Perguntas do paciente (7)
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Podem me esclarecer uma coisa? Meu psiquiatra pediu uma ressonância magnética de crânio com possível
Podem me esclarecer uma coisa? Meu psiquiatra pediu uma ressonância magnética de crânio com possível diagnostico de comprometimento cognitivo e epilepsia, porém nunca tive nenhum crise epilética, nunca desmaiei ou espumei pela boca. Meu problema é que meu humor não estabiliza e eu estou entrando em surto constantemente. Algum profissional sabe me dizer ou dar uma luz o do por que foi pedido tal exame?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Em casos com alterações cognitivas, mudanças importantes de comportamento/humor ou quadros psiquiátricos de difícil estabilização e/ou refratário aos medicamentos, ela pode ser pedida para descartar possíveis causas neurológicas ou alterações estruturais cerebrais.
Importante dizer que, nem toda crise epiléptica causa convulsão, desmaio ou perda da consciência. Algumas crises podem ser de forma mais sutil, com períodos curtos de desconexão, olhar parado, confusão, alterações de memória, sensações estranhas, movimentos automáticos ou mudanças súbitas de comportamento.
O pedido do exame não significa que você tenha epilepsia e/ou comprometimento cognitivo. Acaba fazendo parte da investigação para excluir outras possíveis causas dos sintomas.
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Como o psiquiatra diferencia impulsividade autodestrutiva de comportamentos adaptativos arriscados?
Como o psiquiatra diferencia impulsividade autodestrutiva de comportamentos adaptativos arriscados?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Então, na impulsividade autodestrutiva, como o próprio nome sugere, existe uma ação mais impulsiva, pouco planejada. A pessoa costuma estar tomada por uma motivação emocional e busca uma descarga emocional, um alívio, uma fuga daquela sensação. No comportamento adaptativo arriscado, apesar de também existir risco, a pessoa ainda consegue avaliar melhor a situação, tem algum nível de planejamento. O objetivo não está tão tomado por um estado emocional intenso. Pode estar ligado a crescimento, metas ou alguma escolha que faz sentido dentro daquele contexto
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Como a comorbidade entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o Transtorno Obsessivo-Com
Como a comorbidade entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode ser compreendida do ponto de vista clínico e psiquiátrico?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
TPB e TOC podem parecer opostos, mas compartilham alguns circuitos de sofrimento muito semelhantes
No TOC, a pessoa fica presa em um ciclo de: pensamento intrusivo → ansiedade → compulsão → alívio momentâneo.
No TPB, muitas vezes ocorre: dor emocional intensa → impulso/reatividade → comportamento impulsivo ou relacional → alívio momentâneo → culpa/vazio → repetição.
Ou seja, ambos podem funcionar em loops de autorregulação disfuncional. O cérebro tenta aliviar uma tensão interna por meio de um comportamento repetitivo.
São comuns em ambos os transtornos: ruminação obsessiva, necessidade compulsiva de validação/reasseguramento, pensamentos intrusivos agressivos ou autoextintivos, autoagressão com função quase compulsiva, relações interpessoais ritualizadas, compulsões mentais ligadas à culpa, rejeição ou medo de perder vínculo
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“Como a evolução longitudinal e a remissão parcial dos sintomas no Transtorno de Personalidade Borde
“Como a evolução longitudinal e a remissão parcial dos sintomas no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se associam à maior integração da identidade, à redução da instabilidade afetiva e à consolidação de padrões mais estáveis de funcionamento do self e de regulação comportamental?”
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na TPB a melhora longitudinal não ocorre apenas como “controle de sintomas”, mas como uma reorganização progressiva dos padrões emocionais, cognitivos e relacionais, por meio da neuroplasticidade. Experiências repetidas de regulação emocional, validação e construção de vínculos mais seguros podem modificar circuitos ligados à hiperreatividade afetiva, impulsividade e percepção de ameaça interpessoal.
Com o tempo, o cérebro deixa de operar predominantemente em estados de sobrevivência emocional constantes. Há maior integração entre áreas relacionadas à resposta emocional intensa e regiões associadas ao autocontrole, mentalização e tomada de decisão, permitindo que o paciente tolere frustrações sem recorrer automaticamente à autodestruição, dissociação ou impulsividade extrema.
