Perguntas do paciente (75)
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O que seria uma pessoa que tem tendências depressivas?
O que seria uma pessoa que tem tendências depressivas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Uma pessoa com tendências depressivas não é alguém fraca ou sem vontade. Muitas vezes é alguém que, em algum momento da vida, precisou se fechar para continuar funcionando. Quando sentir demais foi doloroso, o corpo e a mente aprenderam a diminuir o entusiasmo, o desejo, a energia, como uma forma de proteção.
Essa tristeza que se repete costuma aparecer quando a pessoa vive muito para atender expectativas externas e vai, aos poucos, se afastando do que realmente sente e deseja. Não é falta de amor pela vida, é um cansaço profundo de sustentar algo que já não faz sentido.
A análise oferece um espaço para escutar esse cansaço sem julgamento. Não para “forçar positividade”, mas para compreender o que foi perdido no caminho e permitir que a pessoa volte a se relacionar com a vida de um jeito mais vivo e próprio.
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Tenho diagnostico de ansiedade a quase 20 anos e um diagnostico recente de Transtorno misto depressi
Tenho diagnostico de ansiedade a quase 20 anos e um diagnostico recente de Transtorno misto depressivo-ansioso, já medicada e em tratamento (cloridrato de desvenlafaxina) e faço TCC.
Percebi que tenho ansiedade todos os dias no mesmo horário (entre 14:30 e 15hs) sem que eu me lembre de algum gatilho especifico nesse horário,não consegui evoluir em terapia ainda essa questão.Pensando em procurar por psicanalise, faz sentido mudar a abordagem?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Faz sentido, sim, pensar em psicanálise a partir do que você descreve. O fato de a ansiedade surgir sempre no mesmo horário, mesmo sem um gatilho consciente, é algo muito significativo do ponto de vista psíquico. Na psicanálise, entendemos essas repetições no tempo como marcas de algo que insiste, mesmo quando não aparece de forma clara na memória ou no pensamento racional.
Enquanto algumas abordagens trabalham buscando identificar e corrigir gatilhos, a psicanálise se interessa justamente por aquilo que não se apresenta como evidente, mas retorna no corpo, no horário, no ritmo. Não se trata de trocar um tratamento por outro, nem de invalidar o que você já faz, mas de abrir um espaço para escutar o que essa ansiedade está tentando dizer, e que talvez ainda não encontrou palavras.
Muitas pessoas procuram a psicanálise quando percebem que, apesar de todo o esforço, algo permanece. É nesse ponto que a análise pode fazer diferença: não para eliminar o sintoma rapidamente, mas para compreender sua lógica e permitir que ele perca a força da repetição.
Se essa ansiedade insiste há tanto tempo e se organiza desse modo tão preciso, ela merece escuta. A psicanálise começa exatamente aí.
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Quais ferramentas a análise pode me dar para que eu pare de tentar 'curar' o abandono do meu pai no
Quais ferramentas a análise pode me dar para que eu pare de tentar 'curar' o abandono do meu pai no passado através das minhas relações do presente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A análise não oferece ferramentas no sentido de técnicas para “corrigir” o passado, mas algo mais fundamental: a possibilidade de reconhecer a repetição. Quando o abandono tenta ser reparado nas relações atuais, o sujeito acaba colocando o outro no lugar de uma falta antiga, e isso cobra um preço alto dos vínculos.
Na psicanálise, esse movimento pode ser nomeado e escutado, para que o passado deixe de exigir reparação no presente. Ao falar, o sujeito passa a distinguir o que pertence à sua história do que pertence ao outro, e o amor deixa de funcionar como tentativa de cura.
Quando essa separação acontece, as relações já não precisam carregar a tarefa impossível de consertar o que ficou para trás. É esse deslocamento que a análise torna possível.
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De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de
De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de que serei deixada a qualquer momento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O abandono não fica apenas como um fato do passado; ele tende a se inscrever como uma marca na forma como o sujeito se coloca nos vínculos. Quando alguém importante foi embora sem explicação ou sustentação, o psiquismo pode passar a viver na expectativa de que isso se repita, como se o laço nunca fosse seguro.
