Perguntas do paciente (39)

  • Fui diagnosticada com TEPT (transtorno de Estresse Pós Traumático). Minha psiquiatra me encaminhou p

    Fui diagnosticada com TEPT (transtorno de Estresse Pós Traumático). Minha psiquiatra me encaminhou para fazer tratamento EMDR pois é o melhor tratamento para trauma, segundo a OMS.
    Poderia me explicar como funciona o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, realmente chama atenção o componente ocular do EMDR e eu faria a mesma pergunta ao saber de primeira vista que uma prática tão inusitada tem sucesso.

    Vale entender que se trata de uma psicoterapia estruturada, que tem manuais assim como outras, e seria um equívoco resumi-la ao movimento ocular. Não me arrisco a explicar muito, sem trabalhar com essa abordagem, mas ressalto que a mesma recomendação da OMS traz como primeira linha para TEPT algumas práticas focadas no processamento traumático, incluindo TCC (individual ou em grupo, presencial ou online) e não apenas EMDR. O que a OMS realmente busca especificar é o foco no trauma.

    Digo isso para que você não deixe de fazer uma psicoterapia se não conseguir acessar o EMDR, já que a eficácia desta é bem mais equivalente do que superior às outras. Claro, siga a conduta da psiquiatra que te avaliou e priorize o acompanhamento, inclusive retornando a ela caso ocorra de não acessar o que foi indicado. Ela certamente deseja uma intervenção nessa arquitetura psicopatológica que é organizada pelo trauma, pois esse é o diferencial do TEPT dentre as várias síndromes de sintomatologia ansiosa-depressiva por traumas mais ou menos específicos.


  • Tenho tido insônia nas últimas semanas, principalmente associada à ansiedade. O problema começou apó

    Tenho tido insônia nas últimas semanas, principalmente associada à ansiedade. O problema começou após uma noite em claro, quando fui dormir muito tarde depois de estudar no tablet e não consegui dormir, o que me deixou bastante ansioso. Isso veio após semanas já ruins de sono por conta de uma alergia.

    Depois disso, entrei em um ciclo em que a preocupação com o sono passou a atrapalhar. Consultei um psiquiatra e comecei Donaren 50 mg, tendo cerca de uma semana de melhora. Porém, um episódio em que um barulho atrapalhou meu sono (dormi só cerca de 2 horas) reativou a ansiedade. Desde então, ao deitar, fico ansioso com a possibilidade de não dormir.

    Sempre tive um intervalo normal de 30 a 60 minutos para pegar no sono, mas agora esse tempo virou gatilho de ansiedade.

    Minha higiene do sono está bem estruturada: desligo o celular às 20h, uso luz baixa e amarela, tomo banho antes de dormir, mantenho o quarto fresco e uso melatonina sublingual.

    Durante o dia, a ansiedade é bem menor (às vezes nem penso nisso), mas à noite surge uma antecipação do problema.

    O que eu poderia fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, uma resposta bem direta seria levar, na segunda consulta ao psiquiatra, a queixa mais detalhada dessa ansiedade disfuncional. Por experiência prática na Atenção Básica, sei que a trazodona (Donaren), nessa dosagem mais baixa, é a primeira linha de intervenção medicamentosa para insônia; portanto a proposta farmacológica em si foi a mesma que um clínico geral faria. Mas já fica claro que o problema é secundário, tendo como gatilho a preocupação de não dormir. Parece irônico, mas uma disfunção muito frequente da ansiedade é quando você tem uma preocupação perfeitamente razoável, mas cujo objeto não tem qualquer benefício de um reação ansiosa do corpo. (Similar ao mecanismo dos problemas de ereção mais comuns em jovens.) Dormir bem é fundamental para qualquer pessoa, por isso o psiquiatra deve pensar uma alternativa mais adequada ao seu contexto; mas chama muito minha atenção o fato de ter se instaurado esse padrão de ansiedade, e como esse padrão pode estar se repetindo em diversos aspectos da vida. Não seria nenhum exagero considerar uma avaliação mais ampla, inclusive com psicoterapia, pois provavelmente há mecanismos psíquicos apresentando questões que vão muito além da insônia.


  • É comum estar afim de alguém e mesmo assim continuar em negação? dizer que não está?que não quer?

    É comum estar afim de alguém e mesmo assim continuar em negação? dizer que não está?que não quer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Sim, e digamos que não há nenhum problema nisso que você chama de negação, se ela tiver uma função saudável na vida da pessoa, como por exemplo o desejo de se proteger de um envolvimento que pode ser nocivo, mesmo que o outro seja atraente ou agradável em vários aspectos. Pode-se citar muitos outros motivos, desde os mais óbvios até os menos conhecidos, que não apontam para nada de interesse clínico: negar por já ter um compromisso, por não ser ético admitir esse interesse, ou por saber que vive um padrão de relações conturbadas, ou até por preferir viver sozinho, por ter uma personalidade esquizoide ou esquizofrenia — pessoas que não deixam de desejar, mas que podem viver muito bem solteiras para sempre.

