Perguntas do paciente (3)

  • Quais são os sinais de uma pessoa imatura emocionalmente?

    Quais são os sinais de uma pessoa imatura emocionalmente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Cleber Carvalho

    Boa pergunta! Diferente do desenvolvimento cognitivo, que segue uma estrutura culturalmente bem definida, a maturidade emocional de um sujeito diz respeito às experiências que ele acumulou ao longo da vida - desde bebê e talvez até antes - e de como ele lidou com elas. É uma boa pergunta justamente porque não há uma resposta única que sirva para todos, mas vou destacar alguns pontos relacionados:

    1- Maturidade emocional tem a ver com resiliência, flexibilidade, autonomia, autoconhecimento e capacidade de se expressar: Sabemos que uma pessoa é mais madura que outra quando ambas passam pela "mesma situação" e uma "lida melhor" e "encontra mais saídas" do que a outra.

    1.2- Mas, esta comparação é hipotética; na vida real, cada um tem suas próprias forças e fraquezas, que variam a cada momento e processo: Dependendo do contexto, a mesma pessoa pode parecer madura ou imatura.

    1.3- Na verdade, não existe "a mesma situação" para duas pessoas diferentes, justamente porque o percurso de cada uma altera a forma como ela encara e lida com o desafio. Exemplo: Perder o mesmo emprego, na mesma empresa, pode levar o João à depressão e ser a melhor coisa na vida do José.

    2- Traumas, rigidez comportamental e doenças mentais costumam se apresentar como dificuldade de adaptação às demandas emocionais que a vida apresenta: O que é apenas desagradável para uma pessoa saudável pode ser motivo de colapso para alguém com um problema de saúde mental.

    3- Em momentos críticos da vida, tendemos a repetir (ou retornar a) um padrão emocional mais antigo e mais estabelecido em nosso repertório emocional.

    4- Sentimentos inconscientes: Às vezes, negamos ativamente ou ignoramos completamente um sentimento desconfortável que pode acabar se expressando como adoecimento físico ou mental, insônia, alteração de apetite, “preguiça”, mal humor e etc.

    5- Relações pessoais (afetivas): Pessoas com dificuldades emocionais costumam ter mais dificuldades em se relacionar, mas essa dificuldade varia muito: A pessoa pode ser mais isolada, se restringir a poucas relações, ter apenas relações superficiais, não conseguir manter relações duradouras ou só conseguir se relacionar com semelhantes e etc.

    6- Sensibilidade ≠ imaturidade emocional: Pessoas mais sensíveis se afetam mais e podem precisar de mais tempo para lidar com determinados acontecimentos. Isso não significa imaturidade e, novamente, cada um tem seu percurso e jeito de lidar.

    7- Por fim, é importante lembrar que somos criaturas coletivas e adaptadas ao nosso ambiente: Quando apoiados, somos capazes de suportar coisas que nos quebrariam se estivéssemos desamparados. Assim como ter casa, comida e estabilidade financeira geralmente nos dão alguma tranquilidade diante dos problemas.

    7.1 - Se somos criaturas coletivas, nossas emoções dependem de como nosso núcleo social se afeta e expressa o que sente - são eles que nos ensinam: Uma pessoa muito adaptada em sua própria família pode ser vista como imatura quando sai de casa, porque grupos diferentes têm demandas (emocionais) diferentes.

    Acho que a lista pode aumentar, se refletirmos mais, mas espero ter ajudado. Indico o filme Melancolia, do Lars Von Trier, que traz justamente esta discussão: Quem é emocionalmente maduro (ou saudável ou forte)?


  • Eu queria tirar uma dúvida que tem me deixado muito preocupado. Quando eu era criança, com uns 6, 7,

    Eu queria tirar uma dúvida que tem me deixado muito preocupado. Quando eu era criança, com uns 6, 7, 8 ou 9 anos, eu tinha um comportamento que hoje fico pensando se pode ter relação com deficiência intelectual ou autismo. Eu só conseguia conversar com algumas pessoas específicas, tipo minhas primas ,mas com outras pessoas eu simplesmente travava. Por exemplo: eu brincava e conversava com elas normalmente, mas quando o pai delas chegava perto, eu me calava na hora, não falava mais nada, ficava parado, quieto, as vezes só pegava na mão de alguém Até na hora de dar a bênção pra ele, eu não conseguia falar, só pegava na mão dele em silêncio E o curioso é que ele não era uma pessoa ruim ou brava, era uma pessoa tranquila, mas mesmo assim eu sentia uma timidez muito forte, sem motivo aparente O estranho é que com a esposa dele, no caso a minha tia eu já conseguia conversar, e com outras pessoas também. Era como se eu tivesse uma barreira só com algumas pessoas, principalmente com adultos homens. Eu só fui conseguir conversar com ele de verdade lá pelos 10, 11 ou 12 anos de idade. E tem mais uma coisa: com 6 anos eu fui diagnosticado com 'outros problemas globais do desenvolvimento', e isso me deixa ainda mais confuso e com medo. Fico pensando se esse meu jeito de só falar com algumas pessoas e travar com outras pode ter sido sinal de deficiência intelectual leve, ou se é mais uma característica de autismo. Eu tenho muito medo de ter deficiência intelectual, isso mexe muito comigo. Por isso queria saber a opinião de vocês: esse tipo de comportamento pode ser sinal de DI leve? Ou é mais típico de autismo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Cleber Carvalho

    Não necessariamente, parece mais um quadro de ansiedade ou fobia social. O sujeito no TEA não escolhe grupos específicos de pessoas para não se relacionar, a dificuldade é geral.

    Eu perguntaria sobre suas experiências infantis com figuras masculinas e sua relação com o seu pai. Também é importante saber porque esse episódio específico te incomoda agora.

    Sobre a deficiência intelectual, supondo que vc seja adulto, é importante saber como era a escola para você e se vc já deixou de conquistar algo por incapacidade.

    espero ter ajudado, abraço


  • Eu queria tirar uma dúvida sobre um comportamento que venho observando. É sobre medos aparentemente

    Eu queria tirar uma dúvida sobre um comportamento que venho observando. É sobre medos aparentemente sem explicação, especialmente medo de bonecos e quadros com rostos. Isso pode acontecer em pessoas com deficiência intelectual ou com autismo? Se sim em qual grau da deficiência intelectual isso se manifesta? E do autismo? Isso é mais comum no autismo? Pois eu tinha isso e gostaria de saber.
    Eu percebi que alguns desses medos surgem de forma muito intensa, como se a pessoa realmente sentisse que o boneco ou o quadro representa algum tipo de ameaça. Em alguns casos, ela até se recusa a entrar em certos ambientes ou reage com choro.
    Queria entender se isso é comum em pessoas com deficiência intelectual em diferentes graus, e também se acontece com pessoas dentro do espectro autista. Pode ter a ver com hipersensibilidade sensorial ou dificuldade em diferenciar o que é real e o que é só uma imagem? E o que pode ser feito nesses casos?
    Agradeço se puder me ajudar a entender melhor esse tipo de reação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Cleber Carvalho

    Não tem a ver com autismo, isso é uma fobia específica. A hipersensibilidade independe da imagem representada ou do significado de uma percepção; tem a ver com tipo de estímulo - luzes, sons, temperaturas, cheiros...


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