Na psicanálise, entendemos que essa insegurança não é um defeito seu, mas uma resposta a algo que ficou sem palavra no momento em que aconteceu. O medo atual muitas vezes não é do outro ir embora, mas de reencontrar aquele vazio inicial.
A análise oferece um espaço para que essa experiência possa ser elaborada, permitindo que o presente deixe de ser vivido como repetição do abandono. Quando isso pode ser dito, o vínculo com o outro já não precisa ser sustentado pelo medo.
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Eu descobri uma traição recentemente e percebo que isso está ocupando todo o meu pensamento. Gostari
Eu descobri uma traição recentemente e percebo que isso está ocupando todo o meu pensamento. Gostaria de entender o que essa dor está revelando sobre a minha estrutura emocional agora.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando a traição passa a ocupar todo o pensamento, não é apenas o fato em si que dói, mas o lugar que ele veio tocar dentro de você. Algo do que sustentava sua segurança, seu valor ou sua posição no vínculo foi abalado, e a mente tenta, incessantemente, dar sentido a isso.
Na psicanálise, essa dor não é vista como exagero, mas como um sinal de que algo da sua estrutura afetiva foi convocado. O sofrimento aponta para perguntas mais profundas: o que foi ferido em mim? que lugar eu ocupava para o outro? o que essa ruptura reativou da minha história?
A análise oferece um espaço para que essa dor possa ser escutada e elaborada, para que ela não precise dominar o pensamento nem se transformar em repetição. Quando isso ganha palavra, o sujeito deixa de girar em torno do acontecimento e pode retomar algo de si.
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Descobri uma traição do meu parceiro e terminei, como posso trabalhar o medo de que essa situação se
Descobri uma traição do meu parceiro e terminei, como posso trabalhar o medo de que essa situação se repita em outros vínculos?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A traição costuma deixar uma marca que não fica apenas na relação que acabou, mas na forma como o sujeito passa a se colocar nos vínculos seguintes. O medo da repetição não fala só do outro, mas da experiência de ter sido atravessado por uma quebra de confiança.
Na psicanálise, o trabalho não é apagar esse medo, mas compreender como ele se inscreveu em você, que lugar ele passou a ocupar e por que ele insiste. Quando isso pode ser elaborado, o vínculo deixa de ser vivido sob vigilância constante e o sujeito recupera a possibilidade de se relacionar sem estar sempre à espera da perda.
Se esse medo já aparece como obstáculo antes mesmo de um novo encontro, ele merece escuta. É exatamente aí que a análise pode ajudar.
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Estou casado há 22 anos, há alguns meses me envolvi com outra mulher, não consigo deixá-la, mas tamb
Estou casado há 22 anos, há alguns meses me envolvi com outra mulher, não consigo deixá-la, mas também não consigo abandonar meu casamento que é harmonioso e tenho um filho com a minha mulher. Não consigo sair dessa situação, porém não me sinto bem nela, está me consumindo. O que fazer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O sofrimento que você descreve não está apenas na existência de duas mulheres, mas no impasse em que você ficou preso. Há algo aí que tenta ser sustentado como “duplo”, quando, internamente, isso já não encontra um lugar possível. O mal-estar é um sinal de que esse arranjo deixou de funcionar como apoio e passou a consumir você.
Do ponto de vista psicanalítico, esse tipo de impasse costuma surgir quando o sujeito tenta responder a demandas diferentes sem conseguir localizar o próprio desejo. Entre a responsabilidade, o afeto, a fantasia e a culpa, algo fica sem nome, e é isso que retorna como angústia.
A análise não vai dizer o que você deve escolher, mas pode oferecer um espaço para compreender o que cada vínculo sustenta em você e por que essa divisão se tornou insuportável. Quando o desejo pode ser escutado, as escolhas deixam de ser paralisantes e passam a ser possíveis.