    Tudo isso que eu citei também pode fazer parte de uma demanda para cuidado psicológico, mas quem decide se isso é uma demanda é somente a própria pessoa que vive seus conflitos internos (sofrer por querer e não poder; querer e não dever; dever e não querer, etc.) e nunca um terceiro. Os problemas mais graves na nossa sociedade envolvem, na verdade, a importância de respeitar a decisão do outro sobre si mesmo, e não tentar atribuir uma doença só porque a pessoa passou a, por exemplo, rejeitar seu próprio companheiro, mesmo havendo uma atração.


  • Sempre fui uma pessoa tímida e reservada, ao entrar para o mundo corporativo me deparei com situaçõe

    Sempre fui uma pessoa tímida e reservada, ao entrar para o mundo corporativo me deparei com situações desconfortáveis. Um simples almoço em grupo me deixava nervosa e tensa, eu sentia meu rosto queimar, mal conseguia pegar na colher sem tremer, muitas das minhas interações sociais me dão nervoso, não consigo ficar em um ambiente com muita gente me causa desconforto, quando o assunto não sou eu eu fico tranquila, mas quando se direcionam a mim eu fico nervosa, sem graça e envergonhada e estranhamente sinto vontade de chorar e sair correndo, queria saber se isso seria um possível quadro de ansiedade social e porque quando estou interagindo com alguém e eles brincam comigo e eu fico sem graça e sinto vontade de chorar? Fico mal com isso por que não entendo o porquê....

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, que situação difícil, e você tem toda razão em buscar ajuda, pois está vivendo um conflito muito claro. O sofrimento não parece suportável e, ao mesmo tempo, você quer trabalhar, só que essas situações não são nada fáceis de evitar nos ambientes de trabalho — e não apenas no mundo corporativo.

    Sim, parece muito envolver uma ansiedade relacionada a dificuldades na socialização. Ou seja, a ansiedade nessa forma mais generalizada ocorre em razões de problemas que existem primeiro. As dificuldades podem ser inúmeras e muito diferentes, por isso precisa dos profissionais que avaliem sua situação.

    Uma das primeiras perguntas que eu te faria, para uma primeira intervenção, é como você avalia a possibilidade de ter suporte imediato de alguém confiável no seu grupo de trabalho, ou qualquer pessoa que possa ajudar a tirar de você esse foco coletivo que ainda te gera tanto estresse quando ocorre. Isso é real, não é nenhuma frescura. Você pode e, se puder, até deve se posicionar quanto a isso.

    Os outros estão brincando porque estão confortáveis, mas você não está. Imagine se eles estivessem sentados em espinhos afiados, será que estariam brincando do mesmo jeito, sentados na mesa do almoço?

    Desejo sucesso na sua busca por ajuda profissional, e recomendo sim uma atenção psicológica, e perseverança no tratamento para que os profissionais envolvidos te acompanhem devidamente e cheguem a uma boa avaliação do seu principal problema. Lembre-se que a última coisa que você precisa no momento é se culpar.


  • Cometi um erro leve no trabalho, corrigi e deu tudo "certo" porém minha mente ficou pensando muito n

    Cometi um erro leve no trabalho, corrigi e deu tudo "certo" porém minha mente ficou pensando muito no erro que cometi e como eu iria me explicar mais tarde, tentei me acalmar mentalmente porem sem sucesso. Nesse momento fiquei muito tensa, senti primeiro uma vontade de chorar, depois veio a tremedeira, fui ao banheiro e meu coração estava acelerado.
    Isso seria ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Sim, o que você relata, se não houver outras causas, descreve muito bem uma ansiedade disfuncional, que parece atrapalhar sua vida em vez de te ajudar a resolver problemas realmente difíceis e/ou urgentes.

    Ansiedade é fundamental para a vida, para se proteger e se preparar para grandes batalhas, mas nada disso é o caso do seu pequeno erro, que foi o disparador de toda uma reação culminando na crise e bastante sofrimento.

    Porém, se o seu corpo reage a essa expectativa de "preciso me explicar mais tarde" com tanta necessidade de preparo e senso de urgência, é porque você com certeza tem seus motivos para se sentir assim. Não é um defeito, você só precisa do devido suporte para não acabar muito adoecida "se preparando para todos os futuros possíveis".

    Por isso a terapia psicológica é muito importante nos distúrbios da ansiedade, independente se necessita também de uma terapia medicamentosa. Eu gosto de explicar a medicação para casos de ansiedade como sendo uma estratégia de te "desafogar" para que possa nadar com seus próprios braços nesse mar conturbado de emoções, e encontrar seus portos seguros.


