Perguntas do paciente (21)

  • Como a TCC trabalha a baixa autoestima e a autoimagem negativa de si, já que a autoimagem é imutável?

    Como a TCC trabalha a baixa autoestima e a autoimagem negativa de si, já que a autoimagem é imutável?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Ótima pergunta! Na TCC, a autoimagem não é vista como algo fixo ou imutável — ela é entendida como uma crença central (core belief), construída ao longo da vida a partir de experiências e interpretações que fomos fazendo sobre nós mesmos. Justamente por ser aprendida, ela pode ser revisada.

    O trabalho passa por identificar essas crenças ("não sou capaz", "não sou suficiente"), entender como se formaram e, principalmente, testar sua validade na prática — por meio de registros de pensamento, evidências a favor e contra, e experimentos comportamentais que desafiam essas crenças no dia a dia. Com o tempo, isso constrói uma autoimagem mais realista e flexível — não uma "positiva forçada", mas uma que reflita melhor quem você é de fato. É gradual, mas os avanços costumam ser bem perceptíveis com consistência.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Antes de tudo: o que você sente é válido, mesmo sem uma causa clara e imediata. Às vezes a tristeza não vem de um fato isolado, mas do acúmulo de momentos em que você sente que precisa se policiar para se expressar — o que você descreveu como "pisar em ovos". Isso costuma acontecer quando existe uma necessidade emocional importante (ser ouvida, ser validada) que não está sendo atendida na relação — e isso gera uma dor real, não é exagero nem reação desproporcional.

    Sobre ser "normal": é uma resposta emocional compreensível diante do que você está vivendo. O que vale a pena entendermos juntos é o padrão por trás dela — o que acontece exatamente nesses momentos em que você sente que não pode falar livremente, e o que isso ativa em você.


  • Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando es

    Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando estou caminhando me fazem pensar um monte coisas e drenam a minha capacidade física. Interessante que ontem mesmo senti isso ao sair de casa até um restaurante. Não conseguia me desligar dos sintomas e já estava ficando cansado. Na volta, que era a mesma distância, vinha conversando com uma pessoa e nem percebi quando terminei o percurso. Não senti qualquer cansaço. Isso aponta para ansiedade? Ainda não fiz exames médicos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Oi! Isso que você percebeu é bem relevante, e tem tudo a ver com o que a TCC chama de foco atencional e monitoramento corporal. Quando a mente está mais alerta — algo comum em quadros de ansiedade — qualquer sinal do corpo (cansaço, respiração, ritmo cardíaco) tende a ganhar mais peso e se misturar com pensamentos que "alimentam" a sensação de exaustão.

    Repare: na ida, sozinho(a) e com espaço para pensar, os sintomas apareceram e drenaram sua energia. Na volta, conversando com alguém, sua atenção estava voltada para fora — e o cansaço nem apareceu. Isso é um indício forte de que parte do que você sente tem mais a ver com para onde sua atenção está direcionada do que com um limite físico real.

    Isso pode sim apontar para ansiedade, mas não fecha diagnóstico algum — vale conversarmos com calma na sessão. E também é uma boa ideia fazer exames médicos de rotina, só para descartarmos qualquer causa física e trabalharmos com mais segurança. Como microexperimento: na próxima caminhada, tente ir acompanhado(a) ou ouvindo um podcast, e observe se o padrão se repete


  • Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado

    Faz um mês que conheci um menino, tudo aconteceu muito rápido, porém ele nesse tempo tem se mostrado uma pessoa difícil e estamos discutindo constantemente, nossa primeira discussão foi porque ele começou a questionar respostas de comentários das minhas fotos de 2022, época que eu não estava com ele, e nos comentários não tinha nada de mais. Ele sempre questiona coisas bobas e sempre faz muitas perguntas e quer saber muitos detalhes sempre, ele viu uma foto antiga com um amigo meu e começou a questionar, vocês estão muito perto não acha? Como vocês conversavam? porque tirou essa foto? para quem mandou? porque tirou para mandar para outra pessoa?... Isso me incomoda e ao falar sobre com ele, ele fala que só está tentando me entender melhor e que não tem culpa de eu só ter tido relacionamentos rasos e que passado importa para ele, isso está acabando com a minha cabeça e eu não estou conseguindo ficar feliz, pois sei que quando ele está perto e estamos conversando eu posso falar algo ou fazer e ele começar a questionar e acabar com o momento feliz. Ele já falou que não é ciúmes e nem desconfiança. Sinto que nenhuma resposta e o suficiente para ele. O que fazer? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    O padrão que você descreve — questionar fotos antigas, cobrar detalhes de conversas, insistir mesmo após você explicar — é o que a literatura de casal chama de comportamento de vigilância/controle, frequentemente ligado a inseguranças do próprio parceiro, e não a algo que você fez de errado. O fato de ele negar ciúme ou desconfiança não muda o efeito: se o comportamento gera cobrança recorrente e tira a paz do relacionamento, ele existe na prática, independente do nome que se dá a ele.

    Um ponto importante: você não vai conseguir "dar a resposta suficiente" para dissolver uma insegurança que não é sobre fatos, e sim sobre um padrão emocional dele. Isso não significa que você deva se calar ou aceitar o questionamento constante — colocar um limite claro ("eu já expliquei, e questionar de novo não muda isso") é legítimo e saudável.

    Sim, vale buscar um especialista — seja você individualmente, para fortalecer esse limite e entender como esse padrão está te afetando, seja como casal, caso ele reconheça que precisa trabalhar essa insegurança. Um mês de relação com discussões constantes desse tipo é um sinal para observar com atenção, não para ignorar.


  • Olá, tenho 18 anos e já fui diagnosticada com transtorno de ansiedade social. Desde a infância, sem

    Olá, tenho 18 anos e já fui diagnosticada com transtorno de ansiedade social.
    Desde a infância, sempre tive dificuldade em interações sociais, preferência por ambientes mais tranquilos e sensibilidade a estímulos como sons, cheiros e algumas texturas.
    Também percebo dificuldade em entender certos tipos de piadas ou linguagem indireta, além de desconforto com contato visual prolongado. Em ambientes muito movimentados, costumo ficar em estado de alerta e desconfortável.
    Gostaria de saber: esses sintomas podem estar relacionados apenas à ansiedade social ou podem indicar a necessidade de investigação para algo mais aprofundado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Obrigado por compartilhar isso com tanta clareza. Os sintomas que você descreve realmente estão associados à ansiedade social — o estado de alerta em ambientes movimentados, o desconforto no contato visual prolongado e a dificuldade em interações sociais são características comuns do quadro.

    Ao mesmo tempo, alguns pontos que você trouxe — a sensibilidade a sons, cheiros e texturas desde a infância, e a dificuldade em entender certas piadas ou linguagem indireta — vão um pouco além do que costuma aparecer isoladamente na ansiedade social. Esses aspectos merecem ser olhados com mais atenção.

    O ideal é conversarmos sobre isso com calma numa sessão, para entender melhor como essas características se combinam na sua história.

    Dependendo do que identificarmos, pode fazer sentido uma avaliação neuropsicológica complementar — não como algo alarmante, mas como uma forma de entender com mais precisão o que está por trás de cada sintoma, o que só tende a te dar mais ferramentas para lidar com isso.


  • Qual especialista procurar para tratar compulsão visual e fetiche? Gostaria de saber qual abordagem

    Qual especialista procurar para tratar compulsão visual e fetiche?
    Gostaria de saber qual abordagem da psicologia é mais indicada para tratar um comportamento compulsivo visual focado em partes do corpo (podolatria). Sinto que essa busca por estímulo é automática e difícil de controlar, não consigo não erotizar os pés.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Comportamentos compulsivos ligados a excitação sexual costumam envolver um ciclo de gatilho → urgência → busca do estímulo → alívio momentâneo, o que explica essa sensação de ser "automático" e difícil de controlar — não é falta de força de vontade, é um padrão aprendido e reforçado ao longo do tempo.