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Fazer uma pergunta para o cérebro antes de adormecer Escrever uma pergunta para o Subconsciente depo
Fazer uma pergunta para o cérebro antes de adormecer Escrever uma pergunta para o Subconsciente depois fechar olhos deitar e dormir pra técnica ficar melhor tenho que repetir falar a frase mentalmente da pergunta até apagar? Ou o Subconsciente terá memória da escrita??
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na psicanálise, não trabalhamos com a ideia de “programar” o cérebro ou o inconsciente por meio de técnicas. O inconsciente não funciona como um gravador obediente que responde porque recebeu uma instrução correta.
Escrever uma pergunta, repeti-la mentalmente ou “entregá-la ao subconsciente” pode até produzir algum efeito imaginário de controle, mas isso não garante que algo do inconsciente vá se manifestar. O inconsciente aparece justamente quando o controle falha: nos sonhos, nos lapsos, nas repetições, não porque foi ordenado, mas porque algo insiste.
Quando uma pergunta é importante de verdade, ela não precisa ser repetida até apagar. Ela retorna sozinha, de outros modos, muitas vezes quando o sujeito não está tentando forçar uma resposta. O problema dessas técnicas é que elas podem reforçar a ilusão de que existe um atalho para o saber sobre si.
Na psicanálise, o caminho é outro: não é fazer o inconsciente responder, mas escutá-lo quando ele fala. E isso acontece na fala, no tempo, na associação livre, não por sugestão, mas por elaboração.
Se uma pergunta te acompanha a ponto de você querer “entregá-la” ao inconsciente antes de dormir, talvez ela mereça um espaço de escuta mais sustentado. É isso que a análise oferece.
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Namoro a 1 ano e moramos juntos, tivemos muitas brigas feias mesmo. A um tempo atrás eu errei com el
Namoro a 1 ano e moramos juntos, tivemos muitas brigas feias mesmo. A um tempo atrás eu errei com ele e tivemos uma briga feia, porém depois dessa briga, eu comecei a ficar muito apática em relação a ele, só que essa apatia se estendeu a todas as áreas da minha vida, como querer estudar, se arrumar, fazer tarefas básicas do dia. Eu fico tentando procurar respostas por meio se tarot e quando alguém diz "você ainda o ama" eu tenho um alívio imediato. Porém volta a mesma ansiedade, e o mais estranho é que não sinto mais atração física, fico comparando ele com outros caras, e eu me sinto mal pq eu quero sentir amor e atração por ele... As vezes do nada sinto um frio na barriga quando ele me beija, e fico feliz as vezes do nada em imaginar eu e ele se tornando pais. Porém essa falta de amor por ele volta muito forte e eu sinto culpa, não consigo terminar pq eu tenho muita gratidão por tudo que vivemos e tenho medo de se arrepender. Quero muito voltar a amar ele, muito mesmo. O que pode ser isso que está acontecendo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve não é apenas uma dúvida sobre amar ou não amar. A apatia que surgiu depois da briga e se espalhou para outras áreas da sua vida indica que algo ali foi vivido como um corte, algo que não foi elaborado e acabou “silenciando” o desejo.
A oscilação entre querer ficar, sentir culpa, buscar garantias externas e, ao mesmo tempo, perder a atração mostra um conflito interno importante. Amor não desaparece nem retorna por decisão racional, e tentar forçá-lo costuma aumentar a angústia.
A psicanálise oferece um espaço para entender o que mudou em você depois desse acontecimento, o que essa culpa sustenta e por que o desejo ficou tão instável. Quando isso pode ser dito e elaborado, a relação com o outro, e consigo mesma, deixa de ser vivida como um impasse permanente.
Se essa dúvida insiste e te paralisa, ela merece escuta. É exatamente aí que a análise começa.
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É verdade que na psicanálise o terapeuta quase não fala?
É verdade que na psicanálise o terapeuta quase não fala?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não exatamente.
Na psicanálise, o analista não fala pouco por ausência, mas por função. O centro do trabalho não é a explicação do terapeuta, nem conselhos ou respostas prontas, e sim a possibilidade de o paciente falar e se escutar.
