Perguntas do paciente (9291)
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Por que a desobediência pode ocorrer em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Por que a desobediência pode ocorrer em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
O que frequentemente parece "desobediência" no TEA raramente é uma intenção opositora deliberada. Na maioria dos casos, decorre de: 1) Dificuldade na compreensão da instrução (linguagem abstrata ou ordens complexas); 2) Rigidez cognitiva ou resistência a transições sem aviso prévio; 3) Sobrecarga sensorial ou meltdowns/shutdowns; ou 4) Falta de entendimento sobre o motivo lógico da regra. Quando a ordem não faz sentido lógico ou interrompe um hiperfoco bruscamente, o indivíduo tende a não aderir.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
Psicólogo e Neuropsicólogo
@psifernandosegundo
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Abraços
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O que significa "autismo desobediente"? .
O que significa "autismo desobediente"? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
O termo "autismo desobediente" não é uma categoria nosológica ou diagnóstico clínico oficial. Trata-se de um rótulo popular ou leigo utilizado para descrever quadros em que traços do TEA vêm acompanhados de comportamentos de forte oposição, rigidez ou recusa escolar/social. Na prática clínica, quando há comportamentos desafiadores persistentes, investiga-se a comorbidade com o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) ou a presença de um perfil conhecido como Demand Avoidance (Esquiva Extremada de Demandas/PDA).
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
Psicólogo e Neuropsicólogo
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Abraços
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O que pode vir junto com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
O que pode vir junto com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
O autismo apresenta alta taxa de comorbidades médicas e psiquiátricas. As condições mais comuns associadas incluem: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtornos de Ansiedade, Transtorno Depressivo, Apraxia da Fala, Transtorno do Sono, Deficiência Intelectual, Epilesia, Transtornos Gastrointestinais e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
Psicólogo e Neuropsicólogo
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O que é teoria da mente no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
O que é teoria da mente no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
A Teoria da Mente (Theory of Mind) é a habilidade socio-cognitiva de inferir e atribuir estados mentais (intenções, crenças, desejos, emoções e conhecimentos) a si mesmo e aos outros, compreendendo que as outras pessoas têm perspectivas e pensamentos diferentes dos seus. No autismo, essa habilidade costuma apresentar déficits ou desenvolvimento atípico, o que dificulta a leitura de pistas sociais sutis, a antecipação das intenções alheias e a compreensão de intenções não declaradas de forma explícita.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Quais são as habilidades cognitivas prejudicadas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Quais são as habilidades cognitivas prejudicadas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
No TEA, o perfil cognitivo é bastante heterogêneo, mas frequentemente observam-se dificuldades em:
Funções Executivas: Planejamento, flexibilidade cognitiva (dificuldade em mudar de estratégia ou lidar com imprevistos) e memória de trabalho.
Teoria da Mente: Habilidade de inferir estados mentais, intenções, desejos e sentimentos de outras pessoas.
Coerência Central: Tendência a focar excessivamente em detalhes específicos em detrimento do contexto geral (visão do todo).
Processamento Sensorial e Atencional: Dificuldade em filtrar estímulos irrelevantes (hiper ou hiporreatividade sensorial) e alternar o foco atencional.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
Psicólogo e Neuropsicólogo
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Quais são as áreas de dificuldade para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Quais são as áreas de dificuldade para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
As áreas de maior impacto e dificuldade para o indivíduo com TEA compreendem:
Comunicação Social: Interpretação de linguagem não verbal (gestos, expressões), ironias, metáforas e manutenção da reciprocidade conversacional.
Interação Social: Iniciação e manutenção de amizades, compreensão de regras sociais implícitas e compartilhamento de emoções.
Flexibilidade Comportamental: Adaptação a mudanças na rotina, rigidez no pensamento e adesão inflexível a rituais.
Integração Sensorial: Incômodo severo ou busca excessiva por estímulos táteis, auditivos, visuais ou gustativos.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Quais são os pilares do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Quais são os pilares do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
De acordo com os manuais diagnósticos atuais (como o DSM-5-TR e a CID-11), o TEA é sustentado por dois pilares fundamentais (diáde diagnóstica):
Déficits na Comunicação e Interação Social: Dificuldades persistentes na reciprocidade socioemocional, nos comportamentos comunicativos não verbais e no desenvolvimento/manutenção de relacionamentos.
