestrutivos são comuns em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Quando o paciente nega o diagnóstico, como podemos intervir de maneira eficaz para evitar esses comportamentos e ajudá-lo a entender suas raízes emocionais sem intensificar a negação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Lidar com comportamentos autodestrutivos em pacientes com TPB que negam o diagnóstico exige uma estratégia de "comer pelas bordas". Se batermos de frente com o rótulo do transtorno, a reatividade aumenta e, com ela, o risco de novas crises.
O segredo está em focar na função do comportamento e na regulação da dor, em vez de focar na patologia.
1. Entenda a "Função" da Autodestruição
Para o paciente, o comportamento autodestrutivo (cortes, abuso de substâncias, gastos impulsivos, compulsão alimentar) não é o problema, mas a solução imediata para uma dor emocional insuportável. Quando ele nega o diagnóstico, ele nega que tem uma doença, mas não pode negar que sente uma "angústia que queima".
A Negação como Escudo: O paciente nega o TPB porque aceitá-lo soa como uma sentença de "ser louco" ou "instável para sempre".
A Intervenção: Valide a dor, não o comportamento. Em vez de dizer "Você faz isso porque é Borderline", diga: "Parece que essa dor ficou tão alta que seu cérebro buscou a única saída que conhecia para te dar um alívio rápido. Vamos entender o que aconteceu cinco minutos antes disso?"
2. A Técnica da "Cadeia de Eventos" (Sem Rótulos)
Sem mencionar o diagnóstico, ajude o paciente a mapear o caminho da crise. Isso ajuda a entender as raízes emocionais de forma lógica e menos invasiva.
O Gatilho: Identificar o evento externo (ex: um vácuo no WhatsApp).
A Vulnerabilidade: Identificar o estado físico (ex: "Eu estava sem dormir e com fome").
O Pensamento: A interpretação catastrófica ("Ele vai me deixar").
A Emoção: O tsunami emocional.
O Comportamento: A autodestruição para "anestesiar" a emoção.
Ao dissecar a cena, o paciente começa a perceber que existe um padrão, independentemente do nome que se dê a ele.
3. Substituição por Habilidades de Sobrevivência (TIPP)
Como o paciente em negação não quer ser "tratado", ofereça "ferramentas de resiliência" ou "biohacks" para baixar a adrenalina. A abordagem da Terapia Dialética Comportamental (DBT) é excelente aqui:
Temperatura: Use gelo ou água fria no rosto para ativar o reflexo de mergulho e baixar os batimentos cardíacos.
Intensa Atividade: Sugira um exercício explosivo por dois minutos.
Pacing (Ritmo): Respiração controlada.
A lógica para o paciente: "Isso não é um remédio para um transtorno, é um truque biológico para o seu corpo parar de sentir essa pressão no peito agora."
4. Linguagem de "Sensibilidade Aumentada"
Em vez de usar termos técnicos, use metáforas que tirem o peso da "culpa".
A Metáfora da Pele: Explique que algumas pessoas nascem com uma "pele emocional" mais fina, como se fossem queimados de terceiro grau tentando andar no sol. Qualquer toque dói mais neles do que nos outros.
O Benefício: Isso valida a intensidade da dor do paciente sem rotulá-lo como "difícil". Se ele se sente validado, a necessidade de se autodestruir para provar que está sofrendo diminui.
O Papel da Aliança Terapêutica
A melhor intervenção contra a autodestruição é o vínculo. Se o paciente sente que você é um aliado contra a dor dele, e não um juiz que quer carimbá-lo com um diagnóstico, a negação perde a função de defesa.
O foco deve ser: "Eu não quero que você pare de se machucar porque é proibido, mas porque eu quero que você sofra menos."
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Muitos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm dificuldades em reconhecer seu
Muitos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm dificuldades em reconhecer seus próprios limites. Como a negação do diagnóstico pode influenciar essa falta de limites, e como podemos ajudar o paciente a estabelecer fronteiras saudáveis para proteger seu bem-estar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma das maiores dificuldades no manejo clínico do TPB, pois o limite — seja ele físico, emocional ou relacional — é sentido pelo paciente não como uma proteção, mas como uma ameaça de abandono ou uma exclusão.