    A abordagem mais indicada costuma combinar TCC voltada a comportamentos compulsivos (mapeamento de gatilhos, técnicas de tolerância ao desconforto da urgência sem agir nela) com ACT, que ajuda a lidar com o impulso sem a necessidade de suprimi-lo à força — o que geralmente intensifica o ciclo. O ideal é procurar um psicólogo com experiência em comportamento sexual compulsivo/saúde sexual, não necessariamente alguém que trate especificamente de "fetiche" como problema em si, mas sim o padrão compulsivo por trás dele, caso ele esteja causando sofrimento ou prejuízo na sua vida.


  • Tenho 20 anos, atualmente me encontro em uma fase complicada da vida e, por diversos motivos, durant

    Tenho 20 anos, atualmente me encontro em uma fase complicada da vida e, por diversos motivos, durante os ultimos anos minha válvula de escape tem sido a pornografia. Gostaria de saber como proceder, como atenuar esse problema e quais medidas tomar

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Isso que você percebe já é o primeiro passo, que é entender que a pornografia está funcionando como uma estratégia de fuga/alívio para outra coisa — geralmente ansiedade, tédio, solidão ou desconforto emocional que a fase difícil está gerando. O objetivo não costuma ser "eliminar" o comportamento de forma abrupta, e sim entender a função que ele cumpre.

    Na prática, ajuda: 1) mapear os gatilhos (em que momentos/estados emocionais isso costuma acontecer), 2) observar o que vem antes do impulso, não só o comportamento em si, e 3) desenvolver alternativas de regulação para esses momentos, sem recorrer à supressão pura (que tende a aumentar a compulsão a médio prazo). Uma abordagem que combina TCC (mapeamento funcional) com ACT (tolerância ao desconforto sem fuga automática) costuma funcionar bem para esse tipo de padrão.


  • Tenho percebido um ciclo dos meus relacionamentos e percebi que ao entrar em relações complicadas ou

    Tenho percebido um ciclo dos meus relacionamentos e percebi que ao entrar em relações complicadas ou que sinta desafios eu costumo sofrer, mas permaneço, porém em relações de afeto e tranquilas, em algum momento me encontro com ansiedade e pensamentos de medo excessivo de um dia estragar a relação por não amar de verdade a pessoa ou magoá-la, algo que não sinto em relações desafiadoras, estou ficando com uma pessoa uns meses após sair de uma relação que me era desafiadora e finalmente saí quando senti que deveria ter alguém que me amasse, porém ao me sentir desejada e vista por alguém, comecei a ter ansiedade e aperto no peito novamente, tenho medo de nunca conseguir quebrar esse ciclo e medo de talvez ser uma pessoa incapaz de amar de verdade, queria muito não sentir esses medos e permitir conhecer as pessoas e me relacionar com elas antes de sentir esses sentimentos e acabar com tudo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    O padrão que você descreve é bem reconhecível: desconforto e permanência em relações desafiadoras, e ansiedade justamente quando a relação é afetuosa e segura. Isso costuma estar ligado ao medo de intimidade/vulnerabilidade — em relações difíceis, você não precisa se permitir ser plenamente vista e amada, o que paradoxalmente é "mais seguro" para quem tem medo de machucar ou de não corresponder à altura. Quando alguém te vê e te deseja de verdade, esse medo de "não conseguir amar direito" ou de decepcionar vem à tona.

    Isso não indica incapacidade de amar — indica um padrão de apego que vale entender melhor, provavelmente formado a partir de experiências anteriores. Antes de tentar "quebrar o ciclo" com força de vontade, ajuda mapear: o que especificamente dispara a ansiedade quando alguém te ama bem? Isso costuma abrir o caminho para trabalhar a raiz, não só o sintoma.


  • Olá, recentemente passei por uma crise de ansiedade e perdi um tempo ao meu ex namorado para refleti

    Olá, recentemente passei por uma crise de ansiedade e perdi um tempo ao meu ex namorado para refletir oq estava acontecendo comigo pq nunca me havia acontecido isso e eu sentia ansiedade so de pensar nele. Depois que minha mente clareou percebi que não queria perder-lo, mas quando fui conversar novamente ele falou que ja queria terminar o relacionamento e que nao era culpa minha, mas sim ele que não estava conseguindo se doar para mim. Estou me sentindo péssima, sinto que estraguei tudo. E também muito confusa sobre essa situação, sinto vontade de ficar perguntando até saber oq significa não conseguir se doar, apesar de suspeitar que seja "não gosto o suficiente de você" me sinto meio traída.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Entendo que essa situação esteja pesada agora. Um ponto importante: o término não foi decisão sua, e a explicação que ele deu ("não conseguir se doar") é a versão dele sobre os próprios sentimentos — não necessariamente um veredito sobre seu valor ou sobre você não ser "suficiente". É comum a mente preencher essa lacuna com a interpretação mais dolorosa disponível, especialmente quando ainda não tem uma resposta clara.

