Perguntas do paciente (14)

  • Estou passando por um casamento muito desgastado emocionalmente e gostaria de uma orientação do pont

    Estou passando por um casamento muito desgastado emocionalmente e gostaria de uma orientação do ponto de vista da psicanálise.

    Estou em um relacionamento em que há muitos conflitos, ofensas e perda de respeito mútuo. As brigas são frequentes e muitas vezes acontecem na frente dos nossos filhos. Já não existe mais convivência afetiva entre nós: não dormimos mais juntos e o carinho praticamente desapareceu.

    Sinto que, ao longo do relacionamento, houve um acúmulo de mágoas e quebra de confiança. Antes do casamento, minha esposa teve comportamentos que me geraram muita insegurança e desconfiança, o que fez com que eu entrasse no casamento já com o respeito e a admiração bastante abalados. Com o tempo, apesar de tentativas de reconstrução, o relacionamento foi se desgastando ainda mais.

    Hoje percebo um ciclo constante de conflito: eu reconheço meus erros e tento assumir responsabilidade pelas minhas atitudes durante as brigas, mas sinto que minha esposa não reconhece a própria participação nos problemas, o que me gera frustração e sensação de impotência. Isso acaba intensificando os conflitos entre nós.

    Também percebo em mim um grande desgaste emocional, sentimentos de baixa autoestima, medo de ficar sozinho e dúvida constante sobre se devo continuar tentando ou me afastar. Ao mesmo tempo, amo muito meus filhos e tenho muito medo de prejudicar a convivência com eles caso haja separação.

    Gostaria de entender, sob uma perspectiva psicanalítica, como esses padrões emocionais e relacionais podem estar se repetindo na minha vida e de que forma um processo terapêutico poderia me ajudar a compreender melhor minhas escolhas, meus vínculos afetivos e minha dificuldade em lidar com essa situação.

    Também gostaria de saber como a psicanálise enxerga situações em que há perda de respeito e repetição de conflitos dentro do casal, e quando isso pode indicar um limite emocional para a continuidade da relação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Antes de tudo, quero dizer que sinto muito por tudo o que você tem vivido. Pelo seu relato, é possível perceber o quanto essa situação tem sido desgastante e o quanto existe um desejo genuíno de compreender o que está acontecendo consigo, com a relação e com sua família.

    A psicanálise é um modo de tratamento que dedica especial atenção à repetição de padrões. Muitas vezes, formas de sentir, escolher e se relacionar que parecem se repetir têm raízes em experiências construídas ao longo da vida e continuam influenciando, muitas vezes sem que a pessoa perceba, a maneira como vive seus relacionamentos hoje. O processo analítico ajuda justamente a lançar luz sobre essas repetições, para que elas possam ser compreendidas e elaboradas, abrindo espaço para novas possibilidades de viver os vínculos.

    O medo da separação e a preocupação com os filhos são sentimentos profundamente humanos e costumam estar presentes em situações como a que você descreve. Ao mesmo tempo, muitas pessoas descobrem que relações mais pacíficas e respeitosas também favorecem o bem-estar dos filhos, mesmo quando o casal deixa de existir. Cada pessoa precisa encontrar o caminho que faça sentido para sua história e seus valores. A análise permite compreender esses sentimentos em profundidade, tornando esse processo mais consciente e menos guiado pelo medo ou pela culpa.

    A boa notícia é que esse momento não precisa definir o restante da sua vida. A análise oferece um espaço seguro para que você possa compreender sua história, fortalecer a confiança em si mesmo(a) e descobrir novas formas de se relacionar consigo, com os outros e com aquilo que deseja para o futuro. Ao longo desse percurso, muitas pessoas conseguem fazer escolhas com mais serenidade, construir vínculos mais saudáveis e reencontrar a esperança de viver relações mais humanas, respeitosas e satisfatórias.