Padrões Restritos e Repetitivos de Comportamento, Interesses ou Atividades: Presença de movimentos motores ou fala repetitiva (estereotipias), adesão inflexível a rotinas, interesses altamente fixos/restritos e hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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O que são desenvolvimento social e cognitivo? .
O que são desenvolvimento social e cognitivo? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
Desenvolvimento Cognitivo: Refere-se ao processo de maturação e aprimoramento das funções mentais ao longo da vida, tais como atenção, memória, linguagem, raciocínio lógico, resolução de problemas e tomada de decisões. É como o cérebro adquire e processa informações sobre o mundo.
Desenvolvimento Social: É o processo de aquisição de habilidades que permitem ao indivíduo interagir de forma eficaz com os outros, construir laços afetivos, compreender normas culturais, desenvolver empatia, regular comportamentos em grupo e construir sua própria identidade social.
Ambos os desenvolvimentos caminham juntos e influenciam-se mutuamente desde a infância.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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O que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta especificamente?
O que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta especificamente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta especificamente a organização do processamento cerebral nas áreas de conectividade social, sensorial e executiva.
De forma direta, ele afeta a maneira como o cérebro percebe o ambiente e se conecta com outras pessoas, impactando a reciprocidade socioemocional, a interpretação de pistas sociais sutis, a regulação sensorial e a capacidade de adaptação a novidades e transições do cotidiano.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Quais áreas da cognição são preservadas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Quais áreas da cognição são preservadas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
No Transtorno do Espectro Autista (TEA), o perfil cognitivo é heterogêneo, mas frequentemente observam-se áreas preservadas ou até mesmo hiperdesenvolvidas:
Memória Declarativa/Factual: Excelente retenção de informações detalhadas, datas, dados técnicos e conteúdos de hiperfoco.
Raciocínio Lógico-Matemático e Sistematização: Habilidade elevada para identificar padrões, estruturas sintáticas, códigos ou regras formais.
Atenção aos Detalhes (Visual/Espacial): Capacidade apurada de percepção de detalhes e discrepâncias em estímulos visuais ou auditivos que passam despercebidos pela maioria.
Inteligência Não-Verbal/Fluida: Em muitos indivíduos (sem deficiência intelectual associada), o raciocínio abstrato espacial e matricial encontra-se preservado ou acima da média.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Quais as estratégias para trabalhar a cognição social no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Quais as estratégias para trabalhar a cognição social no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
As intervenções focam em ensino explícito e estruturado de habilidades que não são adquiridas intuitivamente:
Treino de Habilidades Sociais (THS) em Grupo ou Individual: Ensino passo a passo de contato visual adaptativo, turnos de fala e iniciação/manutenção de conversas.
Histórias Sociais e Suportes Visuais: Utilização de scripts ilustrados para antecipar contextos sociais, regras implícitas e comportamentos esperados.
Treinamento explícito de Teoria da Mente: Uso de vídeos, fotos e jogos para ensinar a identificação de expressões faciais, intenções, ironia e estados mentais alheios.
Videomodelagem: Assistir a gravações de interações sociais adequadas para análise e posterior reprodução do comportamento.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Quais são as estratégias para trabalhar a cognição social no Transtorno de Personalidade Borderline
Quais são as estratégias para trabalhar a cognição social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
No TPB, o foco não é a falta de teoria da mente (como no TEA), mas sim a hiper-interpretação emocional (hiper-mentalização) e o viés de ameaça em pistas sociais neutras:
Treinamento de Mentalização (MBT): Auxilia o paciente a pausar antes de tirar conclusões precipitadas sobre as intenções alheias, diferenciando a realidade objetiva dos sentimentos internos.
Módulo de Efetividade Interpessoal da Terapia Comportamental Dialética (DBT): Ensino de técnicas objetivas (como o DEAR MAN) para expressar necessidades, impor limites e gerenciar conflitos sem recorrer à invalidação ou ao abandono.
Reestruturação do Viés de Interpretação: Identificação de distorções como o pensamento "tudo ou nada" (idealização/desvalorização) e a leitura mental catastrófica durante interações afetivas.