    Ficar buscando o "verdadeiro motivo" tende a manter a ansiedade ativa, porque você está tentando resolver algo que só ele pode esclarecer — e mesmo que ele explicasse mais, talvez não trouxesse alívio de verdade. O que ajuda agora é voltar a atenção para como você está se cuidando nesse momento (sono, rotina, apoio de pessoas próximas) em vez de continuar reconstruindo a cena mentalmente.


  • Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapi

    Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapia por um ano, Há dois anos atrás. Aparentemente, parecia uma depressão. A psicóloga me passou que ele tinha um pouco de fobia social. Como ele apresentou uma certa melhora, a psicóloga disse que não havia mais necessidade de terapia. Porém, eu percebo qie ele é diferente, já cheguei a pensar que ele talvez seja autista. Mas, hoje ele (chorando) me disse que não queria nos decepcionar e me contou que ele não se sente um menino e sim menina(desde pequeno). Ele tem 17 anos.Ele não demonstra nenhum estereótipo feminino. Já chegou a se apaixonar por uma menina. Ele diz que apesar de se sentir assim,.sexualmente, ele não tem interesse em se relacionar com menino, e sim, com menina
    Comentou também sobre a mudança de identidade, de transição de gênero e que pode acontecer dd mesmo ele se tornando uma menina ele se relacionar com outra menina. Hoje em dia os jovens tem muito mais informação. Pra mim é um pouco confuso , sei qie mesmo que ele tenha informações, tenho certeza que não é fácil lidar com isso. Pois, sabemos os desafios e situações que iremos enfrentar. Jamais agendei com uma psicóloga, mas gostaríamos de mais esclarecimentos.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Agradeço por compartilhar isso com tanta abertura — é natural que gere dúvidas. São duas questões distintas que merecem avaliação separada, mesmo podendo coexistir: a identidade de gênero (como seu filho se sente e se reconhece) e a possível condição do espectro autista (um diagnóstico clínico específico, que precisa de avaliação neuropsicológica própria, não de suposição). Uma coisa não explica nem invalida a outra.

    Sobre a possível fobia social/autismo: vale buscar uma avaliação neuropsicológica atualizada, já que a impressão anterior foi de um profissional que não aprofundou nessa hipótese.

    Sobre a identidade de gênero: o mais importante agora é que ele sinta espaço para falar sobre isso sem medo de decepcionar vocês — isso, por si, já reduz sofrimento. Retomar a terapia dele com um profissional que tenha experiência em identidade de gênero na adolescência é o caminho mais indicado, para que ele tenha um espaço próprio de elaboração, e vocês, como pais, também podem se beneficiar de orientação para lidar com as próprias dúvidas e sentimentos ao longo do processo, sem pressa de "resolver" tudo agora.


  • Quais sintomas ajudam a diferenciar burnout de estresse comum no trabalho e quando é recomendável se

    Quais sintomas ajudam a diferenciar burnout de estresse comum no trabalho e quando é recomendável se afastar para recuperação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    A diferença principal está na resposta ao descanso: no estresse comum, uma pausa (fim de semana, férias) costuma restaurar a energia. No burnout, mesmo depois de descansar, a exaustão persiste — é um esgotamento mais profundo, físico e emocional, que não se resolve só com "desligar por um tempo".

    Outros sinais que ajudam a diferenciar: despersonalização (sensação de distanciamento cínico do trabalho, das pessoas, de si mesmo), queda na sensação de realização (mesmo entregando bem, sente que "não vale a pena" ou "não adianta"), e sintomas físicos persistentes (insônia, dores, baixa imunidade) sem causa médica clara. Estresse comum tende a ser situacional e pontual; burnout é cumulativo e generalizado.