  • Sinto muita farqueza ,tremedeira ânsia de vômito e tontura a algum tempo ,isso pode ser relacionado

    Sinto muita farqueza ,tremedeira ânsia de vômito e tontura a algum tempo ,isso pode ser relacionado a ansiedade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, pode sim, mas é importante relatar ao seu médico para considerar outras possíveis causas, mesmo que sofra de ansiedade generaliza. O fato é que, sim, tudo isso são sintomas físicos possíveis quando você tem ansiedade com alta frequência e/ou intensidade — e é relativamente comum que os sintomas físicos sejam o único relato do paciente que ainda não sabe que sofre de uma ansiedade patológica. Recomenda-se começar pelo clínico geral (pelos motivos da minha primeira frase) e, caso não haja uma causa orgânica e atenda aos critérios de um distúrbio da ansiedade, você provavelmente terá indicação para o tratamento psicológico em conjunto com a atenção médica.


  • O que acontece se eu não tiver nada para falar na sessão? Muitas vezes nada vem a minha cabeça e não

    O que acontece se eu não tiver nada para falar na sessão? Muitas vezes nada vem a minha cabeça e não aconteceu nada de novo na semana

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, sua dúvida merece toda atenção.

    Não ter o que chegar falando é comum, e é claro que vai trazer a sensação muito incômoda de estar indo para uma sessão desperdiçada.

    Mas posso te afirmar com toda segurança técnica: Não prejudica de forma alguma o benefício da terapia, quando o trabalho é devidamente conduzido pelo profissional psicólogo.

    Pelo contrário, se você faz terapia, é porque tem uma demanda psicológica, e o terapeuta está trabalhando em organizá-la, por isso os momentos em que você não tem novidades ou não conseguiu fazer a "tarefa" da sessão anterior, tornam-se informação clínica de grande valor.

    Tanto pacientes quanto psicoterapeutas frequentemente relatam que as sessões sem novidades pré-prontas acabam gerando elaborações muito ricas, pois exploram a demanda original a partir desse momento da vida em que você não percebeu a própria demanda em ação.

    Portanto, se eu puder ajudar com uma resposta muito direta à sua pergunta de "o que fazer", diga exatamente que não tem nada para falar, que nada veio em mente, que não percebeu nada relevante acontecer. Isso já é valioso.

    Terapia não exige que a pessoa "se abra" e, caso a demanda de fato envolva uma necessidade de se abrir, é por isso que o terapeuta precisa ser profissional e estar perfeitamente confortável em te ajudar nisso.

    Nossos pacientes são muito diversos, com diversas limitações, e nada disso os torna incapazes de trabalhar as demandas junto ao profissional. Repito: muito pelo contrário. Isso é nosso trabalho.


  • Olá, tenho 19 anos de idade e desde os 10 tenho feito algo que me sinto mal... lá em 2016 uma vez mi

    Olá, tenho 19 anos de idade e desde os 10 tenho feito algo que me sinto mal... lá em 2016 uma vez minha mãe me deixou de castigo, na época estava passando cúmplices de um resgate (novela) e ela não me deixou assistir, mas ao tentar dormir pensando em uma cena (cena onde a vilã prende a protagonista no porão) comecei a me movimentar e sentir algo na parte in..... Foi aí que tudo começou...Como eu era criança eu não sabia o que era, mas isso foi se tornando recorrente, toda vez que eu visse alguma cena em séries, novelas e filmes onde pessoas eram sequestradas/amarradas, eu "sentia prazer" e comecei a procurar vídeos até na internet. Eu me sinto mal em me excitar vendo esse tipo de cena de perigo (ficcticio), eu nunca passei por esse tipo de coisa ou trauma relacionado e nem quero. Já tentei parar diversas vezes, às vezes a área por enquanto período mas sempre volta e não consigo contar para ninguém. Eu realmente gostaria de ajuda e explicações, quero parar com isso definitivamente.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, vamos com calma, sabendo que você quer explicações, e já vou te adiantar que essa é uma ótima questão para terapia, teu lugar seguro junto com um profissional que vai te conhecer muito melhor. Estamos falando de um comportamento privado, que te incomoda bastante, mas que, justamente por ser da sua intimidade, é bem esperado que você não consiga contar para outras pessoas — você já está fazendo bastante ao trazê-lo aqui. Você traz com culpa, com frustração de querer parar e não conseguir — portanto, um sofrimento típico de uma compulsão. Muitas explicações vão envolver essa curiosidade erótica sobre algo que foi proibido para você, em uma idade na qual já começamos a explorar as fantasias possíveis com uma crescente influência genital. Vale lembrar que existe sexualidade em todas as fases da vida, envolvendo a busca por prazer e as relações de poder. Ela nos move, e não é nada raro que esse movimento seja a busca por um suposto “prazer perdido” principalmente quando parece que estão restringindo o teu acesso a algo muito interessante. Mas essa coisa se torna uma ideia. Toda memória de infância é muito editada pela mente, acaba sendo uma memória da memória da memória… Portanto, você hoje descreve uma fantasia, de um tipo que não é nada raro, mas que não te define de forma alguma, ela apenas faz parte do teu “repertório sexual” no momento. Então a pergunta: o que posso fazer pelo teu sofrimento antes de você começar essa terapia? Primeiro, que o sentimento de culpa não ajuda. Não é proibido fantasiar e nada te obriga que a fantasia faça sentido na vida real — talvez até pelo contrário seja isso que te prenda a esses pensamentos e tantos outros que pode estar tendo sobre si e que estão sendo disfuncionais. Importa muito o que você pensa sobre si e que isso não seja negativo. Em segundo lugar, saber que a sexualidade muda ao longo da vida, e que os desejos não precisam apontar para um objetivo final. Um bom profissional também vai poder avaliar quais são as dificuldades que te atrapalham a experimentar na vida social a sexualidade adulta, seja qual for. Não se trata de ver os desejos como inimigos, como aberrações, e sim de ir encontrando a conexão entre eles e a realidade, para que a transformação aconteça. Espero que algo nessas palavras te ajude e, acima de tudo, que não se cobre tanto, que se respeite sempre. A terapia também é uma grande forma de se respeitar.