O analista intervém quando a fala pode produzir um efeito: às vezes com uma pergunta, às vezes com uma pontuação, um recorte, um silêncio. Há momentos em que falar mais seria ocupar o lugar do sujeito; há outros em que uma intervenção precisa faz toda a diferença.
Cada análise tem um ritmo próprio. O importante não é quanto o analista fala, mas o que a fala (ou o silêncio) provoca no paciente. Se algo te inquieta, angustia ou se repete, a análise é um espaço justamente para isso ganhar voz.
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Sentir muita vontade de ficar nu na praia, na cachoeira ou mesmo numa chuva é normal? Obs.: não faç
Sentir muita vontade de ficar nu na praia, na cachoeira ou mesmo numa chuva é normal?
Obs.: não faço isso, por respeito às regras e porque morro de vergonha do meu corpoRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa vontade, por si só, não é estranha nem patológica. Ela aparece com bastante frequência ligada a experiências de liberdade, contato com a natureza e suspensão momentânea das exigências sociais. Estar nu, nesse sentido, não fala necessariamente de sexualidade, mas de corpo, de sensação de inteireza, de estar “sem mediações”.
Na psicanálise, o corpo não é apenas biológico: ele é atravessado por regras, olhares, vergonha, ideais e proibições. O fato de você sentir vontade e, ao mesmo tempo, vergonha do próprio corpo já mostra essa divisão: existe um desejo de soltura e, ao mesmo tempo, um olhar interno que julga, controla e censura.
É importante notar que você respeita as regras e não age impulsivamente — isso indica que essa vontade não é um problema em si, mas algo que pode ser escutado. A pergunta talvez não seja se é “normal”, mas o que essa nudez representa para você: liberdade? ausência de julgamento? reconexão com o corpo? algo que falta no cotidiano?
Quando essas questões aparecem acompanhadas de vergonha intensa ou de conflito com a própria imagem corporal, a análise pode ser um espaço interessante para compreender de onde vem esse olhar tão duro sobre o próprio corpo e o que ele impede de viver.
Nem todo desejo precisa ser realizado, mas muitos precisam ser entendidos. É aí que a psicanálise pode ajudar.
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Me ajudem a refletir, isso não me incomoda muito mas queria entender. Tenho 20 anos e vejo homens da m
Me ajudem a refletir, isso não me incomoda muito mas queria entender. Tenho 20 anos e vejo homens da minha idade ou menos que conhece mulheres bem facilmente e consegue se conectar, vejo que a maioria deles não tem boa aparência ou é bem financeiramente sucedido, eu falando assim isso se mostra claramente uma comparação mas a pergunta ficar: porque ninguém se interessa por mim? Essa pergunta costuma asoitar em minha mente mas tento apagar. As tento por meu esforço abordar mulheres de meu interesse e não dá em nada, pessoas falam "que trabalhe em vc e elas virão"e nada flui. Na sua visão oq pode tá acontecendo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A pergunta que retorna — “por que ninguém se interessa por mim?” — já diz muito. Não é apenas sobre as mulheres, mas sobre o lugar que você sente ocupar diante do desejo do outro. Quando essa pergunta aparece com insistência, ela costuma tocar algo do valor próprio, da comparação e da expectativa de reconhecimento.
Na psicanálise, entendemos que o interesse não se produz apenas por aparência, dinheiro ou esforço consciente. Ele passa pelo modo como cada um se coloca no laço, pelo que se transmite sem perceber: expectativas, ansiedade, necessidade de confirmação, medo da rejeição. Muitas vezes, quanto mais alguém tenta “fazer dar certo”, mais fica capturado por uma lógica de prova — preciso ser escolhido para me sentir suficiente — e isso pesa no encontro.
Também é importante notar como você se compara aos outros e tenta apagar a pergunta que surge. Apagar não faz desaparecer; ao contrário, faz com que ela retorne com mais força. Talvez o ponto não seja entender por que os outros conseguem, mas o que essa comparação diz sobre você e sobre o que espera de um encontro amoroso.