    Sobre se afastar: quando aparecem esses três elementos (exaustão que não passa com descanso, despersonalização e queda de realização) junto com prejuízo funcional (dificuldade de concentrar, de tomar decisões simples, de manter o ritmo básico), o afastamento formal costuma ser necessário — não como "fraqueza", mas porque manter o ritmo sem recuperação tende a agravar o quadro.


  • Como diferenciar tristeza passageira de um quadro de depressão que precisa de acompanhamento especia

    Como diferenciar tristeza passageira de um quadro de depressão que precisa de acompanhamento especializado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    O critério mais confiável é duração e abrangência, não intensidade. Tristeza passageira tem causa identificável, oscila, e ainda permite sentir prazer em outras coisas. Depressão costuma durar a maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, com perda de interesse generalizada, alterações de sono/apetite e dificuldade de concentração.

    Sinal de alerta: quando mesmo em situações boas a pessoa não sente alívio ou prazer, já vale buscar avaliação, mesmo sem todos os critérios "fechados".


  • Para ansiedade precisa de psiquiatra e psicóloga? É bom passar nos dois profissionais?

    Para ansiedade precisa de psiquiatra e psicóloga? É bom passar nos dois profissionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Em alguns casos, sim, a combinação pode trazer melhores resultados. O psicólogo trabalha a raiz (padrões de pensamento, esquivas, regulação), e o psiquiatra avalia se há necessidade de medicação para reduzir sintomas intensos e abrir espaço para a terapia funcionar.

    Ansiedade leve a moderada: psicoterapia sozinha costuma bastar. Com prejuízo funcional significativo (crises frequentes, insônia severa, dificuldade de sair de casa/trabalhar): vale à pena pensar em associar os dois.


  • Peguei meu filho de 14 anos em um jogo de discorde tendo uma bate papo com alguém do sexo masculino

    Peguei meu filho de 14 anos em um jogo de discorde tendo uma bate papo com alguém do sexo masculino assunto de punho sexual, com muitos palavrões, não sei o que fazer .
    Recolhi o celular dele por medo de ser um pedófilo do outro lado .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Você fez a coisa certa ao intervir. Alguns pontos:

    Preserve as conversas (prints) antes de apagar qualquer coisa — pode ser necessário para denúncia. Interações sexualizadas de adulto com adolescente são crime, independente de quem iniciou o assunto; vale considerar B.O. ou Disque 100.

    Ao conversar com seu filho, evite tom de culpa/vergonha — isso tende a fechar a comunicação. Deixe claro que ele não fez nada errado ao ser abordado e que pode sempre contar com vocês.

    Recolher o celular é válido no curto prazo, mas o ideal é acompanhar com conversa aberta sobre segurança digital e considerar apoio psicológico para ele processar a experiência, mesmo que pareça estar bem.


  • Tenho 28 anos e meu namorado 27, estamos juntos a 5 anos e moramos juntos. Enfrentamos um problema q