  • Sinto uma sensação estranha as vezes olho para as coisas parece que perdem o sentido , como se a ane

    Sinto uma sensação estranha as vezes olho para as coisas parece que perdem o sentido , como se a anestesia mental que temos ao viver intensamente sem se preocupar com a existência deixasse de funcionar comigo , as vezes sinto uma sensação estranha como se mesmo sabendo que estou ali não parecer que eu estou ali , as vezes consigo me distrair e só assim consigo não perceber essa sensação, aí quando me dou conta que eu tava distraído fazendo alguma coisa a minha mente volta com aquilo e faz parecer que aquele momento não foi vivido por mim , e aí eu volto pra sensação e as coisas perd, as vezes essa sensação vem de uma maneira que eu sinto até um medo , mas um medo enorme , que eu fico sem saber o que fazer , as vezes quando estou em casa vendo tv a noite e estou muito tempo olhando pra tv tudo ao redor fica estranho mas essa é a sensação que menos me persegue , parece que tudo se torna um passado muito rápido eu olho para um lado quando olho pro outro a minha mente já largou aquela primeira olhada pra longe fazendo parecer que tudo que não estou vivendo aquilo 100% como se tivesse faltando algo , só quando eu durmo que eu me sinto mais aliviado, porque quando eu sonho eu não sinto essa sensação , o fato de não saber se meu sonho é real ou não me faz viver o sonho como se fosse a vida real e me traz essa sensação e eu até esqueço dessa sensação, mas quando acordo sinto que vou ter que encarar mais um dia inteiro com essa sensação me perseguindo e tentando de tudo pra fazer ela sumir , mas mesmo sabendo que é algo psicólogico e sabendo que eu sou real e tenho um propósito de vida , essa sensação me faz parecer que tô vivendo por viver , fazendo as coisas que eu sei que tenho que fazer mas parecer que eu não estou fazendo , as vezes sinto que tô tendo uma crise existencial , parece que tudo ao meio redor não faz sentido e aí eu sinto uma angústia, e mesmo tentando ignorar parece que meus pensamentos estão falando sobre essa crise bem baixinho e eu ainda consigo escutar eles e tenho uma sensação horrível de crise existencial

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, posso dizer tranquilamente o que esses fenômenos me parecem no sentido clínico, mas vale primeiro ressaltar o plano de fundo da sua descrição: uma vivência de angústia, ansiedade, uma forte vigilância de si, e que pode estar mobilizando esses sintomas. Não é uma “crise existencial” de ordem filosófica, nem “loucura”, nem delírio, nem está apresentando claramente sinais de alterações neurológicas. Os fenômenos que você descreve parecem muito com sentimentos de despersonalização e desrealização, que chamamos de sintomas dissociativos e que podem acontecer em muitas situações diferentes. Como você diz que, mesmo com todo o sofrimento, você acha tudo isso estranho e sabe que a experiência não é real, podemos descartar todo tipo de “loucura” e olhar para um ciclo de angústia onde você estranha a si e ao mundo e isso aumenta ainda mais a ansiedade. Vale muito você estar procurando ajuda. O que não vale a pena no momento é ficar em disputa mental ou pensando que vai piorar. Esse tipo de sintoma merece ser avaliado por um profissional e vai melhorar muito com acompanhamento psicológico e, em alguns casos, psiquiátrico. Sinta-se acolhido(a) e espero ter ajudado!