Na Terapia Comportamental Dialética, por exemplo, a repetição sistemática de habilidades de mindfulness, tolerância ao mal-estar e regulação emocional funciona como treino neural. Um paciente que antes vivia sob pensamentos persistentes de autoextermínio pode, inicialmente, apenas aprender a “não agir”. Depois, começa a reconhecer gatilhos, criar pequenas pausas entre emoção e comportamento, desenvolver senso de continuidade do self e experimentar momentos de estabilidade emocional antes inexistentes. Gradualmente, o sofrimento deixa de ocupar toda a identidade psíquica, e isso é o ponto principal.
Essa construção vai para além da terapia. Inicio de exercício físico, sono adequado, redução de substâncias, rotina estruturada e vínculos saudáveis também favorecem neuroplasticidade, modulação do estresse e consolidação de padrões mais estáveis de funcionamento emocional e comportamental.
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Qual o significado do fenômeno de ‘fusão com a dor psíquica’ no Transtorno de Personalidade Borderli
Qual o significado do fenômeno de ‘fusão com a dor psíquica’ no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e de que forma esse estado afetivo persistente pode interferir na consolidação da identidade pessoal, levando à substituição de uma identidade autêntica por uma organização identitária centrada na experiência de sofrimento?”
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno de Personalidade Borderline, muitas vezes a pessoa não apenas “sente” a dor psíquica. Ela passa a se organizar em torno dela. A dor deixa de ser uma experiência… e vira identidade.
É como se o cérebro, após anos de sofrimento emocional intenso, abandono, invalidação ou instabilidade afetiva, começasse a interpretar: “Que sou eu? se não estou sofrendo como antes”
Essa “fusão com a dor” acontece porque o sofrimento vira algo familiar, previsível e estruturante do self. A pessoa começa a se reconhecer mais na ferida do que na própria essência.
Por isso vemos pacientes que, mesmo melhorando, sentem vazio, estranheza ou até culpa quando ficam bem. Na prática: relacionamentos intensos passam a validar existência e significar amor; crises emocionais viram sensação de “estar vivo”; pensamentos de autoextermínio podem surgir não apenas como desejo de morrer, mas como tentativa desesperada de interromper uma dor que tomou conta da identidade e único recurso para lidar com ela.
E isso lembra muito pacientes com dor crônica física. Tem pessoas que começam tendo uma lombalgia, fibromialgia ou enxaqueca… e anos depois a vida inteira gira em torno da dor. A identidade vira: “eu sou a pessoa que sofre”.
O cérebro aprende a funcionar nesse estado.
Existe uma espécie de neuroplasticidade do sofrimento: circuitos ligados à ameaça, hipervigilância, rejeição e dor emocional ficam hiperativados por muito tempo. Então, melhorar exige não só reduzir sintomas com psicofármacos, mas construir uma identidade fora da dor, e é aqui que entra terapia, mudança de estilo de vida e espiritualidade. As terapias tipo comportamental dialética entram de forma profunda.
E aos poucos surge algo muito importante no TPB: uma identidade mais integrada, menos baseada em sobrevivência emocional e mais baseada em autenticidade, valores, vínculos reais, rotina, autocuidado, atividade física, propósito e continuidade de vida.
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No trastorno sexual compulsivo a pessoa pode sentir vontade de fazer sexo com mulher trans sem ser g
No trastorno sexual compulsivo a pessoa pode sentir vontade de fazer sexo com mulher trans sem ser gay?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim. Pode acontecer. E isso não muda a orientação sexual da pessoa. O transtorno sexual compulsivo é sobre impulso e estímulo, não sobre identidade sexual. O cérebro entra num padrão de busca por estímulos cada vez mais intensos e diferentes para conseguir excitação. É um mecanismo parecido com vício. É uma condição neurocomportamental, não de identidade.
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O transtorno da personalidade esquizotipica pode ter alucinação sem surto psicótico ?
O transtorno da personalidade esquizotipica pode ter alucinação sem surto psicótico ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, pode. No transtorno da personalidade esquizotípica, a pessoa pode ter pequenas alucinações ou percepções estranhas mesmo sem estar em surto psicótico. A pessoa não perde totalmente o contato com a realidade, diferente de uma psicose franca. Costuma-se ouvir o nome sendo chamado, ver vultos, sentir presenças, ter sensações corporais estranhas, percepções muito vívidas.
Perguntas frequentes
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Fiz uma cirurgia da bacia pelve com parafuso no acetábulo 38 dias após sinto estalos e dor quando pa
Com pouco mais de um mês de cirurgia no acetábulo, a região ainda está em…