Quando há a negação do diagnóstico, o paciente perde o "mapa" que explicaria por que ele sente as invasões e os abandonos de forma tão devastadora.
1. O impacto da negação na falta de limites
A negação do diagnóstico de TPB funciona como uma venda nos olhos. Sem aceitar a natureza da sua desregulação emocional, o paciente interpreta a falta de limites de duas formas principais:
Identidade Difusa: Se eu nego quem eu sou (ou minha condição), eu não sei onde eu começo e onde o outro termina. O paciente tende a se "fundir" com as expectativas alheias para evitar a rejeição, ignorando suas próprias necessidades básicas.
Onipotência vs. Fragilidade: A negação faz com que o paciente ignore sua vulnerabilidade emocional. Ele acredita que pode "dar conta" de situações abusivas ou estressantes, cruzando seus próprios limites de exaustão, até que estoura em uma crise. Aceitar o diagnóstico é aceitar que existem "travas de segurança" necessárias para o seu sistema não colapsar.
O Limite como Rejeição: Sem entender o transtorno, o paciente vê o limite do outro como um ataque pessoal. Ele pensa: "Se você coloca um limite em mim, é porque você não me ama". A negação impede que ele entenda que limites são, na verdade, o que permite que uma relação dure.
2. Como ajudar a estabelecer fronteiras saudáveis
O desafio é ensinar que limites são atos de amor-próprio e de preservação dos vínculos, e não muros de isolamento.
A. Mudar a nomenclatura: De "Limite" para "Margem de Segurança"
A palavra "limite" pode soar punitiva. Use termos que remetam ao conforto e à diminuição do sofrimento.
Como abordar: "Para que você não chegue naquele nível de explosão ou tristeza profunda que te faz sofrer tanto, precisamos criar uma 'margem de segurança'. O que podemos fazer antes de você chegar no seu esgotamento?"
B. A técnica do "Semáforo das Emoções"
Ajude o paciente a identificar os sinais físicos de que um limite está sendo invadido antes que a crise emocional comece.
Verde: Confortável.
Amarelo: Incômodo leve, vontade de agradar o outro acima de si, cansaço. (Aqui é onde o limite deve ser colocado).
Vermelho: Crise, raiva, desespero.
C. Validação da Autonomia e do "Não"
Muitos pacientes com TPB sentem que não têm o direito de dizer "não". É preciso treinar isso como uma habilidade social e de sobrevivência.
Exercício clínico: "Vamos simular uma situação? Como você pode dizer para aquela pessoa que hoje você não consegue ajudá-la, sem sentir que a amizade vai acabar por isso? Dizer 'não' para o outro agora é dizer 'sim' para a sua estabilidade amanhã."
D. Focar na Preservação do Vínculo
Explique que colocar limites é a única forma de não afastar as pessoas.
Lógica sugerida: "Se você não coloca um limite agora e aceita tudo, você vai acumular mágoa e acabar explodindo. Essa explosão é o que assusta as pessoas. Se colocarmos um limite pequeno agora, evitamos a explosão e mantemos a relação saudável."
O papel da Psicoeducação "Descomplicada"
Mesmo que o paciente ainda esteja em negação sobre o nome "Borderline", você pode trabalhar com a psicoeducação dos sintomas. Fale sobre a "sensibilidade emocional aumentada".
Ao entender que seu "sistema de alerta" é mais sensível, o paciente começa a perceber que os limites não são frescura ou egoísmo, mas uma necessidade biológica para manter a paz mental.
Estou a disposição.
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Pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) frequentemente negligenciam o autocuidado
Pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) frequentemente negligenciam o autocuidado físico. Como a negação do diagnóstico contribui para essa negligência, e como podemos incentivar o paciente a cuidar melhor de sua saúde física sem parecer que estamos impondo mudanças?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa tarde. Essa é uma questão central e delicada no manejo clínico do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). A negligência com o corpo muitas vezes não é apenas um "desleixo", mas um reflexo da desorganização interna e da dificuldade de auto acolhimento.