A psicanálise não oferece receitas para “atrair” alguém. Ela ajuda a sustentar essa pergunta sem precisar se atacar ou se medir o tempo todo. Quando o sujeito começa a se escutar, algo muda na forma como ele se apresenta ao outro — e isso costuma ter efeitos reais nos vínculos.
Se essa questão insiste, vale dar lugar a ela em análise. Não para se corrigir, mas para entender o que, do seu desejo, está em jogo aí.
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A psicanálise é só falar do passado e da infância?
A psicanálise é só falar do passado e da infância?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não. Essa é uma ideia comum, mas bastante limitada do que é a psicanálise.
Na psicanálise, o foco não é “voltar ao passado por voltar”, nem ficar preso à infância. O que importa é o que do passado está vivo no presente, aparecendo hoje nos seus sintomas, nas repetições, nos relacionamentos, nas escolhas e na forma como você sofre.
A infância pode aparecer porque é onde muitas das primeiras formas de amar, desejar e lidar com a falta se constituem. Mas ela só entra em cena quando ajuda a entender por que algo se repete agora. Muitas vezes, a análise trabalha muito mais com o que está acontecendo no momento atual — nas angústias, nos impasses e nos vínculos de hoje.
Psicanálise não é dar explicações prontas nem reconstruir uma história “correta”. É um trabalho de escuta que permite ao sujeito perceber seu próprio modo de funcionamento e, a partir disso, construir novas posições diante da vida.
Se algo do presente está te fazendo sofrer, a análise parte daí. O passado só aparece quando ajuda a dar sentido ao que insiste hoje.
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Tenho 28 anos.Há pouco mais de dois meses comecei algo que nunca tinha feito antes: namorar. E amo e
Tenho 28 anos.Há pouco mais de dois meses comecei algo que nunca tinha feito antes: namorar. E amo ela, mas comecei a sentir um desconforto, e muita angustia quando vi fotos dela com o ex, com quem teve um longo relacionamento. E comecei a ter a sensação de inferioridade, de tristeza, de raiva e de frustração. Parece que só por vir depois dele já é o bastante pra me sentir mal. Então tenho pensamentos de separação, e me sinto pior. Parece que ja estou derrotado antes de começar...
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que te angustia não é apenas o passado dela, mas o lugar em que você se sente colocado nesse relacionamento. As fotos e o ex funcionam como um gatilho para algo mais profundo: comparações, sensação de inferioridade, medo de não ser suficiente, de já começar “perdendo”.
Na psicanálise, entendemos que o amor toca pontos muito sensíveis da história de cada um. Quando isso acontece, a angústia aparece — não porque o sentimento é fraco, mas porque algo do próprio sujeito está sendo convocado.
Em análise, é possível compreender por que esse lugar de derrota se instala, de onde vem essa exigência e como isso atravessa seus vínculos. Quando isso é elaborado, o relacionamento deixa de ser vivido como ameaça constante e pode ganhar outro sentido.
Se esse desconforto já aparece logo no início, ele merece escuta. A análise oferece justamente esse espaço.
