Perguntas do paciente (13)

  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Sob a visão da psicanalise, o seu relato expõe o luto da paixão inicial, marcada pela idealização e pelo entusiasmo e a difícil transição para o amor do laço real, onde a novidade dá lugar à convivência e à previsibilidade após quase três anos. A ansiedade que você sente surge da tentativa de vigiar e controlar o próprio afeto: ao se cobrar continuamente para sentir a mesma chama do início, a dúvida e o medo acabam sufocando a espontaneidade do vínculo, que claramente ainda preserva parceria e acolhimento. Na psicanálise, o amor não é um estado de euforia permanente, mas uma construção oscilante que exige tolerar a perda do ideal para que seja possível sustentar o desejo e a conexão no tempo.


  • Eu já tive umas conversas com o irmão do meu namorado antes de conhecer meu namorado (2 anos antes)

    Eu já tive umas conversas com o irmão do meu namorado antes de conhecer meu namorado (2 anos antes) e eu descobri ontem com um ano juntos q eles são irmãos, e meu namorado pediu um tempo. Estou com medo de terminarmos, eu me sinto muito culpada. E ele é o único apoio que tenho (eu tenho autismo e depressão) e sem ele sinto que tudo vai desmoronar

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Compreendo a profunda angústia e o medo do desamparo que essa pausa no relacionamento está gerando em você, mas é fundamental separarmos os fatos da fantasia: você conversou com alguém dois anos antes de conhecer seu namorado, logo, não há erro ou traição real que justifique o peso dessa culpa devastadora. O "tempo" que ele pediu é o espaço que ele precisa para processar uma surpresa que coincide com a história dele, e não necessariamente o fim do vínculo de vocês. No entanto, o ponto central que precisamos olhar com cuidado na análise é como a sua estabilidade psíquica ficou concentrada em uma única pessoa; embora o autismo e a depressão tornem as mudanças e a solidão muito mais dolorosas, esse sofrimento agudo nos mostra a urgência de fortalecermos o seu próprio chão interno, para que você descubra que a sua existência e a sua força não desmoronam sem o outro.


  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Compreendo e valido profundamente a sua dor, que é real e merece todo o respeito; o seu medo de interagir não é um defeito, mas uma defesa que o seu inconsciente criou na transição para a adolescência, transformando o olhar do outro em um tribunal implacável. Embora você sinta o desejo de se isolar para não sofrer, a sua busca por ajuda prova que existe uma parte sua que quer se conectar e viver sem dor, Vc pode encontrar na psicanálise um espaço seguro e sem julgamentos para compreender a raiz desse medo e reconstruir a sua relação com o mundo.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Essa rigidez em suas opiniões e a necessidade de estar sempre certo parecem funcionar como uma armadura psíquica. Na psicanálise, entendemos que o apego excessivo às próprias certezas geralmente esconde uma fragilidade interna: abrir mão da sua razão pode ser sentido pelo seu inconsciente como uma ameaça de aniquilação ou de perda de valor perante o outro. Ao transformar toda divergência em uma disputa de poder, você se protege da vulnerabilidade de falhar, mas o preço cobrado tem sido o isolamento e prejuízos profissionais. A análise seria o espaço ideal para você investigar de onde vem essa necessidade de controle e aprender que discordar ou mudar de ideia não diminui quem você é, mas expande suas possibilidades de existir.


  • Eu venho procurando uma resposta pra isso ao longo de minha vida eu sempre procurava algo que me fiz

    Eu venho procurando uma resposta pra isso ao longo de minha vida eu sempre procurava algo que me fizesse realizado e com propósito e encontrei o mercado financeiro, ser um negociador de ações isso me deu um foco e um objetivo, isso pode levar anos para me ter resultados.

