Perguntas do paciente (10)

  • O que causa os pensamentos repetitivos no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e no hiperfoco?

    O que causa os pensamentos repetitivos no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e no hiperfoco?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    Os pensamentos repetitivos podem ser compreendidos como algo que insiste porque há um sentido ainda não elaborado inconscientemente para a pessoa. No TOC, esses pensamentos aparecem de forma invasiva e geram sofrimento, como se a mente ficasse presa a uma mesma ideia ou dúvida. Eles costumam estar ligados a tentativas de controlar a angústia e o medo, mas acabam se repetindo justamente porque não encontram uma resposta que traga alívio. No hiperfoco, a repetição acontece de outra maneira: a pessoa se fixa intensamente em um tema, atividade ou ideia que desperta interesse. Nesse caso, a repetição não surge, necessariamente, do sofrimento, mas de um envolvimento excessivo que dificulta se desligar.
    Para a psicanálise, em ambos os casos, a repetição é um sinal de que algo importante deve ser escutado. A psicoterapia oferece um espaço para falar sobre essas experiências, compreender seus sentidos e encontrar novas formas de lidar com elas.


  • Como a psicanálise compreende e trabalha com a ansiedade/angústia?

    Como a psicanálise compreende e trabalha com a ansiedade/angústia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    Para a Psicanálise, a ansiedade, entendida também como angústia, é compreendida como um sinal importante da vida psíquica, indicando que algo interno está em conflito. Em vez de ser vista apenas como um problema a ser eliminado, ela é entendida como uma forma de comunicação do de conteúdos inconscientes ainda não elaborado pela pessoa. O atendimento psicanalítico clínico, acontece por meio da fala, em um espaço de escuta acolhedora e sem julgamentos. Ao falar sobre seus sentimentos, pensamentos e experiências, a pessoa pode começar a identificar as origens dessa angústia, como conflitos emocionais, exigências internas, medos ou repetições de situações vividas ao longo da história. Com o tempo, esse processo possibilita atribuir novos sentidos à ansiedade, diminuindo seu impacto e permitindo que a pessoa se posicione de maneira diferente diante do que causa sofrimento. O objetivo é compreender o que ainda não foi superado e que leva a pessoa a se angustiar, levando individuo a um novo posicionamento subjetivo, afim de que a angustia deixe de dominar o cotidiano.


  • Como lidar com as mudanças neuroplásticas durante o luto?

    Como lidar com as mudanças neuroplásticas durante o luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    A gente sabe que o luto mexe muito com o corpo e com a mente, e pode dar a sensação de que o pensamento ficou mais lento, a memória falha ou que a pessoa já não é mais a mesma. Isso tem relação com como o cérebro se reorganiza diante de uma perda tão significativa. Entendemos que o luto não é apenas um processo do corpo, mas também do inconsciente e do desejo. Quando perdemos alguém, precisamos encontrar um jeito de simbolizar essa ausência, de dar um lugar a ela na nossa história. Esse movimento ajuda tanto o cérebro quanto o sujeito a se reorganizarem.
    Então, lidar com isso não significa impedir essas mudanças, mas permitir-se viver o luto, falar sobre ele, encontrar um modo singular de se reconectar com a vida. É nesse processo que, pouco a pouco, o pensamento e a energia vão se abrindo novamente.


  • Como identificar relacionamento abusivo ?

    Como identificar relacionamento abusivo ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    Um relacionamento abusivo pode ser identificado quando há abusos, violências (física ou psicológica), controle excessivo, desvalorização, medo ou sofrimento constante dentro da relação. Isso pode aparecer por meio também de formas sutis como críticas frequentes, manipulação emocional, ciúmes intensos, tentativas de controlar escolhas, afastamento de amigos ou familiares e sensação de culpa recorrente, assim como em forma mais explicitas como agressões também físicas entre outros. Quando a relação causa mais angústia do que bem-estar e faz a pessoa perder o contato com seus próprios desejos, é um sinal de alerta. Quando se sente que algo não vai bem, mesmo sem conseguir nomear exatamente o que é, vale escutar esse incômodo. Buscar ajuda psicológica pode auxiliar a compreender a dinâmica da relação, fortalecer a autonomia e encontrar caminhos mais saudáveis para se posicionar e se cuidar.


  • Como os problemas familiares afetam a saúde mental?

    Como os problemas familiares afetam a saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    Os problemas familiares podem impactar a saúde mental porque a família costuma ser um dos primeiros espaços onde aprendemos a nos relacionar, nos expressar e lidar com emoções. Conflitos constantes, falta de diálogo, críticas excessivas ou ausência de apoio podem gerar angústia, insegurança, ansiedade e sofrimento emocional. Muitas dessas experiências familiares deixam marcas que influenciam a forma como a pessoa se percebe e se relaciona ao longo da vida. Quando esses conflitos não são elaborados, eles podem se repetir em outras relações ou aparecer como sintomas. A psicoterapia oferece um espaço para falar sobre essas vivências, compreender seus efeitos e construir novas formas de lidar com elas, favorecendo o cuidado com a saúde mental.


  • Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa me

    Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa mesmo? Pelo o que ela pode ser causada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    Não se trata de defeito, pois a ansiedade não surge apenas por causa de situações concretas; ela aparece quando algo dentro da mente não consegue se organizar ou se simbolizar completamente. Ela pode estar ligada a conflitos internos, expectativas do Outro ou experiências passadas que deixaram marcas, mesmo que você não perceba conscientemente. Isso significa que sentir ansiedade não é fraqueza nem falha, mas um sinal de que sua mente está pedindo atenção para questões que precisam ser elaboradas. O que ajuda é falar sobre isso, entender o que esse sentimento revela sobre você e seu desejo, e ir encontrando formas de lidar com ele de maneira mais tranquila. A ajuda psicológica, é sem dúvidas um excelente espaço para escuta e elaboração desses conteúdos! Espero ter ajudado! Abraço!


  • A depressão pode afetar o raciocínio (a capacidade de pensar com clareza nas coisas)?

    A depressão pode afetar o raciocínio (a capacidade de pensar com clareza nas coisas)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    Sim, pode! Quando alguém está em depressão, muitas vezes a energia psíquica fica muito voltada para a dor, para a sensação de vazio, e isso pode dificultar a concentração, a memória e até dar a impressão de que o pensamento empacou. Não se trata apenas de um problema ‘biológico’ ou de inteligência, mas de como a pessoa está implicado no seu desejo, ou seja, é possível que estando deprimido, esse desejo se enfraquece ou se vê paralisado, o pensamento também perde fluidez. Então, não é que a pessoa não saiba pensar, mas o seu modo de pensar fica tomado pelo peso do sofrimento. O processo analítico, visa recolocar o sujeito diante do seu desejo, o sujeito também pode reencontrar uma clareza maior no seu pensar


  • Bom dia! Consigo fazer dieta, mas chega um momento que começo a me descontrolar na comida. Posso te

    Bom dia! Consigo fazer dieta, mas chega um momento que começo a me descontrolar na comida.
    Posso ter algum transtorno?
    Devo procurar um psicologo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    É comum que, em alguns momentos, a pessoa consiga seguir uma dieta e, em outros, sinta que perde o controle sobre a comida. Pela psicanálise, isso pode indicar que a alimentação está sendo usada não apenas para nutrir o corpo, mas também para lidar com emoções, angústias ou tensões do dia a dia. Isso não significa, necessariamente, que exista um transtorno. No entanto, quando esse descontrole causa sofrimento, culpa ou se repete com frequência, é um sinal de que algo merece atenção. Procurar um psicólogo pode ajudar a compreender a relação com a comida, identificar o que está por trás desses episódios e construir uma forma mais saudável e consciente de se cuidar. A psicoterapia oferece um espaço de escuta, sem julgamentos, para entender o que acontece com você.


  • É possível desenvolver autoestima após adulto (+40 anos)?

    É possível desenvolver autoestima após adulto (+40 anos)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    Eu diria que sim, mas talvez não exatamente no sentido de construir uma imagem perfeita de si, pois o amor por nós mesmos sempre passa pelo olhar do Outro — desde a infância aprendemos a nos ver a partir dessa vista. Isso significa que nunca teremos uma autoestima completamente estável ou pronta.

    O que pode acontecer, especialmente na vida adulta, é um reposicionamento diante disso: deixar de buscar corresponder a um ideal impossível e começar a se aproximar mais daquilo que é o seu próprio desejo, da sua singularidade. Muitas vezes, depois dos 40, com as experiências já vividas, fica mais possível se desprender das expectativas externas e sustentar uma relação mais tranquila com quem se é e com o próprio desejo.

    Então, não se trata de conquistar uma autoestima perfeita, mas de encontrar uma forma de viver menos preso ao olhar dos outros e mais próximo do que faz sentido para você. A psicanálise, é uma modalidade valiosa na busca desse novo posicionamento subjetivo.


  • Que especialista devo procurar para o sindrome de burnout e como me tratar?

    Que especialista devo procurar para o sindrome de burnout e como me tratar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Evelin Costa

    O burnout é um esgotamento causado pelo excesso de exigência no trabalho. Quem passa por isso costuma sentir cansaço extremo, perda de motivação e até dificuldade para pensar com clareza.

    O primeiro passo é ajuda! Um médico psiquiatra poderá avaliar se é necessário um afastamento, se há sintomas de ansiedade ou depressão juntos e, em alguns casos, indicar medicação para ajudar nesse momento. É fundamental também buscar psicológica! O tratamento não é só descansar o corpo: é também entender o que esse esgotamento está mostrando sobre a sua relação com o trabalho e com a sua vida. É nesse espaço de fala que você pode encontrar novos caminhos e se reposicionar diante do que o Outro exige de você. Ou seja: o cuidado com o Burnout envolve tanto um acompanhamento médico, para proteger a sua saúde, quanto um espaço terapêutico, para elaborar o sentido desse sofrimento e encontrar um modo de viver mais próximo do seu desejo.


Autor

Psicólogo, Psicanalista

Perguntas frequentes

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