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Eu tenho esse sonho há muito tempo, ele é repetido. Onde eu sou um homem e estou procurando meu irmã
Eu tenho esse sonho há muito tempo, ele é repetido. Onde eu sou um homem e estou procurando meu irmão mais novo que é um criança, eu entro numa passagem onde ouço minha própria voz da vida real (sou mulher) passo por uma estrada onde interajo com uma pessoa que conheço que comento sobre ter encontrado o pai dela e falado muito bem dela até menciono o apelido dela que normalmente uso com ela na vida real. até então, eu entro naquela passagem que me leva ate família dessa minha amiga que me cumprimenta e lá encontro a criança que parece ser meu irmão cujo estou procurando nesse sonho, pego ele no colo e aquele grupo da família da minha amiga fala que temos todos que andar de mãos dadas para atravessar a cidade toda. pergunto pro meu irmão se ele tá com fome então solto a mão da avó da minha amiga e entro numa loja para comprar um lanche mas tudo tava caro então compro bolachas bem baratinhas e entrego pra ele e assim volto para o grupo, não lembro se seguro na mão da avó da minha amiga de novo mas sei que elas me levam numa espécie de portão onde tem fila de pessoas e tem um porteiro que faz umas pessoas sobre o que desejo ser e me dá respostas de escolhas mas dentro delas tá uma escolha "ser dos céus" lembro que eu escolho outra opção mas meu irmão que parece ter uns 2 anos de idade escolhe ser dos céus e alguém me fala que essa escolha é a morte e tento convencer meu irmão trocar a resposta enquanto algo já me puxa pela mesma passagem que entrei em busca dele enquanto o meu irmão fica no portão mas não diz nada. daí volto pra onde estava e procuro esse meu irmão e encontro ele mais velho acho que adolescente ou algo assim e fala alguma coisa que provavelmente não é minha culpa e depois some, após isso estou na aparência do homem que mencionei e interajo com umas pessoas que não conheço e depois disso não recordo o que acontece
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na psicanálise, não buscamos traduzir sonhos como se fossem códigos universais. O mais importante não é “o que esse sonho significa em geral”, mas o que ele diz de você, da sua história e da sua posição diante de certas perdas, escolhas e responsabilidades.
Alguns pontos chamam atenção: o fato de você ocupar a posição de quem procura, cuida, protege e tenta salvar, enquanto o outro, esse “irmão”, aparece ligado a uma escolha que você não pode controlar. Há também passagens, portões, filas, decisões, separações… elementos que, na linguagem do inconsciente, costumam aparecer quando o sujeito está às voltas com limites, mudanças e impossibilidades.
O detalhe de você ser mulher na vida real, mas aparecer como homem no sonho, também é algo muito precioso para a clínica: não se trata de identidade de gênero no sentido direto, mas de lugares simbólicos que o sujeito ocupa no laço com o outro - lugares de força, de proteção, de responsabilidade, que nem sempre coincidem com o que se vive conscientemente.
O mais importante é que esse sonho retorna, se repete, insiste. Para a psicanálise, quando algo retorna assim, é porque há um ponto da história do sujeito que ainda pede elaboração, algo que não encontrou palavra suficiente.
Nenhuma resposta pronta vai dar conta disso. É justamente no espaço da análise, falando livremente, associando, lembrando, errando, que o sujeito pode construir o sentido singular desse sonho e, principalmente, entender por que ele precisa voltar tantas vezes.
Quando o inconsciente insiste, ele não está pedindo uma interpretação rápida, está pedindo escuta. E é isso que a análise oferece.
Se esse sonho te marca e te afeta, ele já é, por si só, um bom motivo para procurar um espaço de análise e dar lugar ao que está tentando se dizer aí.
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Olá, gostaria de entender e tirar uma dúvida sobre o que vem acontecendo comigo. Na minha última per
Olá, gostaria de entender e tirar uma dúvida sobre o que vem acontecendo comigo. Na minha última pergunta (link falei sobre um término de relacionamento, que retomamos o contato e eu estava aguardando a resposta dela, bom, ela me respondeu e não deu em nada, realmente é o fim e eu preciso me reconstruir e seguir minha vida. Só que vem acontecendo uma coisa estranhada: ela me diz que o que temos é muito importante para ser ignorado, fala que me considera bastante importante e o que temos é um laço de amor fraterno, mas quando me vê nos lugares não me olha nem na cara. O que seria isso? Confusão? Autoproteção? Conflito interno? Indecisão? Está lutando contra a decisão dela?
Enfim, são muitas perguntas, mas não são as principais, as mais importantes vem a seguir.
