Perguntas do paciente (3)
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Olá, tenho TOC com pensamentos repugnantes. Estudei bastante o TOC pela ótica da TCC, e ela sempre m
Olá, tenho TOC com pensamentos repugnantes. Estudei bastante o TOC pela ótica da TCC, e ela sempre me ajudou muito com meus conflitos. No entanto, comecei a estudar a teoria do TOC pela psicanálise (neurose obsessiva). A maioria dos psicanalistas que acompanho aborda os pensamentos intrusivos como manifestações de desejos inconscientes reprimidos que emergem à consciência. Em outras palavras, seria um processo de substituição: como o desejo reprimido é considerado imoral, ele é recalcado e depois retorna de forma distorcida como pensamento intrusivo. No entanto, achei essa explicação superficial e até desesperadora — dizer que aquilo que você mais repudia é, na verdade, um desejo inconsciente. Será que esses pensamentos não poderiam surgir de medos, traumas ou mecanismos que não envolvem, necessariamente, o desejo? Alguém poderia, por gentileza, me orientar sobre isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, agradeço profundamente por sua partilha tão honesta e sensível. Sua inquietação é legítima e, de certa forma, também muito saudável. Questionar, refletir, buscar compreender o que se passa em sua experiência interna já é, por si só, um sinal de um movimento importante de elaboração emocional e intelectual.
Entendo como pode ser angustiante entrar em contato com algumas formulações da psicanálise, especialmente quando elas tocam pontos delicados da subjetividade humana, como o desejo inconsciente. A leitura dos pensamentos intrusivos como expressão de um desejo reprimido não deve ser interpretada de forma literal ou simplista. Na verdade, o inconsciente, tal como compreendido pela psicanálise, opera em uma lógica que muitas vezes escapa à razão consciente e isso não significa, necessariamente, que você "deseje" de fato o conteúdo desses pensamentos no sentido comum da palavra.
A psicanálise não afirma que o conteúdo intrusivo é um reflexo direto do seu ser moral ou afetivo. Pelo contrário: ela busca justamente despatologizar o conflito e entender como certas formações psíquicas emergem como tentativas (embora dolorosas) de lidar com tensões internas, que muitas vezes têm raízes em medos, traumas, culpas, experiências precoces ou exigências internas que ultrapassam a ideia de um "desejo perverso".
É absolutamente possível pensar os pensamentos intrusivos também como fruto de medos profundos, de vivências traumáticas ou como mecanismos defensivos do psiquismo tentando lidar com aquilo que foi intolerável em algum momento da história pessoal. A TCC traz contribuições valiosas nesse sentido, especialmente ao ajudar a enfraquecer a identificação com o conteúdo dos pensamentos e fortalecer uma postura de observação e autonomia diante deles.
A beleza de uma escuta clínica respeitosa (seja ela de orientação psicanalítica ou integrativa) está em não reduzir o sofrimento a uma única explicação. Cada sujeito é único, e seu modo de sofrer, resistir, pensar e sentir merece ser compreendido em toda sua complexidade. Nenhuma teoria dá conta sozinha da riqueza da experiência humana.
Se você sentir que essas formulações da psicanálise despertaram sofrimento ou confusão, talvez seja interessante conversar sobre isso com um profissional que possa acolher sua angústia e caminhar ao seu lado, sem pressa, na construção de sentidos mais pessoais, mais seus.
Você não está sozinho nesse caminho e sua dúvida é não só compreensível, mas profundamente humana. Que você continue se aproximando de si mesmo com gentileza e curiosidade, não para “se explicar”, mas para se escutar com mais liberdade.
Com carinho e respeito,
Daniela Oliveira - Psicanalista
Insta: @danieterapeutaoficial
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Hipnose Ericksoniana pode ser feita online para fobia de avião?
Hipnose Ericksoniana pode ser feita online para fobia de avião?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Essa é uma dúvida muito importante e que merece ser respondida com atenção e responsabilidade.
A auto-hipnose pode, sim, ser uma ferramenta bastante útil no processo de autoconhecimento, autorregulação emocional e até no alívio de certos sintomas. No entanto, é fundamental ter clareza de que, embora algumas pessoas consigam aplicar técnicas de auto-hipnose com segurança, isso não significa que seja uma prática totalmente isenta de riscos.