  • tenho 18 anos e acabei de terminar o ensino medio. durante esses 3 anos eu tive diversas amizades, n

    tenho 18 anos e acabei de terminar o ensino medio. durante esses 3 anos eu tive diversas amizades, nenhuma delas durou e hj em dia tenho muitas pessoas q nao gostam de mim e falam coisas ruins sobre mim. talvez eu seja uma pessoa ruim e difícil. eu sinto um sentimento de culpa quando to perto de alguem q eu gosto, como se eu nao merecesse. eu me saboto nessas relações e qualquer coisa é motivo de afastamento, e eu nunca converso ou aviso a outra pessoa. eu quero ter amigos, ainda tenho esperanças. mas sinto q tem algo de muito errado cmg, só posso confiar na minha familia e mesmo assim parece q a qualquer momento algo vai estragar minha relação com eles. O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Que bom que traz isso como questão, pois ela é legítima e envolve riscos importantes, onde o apoio fornecido pelo seu círculo social leigo se torna difícil e frustrante. Recomendo a terapia com um psicólogo experiente, que com certeza já terá acompanhado pessoas com instabilidade nas relações, e arrisco dizer que você gostaria muito. Em uma linguagem profissional comum, provavelmente estamos falando de traços de personalidade, que não são "errados" de forma alguma, mas com aspectos disfuncionais que podem ser trabalhados contribuindo muito para sua qualidade de vida. Reparo no seu texto a dificuldade em avaliar as relações, ao mesmo tempo que sente muita necessidade delas e muita desconfiança. Torna-se uma bola de neve. Mas você não está só e precisa sempre se lembrar dessa dificuldade que te "engana" sobre a real situação das pessoas em relação a você.


  • Meu medo de baratas fazem eu ficar em hipervigilancia todos os dias a noite e a um anos atrás eu jog

    Meu medo de baratas fazem eu ficar em hipervigilancia todos os dias a noite e a um anos atrás eu joguei minha cama fora e durmo no sofá porque entrou uma barata nela, eu não consigo dormir ou ficar em um local em que acabou de matar uma barata eu não consigo é desconfortável, tenho nojo e medo, apareceu uma na paredede quando eu estava com muito sono e do nada minha visão saiu de embaçada pra nítida quando eu vi ela, eu tentei matar mas ela fugiu e quando ela voou em mim eu entrei em desespero e meu coração acelerou desviei e pisei nela no chão não consegui dormir depois, sempre que eu vejo uma ou ouço falarem de uma barata aqui em casa eu tenho que ter a certeza que ela teve um fim se não eu não fico bem, quando eu tinha 13 anos dormi na casa da minha vó e lá era normal eu matava várias sem problemas, aí nessa mesma noite eu estava no escuro jogando e tinha uma no meu ombro, eu me desesperei e liguei a luz e ela desapareceu, depois daí tive que dormir com a luz apagada pra não incomodar minha vó, aí daí eu já não era mais o mesmo sempre que tinha barata eu tinha que dar um fim nela e meu medo coisa que eu não tinha ficou muito grande, agora tenho 20 anos e não suporto baratas, não consigo ter paz só pela existência delas, eu não sou como minha irmã que matava elas pra mim ou amigos eles não sentem o mesmo que eu, agora que minha irmã não está dormindo aqui, eu tive que criar coragem pra matar as baratas que apareciam achei que eu tinha melhorado mas não, eu tenho muito medo e cada vez que eu chego perto ou elas estão perto ou voando meu coração acelera parece que tem algo gelado dentro de mim e eu mato no susto, por necessidade
    Sou homem ainda por cima se eu falar disso pra alguém vão me chamar de fresco, e nem me levariam a sério eu acho, mas eu realmente queria uma ajuda pra saber como melhoro disso, é exaustivo
    Mesmo uma barata no canto da parede mais distante tira minha paz e eu não consigo ficar bem

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Primeiramente, chega a ser um consenso cultural que a barata é um grande estímulo aversivo. Os sentimentos de não estar em conformidade com o que se espera de um homem, provavelmente não contribuem e só atrapalham. Muitas pessoas falam — e você pode falar — que têm "fobia de barata" justamente para contornar esse constrangimento social, para os outros entenderem que não se trata de um medo que você tenta validar racionalmente. É claro que a terapia pode e vai ajudar, focada nesse problema específico. Eu não sou o psicólogo que prega "terapia para todos", mas você veio até aqui nos dizer o quanto isso atrapalha sua vida, então é muito importante, muito válido. No mais posso dizer, como pessoa interessada em insetos e outros animais que historicamente "assustam" todo mundo, que conhecer melhor o objeto do seu medo é uma forma acessível de melhorar. Esse objeto te dá medo em um contexto, em um ambiente, principalmente sua própria casa. Acho válido dizer que você pode conhecê-lo fora desse contexto aterrorizante, pesquisando por exemplo a biologia do animal, quais os fluidos dele e como ele faz para viver assim como todos nós. É engraçado eu dizer isso? Sim, e essa graça pode ser útil. A barata, como toda fonte de medo, está sendo um problema que você se considera incapaz de resolver sozinho, mas você é capaz, com tranquilidade de sobra. Não agora, mas será. Você tem uma inteligência que a supera infinitamente, ao ponto de poder saber até onde elas estão vivendo, em algum lugar dentro ou muito perto da sua casa, onde há abrigo e umidade com material orgânico, essa é a verdade. Não temos que dar conta de tudo, mas de tudo damos alguma conta. Como tornar esse problema mais acessível?