Percebo que quando passo um tempo considerável online, seja no instagram, whatsapp, youtube, ou até mesmo vendo um filme ou série, eu sinto ansiedade e tristeza, como se tivesse um vazio ali dentro de mim e que as redes sociais/internet estão me sugando. Mas quando me desconecto e vou fazer coisas no mundo real como: arrumar meu quarto, tocar violão, sair para caminhar ou pedalar, ir para a academia, ler um livro, conversar com meus pais, tudo isso me tira daquela sensação de tristeza e angústia, é como se fosse um instinto de sobrevivência sendo ativado, e me sinto muito melhor desconectado da internet e redes socias e me faz sentir bem. Gostaria de entender essas minhas dúvidas do motivo disso acontecer e os motivos que estão por trás dessas minhas sensações e também pelas atitudes da minha ex. Devo me afastar completamente dela? Devo continuar fazendo esse desmame de redes sociais?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando as palavras dizem que existe carinho e importância, mas o corpo evita o encontro e o olhar, há um conflito que não está resolvido. Na psicanálise, levamos muito em conta essa diferença entre o que se diz e o que se consegue sustentar na presença do outro.
Sobre a internet e as redes, é comum que funcionem como uma tentativa de preencher um vazio, mas que acabem aumentando a angústia. Já atividades que envolvem o corpo, o tempo e o contato com outras pessoas costumam diminuir essa sensação, porque colocam o sujeito em relação com algo que é próprio do seu desejo.
A psicanálise não orienta decisões do tipo “se afastar” ou “se aproximar”, mas ajuda a entender por que esse laço ainda te afeta tanto e por que certos modos de ocupar o tempo aumentam o mal-estar enquanto outros aliviam. Quando isso se torna mais claro, as escolhas deixam de ser apenas reações e passam a ser mais próprias.
Se esse término e essas sensações estão te mobilizando assim, a análise pode ser um espaço importante para elaborar isso e seguir adiante de forma menos dolorosa.
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Qual a visão psicanalista dos personagens do filme Cisne Negro?
Qual a visão psicanalista dos personagens do filme Cisne Negro?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Cisne Negro não é um filme sobre dança, mas sobre o custo psíquico da busca pela perfeição e sobre o que acontece quando o sujeito se confunde com o ideal que tenta encarnar.
Nina vive capturada por um ideal impossível: ser perfeita, pura, sem falhas. Ela não dança apenas para dançar, dança para existir. Sua identidade está colada ao olhar do Outro: da mãe, do diretor, do público. Quando esse ideal começa a exigir também o “lado obscuro”, algo se rompe, porque ela nunca pôde reconhecer em si o desejo, a agressividade, a sexualidade. O que foi recalcado retorna de forma invasiva: o corpo fala, a mente fragmenta, a realidade perde contorno. Não é loucura “repentina”, é o colapso de uma organização psíquica que não suportou a divisão do sujeito.
A mãe ocupa um lugar sufocante: vive através da filha, não reconhece sua separação, não autoriza o crescimento. O cuidado excessivo funciona como controle. Nina não teve espaço para desejar por si, apenas para corresponder. A ausência de limites claros impede a construção de uma identidade própria.
Thomas (o diretor) representa o Outro que exige: ele convoca Nina a acessar algo que ela não sabe simbolizar. Ele pede entrega, sensualidade, transgressão, mas sem oferecer sustentação psíquica. Ele empurra onde não há borda.
Lily encarna aquilo que Nina não consegue admitir em si: espontaneidade, prazer, imperfeição. Não é apenas uma rival externa, mas uma figura do conflito interno. O filme mostra bem como o sujeito, quando não suporta sua própria divisão, projeta no outro aquilo que o ameaça.
No fundo, Cisne Negro fala de um ponto central da psicanálise:
quando o sujeito tenta ser todo, perfeito, completo, algo da falta retorna de forma violenta. A tentativa de eliminar a falha leva ao excesso, e o excesso cobra um preço.
A análise oferece justamente o caminho oposto: não ser perfeita, mas poder ser sujeito do próprio desejo, com limites, falhas e escolhas possíveis.