Regulação Emocional Prévia: Redução do nível de arousal (ativação fisiológica) para que o indivíduo consiga processar o contexto social com a mente lógica, e não apenas reativa.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Qual é o Impacto dos maus-tratos e traumas na infância na empatia cognitiva no Transtorno de Persona
Qual é o Impacto dos maus-tratos e traumas na infância na empatia cognitiva no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
Traumas e maus-tratos na infância (como abuso físico, emocional, negligência ou invalidação sistemática) afetam significativamente o desenvolvimento do sistema de apego e do circuito de mentalização no TPB:
Hipervigilância ao Perigo: A criança que cresce em um ambiente imprevisível desenvolve uma habilidade aguçada — porém distorcida — para detectar pequenas alterações emocionais nos cuidadores (olhares, tom de voz) como forma de sobrevivência.
Prejuízo na Empatia Cognitiva (Mentalização): Embora a pessoa com TPB tenha uma empatia afetiva intensa (sente a dor do outro fortemente), a empatia cognitiva (capacidade de inferir com precisão e neutralidade os pensamentos e intenções alheias) fica comprometida sob estresse.
Viés de Intenção Hostil: O trauma faz com que a mente interprete expressões neutras ou ambiguidades do parceiro/amigo como sinal iminente de rejeição, raiva ou abandono, desencadeando respostas reativas desproporcionais.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Quais são as alterações da cognição social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Quais são as alterações da cognição social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
As principais alterações da cognição social no TPB envolvem:
Hipermentalização: Tendência a criar teorias complexas e frequentemente equivocadas sobre o que os outros estão pensando, geralmente assumindo motivos negativos.
Dificuldade na Integração de Estados Mentais (Pensamento 'Tudo ou Nada'): Flutuação extrema entre ver a outra pessoa como totalmente boa (idealização) ou totalmente má (desvalorização).
Sensibilidade Aumentada a Pistas de Rejeição: Pequenos atrasos em respostas, mudanças sutis de tom ou desatenção momentânea são interpretados como quebra de vínculo ou desprezo.
Dificuldade na Auto-observação sob Forte Estresse: Quando o arousal emocional sobe, a capacidade de refletir sobre o próprio impacto no outro diminui, dando lugar a comportamentos impulsivos de defesa.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Como é a vida social de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
Como é a vida social de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
A vida social no autismo é amplamente diversa e varia conforme o nível de suporte, idade e presença de comorbidades, mas costuma apresentar características marcantes:
Desejo de Conexão vs. Cansaço Social: Muitas pessoas no espectro desejam ter amigos e relacionamentos, mas o esforço consciente para interpretar regras implícitas e linguagem não-verbal gera alto esgotamento mental (burnout autista).
Camuflagem Social (Masking): Especialmente em adultos e mulheres no espectro, é comum o uso de estratégias aprendidas para "imitar" comportamentos neurotípicos em público, o que causa grande sobrecarga emocional.
Relações Baseadas em Interesses Compartilhados: A sociabilidade costuma fluir melhor quando estruturada ao redor de temas de hiperfoco, jogos, hobbies ou atividades práticas, em vez de conversas informais (small talk).
Preferência por Comunicação Direta: Relações interpessoais mais estáveis tendem a se consolidar com pessoas que praticam comunicação objetiva, sem subentendidos ou ironias veladas.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
Psicólogo e Neuropsicólogo
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Tenho 33 anos e passo meu tempo livre inteiro jogando vídeo game como forma de escapismo. Possuo um
Tenho 33 anos e passo meu tempo livre inteiro jogando vídeo game como forma de escapismo. Possuo um bom emprego financeiramente falando, mas detesto o que faço. Não possuo amigos ou qualquer vida social ou amorosa (sou diagnosticado com fobia social e TEA suporte 1). Procuro usar o vídeo game para escapar da realidade e ir para mundos de fantasia. Chego a ficar mais apegado com personagens virtuais desses jogos do que com pessoas da vida real.
É possível que isso seja sinal de depressão? Sinto que se jogos de vídeo game deixassem de existir, a vida seria um total marasmo.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
Sim, é muito provável que isso seja um sinal de depressão.