  • Venho me sentindo sozinha, tem um tempo que sinto que moro com fantasmas, cada um imerso no próprio

    Venho me sentindo sozinha, tem um tempo que sinto que moro com fantasmas, cada um imerso no próprio mundo. Minha mãe não fala comigo a uma semana, e hj é véspera de Natal, sinto que todos os feriados perderam o significado. E tem esse sentimento que nunca vai embora essa "companhia" constante, essa tristeza que me afoga. Tenho sentido muitas dores de cabeça, pescoço rígido e uma angústia crescente.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, é provável que a solidão seja muito difícil para você, o que leva à sensação de estar acompanhada para não lidar com a angústia de não estar. Esse fenômeno ocorre bastante em pessoas com sentimento crônico de vazio e com sentimentos instáveis sobre as relações. Percebo que escolheu a psicoterapia como tema da pergunta, e você está certa: a psicoterapia é muito recomendada para isso, até porque você traz sinais de um agravamento importante, mas que na clínica médica sozinha poderia ter muita frustração ao procurar causas orgânicas para as dores, tensões e alterações da percepção. Buscar terapia é o respeito que seu sofrimento merece.


  • Olá , rudo bem ! Então meu filho 04 anos , ele tem comportamento como se não tivesse educação, não q

    Olá , rudo bem ! Então meu filho 04 anos , ele tem comportamento como se não tivesse educação, não quer obedecer ele é agitado quer todo no tempo ,mas agora deu de gritar com os olhos fechados , e as vezes quanto vou repreende não quer ouvir e colocar a mão na cabeça reclamando que cabeça dói e está muito barulho, ja conversei e coloquei de castigo e nada adiantou , mas quanto está em público fica ainda mas agitado tipo querendo sempre chamar a atenção, o que devo fazer

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Muito importante e levanta diversas hipóteses de transtornos da infância, que não são culpa sua nem de ninguém. Em primeiro lugar, não caia no julgamento alheio: não existe receita de bolo para educar um filho. Um profissional experiente na orientação de pais deve te recomendar logo de início interromper as punições e cobranças, e vai pensar com você as estratégias para que a vida do seu filho não seja tão difícil para ele. Sim, quando o cuidador está sofrendo, é sinal de que a criança também está. Ele tem 04 anos e demonstra necessidade de suporte ofertado com leveza e paciência, escolhendo uma batalha de cada vez. Quanto a chamar atenção, lembre-se que atenção é algo prazeroso, é reforçador, e ele vai aprender muitas habilidades que precisa aprender, se for dada atenção quando ele pratica essas habilidades. Ele ser agitado é mais um sinal de que, para seguir comandos de forma organizada, e para organizar suas próprias ideias considerando os outros, ele precisa de referências acessíveis, rotina, previsibilidade, várias coisas bem simples e práticas que podem te ajudar muito. Parabéns pela busca de apoio profissional, você está no caminho certo, não pare.


  • Como posso lidar com a minha bissexualidade? Sou homem e sempre tive interesse afetivo por mulher

    Como posso lidar com a minha bissexualidade?

    Sou homem e sempre tive interesse afetivo por mulheres, mas, de tempos em tempos, acabo assistindo pornografia gay e vendo imagens de homens nus.

    Recentemente, comecei a sair com garotos de programa (passivo) e também com um colega gay afeminado (versátil - ativo e passivo). O grande problema é que tenho uma namorada por quem sempre senti atração, mas, ultimamente, percebo que meu desejo por homens (másculo e viris) — e gays afeminados — tem sido mais intenso. Além disso, tenho um fetiche de usar lingeries.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, você está conseguindo trazer para um espaço de saúde uma questão legítima e muito mais comum do que parece, que envolve uma infinidade de julgamentos morais e que, por isso, vai se confundir com todas as regras sociais sobre o comportamento privado. No meio disso tudo, a sua vivência dessa complexidade que é o desejo (se é mais intenso, como, onde, quando...). Não por ser minha profissão, mas preciso dizer o quanto importante é o psicólogo para você elaborar esse conhecimento sobre si com um profissional e ser humano a quem não interessa te julgar moralmente nem se guiar por uma forma mais "certa" de viver. Costumo dizer que a maior diferença da psicologia é na relação com a defesa do sujeito, com a validação do seu sofrimento onde quase ninguém — talvez nem você mesmo — o percebe como real e legítimo. Pra finalizar, você tem minha empatia. A bissexualidade é normal e não significa que te limita a essa ou qualquer outra forma de viver.