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Olá suspeito ter TOC, tenho todos praticamente todos os sintomas mania, pensamentos obssesivos e int
Olá suspeito ter TOC, tenho todos praticamente todos os sintomas mania, pensamentos obssesivos e intrusivos, medo de que se não fizer determinada coisa de um jeito especifico algo ruim irá acontecer, ansiedade constante queria saber se devo primeiro buscar um psiquiatra ou um psicologo ou psicanalista qual vou primeiro, e como melhorar esses sintomas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Os fenômenos que você descreve — pensamentos que retornam, repetições, rituais, exigências internas que parecem não ter dono — indicam que há algo do seu inconsciente que insiste. Na psicanálise, não tratamos isso como “manias” ou “erros da mente”, mas como uma formação de sentido, um arranjo que o sujeito cria para tentar lidar com algo que não encontrou ainda outra via de expressão.
A psicanálise pode te ajudar justamente a localizar de onde vem essa necessidade tão intensa de controlar, conferir, repetir, e por que certa imagem de perigo se sustenta para você.
Não vamos tentar eliminar o pensamento nem ensinar técnicas para “bloquear” o que surge — isso apenas fortalece o circuito. O trabalho é entender o que, em você, dá lugar a isso.
Com o tempo, conforme o sujeito se escuta, esses automatismos perdem força, porque deixam de ser respostas obrigatórias a algo desconhecido e passam a ter um lugar simbólico: você passa a reconhecer o que está por trás dessa lógica que hoje te captura.
Em análise, o sintoma não é um inimigo a ser combatido, mas um modo de dizer. E quando você encontra esse dizer, o sintoma pode se transformar — perde urgência, perde rigidez, perde a necessidade de repetição.
Se algo está insistindo desse jeito, vale dar espaço para esse dizer emergir num trabalho de fala. A análise abre justamente essa possibilidade.
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é normal sentir vontade de mandar mensagem para uma pessoa que gostou na época de escola, cerca de 1
é normal sentir vontade de mandar mensagem para uma pessoa que gostou na época de escola, cerca de 10 anos atrás?
Hoje estou em um relacionamento consolidado mas reencontrei essa pessoa a algumas semanas e gostaria de falar para ela o que eu sentia no passado.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
É mais comum do que parece que um reencontro desperte algo, não necessariamente pela pessoa em si, mas pelo lugar que ela ocupou na sua história. A psicanálise não lê isso como um “desejo proibido”, e sim como um movimento do inconsciente: algo do passado que retorna e pede sentido.
A questão talvez não seja se “é normal” ou não, mas o que significa, hoje, esse impulso de falar com alguém que fez parte da sua adolescência, especialmente estando em um relacionamento consolidado.
O que exatamente você imagina que aconteceria ao dizer isso?
O que, em você, esse reencontro reativou?
O que estaria buscando: a pessoa, a lembrança, o reconhecimento, ou algo que falta na sua vida atual?
A psicanálise não diz para agir ou não agir.
Ela convida a escutar o desejo antes de respondê-lo, para que a decisão venha de você e não apenas de um impulso que se repete.
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Nunca senti nenhum tipo de amor por ninguém. É normal isso?
Nunca senti nenhum tipo de amor por ninguém. É normal isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sentir que nunca amou ninguém pode causar bastante estranhamento, principalmente quando o amor parece algo “natural” nas outras pessoas. No entanto, essa sensação pode ter raízes profundas, ligadas à forma como cada um aprendeu a se vincular afetivamente desde muito cedo.
O amor não surge simplesmente como um “sentimento pronto”; ele se constrói a partir da maneira como fomos olhados, acolhidos e reconhecidos no início da vida. Às vezes, quando algo dessa experiência se rompe ou não se forma completamente, o contato com o afeto pode se tornar distante ou até ausente — não por falta de capacidade, mas como uma forma de se proteger.
Em análise, é possível compreender o que há por trás dessa dificuldade de amar: quais experiências, expectativas e dores moldaram esse modo de sentir. A partir disso, algo novo pode começar a se formar — um jeito mais próprio e verdadeiro de se relacionar com os outros e consigo mesmo.
Perguntas frequentes
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Existe a possibilidade de contrair raiva ou seria uma exposição de risco após comer alimento que um
A situação descrita não é considerada uma exposição habitual de risco para…