Para abordar isso sem gerar reatividade, precisamos entender a mecânica por trás dessa resistência.
1. O papel da negação na negligência física
No TPB, a negação do diagnóstico funciona frequentemente como um mecanismo de defesa contra o estigma e a dor emocional. Aceitar o diagnóstico significaria, para muitos, aceitar que são "quebrados" ou "difíceis". Quando o paciente nega o transtorno, ele também nega as vulnerabilidades biológicas e emocionais que o acompanham.
Desconexão Corporal: A negação alimenta uma dissociação. Se eu não aceito que tenho uma desregulação emocional intensa, não aceito que meu corpo está sob estresse constante. Isso leva ao pensamento: "Se eu não sou 'doente', meu corpo não precisa de cuidados especiais".
A "Função" da Negligência: Muitas vezes, o descaso com o sono, a alimentação ou o exercício serve para manter o entorpecimento. O autocuidado exige presença e consciência, algo que o paciente em negação tenta evitar a todo custo.
2. Como incentivar sem impor mudanças?
O segredo está em tirar o foco do "diagnóstico" e colocá-lo na funcionalidade e na validação. Aqui estão algumas estratégias:
A. A técnica da "Vulnerabilidade Biológica"
Em vez de falar sobre TPB, fale sobre como o corpo processa o estresse. Explique que o sistema nervoso dele é como um termostato muito sensível.
Como dizer: "Notei que, quando você dorme menos, suas emoções parecem ficar mais 'barulhentas' e difíceis de controlar no dia seguinte. O que você acha de tentarmos proteger o seu sono para que você não precise fazer tanto esforço emocional?"
B. Redução de Danos em vez de Mudança de Estilo de Vida
Propor uma "vida saudável" pode soar como uma cobrança moral. Trabalhe com metas minúsculas que visem apenas diminuir o sofrimento imediato.
Exemplo: Se o paciente não come, não foque em "dieta", mas em "combustível para o cérebro não entrar em colapso".
C. Uso da Curiosidade Colaborativa (Postura de Não-Saber)
Em vez de prescrever o que ele deve fazer, peça ajuda para entender a resistência.
Como dizer: "Percebo que cuidar da alimentação é algo que te gera um peso ou uma irritação. O que passa pela sua cabeça quando você pensa em se cuidar? Parece uma obrigação ou algo que você não sente que merece?"
D. Validação da Autonomia
Pacientes com TPB são extremamente sensíveis a qualquer sinal de controle externo. Reforce sempre que a escolha é dele.
Como dizer: "Eu não estou aqui para te dar ordens sobre como viver, pois você é o dono da sua vida. Meu papel é apenas te mostrar que, sem cuidar da base física, o seu sofrimento emocional acaba sendo muito maior do que precisaria ser."
O foco na "Linguagem de Necessidade"
Para o paciente Borderline, o corpo é frequentemente visto como um inimigo ou um objeto descartável. O nosso trabalho é ajudá-lo a ver o corpo como a casa que abriga suas emoções. Se a casa está em chamas (falta de sono, má alimentação), é impossível organizar os móveis (as emoções).
Ao tratar o autocuidado como uma ferramenta de alívio da dor (e não como uma norma de saúde), diminuímos a resistência e abrimos caminho para a aceitação gradual do quadro clínico.
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Quando um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) nega o diagnóstico, como a consi
Quando um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) nega o diagnóstico, como a consistência do tratamento (por exemplo, sessões regulares de terapia) ajuda a reduzir a resistência e a melhorar a disposição para trabalhar com o transtorno ao longo do tempo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A consistência é, talvez, o ingrediente terapêutico mais potente no tratamento do TPB, especialmente quando há negação. Para um paciente que lida com a instabilidade crônica de afetos e de identidade, a terapia regular funciona como uma âncora externa enquanto a interna ainda não está firme.