    E nisso eu tenho problemas que afeta algumas áreas em minha vida que gostaria de ser resolvido, não consigo me adaptar em nenhum emprego e peço demissão muito rápido não consigo suportar e isso me prejudica nos relacionamentos não consigo me envolver com outras pessoas sinto que minha vida está uma bagunça, eu conseguisse resolver isso me sentiria livre desse peso

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Essa busca pelo mercado financeiro parece um refúgio para você se sentir no controle total, onde tudo depende só do seu próprio esforço. Por outro lado, o "mundo real" com chefes, empregos comuns e relacionamentos trazem cobrança, frustração e a necessidade de lidar com a vontade dos outros, e parece que é aí que vc se sente incomodo. No fundo, deixar os empregos e não se apegar a ninguém são formas de se blindar contra a rejeição e o medo de falhar. Você foca num futuro de sucesso e acaba usando isso como desculpa para aguentar a solidão e toda a desordem de agora. ​Só que a verdadeira liberdade não é viver isolada e sem amarras, é conseguir bancar as imperfeições da vida cotidiana. Será que esse foco em negociar ações não seria, na verdade, uma forma de negociar com o seu próprio medo de se abrir para as pessoas e dar errado?


  • Escrever uma qualidade que quero ter na mente perto de adormecer será mais efetivo do que repetir a

    Escrever uma qualidade que quero ter na mente perto de adormecer será mais efetivo do que repetir a frase mentalmente até apagar o que a escrita faz no cérebro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Olá! Então a psicanálise sugere que escrever uma qualidade desejada antes de dormir é mais efetivo do que apenas repeti-la mentalmente, pois a escrita atua como um processo de elaboração psíquica tornando o desejo mais consciente e concreto, enquanto a repetição mental pode cair na "compulsão à repetição". A escrita à mão organiza o pensamento, fixa o conteúdo e permite que o inconsciente processe o desejo de forma estruturada, em vez de apenas repetir sintomas ou angústias.


  • Ultimamente estou me sentindo sobrecarregada, minha memória está péssima, esqueço das coisas muito r

    Ultimamente estou me sentindo sobrecarregada, minha memória está péssima, esqueço das coisas muito rápido. Não estou conseguindo dormir direito pois a minha mente não consegue desligar do trabalho, nem mesmo quando estou fazendo outra atividade como ler. Quando preciso ir para o presencial parece que tudo piora. Às vezes acordo com a mente pesada uma agonia que reflete para o estômago e parece que não sinto as pernas. Domingo sempre bate a agonia por ter que começar tudo de novo. Também comecei a ter muitos pensamentos pessimistas. Sinto cansaço que não acaba, quando acordo é pior ainda. O que fazer? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Olá!
    Sentir-se assim é um sinal de que sua mente e seu corpo chegaram ao limite da sustentabilidade. Entende-se que quando a mente "não desliga", o corpo passa a falar por meio de sintomas: a agonia no estômago, o esquecimento e a paralisia nas pernas são manifestações de uma angústia que não encontra mais palavras para ser expressa. O trabalho parece ter colonizado seu espaço subjetivo, impedindo que atividades de prazer, como a leitura, ofereçam refúgio. Esse cansaço que não cessa com o sono e a depressão dominical sugerem que o futuro passou a ser visto apenas como uma repetição exaustiva do esforço, esvaziando o sentido das suas ações. Sim, você deve procurar ajuda especializada imediatamente. Os sintomas descritos são compatíveis com um quadro de esgotamento profissional (Burnout) ou depressão reativa. Um psicólogo(a) poderá ajudá-la a entender o que permitiu essa invasão do trabalho em sua vida e a reconstruir seus limites internos. Paralelamente, a consulta com um psiquiatra é essencial para tratar a insônia e a química da ansiedade, devolvendo-lhe a base biológica necessária para o processo de cura. Não espere um rompimento total; buscar suporte é o primeiro passo para retomar o seu lugar na própria história.


  • . Como o transtorno de personalidade borderline silencioso (TPBS) afeta a saúde mental?

    . Como o transtorno de personalidade borderline silencioso (TPBS) afeta a saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Pessoas com TPBS podem experimentar fortes oscilações emocionais, medo de abandono, autocrítica severa e sentimentos de vazio e tendem a esconder seu sofrimento, evitando demonstrar raiva ou buscar apoio. Essa repressão emocional pode levar a quadros de ansiedade, depressão, crises de identidade e dificuldade nos relacionamentos, tornando o sofrimento psíquico ainda mais solitário e desgastante. O acompanhamento psicoterapêutico é fundamental para ajudar na identificação, expressão e manejo desses sentimentos.