    Tenho 28 anos e meu namorado 27, estamos juntos a 5 anos e moramos juntos. Enfrentamos um problema que causa desconforto em ambos, a pornografia. Eu já consumi a anos atrás, mas consegui me livrar, mas é algo que até hj as vezes aparece na mente como uma ideia de se ver, mas mesmo assim, opto por não ver. Meu namorado já vem de um histórico como a maioria dos homens, de crescer vendo pornografia e ser tratado como algo normal. Já peguei mais de uma vez no celular e já foi motivo de piorar meus problemas psicológicos, e um quase término. De princípio ele não aceitava tratamento pois tinha preconceito. Uma vez ele teve coragem e me confidenciou que além da pornografia já chegou a olhar pra outras mulheres e desejar, e que tinha consciência que era errado. E isso normalmente acontecia quando a gente brigava. Recentemente ele começou a falar mais abertamente sobre o uso, e até falou para os pais dele, que ele esconde quase tudo. Naquele momento eu pensei que fosse o fim, mas não foi. Eu noto a diferença de comportamento quando ele assiste pornografia nas relações sexuais que temos. E perguntei se ele havia consumido novamente e ele confirmou. A primeira vez eu senti nojo dele e de mim, mas tento não focar nisso, pois é um problema dele, não diz sobre mim. Mas como somos um casal isso afeta. Hj ele diz que aceita tratamento. Então estou em busca de selecionar alguns profissionais que podem auxiliar ele a parar de vez com isso e ter mais alto controle. Ele é do tipo que acredita que homem não demonstra fraquezas e tem que lidar com tudo sozinho, mas na verdade quem tem lidado com os problemas dele sou eu. Também preciso voltar a fazer, e pretendo, mas já deixo claro, que o uso de pornografia não é algo que aceitamos no nosso relacionamento e já conversamos sobre. Então não é algo pra ser aceito como normal, pois já existem estudos que comprovam que esses estímulos não tem benefício algum. Gostaria de conhecer profissionais que trabalham com isso, e como poderiam nos ajudar com práticas confiáveis e seguras.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    O ponto central é que ele reconheça o padrão como um problema real (não como algo "normal de homem"), e você já fez isso avançar — ele aceitou buscar tratamento. Procure um psicólogo com experiência em comportamento sexual compulsivo, preferencialmente com abordagem em TCC (mapeamento de gatilhos, ciclo de urgência-alívio) combinada com ACT (tolerância ao impulso sem agir nele). Terapia de casal em paralelo também ajuda, principalmente para trabalhar a confiança abalada e definir juntos o que é aceitável na relação.

    Um ponto de atenção: a crença dele de que "homem não demonstra fraqueza e lida sozinho" tende a ser um obstáculo maior que o próprio comportamento — vale que isso seja endereçado diretamente no processo dele.


  • Como posso ajudar meu filho que está com depressão e não aceita fazer tratamentos com medicação?

    Como posso ajudar meu filho que está com depressão e não aceita fazer tratamentos com medicação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Recusa à medicação é comum e não impede início do tratamento — a psicoterapia pode começar isoladamente. Insistir ou forçar tende a aumentar a resistência; funciona melhor entender o motivo da recusa dele (medo de efeitos colaterais? estigma? sensação de perda de controle?) e validar isso, sem abrir mão de que ele precisa de acompanhamento.

    Um psiquiatra pode reavaliar a necessidade de medicação ao longo do processo — a decisão não precisa ser tomada agora, de forma definitiva. O essencial é garantir que ele inicie a terapia; a adesão à medicação pode amadurecer com o tempo, especialmente se ele sentir que tem voz nessa decisão.


  • tenho problemas com meu pai desde que me entendo por gente, e toda vez que tento falar com ele eu co

    tenho problemas com meu pai desde que me entendo por gente, e toda vez que tento falar com ele eu começo a chorar e simplesmente não consigo parar, por mais que eu queira. consigo falar sobre com qualquer pessoa menos com ele. sinto que cada vez mais isso vai ficando maior pois não consigo colocar pra fora na frente dele, tem algo que possa me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Isso costuma indicar uma carga emocional acumulada há muito tempo, não resolvida com ele — o choro incontrolável é o corpo expressando o que as palavras não conseguem organizar na hora. Não é fraqueza nem exagero.

    Ajuda muito trabalhar isso antes, em terapia: identificar o que especificamente nessa relação nunca foi dito ou processado, e praticar formas de se expressar (inclusive por escrito, se falar for difícil no início) antes de tentar a conversa direta com ele. Forçar a conversa sem esse preparo tende a repetir o padrão de bloqueio.


  • Eu e minha ex ficamos 1 ano e 4 meses ,porém no namoro eu não conseguir enxergar o nosso relacioname

    Eu e minha ex ficamos 1 ano e 4 meses ,porém no namoro eu não conseguir enxergar o nosso relacionamento indo para frente no quesito casamento ! Porém depois de terminar ficamos 2 anos tendo recaídas , logo após os dois anos ela se afastou e disse que estava conhecendo outro pessoa , depois de saber disso eu fiquei extremamente chateado e comecei a fazer o que eu nunca achei que iria fazer , comecei a mandar mensagem implorando para voltar , prometi até casamento, como explicar esse sentimento de querer voltar para uma pessoa que lá no fundo eu não a amo ! Mas gostaria de tentar novamente.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    O que você descreve tem menos a ver com amor pela pessoa e mais com o medo da perda e da rejeição — o "querer voltar" geralmente é ativado pelo gatilho de saber que ele seguiu em frente com outra pessoa, não por um sentimento genuíno de amor reacendido. É um padrão comum: o desejo de reconquistar aumenta justamente quando a pessoa se torna "inalcançável".