O que você está descrevendo não é apenas um hobby ou um simples hábito de jogar, mas uma estratégia profunda de anestesia e regulação emocional. Quando a vida fora da tela se torna insuportável, excessivamente exaustiva ou desprovida de sentido, o cérebro busca refúgio onde encontra previsibilidade, controle e conexão segura.
Por que o vídeo game assumiu esse papel no seu momento atual?
Para uma pessoa no espectro autista (TEA Nível 1) e com fobia social, o mundo real impõe um custo neurocognitivo e emocional brutal diário:
Exaustão por mascaramento (masking): Sobreviver a um emprego que você detesta e interagir no mundo corporativo exige um esforço contínuo para processar pistas sociais e conter sobrecargas sensoriais.
Segurança vs. Ameaça: Os jogos oferecem mundos de fantasia onde as regras são claras, não há julgamento social imediato e o controle da situação está nas suas mãos.
Apego a personagens virtuais: A necessidade de conexão humana e afeto continua existindo em você, mas a vida real cobra um preço alto demais (ansiedade, medo da rejeição, imprevisibilidade). Narrativas de jogos permitem vivenciar empatia e vínculo emocional de forma protegida e sem o risco do abandono ou do julgamento real.
Onde a Depressão se encaixa nesse quadro?
A depressão nem sempre se manifesta como choro ou tristeza profunda; frequentemente ela se apresenta como anhedonia (incapacidade de sentir prazer nas coisas do mundo real), vazio existencial e a sensação de que a vida real é um "marasmo total".
Quando você sente que "se os jogos deixassem de existir, a vida seria um total marasmo", o vídeo game deixa de ser uma escolha de lazer e passa a ser a única muleta de sustentação emocional que impede você de entrar em contato direto com a dor do isolamento e da insatisfação com a própria vida.
Caminhos para começar a mudar esse cenário
Não se trata de "largar os jogos" ou se culpar por jogar — afinal, o jogo é o recurso que você encontrou para se manter de pé até aqui. O objetivo é tornar a vida fora da tela gradualmente mais tolerável e com mais sentido.
Investigação Psiquiátrica e Psicológica:
A combinação de TEA, fobia social e insatisfação profissional cria um terreno propício para quadros depressivos secundários. Um psiquiatra pode avaliar a necessidade de suporte farmacológico para aliviar os sintomas depressivos e ansiosos, enquanto a psicoterapia (especialmente abordagens como a TCC ou a Terapia de Aceitação e Compromisso) ajuda a mapear os limites do seu perfil neurodivergente.
Acomodação da Neurodivergência (Burnout Autista):
Muitas vezes, a necessidade extrema de escapismo é sintoma de um burnout autista causado pelo emprego e pelo excesso de estímulos diários. Mapear o que no seu trabalho é intragável e o que consome sua energia ajuda a planejar modificações no ambiente ou até uma transição profissional futura.
Conexões com Baixo Custo Social:
Você não precisa ir para baladas ou eventos cheios. Conexões para pessoas no espectro costumam funcionar melhor quando baseadas em interesses focados (comunidades online ou presenciais sobre jogos, tecnologia, ficção ou hobbies específicos), onde a interação gira em torno de um tema objetivo, reduzindo a pressão da fobia social.
Seu desejo de viver em mundos de fantasia reflete o quanto a sua estrutura atual no mundo real está desequilibrada e dolorosa. Reconhecer esse padrão é o primeiro passo para começar a construir uma realidade que você não precise tentar fugir o tempo todo.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
Psicólogo e Neuropsicólogo
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Abraços
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Meu filho tem 2 anos e 3 meses. Desde que ele nasceu, sempre moramos apenas eu, ele e o meu marido.
Meu filho tem 2 anos e 3 meses. Desde que ele nasceu, sempre moramos apenas eu, ele e o meu marido. Há cerca de 6 meses, precisávamos mudar e viemos morar com a minha mãe e minha tia. Desde então, percebo que ele ainda não se acostumou completamente com elas.