  • Quais são os reflexos dos traumas da infância na vida adulta?

    Quais são os reflexos dos traumas da infância na vida adulta?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Os traumas vividos na infância podem refletir-se de diversas formas na vida adulta, influenciando emoções, comportamentos e relações interpessoais. Experiências precoces de abandono, negligência ou violência podem afetar a autoestima, a confiança nos outros e a capacidade de lidar com frustrações. É comum que adultos com traumas infantis apresentem dificuldades em estabelecer vínculos saudáveis, desenvolvam ansiedade, depressão ou mecanismos de defesa rígidos. Esses reflexos, muitas vezes inconscientes, podem ser elaborados ao longo do processo terapêutico, permitindo a pessoa mudar sua história e construir formas mais saudáveis de viver e se relacionar.


  • Como o medo da rejeição afeta a autoestima de uma pessoa ?

    Como o medo da rejeição afeta a autoestima de uma pessoa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Na visão psicanalítica, o medo da rejeição afeta a autoestima ao tocar feridas inconscientes formadas nas primeiras relações afetivas, especialmente na infância. Quando a criança vivencia situações em que seu afeto, comportamento ou presença não são acolhidos de forma consistente, ela pode internalizar a crença de que não é digna de amor ou aceitação. Esse sentimento se inscreve no psiquismo e contribui para a formação de um superego crítico, que reforça a ideia de inadequação e alimenta a insegurança. Desta forma, a autoestima torna-se frágil, pois passa a depender da validação externa e do esforço constante para evitar a rejeição. Com processo analítico, essas experiências podem ser trazidas à consciência, permitindo que a pessoa compreenda a origem de seus medos e reconstrua uma relação mais saudável consigo mesmo.


  • . Quais são os gatilhos da raiva nos relacionamentos intrafamiliar e interpessoal ?

    . Quais são os gatilhos da raiva nos relacionamentos intrafamiliar e interpessoal ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    A raiva nos relacionamentos intrafamiliares e interpessoais muitas vezes surge quando conflitos inconscientes, originados nas primeiras relações afetivas, são reativados. Situações do presente podem funcionar como gatilhos que despertam memórias e sentimentos reprimidos, como frustrações, rejeição ou falta de reconhecimento vividas na infância. Esses conteúdos, ao emergirem, intensificam reações emocionais, fazendo com que a resposta de raiva vá além do fato atual. A psicanálise busca compreender esses gatilhos, permitindo que a pessoa reconheça suas origens e encontre formas mais conscientes de lidar com eles.


  • É normal ter pensamentos negativos? .

    É normal ter pensamentos negativos? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Sim, ter pensamentos negativos é algo comum e faz parte da vivência humana, especialmente diante de momentos difíceis e estressantes. Eles se tornam preocupantes quando passam a ser frequentes, intensos e persistentes, impactando o bem-estar emocional e prejudicando a rotina e a qualidade de vida. Neste caso o melhor a fazer é buscar ajuda terapêutica.


  • Como posso lidar com pessoas que me criticam? .

    Como posso lidar com pessoas que me criticam? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Célia Diniz

    Olá!
    Lidar com críticas envolve olhar para além do que é dito e perceber o que elas despertam em nós. A crítica pode tocar feridas antigas, ativar inseguranças e reativar experiências passadas de julgamento ou rejeição. Ao reconhecer esses sentimentos, é possível compreender que a intensidade da reação nem sempre se refere apenas ao momento presente. A psicanálise convida a explorar o sentido inconsciente dessas vivências, ajudando a diferenciar o que pertence à nossa história interna do que vem do outro. É possível, desta forma, agir de forma mais consciente e com menos sofrimento diante das críticas que possam surgir no dia a dia.


Autor

Psicólogo, Psicanalista

Perguntas frequentes

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