Veja como a regularidade das sessões atua diretamente na redução da resistência e na dissolução da negação:
1. A Construção da "Base Segura" (Vínculo)
Pacientes com TPB frequentemente viveram em ambientes inválidos ou instáveis. A negação do diagnóstico é, muitas vezes, um medo de que, ao aceitarem que têm um "transtorno", o terapeuta os veja como "casos perdidos" ou os abandone.
Como a consistência ajuda: Quando o terapeuta se mantém presente, pontual e constante, sessão após sessão — inclusive após crises ou explosões do paciente — ele prova que o vínculo é resistente.
O efeito: O paciente começa a pensar: "Se ela não me deixou mesmo quando eu fui difícil, talvez eu possa confiar no que ela diz sobre esse tal de 'Borderline'". A segurança no vínculo diminui a necessidade da negação como defesa.
2. O Contraste entre o Caos Externo e a Ordem Terapêutica
A vida de um paciente com TPB sem tratamento costuma ser marcada por rupturas: brigas, demissões, términos e mudanças bruscas de humor.
Como a consistência ajuda: A sessão semanal torna-se o único evento previsível na vida do paciente. Com o tempo, essa previsibilidade cria um contraste gritante com o caos do resto da semana.
O efeito: O paciente começa a notar: "Aqui dentro eu me sinto organizado, lá fora tudo explode". Essa percepção facilita a aceitação de que existe, sim, um padrão de funcionamento interno que precisa de manejo (o transtorno), independentemente do nome que se dê a ele.
3. A Observação do Padrão em Tempo Real
A negação se alimenta do esquecimento ou da distorção dos fatos ("Eu não sou assim, foi só aquela vez").
Como a consistência ajuda: Sessões regulares permitem que o terapeuta aponte padrões repetitivos de pensamento e comportamento enquanto eles ainda estão "frescos".
Exemplo clínico: "Notei que nas últimas três quartas-feiras, você chegou aqui querendo desistir de tudo após um conflito pequeno. Você percebe como esse movimento se repete?"
O efeito: Fica difícil negar um diagnóstico quando as evidências comportamentais são apresentadas de forma gentil, frequente e baseada em fatos recentes observados na própria terapia.
4. O Treinamento da "Musculatura" Emocional
Aceitar um diagnóstico de TPB exige uma enorme capacidade de suportar a dor e a vergonha.
Como a consistência ajuda: Cada sessão em que o paciente sobrevive a uma emoção intensa sem recorrer à autodestruição ou à fuga é um "treino".
O efeito: A regularidade fortalece a tolerância ao mal-estar. Quando o paciente se sente mais forte emocionalmente, ele sente que consegue aguentar a verdade do diagnóstico sem se despedaçar. A negação cai porque ela não é mais necessária para a sobrevivência psíquica.
5. A Mudança do Foco: Do "Rótulo" para o "Processo"
Com o tempo e a regularidade, o diagnóstico deixa de ser um "carimbo" e passa a ser visto como um conjunto de ferramentas que estão funcionando.
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Como a negação do diagnóstico afeta os padrões de pensamento disfuncionais de um paciente com Transt
Como a negação do diagnóstico afeta os padrões de pensamento disfuncionais de um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ? Existe uma abordagem específica para desafiar esses padrões durante o tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A negação do diagnóstico no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) funciona como um "filtro" que distorce ainda mais os padrões de pensamento, que já são naturalmente intensos. Quando o paciente não aceita a natureza da sua condição, ele acaba dando explicações externas ou de caráter para processos que são, na verdade, sintomas de desregulação emocional.
Veja como essa negação alimenta a disfuncionalidade e como podemos intervir:
1. O Impacto da Negação nos Padrões de Pensamento
No TPB, os pensamentos costumam ser rígidos e extremistas. A negação potencializa isso de três formas principais:
Reforço do Pensamento "Tudo ou Nada" (Cisão): Sem o diagnóstico para explicar a oscilação emocional, o paciente justifica suas mudanças bruscas de opinião sobre as pessoas como "verdades absolutas". Se ele nega o transtorno, ele não consegue dizer: "Estou vendo o fulano como vilão porque estou em crise". Ele pensa: "O fulano é um vilão e eu sou uma vítima". A negação impede a dúvida saudável sobre os próprios julgamentos.
