Perguntas do paciente (5)

  • Diosleg-forte e Varfarina pode ser tomados junto?

    Diosleg-forte e Varfarina pode ser tomados junto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. David Seraphim Neto

    Boa pergunta, e importante você ter levantado isso.
    O Diosleg-forte é um medicamento à base de diosmina e hesperidina, basicamente um flavonoide que ajuda na circulação venosa, muito usado para varizes e hemorroidas. A Varfarina, por outro lado, é um anticoagulante: ela afina o seu sangue para evitar coágulos.
    O problema é que a diosmina pode potencializar o efeito da Varfarina, ou seja, pode fazer o sangue ficar mais "fino" do que o planejado, aumentando o risco de sangramentos. Não é uma combinação proibida, mas é uma combinação que exige atenção.
    O que eu faria na sua posição: antes de tomar os dois juntos, avise o médico que te prescreveu a Varfarina. Ele provavelmente vai pedir um exame chamado INR, que mede o quanto o seu sangue está coagulando, para ver se está dentro do esperado. Se estiver equilibrado, tudo bem. Se subir muito, pode ser necessário ajustar a dose.
    Nunca tome os dois sem essa conversa. Não porque é perigosíssimo, mas porque é fácil de monitorar e evitar qualquer problema.


  • Tomo 900mg de lítio, também tomo diurético, minha litemia está em 1,18, o que fazer? Tenho muito med

    Tomo 900mg de lítio, também tomo diurético, minha litemia está em 1,18, o que fazer? Tenho muito medo de me intoxicar. Médico mandou continuar, mas não acho uma boa ideia.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. David Seraphim Neto

    Seu medo é muito válido, e eu vou te explicar o porquê.
    A litemia é o exame que mede quanto de lítio está circulando no seu sangue. O nível ideal fica entre 0,6 e 1,2 para a maioria das pessoas. Você está em 1,18, ou seja, ainda dentro do limite, mas bem no teto. Não é intoxicação, mas é o sinal que o corpo está dando que não tem muito espaço para subir mais.
    Agora vem o ponto que te preocupa com razão: o diurético. Quando você usa diurético, seus rins passam a reter mais lítio em vez de eliminar. É como se a torneira de saída do lítio ficasse pela metade. Resultado: o nível no sangue tende a subir, especialmente nos dias que você transpira mais, bebe menos água ou come menos sal.
    Seu médico pode ter razões para manter o diurético mesmo assim, e pode ser uma decisão correta, mas o que não dá é continuar sem monitoramento frequente. Em tese, com essa combinação, a litemia deveria ser verificada a cada 2 a 4 semanas, não a cada 3 meses.
    Enquanto isso, algumas coisas que você pode fazer agora para se proteger: beba água regularmente ao longo do dia, não corte o sal da dieta de repente (pode parecer estranho, mas pouco sódio faz o rim reter ainda mais lítio), e fique atento aos sinais de intoxicação: tremor nas mãos piorando, confusão mental, tontura, visão embaçada, diarreia ou vômito sem motivo aparente. Se aparecer qualquer um desses, vá a uma UPA ou pronto-socorro e avise que está usando lítio, isso muda toda a conduta.
    Converse com seu médico de forma direta, peça para ele te explicar qual nível seria o gatilho para reduzir a dose e com que frequência ele quer repetir a litemia. Se você não sair da consulta com essas respostas, peça uma segunda opinião. Seu medo não é exagero, é bom senso.


  • tenho visto muitas notícias de infarto fulminante em jovens, ate mesmo os sem histórico de problemas

    tenho visto muitas notícias de infarto fulminante em jovens, ate mesmo os sem histórico de problemas. Como se prevenir? fiquei com medo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. David Seraphim Neto

    Esse medo que você está sentindo é natural, e mostra que você está prestando atenção no que acontece ao seu redor. Mas antes de entrar em pânico, deixa eu te explicar o que realmente está acontecendo. O que a mídia chama de "infarto fulminante em jovens" na maioria das vezes não é um infarto clássico do coração entupido, esse costuma ter aviso. O que mata jovens de repente geralmente é uma arritmia grave, ou seja, o coração perde o ritmo de forma abrupta e para de funcionar. E o pior é que, na maioria dos casos, a pessoa não sabia que tinha nada.
    Por que isso acontece? Existem condições silenciosas que ninguém investiga porque o jovem "parece saudável". As mais comuns são: um músculo do coração levemente espessado demais (cardiomiopatia hipertrófica), um distúrbio elétrico no coração que só aparece no eletrocardiograma (como a síndrome de Brugada ou QT longo), pressão alta não tratada desde cedo, ou até uma miocardite (inflamação no coração depois de uma virose que a pessoa "superou" sem saber).
    O que mais me preocupa nesse cenário, a maioria dessas condições tem cura ou controle, e o problema é que ninguém foi investigar porque o paciente nunca desmaiou, nunca teve dor no peito, nunca teve histórico familiar conhecido. Então o que você pode fazer agora, de forma prática:

    Primeiro -> preste atenção em sinais que o corpo manda e que muita gente ignora: desmaio ou quase-desmaio durante ou após exercício, coração acelerado sem motivo que demora para voltar ao normal, falta de ar desproporcional ao esforço, ou dor no peito que passa e volta. Qualquer um desses merece investigação, não analgésico.

