Perguntas do paciente (5)

  • Quais são os ataques ocasionais de ansiedade? .

    Quais são os ataques ocasionais de ansiedade? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fernanda W. Pian

    Acredito que com “ataques” você esteja se referindo aos momentos de crise de ansiedade. As crises costumam ocorrer quando se há alguma situação estressora, momentos de mudança ou com alguma preocupação aparente. É diferente de um transtorno de ansiedade que os sintomas ansiosos aparecem com mais frequência e afetam a vida da pessoa como um todo. Em momentos de crise, é comum haver um gatilho identificável e os sintomas tendem a se amenizar à medida que a situação se resolve, o estímulo é afastado ou a pessoa encontra formas mais saudáveis de lidar com aquilo.

    Na minha experiência é possível ver o quanto essas crises podem ser desconfortáveis e assustadoras porque, muitas vezes,principalmente em casos em que a pessoa nunca experienciou isso antes, não se é compreendido o que está acontecendo e isso pode trazer angústia e a sensação de desamparo. Por isso, quando esses momentos de crise são identificados é necessário avaliar se eles se repetem e se eles limitam a qualidade de vida da pessoa, e caso sim, é importante buscar por atendimento psicológico para construção de ferramentas de manejo.


  • Por que a ansiedade é tratada como transtorno ou episódio?

    Por que a ansiedade é tratada como transtorno ou episódio?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fernanda W. Pian

    Acredito ser importante pontuar que a ansiedade é uma emoção natural e saudável, é uma forma de nos proteger. Ainda que seja considerada uma violação do nosso tempo, ela nos prepara para agir diante de situações de risco ou de desafio. O que diferencia a ansiedade considerada dita “normal” do que consideramos transtorno é a intensidade, a frequência e o impacto que ela causa na vida da pessoa.

    Quando a gente fala de transtorno de ansiedade, são quadro clínicos mais persistentes, que gera sofrimento significativo, atrapalha a rotina e não se explica apenas pela situação vivida. Já um episódio de ansiedade costuma surgir em momentos específicos de maior estresse ou mudança mas tende a se resolver com o tempo ou com estratégias para lidar com a situação que está gerando a ansiedade, ou seja, o episódio ansioso tem foco específico e é compatível com o momento que está ocorrendo.

    Na minha prática clínica, vejo que ter o entendimento dessa diferença ajuda muito a pessoa a se reconhecer. Não é toda ansiedade que é doença, mas quando ela passa a ser limitante e deixamos de fazer atividades importantes ou de viver com qualidade,é um alerta que mostra que está no momento de procurar por ajuda especializada.


  • Olá tenho dificuldade de me socializar tenho medo de reuniões com outras pessoas isso pode se dizer

    Olá tenho dificuldade de me socializar tenho medo de reuniões com outras pessoas isso pode se dizer que é fobia social ou eu sou antissocial?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fernanda W. Pian

    Olá!

    Eu entendo a sua dúvida, os termos realmente acabam sendo usados de forma confusa no dia a dia. O medo de situações sociais que você descreve, como reuniões com outras pessoas, pode estar mais relacionado ao que a psicologia entende ansiedade social (ou fobia social), quando há um medo intenso de julgamento ou rejeição em interações sociais.

    Já quando falamos do termo “antissocial”, ele é muitas vezes é usado para se referir a pessoas que preferem ficar mais sozinhas e que são mais introspectivas e retraídas socialmente. Mas na psicologia tem outro significado, ligado a comportamentos persistentes de desrespeito às normas sociais e aos direitos dos outros, o que é bem diferente do que você está trazendo.

    Ter ansiedade social não significa que você não goste de pessoas ou que é uma pessoa antissocial, mas sim que pode existir um medo e/ou uma insegurança que acabam atrapalhando essas interações. Mas é importante lembrar que ter dificuldades em reuniões com outras pessoas não fecha o diagnóstico de fobia social. É importante verificar se esse medo e dificuldade acontecem em quaisquer reuniões sociais, como isso aparece e como isso te afeta. Entendendo esse quadro, isso pode ser trabalhado em psicoterapia, sendo possível desenvolver recursos para lidar melhor com essas situações, ganhar confiança e aos poucos, se sentir mais confortável em contextos sociais.

    Espero ter ajudado!


  • Autoestima baixa pode significar depressão? Para aumentar a autoestima o que pode ser feito?

    Autoestima baixa pode significar depressão? Para aumentar a autoestima o que pode ser feito?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fernanda W. Pian

    A autoestima baixa, isoladamente, não significa um quadro depressivo, mas pode ser um indicativo de que algo maior esteja encoberto. Em muitos quadros de depressão, a autocrítica e a desvalorização pessoal aparecem como sintomas. Ainda assim, é possível vivenciar períodos de autoestima fragilizada por diferentes motivos, como situações de estresse, comparações sociais, entre outros e isso não caracteriza necessariamente um transtorno depressivo.

    Gosto de trabalhar a autoestima a partir da identidade. Isso significa apoiar a pessoa no reconhecimento de seus gostos, interesses e atividades que lhe trazem prazer. A partir desse movimento, é possível valorizar conquistas, cultivar experiências significativas e fortalecer a relação consigo mesma.

    Na prática clínica, percebo que o processo terapêutico é um espaço privilegiado para esse trabalho, porque possibilita refletir sobre os pensamentos que surgem quando a pessoa olha para si, resgatar recursos pessoais e construir novas formas de se relacionar consigo. Em alguns casos, quando a baixa autoestima está associada a sintomas persistentes de tristeza, desânimo e perda de interesse, é fundamental buscar acompanhamento especializado para avaliar a possibilidade de depressão e oferecer o cuidado adequado.


  • Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que e

    Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que eu, que é diagnosticada com depressão
    Tudo isso de escutar todo mundo está me deixando para baixo e eu acabo me sentindo confusa e choro muito ou me sentindo triste quase o tempo todo
    O que eu faço? Devo parar de ajudá-la?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Fernanda W. Pian

    Primeiramente, obrigada por compartilhar sua vivência. Entendo a sua preocupação em querer ajudar, é importante lembrar que, quando nos colocamos sempre no papel de suporte para outras pessoas, podemos nos sobrecarregar. Escutar alguém que está em sofrimento pode ser pesado para quem não é profissional de saúde mental.

    Se você percebe que isso está afetando seu humor e bem-estar, uma alternativa é uma conversa sincera expondo que você quer apoiar essa menina e estar presente mas que só consegue alcançar até certo ponto e, incentivá-la a, quando precisar de uma escuta que você não esteja conseguindo realizar, procurar talvez a pessoa profissional que a diagnosticou. Dessa forma, você não se deixa indisponível mas também não se coloca em uma posição que te prejudique emocionalmente. E se você perceber que não está bem, não deixe de procurar ajuda também, seja de responsáveis ou serviços de saúde. É importante tentar ajudar quem está a nossa volta, mas é necessário reconhecer nossos limites. Espero ter ajudado!


Perguntas frequentes

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