    Vale diferenciar dois processos: o luto do relacionamento em si (que é legítimo) e o impulso de provar que ainda é escolhida/suficiente (que não constrói uma relação saudável). Antes de buscar voltar, ajuda entender o que especificamente motiva esse desejo — se for para preencher a ferida do abandono, tende a repetir o mesmo ciclo de recaídas que já aconteceu nos últimos dois anos.


  • Sou diagnosticada com ansiedade a algum tempo, nunca tratei devidamente e recentemente vendo tendo u

    Sou diagnosticada com ansiedade a algum tempo, nunca tratei devidamente e recentemente vendo tendo um quadro de que como se o mundo não fosse real e nem eu. Não é como minhas crises anteriores onde eu tinha sintomas físicos muito fortes como: falta de ar, visão escurecendo, palpitações fortes e tontura, hoje eu não sinto nada disso apenas uma leve sensação de que o corpo está pesado e dormente mas não chega a estar. Eu tenho medo da morte súbita e isso vem afetando minha percepção das coisas, eu tento me confortar com meus exames que estão normais e minha idade que não se adequa a maioria dos casos de morte súbita, mas mesmo minha mente sossegando um pouco ainda fico com a impressão no fundo de que vou morrer amanhã ou daqui a pouco. Estou me cuidando apesar de tudo, comendo, dormindo, andando mesmo que pareça estranho fazer tudo isso e passando no psicólogo e logo no psiquiatra para fazer acompanhamento com medicação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    Essa sensação de "o mundo não ser real, nem eu" tem nome: desrealização/despersonalização, um sintoma bem descrito em quadros de ansiedade, especialmente quando o corpo está em alerta prolongado sem os picos físicos intensos de antes. Não é sinal de estar "enlouquecendo" — é uma resposta protetora do cérebro diante de sobrecarga.

    O medo da morte súbita, mesmo com exames normais, costuma se manter porque a mente ansiosa não se acalma só com dados racionais — ela precisa de um processo de reexposição e ressignificação dos sintomas corporais, para que o corpo pare de interpretá-los como ameaça. Você está fazendo o caminho certo (psicólogo + psiquiatra); vale ter paciência, porque esse tipo de sintoma costuma levar algumas semanas para reduzir com o tratamento adequado.


  • Olá! Estou com dificuldades de se comunicar no meu relacionamento, não sei como conversar, não sei

    Olá!
    Estou com dificuldades de se comunicar no meu relacionamento, não sei como conversar, não sei me expressar e quando eu fico sobre pressão geralmente começo a chorar sem para, meu parceiro acha que prefiro ignorar ele ou que eu não tem o que dizer, mas na verdade minha mente fica a mil, mas não consigo tira da mente e passa pra ele e isso me mata por dentro. Como que faço para não ter dificuldade em querer conversar, nem fugir, nem ignorar a situação e não ficar na defensiva? tenho muito a falar mas sinto um bloqueio na hora principalmente quando sou pressionada a ter uma conversa seria.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Carlos Alberto R. Pinheiro

    O que você descreve — travar, chorar, mente "a mil" sem conseguir organizar as palavras — é uma resposta de sobrecarga emocional aguda, não falta de o que dizer. Quando a cobrança para "ter uma conversa séria" chega, o sistema nervoso entra em estado de alerta e literalmente dificulta o acesso à fala organizada.

    O que costuma ajudar: 1) avisar ao parceiro, no momento, que você precisa de uma pausa curta para se organizar antes de continuar (não é fuga, é regulação), e 2) treinar fora do momento de pressão — escrever antes o que quer dizer, ou praticar frases-chave com antecedência, para que na hora da conversa você tenha um "ponto de partida" pronto em vez de tentar formular tudo ao vivo.


Perguntas frequentes

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