Ele tem momentos em que interage bem: ri, abraça, brinca, mas são situações muito pontuais. Na maior parte do tempo, ele reage de forma arisca e desconfortável, principalmente quando elas tentam se aproximar ou até mesmo apenas olham para ele. Nessas situações, ele dá pequenos gritos, gritinhos… mas isso não acontece com frequência com outras pessoas nem conosco, os pais.
Essa resistência dele tem me deixado preocupada e triste, pois já fazem 6 meses de convivência diária e eu imaginava que, nesse tempo, ele já estaria mais adaptado. Gostaria de entender se esse comportamento pode ser considerado dentro do esperado para a idade, se pode ter alguma relação emocional ou de fase, ou se há algo que deveríamos investigar com mais atenção. Eu me sinto constantemente ansiosa sobre isso, porque nunca sei como ele vai reagir com elas.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
É compreensível que essa situação traga ansiedade e apreensão, especialmente após seis meses de convivência. No entanto, o comportamento do seu filho está dentro do esperado para a fase de desenvolvimento em que ele se encontra (aos 2 anos e 3 meses) e possui explicações emocionais e cognitivas bem delimitadas.
Abaixo estão os principais fatores que ajudam a compreender o que está acontecendo e como lidar com esse momento:
1. Compreendendo o Comportamento
Pico de Ansiedade de Separação e Cautela: Entre os 18 meses e os 3 anos, o cérebro da criança passa por uma grande transição. Ela desenvolve maior noção de individualidade, o que aumenta a necessidade de segurança no núcleo primário (pai e mãe). Pessoas fora desse núcleo, mesmo familiares amorosos, podem ser percebidas como uma ameaça à sua zona de conforto.
A "Bolha Primária": Durante os primeiros dois anos, o mundo social dele se restringiu a você e ao seu marido. A transição para uma casa com novas presenças diárias exige uma readequação que pode levar mais tempo do que os adultos esperam.
Sensibilidade à Aproximação Direta: O ato de olhar fixamente, falar diretamente ou tentar aproximar-se fisicamente pode ser interpretado pela criança como invasivo. Os "gritinhos" e a reação arisca são formas primitivas de impor um limite: "Ainda preciso de distância para me sentir seguro".
Conexão Pontual e Preservada: O fato de ele brincar, rir e abraçar em situações pontuais demonstra que não há um prejuízo socioemocional global. Ele é capaz de se conectar, mas precisa sentir que tem o controle da situação.
2. Contágio Emocional e Expectativas
Contágio de Ansiedade: As crianças captações muito finas da tensão no ar. Quando os pais ficam ansiosos antecipando a reação da criança, ou quando as familiares tentam "conquistá-la" com ansiedade, o garoto percebe o clima e reage ficando na defensiva.
A Pressão Involuntária: Tentar forçar a aproximação (pedir abraços, fazer contato visual constante) pode soar como uma pressão para a criança, fazendo com que ela se afaste ainda mais.
3. Como Ajudar na Adaptação
Aproximação Passiva: Oriente sua mãe e sua tia a utilizarem o "desinteresse construtivo". Elas devem brincar ou ficar no mesmo ambiente sem olhar diretamente para ele ou chamá-lo. Deixem que ele tome a iniciativa de se aproximar no ritmo dele.
Validação sem Alarde: Quando ele reagir com gritinhos, mantenha a calma. Acolha de forma neutra ("Está tudo bem, a vovó só está olhando o brinquedo") e redirecione a atenção sem repreendê-lo.
Respeito ao Espaço: Garanta ao seu filho que ele não é obrigado a interagir se não quiser. Isso reduz a necessidade de ele usar reações ariscas como defesa.
4. Quando Investigar
A princípio, esse quadro reflete uma rigidez de adaptação típica da primeira infância. No entanto, é recomendável conversar com o pediatra ou psicólogo infantil se houver:
Dificuldade de contato visual constante e falta de reciprocidade com todas as pessoas (incluindo os pais).
Regressões severas na fala ou no desenvolvimento motor.