  • Tenho dificuldade de me abrir em terapia; começo por onde?

    Tenho dificuldade de me abrir em terapia; começo por onde?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, a resposta mais objetiva é que isso te faz uma pessoa perfeitamente pronta para terapia. O que você traz nessa pergunta é uma confusão muito comum gerada pela própria imagem que a psicologia transmitiu à sociedade por muito tempo. Eu mesmo, depois de atender e observar o enorme benefício da terapia a tantas pessoas que se consideravam incapazes de se abrir, já passei a afirmar abertamente que terapia não é para se abrir! Não é o objetivo que ela tem ao começar. Mesmo que isso seja uma demanda real da pessoa, ela está diante do profissional certo para trabalhar isso. Mas provavelmente na maioria das vezes (1) não faz parte da demanda e (2) não prejudica em nada a terapia, e o paciente percebe isso já nos primeiros atendimentos.


  • A ansiedade social me isola muito, perdi amizades devido a antigo relacionamento e ele nao queria eu

    A ansiedade social me isola muito, perdi amizades devido a antigo relacionamento e ele nao queria eu com meus amigos, enfim, acho q dei uma piorada, estou tomando remedios mas quero enfrentar sem e nao consigo, me sinto extremamente solitária

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Você tem muita razão de mencionar essa fase passada, pois relacionamento envolve um conforto social, uma forte identidade, uma situação que pode ter sido seu amparo nessa dificuldade específica. Mas chegou ao fim e você provavelmente passou pelo sofrimento do término, um sofrimento que tem tudo a ver com a perda de um modo de viver social que você construiu com essa pessoa, independente do quanto esse modo te limitou e fragilizou suas amizades, até de forma violenta. Mas tenha cuidado com as falas do senso comum. Embora eu seja psicólogo e não médico, devo frisar que o tratamento medicamentoso não é uma "muleta" e não significa que você só vai enfrentar o problema sem os remédios. Muito pelo contrário, o papel da medicação, quando bem acompanhada pelo especialista, é te ajudar a aprender, a praticar a mudança comportamental necessária, sem que essa prática seja um fardo e te prejudique ainda mais na ansiedade social. Outro lembrete que sempre faço aos pacientes nos momentos de psicoeducação é que os principais remédios na maioria dos tratamentos psiquiátricos não ajudam a "enfrentar" o problema no mesmo dia que você toma, e sim trabalham os seus sintomas ao longo de semanas e meses seguindo a prescrição. Dito isso, é claro que um profissional psicólogo tem tudo para contribuir, e até avaliar o que mais existe de complexo por trás da ansiedade social, que sempre ou quase sempre faz parte de um quadro muito maior.


  • Oi, tudo bem? Estou passando por algo que está mexendo muito comigo. Meu marido diz que me ama, m

    Oi, tudo bem? Estou passando por algo que está mexendo muito comigo.

    Meu marido diz que me ama, mas perdeu o desejo sexual por mim. E isso me afeta profundamente, porque o desejo é a forma como eu existo dentro da relação — é o que me faz sentir vista, amada e viva. Quando isso desaparece, eu também desapareço um pouco.

    Estou confusa, machucada e não sei como lidar com essa falta de desejo. Quero ajuda para entender o que está acontecendo e como posso seguir de um jeito mais saudável, comigo e com a relação.

    Obrigada.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá! Primeiramente parabéns pela forma que consegue descrever e trazer esse problema em um espaço de saúde, afinal você está procurando ajuda para "seguir" com o que você tem de mais potente na vida, que é você mesma. Casais sofrem muito por não serem suficientes um para o outro, o que é na verdade impossível. Na prática tem-se comprovado que os casais duradouros são aqueles que desenvolvem um funcionamento juntos, que dividem tarefas, e isso é complexo (e nem sempre saudável). O desejo sexual geralmente é volátil. Mas nenhum dos dois está necessariamente errado ou doente, no seu relato. Talvez o ponto mais importante para uma terapia é o fato de você conseguir perceber que o casal é muito mais do que isso, ou que você é muito mais do que isso, e por isso está procurando ajuda para que o sofrimento consiga passar por você e ir embora te deixando muito maior. Espero que faça algum sentido, e acima de tudo evite se culpar! É uma situação de sofrimento legítimo.