Na Hipnose Ericksoniana, abordagem com a qual trabalho, damos muita ênfase ao respeito profundo ao indivíduo e ao ritmo inconsciente de cada um. Por isso, sempre oriento que o processo de hipnose, especialmente quando feito com objetivos terapêuticos, seja conduzido com o acompanhamento de um profissional qualificado.
Durante um transe, por mais leve que ele seja, é possível que ocorram ab-reações (manifestações emocionais intensas que podem emergir de conteúdos inconscientes, muitas vezes ligados a memórias ou traumas). Nesses momentos, é essencial que haja alguém capacitado para acolher, conduzir e reintegrar essa experiência de forma segura, respeitosa e terapêutica.
Infelizmente, há uma ideia equivocada de que a hipnose é sempre leve, controlada e "tranquila". Mas o inconsciente não opera com lógica linear e, justamente por isso, não considero seguro aplicar hipnose terapêutica profunda sozinho, sem o suporte de um profissional experiente.
Se você tem interesse em aplicar a auto-hipnose de forma responsável, o mais indicado é fazer isso com orientação profissional. Assim, você aprende a reconhecer os seus limites, lidar com possíveis respostas emocionais e usar essa ferramenta com mais consciência e segurança.
Fico à disposição caso queira conversar mais sobre o assunto ou entender melhor como funcionam os processos terapêuticos com Hipnose Ericksoniana. Você não precisa fazer isso sozinho.
Com carinho e responsabilidade,
Daniela Oliveira
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A pornografia pode gerar algum tipo de problema psicológico? Tipo TOC e TDAH?
A pornografia pode gerar algum tipo de problema psicológico? Tipo TOC e TDAH?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Sua pergunta é muito importante e, infelizmente, ainda cercada de muitos mitos e silêncios.
A pornografia, por si só, não é considerada uma causa direta de transtornos como TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) ou TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Esses diagnósticos têm origens multifatoriais, envolvendo aspectos neurológicos, genéticos, ambientais e emocionais. No entanto, o uso frequente ou compulsivo de pornografia pode, sim, estar relacionado a certos sintomas psíquicos, como ansiedade, culpa, isolamento, angústia, impulsividade e até prejuízos na concentração e nas relações interpessoais.
Na clínica psicanalítica, não olhamos apenas para o sintoma, mas buscamos compreender o que está sendo comunicado por meio do comportamento repetitivo, do uso excessivo ou do sofrimento que ele pode gerar. Quando a pornografia passa a ocupar um lugar central na vida da pessoa (seja como escape, alívio ou compulsão ) é importante perguntar: "O que está faltando? O que está sendo evitado? Que angústia está sendo silenciada por essa via?"
Além disso, o consumo regular de pornografia pode, em alguns casos, aumentar a ansiedade, especialmente quando há conflito moral ou afetivo com o conteúdo assistido, levando a sentimentos de vergonha, culpa ou dúvida sobre si mesmo. Isso pode intensificar quadros ansiosos ou obsessivos em pessoas já vulneráveis emocionalmente, embora não seja a causa original desses transtornos.
A psicanálise oferece um espaço seguro e profundo para que o sujeito possa:Compreender suas fantasias e seu desejo com mais liberdade; Elaborar conflitos inconscientes ligados à sexualidade, ao afeto e à culpa; Investigar a função que esse hábito tem na sua vida psíquica e emocional; Reduzir o sofrimento e construir uma relação mais saudável consigo e com o próprio corpo.
Portanto, ainda que a pornografia não cause diretamente TOC ou TDAH, ela pode participar de um cenário psíquico mais complexo, agravando ansiedades, reforçando compulsões e empobrecendo a vida afetiva, e por isso merece atenção e cuidado.
Se isso ressoar com sua experiência, saiba que buscar ajuda já é um gesto importante de escuta de si mesmo. A psicanálise pode ser um espaço muito transformador nesse processo.
Com escuta e respeito,
Daniela Oliveira
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