Incapacidade total de brincar ou se conectar com qualquer pessoa fora do núcleo primário após intervenções.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
Psicólogo e Neuropsicólogo
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Meu filho de 4 anos é muito tímido fora de casa, em casa conversa sobre tudo, e ultimamente ele vem
Meu filho de 4 anos é muito tímido fora de casa, em casa conversa sobre tudo, e ultimamente ele vem reclamando que não escola os coleguinhas não ouvem ele, mesmo que ele grite, segundo ele, não prestam atenção quando ele chama, disse que parece estão surdos. Como posso ajudá-lo nesse caso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
O comportamento do seu filho reflete um padrão bastante comum no desenvolvimento infantil: em casa, onde se sente totalmente seguro, ele expande sua comunicação; fora, a timidez inibe sua postura. A sensação de que os colegas "não ouvem" ou "estão surdos" geralmente ocorre porque crianças de 4 anos interagem pelo brincar corporal e pela presença ocupada no espaço, e não apenas pelo chamado verbal. Se ele chama de forma tímida, receosa ou apenas verbalmente à distância, os colegas, imersos em suas próprias brincadeiras, acabam não registrando o chamado. Para ajudá-lo, você pode treinar em casa a aproximação física (ensinar a chegar perto, tocar suavemente no ombro do colega e propor uma ação direta, como "posso brincar de carrinho com você?"), além de combinar com a professora estratégias de mediação na escola, como integrá-lo em duplas ou pequenas dinâmicas estruturadas para facilitar sua entrada no grupo.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Olá, tudo bem? Eu estou procurando um profissional para trabalhar questões emocionais ligadas a ape
Olá, tudo bem?
Eu estou procurando um profissional para trabalhar questões emocionais ligadas a apego evitativo.
Tenho 39 anos e percebo um padrão repetitivo nos meus relacionamentos: no início eu me envolvo de forma intensa, mas depois acabo me distanciando emocionalmente, mesmo sem motivo real. É como se o sentimento simplesmente desaparecesse.
Tive uma infância com pouca presença emocional dos meus pais — meu pai era ausente e alcoólatra, e minha mãe, embora amorosa, sempre trabalhou muito.
Gostaria de entender qual especialidade ou abordagem terapêutica é mais indicada pra esse tipo de situação (Terapia do Apego? EFT? Somatic Experiencing?).
Também queria saber se há profissionais que realmente trabalham esse tema de forma prática, não só conversando, mas ajudando a reconstruir o vínculo emocional.
Agradeço desde já qualquer orientação.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas.
A dinâmica que você descreve, de alto envolvimento inicial seguido por um "desligamento" ou anestesia emocional quando a intimidade se aprofunda, é o mecanismo clássico do padrão de apego evitativo (ou Inseguro-Esquivo). Esse afastamento não é ausência de sentimento, mas sim uma resposta de defesa neurobiológica: o cérebro aprendeu, na infância (diante da indisponibilidade do pai e da ausência física da mãe), que depender emocionalmente de alguém é um terreno inseguro. Para trabalhar esse quadro de forma prática e profunda, as abordagens mais indicadas são a Terapia do Esquema (que mapeia os esquemas precoces de privação emocional e desconfiança/abuso, reestruturando as respostas do Modo Criança Vulnerável e Protetor Desligado), a Terapia Focada nas Emoções (EFT) e abordagens baseadas na Teoria do Apego / Experiência Somática (Somatic Experiencing) para reprocessar as memórias implícitas de desamparo no corpo. Um trabalho terapêutico efetivo nesse tema não se limita à psicanálise pura ou conversa reflexiva; ele utiliza experimentos comportamentais, reescrita de memórias infantis (imagery rescripting) e a própria relação terapêutica como um "experimento de apego seguro", permitindo que seu sistema nervoso aprenda que é seguro permanecer conectado.
Atenciosamente,
Fernando Vicente Rébuli Segundo
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Como é a sensação de hiperfixação no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
Como é a sensação de hiperfixação no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Oi, é um prazer te ter por aqui.
A hiperfixação no TOC é vivida como aprisionamento cognitivo. O pensamento intrusivo domina a mente, gera ansiedade intensa e parece impossível de ignorar. A pessoa sente que precisa resolver, neutralizar ou entender o pensamento imediatamente, como se fosse uma emergência emocional. Há sensação de urgência, desconforto físico e perda de controle atencional.
É exaustivo, repetitivo e drenante, criando um ciclo de tensão e alívio temporário por meio de rituais.
Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
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Perguntas frequentes
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