  • Faço terapia há mais ou menos 3 anos, mas mesmo assim costumo voltar para o mesmo estado de desânimo

    Faço terapia há mais ou menos 3 anos, mas mesmo assim costumo voltar para o mesmo estado de desânimo de sempre, antes achava que era preguiça, mas tenho vontade de fazer coisas mais ativas, mas meu corpo e minha mente parecem sempre quererem ficar em um estado constante de repouso. Tomo vitaminas e pratico atividade física regularmente, então não acredito que seja questão de saúde física, no entanto constantemente me sinto triste sem motivo, não consigo criar laços com ninguém e sempre evito ambientes com muitas pessoas porque é sufocante pra mim. Estou quase no fim da faculdade, porém não possuo perspectiva de futuro alguma, sinto que vou morrer sendo um fracasso, porque constantemente não me vejo como capaz de fazer o que tenho vontade, sinto que sou burra e que todos estão alcançando algo na vida, menos eu. Costumava desejar muito a morte, no entanto, sei que no fundo só gostaria de poder a vida sem saber que minha cabeça funciona de uma maneira completamente diferente das outras pessoas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá, vou tentar dizer algo que seja útil, considerando que você já é uma pessoa acompanhada por profissional que provavelmente te orienta nessas questões. A frustração de não sentir progresso não é tão rara, e nem tudo é possível sentir, mas o que eu considero mais importante nesse tipo de situação é dar atenção ao sentimento de que "não adianta" ou que "já tentei de tudo" ou que o esforço "não vale a pena" etc. Não apenas pelo indício de um estado depressivo crônico, mas também porque tratamentos levam anos e podem necessitar de mais profissionais envolvidos e mais intervenções a serem feitas. Não estou sugerindo que você tenha o "sentimento de esperança" que é tão difícil nesse estado que você relata, mas sim que você consiga se convencer de que está vendo a vida através da ótica desse estado de humor, e que você é muito mais do que isso. Se forem anos com essa queixa, eu espero que você tenha um diagnóstico de base (exemplo: espectro do autismo) que ajude a explicar e entender como te ajudar, mas vou além e gostaria de recomendar que você passe por acompanhamento médico/psiquiátrico que possa avaliar e intervir com um esquema medicamentoso. Pode te desafogar para conseguir finalmente "nadar" na terapia desse sofrimento tão importante.


  • Acho que tenho algum problema relacionado aos meus sentimentos. Ao mesmo tempo que sinto muitas cois

    Acho que tenho algum problema relacionado aos meus sentimentos. Ao mesmo tempo que sinto muitas coisas, também sinto um vazio enorme. Recentemente perdi alguém muito próximo da minha família, mas não consegui sentir o luto de uma forma “normal”. Chorei no dia, mas era algo que ia e voltava rapidamente, e no dia seguinte já parecia distante. Depois disso, simplesmente parei de sentir qualquer coisa sobre o assunto. Não sinto preocupação, mas ao mesmo tempo sou muito ansiosa. Isso pode indicar algum problema emocional que eu precise procurar ajuda profissional?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Olá! Por mais que pareça contraditório, existe sim muita relação entre a instabilidade emocional de "sentir muitas coisas" e o sentimento crônico de vazio, inclusive condições de saúde mental onde essas são características muito marcantes. Já o processo de luto é bastante comum e até saudável que não seja constante ou linear, mas sim com altos e baixos e sensações de estranhamento, além de cada um vivê-lo da sua forma. Mesmo assim você traz questões interessantes para a contribuição de um profissional, e chama especial atenção o seu relato de vazio enorme e de sentir muito ansiosa. Parece haver um sofrimento importante a ser elaborado nisso que você consegue dizer agora em palavras. Há grande chance de estar vivendo um problema ou mesmo um modo de ser e de funcionar, que um profissional consiga ajudar muito e melhorar sua qualidade de vida.


  • A insistência na mesmice no Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser confundida com TOC (Transt

    A insistência na mesmice no Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ser confundida com TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Dayan Marchezi Sant'Ana da Silva

    Essa é uma pergunta muito interessante, pois os estudos vêm indicando que uma boa porcentagem das pessoas no espectro do autismo vão cumprir os critérios diagnósticos para TOC em algum momento da vida. Dito isso, na verdade é muito difícil saber se a alta frequência de um comportamento vem do TOC ou de uma estereotipia, rigidez ou inflexibilidade cognitiva do autismo, e para isso é necessário ouvir do indivíduo a explicação que ele tem para esse comportamento. Se for de um pensamento, uma crença, então vem do TOC e pode-se pensar intervenções com base nessa constatação. Se for para se regular emocional ou sensorialmente, então é do autismo em si, e muitas vezes nem vamos intervir, se esse comportamento não incomoda a pessoa. Repare que, infelizmente, não é com todos os autistas que podemos solicitar essa explicação do comportamento — só mesmo aqueles que tiverem habilidades cognitivas e sociais para comunicar algo tão complexo.


Perguntas frequentes

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