Personalização e Culpa: Sem entender a biologia da sua sensibilidade, o paciente interpreta falhas comuns como defeitos de caráter. Isso gera um ciclo de: "Eu sou uma pessoa má" ou "Os outros são crueis". A negação retira a possibilidade de ver o sintoma como algo a ser manejado, transformando-o em um "destino" trágico.
Externalização da Responsabilidade: Para evitar a dor de um diagnóstico estigmatizado, o paciente pode projetar a causa de todo o seu sofrimento no ambiente. "Eu só gritei porque você me irritou". A negação impede que ele perceba que a intensidade da reação é dele, e não apenas uma resposta proporcional ao estímulo externo.
2. Abordagem para Desafiar esses Padrões
Para desafiar esses pensamentos sem reforçar a negação, a abordagem mais eficaz é a Dialética (baseada na DBT - Terapia Dialética Comportamental). O objetivo não é dizer que o paciente está errado, mas mostrar que duas coisas opostas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.
A. A Técnica da "Validação + Mudança"
Em vez de confrontar o pensamento disfuncional diretamente (o que gera defesa), nós validamos a emoção, mas questionamos a conclusão.
Como fazer: "Eu entendo perfeitamente que você sentiu uma raiva imensa quando ele não respondeu (Validação). Mas será que a única explicação é que ele não te ama mais, ou o seu sistema de alerta pode estar 'gritando' mais alto do que a realidade? (Desafio suave)".
B. Experimentação Comportamental
Em vez de discutir se o pensamento é "verdadeiro", tratamos o pensamento como uma hipótese.
Como fazer: "Você acredita que, se colocar um limite na sua amiga, ela vai te abandonar. O que aconteceria se fizéssemos um pequeno teste hoje e víssemos o resultado? Vamos observar se o 'desastre' que seu pensamento previu realmente acontece."
C. Uso de Metáforas de Distanciamento
Ajude o paciente a ver o pensamento como algo "fora" dele, sem precisar aceitar o rótulo de TPB imediatamente.
Metáfora: Fale sobre a "Mente Emocional". Diga que, em certos momentos, a "Mente Emocional" assume o controle do rádio e começa a transmitir notícias catastróficas. O objetivo não é calar o rádio, mas aprender a não acreditar em tudo o que ele diz.
D. Foco na "Efetividade" (O que funciona?)
No tratamento de TPB, muitas vezes é mais útil perguntar se um pensamento é efetivo do que se ele é "verdadeiro".
Como fazer: "Acreditar que todos vão te trair te ajuda a construir as relações que você deseja ou te deixa mais solitário? Mesmo que você não aceite o diagnóstico, podemos focar no que te faz ter relações mais tranquilas?"
Conclusão
A negação protege o paciente de um rótulo que ele teme, mas o mantém preso a uma realidade distorcida e dolorosa. Ao focarmos na funcionalidade e na validação das emoções, ajudamos o paciente a ganhar flexibilidade mental. Com o tempo, ele percebe que o diagnóstico não é um julgamento, mas a explicação que faltava para ele finalmente ter paz.
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É possível fazer tratamento para saúde mental com dois terapêutas diferentes na mesma semana? No meu
É possível fazer tratamento para saúde mental com dois terapêutas diferentes na mesma semana? No meu caso, só tenho dinheiro para pagar uma consulta por semana; a outra é coberta pelo plano de saúde. Gostaria de tirar esta dúvida, uma vez que sinto que preciso de terapia 2x na semana e já gasto bastante com psiquiatra particular. Perdão, de antemão, se a pergunta soar antiética. Ela é, antes de tudo, genuína e parte de uma dúvida sincera.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa tarde. O ideal é focalizar seu tratamento com um único profissional. Converse com seu psicólogo e tente chegar em um valor acessível ou um reembolso do plano de saúde.