    Segundo -> pergunte à sua família. Alguém morreu de repente antes dos 50 anos? Pai, mãe, tio, irmão com problema cardíaco jovem? Isso muda tudo na avaliação de risco.

    Terceiro -> faça um check-up cardíaco básico. Não precisa de exame caro. Um eletrocardiograma simples, pressão arterial, glicose, colesterol e uma consulta com atenção já captam a maioria das situações de risco. Custa pouco e pode mudar a história.

    Quarto -> cuide do que está na sua mão agora: não fume, evite energéticos em excesso (a combinação cafeína + estimulantes sobrecarrega o sistema elétrico do coração), durma bem, controle o estresse crônico e se for fazer atividade física intensa, faça com acompanhamento médico.

    A mídia assusta porque notícia de jovem saudável morrendo de repente é chocante e vende. Mas, o que ela não conta é que, na maioria desses casos, havia um sinal que foi ignorado ou uma condição que nunca foi investigada. A boa notícia é que com um check-up simples e atenção aos sinais do próprio corpo, dá para se proteger muito. Se você quer ter certeza que está tudo bem com o seu coração, marca uma consulta. A gente investiga juntos e você dorme tranquilo.


  • O medicamentoXarelto interfere no resultado do exame toxicológico?

    O medicamentoXarelto interfere no resultado do exame toxicológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. David Seraphim Neto

    Boa pergunta, e imagino que muita gente que usa esse medicamento já ficou com essa dúvida, principalmente quem precisa fazer o exame toxicológico para trabalhar como motorista profissional.
    A resposta curta é: não, o Xarelto não interfere.
    O Xarelto (rivaroxabana) é um anticoagulante, ele age no sangue para evitar a formação de coágulos. Mas o exame toxicológico não está procurando anticoagulantes. Ele é feito para detectar substâncias como cocaína, maconha, anfetaminas, opioides e benzodiazepínicos. Drogas com ação no sistema nervoso central. São "mundos" completamente diferentes dentro do organismo. O Xarelto não pertence a nenhuma das classes investigadas no exame, então ele não aparece no resultado e não causa nenhum "falso positivo". O que pode gerar confusão é o seguinte: alguns medicamentos de uso comum, como certos antigripais, remédios para dor ou até chás, podem sim interferir em determinados exames. Mas no caso do Xarelto, isso não acontece.
    Uma orientação importante é independentemente do medicamento que você usa, sempre informe ao laboratório ou ao médico responsável pela coleta quais remédios você está tomando. Isso fica registrado no laudo e garante que, se houver qualquer questionamento, você está protegido com a documentação correta. Então pode ficar tranquilo, usar Xarelto não vai comprometer o resultado do seu exame toxicológico.


  • Até que ponto a neurocisticercose pode matar?

    Até que ponto a neurocisticercose pode matar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. David Seraphim Neto

    Essa é uma pergunta importante, e merece uma resposta honesta, sem exagerar o susto, mas também sem minimizar. A neurocisticercose pode sim ser grave, e em casos extremos, fatal. Mas o mais importante é entender que isso depende muito de como a doença se apresenta em cada pessoa. Ela é causada por uma larva da Taenia solium (a tênia do porco) que se instala no sistema nervoso central. O problema não é só a larva em si, é a reação que o organismo tem ao redor dela, e onde ela está localizada. Os casos mais perigosos envolvem muitos cistos ao mesmo tempo, gerando inflamação intensa no cérebro e cistos dentro dos ventrículos (os "canais" do cérebro), que podem bloquear a circulação do líquido cefalorraquidiano e causar hidrocefalia, pressão dentro do crânio que pode ser fatal se não tratada. Pode acontecer também cistos no tronco cerebral, região que controla funções vitais como respiração e batimentos
    Os sintomas mais comuns, como crises convulsivas e dores de cabeça, costumam ter bom controle com tratamento. A maioria das pessoas tratadas adequadamente evolui bem.
    O grande risco está em diagnosticar tarde ou não tratar. Por isso, qualquer sintoma suspeito como convulsão de início recente, dor de cabeça persistente ou alterações neurológicas deve ser investigado com urgência. Com diagnóstico correto e acompanhamento médico, a doença é tratável. Mas não é algo para enfrentar sozinho ou ignorar. Se você tem alguma dúvida sobre um caso específico, consulte um médico. Isso faz toda a diferença no desfecho.


Perguntas frequentes

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