Att
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Estou tomando escitalopram há 15 dias porém estou sentindo um sono terrível, muita preguiça, prostração,
Estou tomando escitalopram há 15 dias porém estou sentindo um sono terrível, muita preguiça, prostração, vontade de fazer nada, tristeza e de saco cheio. O que pode estar acontecendo? Tomo escitalopram genérico da Medley
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Boa tarde. Estes medicamentos demoram um tempo para adaptar ao organismo de cara indivíduo. De início pode até potencializar os sintomas, por isso é tão importante um acompanhamento com o psiquiatra. Apenas ele pode analisar se precisa adaptar a dosagem ou mudar a medicação.
Em paralelo é importante um acompanhamento com um psicólogo.
Lembrando sempre: o medicamento melhora os sintomas mas as causas são tratadas em terapia.
Estou a disposição.
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Sofro com ansiedade que me gera a síndrome do pânico estou tomando o Reconter 5mg ao dia as 06:00 grande
Sofro com ansiedade que me gera a síndrome do pânico estou tomando o Reconter 5mg ao dia as 06:00 grande da manhã, mas as vezes durante a tarde ou a noite passo mal posso tomar a dose mínima do Clonazepan quando sentir o mal estar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
É importante seu médico acompanhar seu estado para aumentar a dose ou acrescentar.
Faça terapia e tente exercícios de respiração.
Inspire fundo pelo nariz, conte até 10 e expire devagar pela boca.
Também ouvir musicas e sons da natureza ajuda.
Att
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Boa tarde! Trabalho em uma empresa grande, e ultimamente ando muito estressado. Acabo descontando em
Boa tarde!
Trabalho em uma empresa grande, e ultimamente ando muito estressado. Acabo descontando em pessoas que muita das vezes não tem nada haver, e as vezes a melhor solução é agressão física a terceiros.
e isso me deixa bastante chateado pelo simples fato de ter pessoas que não tem nada have!RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Infelizmente hoje em dia, nossa rotina nos leva a períodos de maior estresse.
É importante ter momentos de discontração e conseguir achar algo que lhe dê prazer e funcione como uma válvula de escape. Hobbies, contato com a natureza, e principalmente respiração correta são essenciais.
Fazer terapia e colocar para fora tudo que segura no dia a dia também é essencial.
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Oi, boa tarde. Estou numa crise de depressão e TAG, sendo medicado com Clonazepam duas vezes ao dia
Oi, boa tarde. Estou numa crise de depressão e TAG, sendo medicado com Clonazepam duas vezes ao dia (4mg no total) e 10mg de Escitalopram, mas com essa crise eu aumentei, por conta própria o Escitalopram pra duas vezes ao dia. Vou ao médico, mas só dia 27.
Preciso da opinião de vocês, obrigado!RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Como minha colega falou é muito importante que o médico tenha conhecimento do seu estado antes de alterar as doses de medicação.
Fazer terapia é muito importante!
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De que maneira o especialista (psicólogo ou assistente social ou psquiatra) deve extrair informações
De que maneira o especialista (psicólogo ou assistente social ou psquiatra) deve extrair informações de uma criança pequena que possivelmente está sofrendo abuso sexual ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A investigação é feita de sessões lúdicas e principalmente interpretação de desenhos. A entrevista com os pais ou cuidadores também pode trazer conteúdo, mas nada como a análise da criança para confirmar qualquer suspeita.
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Tenho suspeitas que meu filho de 12 anos tem transtorno antisocial. não aceita regras desde pequeno
Tenho suspeitas que meu filho de 12 anos tem transtorno antisocial. não aceita regras desde pequeno ,agora entao piorou, é agressivo em casa e na escola egoista, não é carinhoso, mente. gostaria de saber como fazer um diagnostico e se o posso ajudar de alguma maneira?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Para uma avaliação seu filho deve ser analisado por um psicólogo e um psiquiatra que em conjunto verão a gravidade ou não do caso. Num caso real de Transtorno Antissocial, além do acompanhamento psicológico e psiquiátrico do garoto, recomenda-se um acompanhamento psicológico dos pais ou cuidadores. Quanto antes começar um apoio e um acompanhamento melhor.
Att
Carla Cardim
Autor
Perguntas frequentes
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Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou
Boa tarde, tudo bem?
Não sei te responder exatamente sobre a…