  • Olá! Estou passando por um momento chato, tenho um namorado e vivemos uma relação boa, leve e tranqu

    Olá! Estou passando por um momento chato, tenho um namorado e vivemos uma relação boa, leve e tranquila, me sinto segura ao lado dele. Mas sonho direto com ele me terminando o relacionamento e há alguns dis sonhos com mãos frequência. O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Sonhos costumam falar muito mais de nossos medos, vulnerabilidades e conflitos do que da realidade. Vale a pena perguntar e investigar por que essa possibilidade aparece com tanta frequência justamente agora. E, se isso tem gerado angústia, uma análise pode ajudar a compreender o que esses sonhos estão tentando dizer e, aos poucos, construir uma relação mais tranquila com aquilo que hoje causa desconforto ou sofrimento.


  • Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro, tenho consciência que preciso mudar, mas não consi

    Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro, tenho consciência que preciso mudar, mas não consigo. Sendo parte da minha personalidade será que é possível mudar ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Sim, é possível mudar. O fato de você reconhecer esse padrão já é um passo importante. Muitas vezes, a insegurança e o ciúme não são características imutáveis da personalidade, mas formas de lidar com medos, vulnerabilidades, traumas e experiências que foram marcando a sua história. A análise oferece um espaço para compreender a origem desses sentimentos e elaborar o que os sustenta. Com esse trabalho, é possível construir uma forma mais segura, tranquila e livre de viver os relacionamentos, sem que o medo conduza suas escolhas.


  • O que seria uma pessoa que tem tendências depressivas?

    O que seria uma pessoa que tem tendências depressivas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    A expressão "tendências depressivas" não é um diagnóstico médico em si, mas costuma indicar uma predisposição a vivenciar com frequência sentimentos como tristeza, culpa, desânimo, autocrítica intensa e baixa autoestima. Na psicanálise, entende-se que esse modo de funcionamento não é imutável: ele pode ser elaborado ao longo da análise, abrindo espaço para uma relação menos 'depressiva, menos sofrida consigo mesmo, com os outros e com a própria vida.


  • O que é o desmentido e como ele pode afetar a pessoa?

    O que é o desmentido e como ele pode afetar a pessoa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Na psicanálise, o desmentido acontece quando alguém importante para nós nega, minimiza ou desacredita uma experiência que foi muito real e marcante. É como se a pessoa dissesse, direta ou indiretamente: "isso não aconteceu", "você está exagerando" ou "você entendeu errado". Com o tempo, isso pode fazer com que a pessoa passe a duvidar dos próprios sentimentos, das próprias lembranças e até de si mesma. A análise pode ser um espaço para acolher essa história, dar lugar ao que foi vivido e construir uma relação mais segura com a própria experiência, consigo mesmo, com os outros e com o mundo.


  • O que é um vínculo e como influencia a forma como nos relacionamos com outras pessoas?

    O que é um vínculo e como influencia a forma como nos relacionamos com outras pessoas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Vínculo é a forma como nos conectamos afetiva e emocionalmente com outras pessoas. Ele começa a ser construído desde as primeiras relações da infância e influencia a maneira como confiamos, amamos, lidamos com conflitos, perdas, proximidade e afastamento. Na psicanálise, entende-se que esses modos de se relacionar podem ser compreendidos e redesenhados ao longo da tempo e do processo de análise, favorecendo vínculos mais seguros, livres e menos marcados pelo sofrimento.


  • Em minha vida inteira, nunca consegui manter amizades, amizades da adolescencia eu simplesmente excl

    Em minha vida inteira, nunca consegui manter amizades, amizades da adolescencia eu simplesmente exclui da minha vida sem mais nem menos (nao houve nada), mas por vezes me veem esses impulsos e acabo que nao consigo manter relaçoes com pessoas, acabo me afastando, ignorando e muitas vezes sumindo real, trocando de numero, para não ter mais que falar com tais pessoas, e desde sempre foi assim, não tenho amigos, nenhum com 26 anos apenas, tenho uns 3 virtuais, e depois de alguns meses, sumi, inclusive estão preocupados, me mandando email e tudo, mas nao sinto esgotamento nem nada, só vontade de ficar isolada mesmo, e quando esse sentimento acaba, acabo sentindo falta dessas pessoas, mas com vergonha de procura las novamente, e mais algumas questoes que me fazem crer que eu tenha algo, algum transtorno...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    O que você descreve parece ser um padrão que se repete há bastante tempo e que tem trazido consequências importantes para a sua vida. Isso, por si só, merece ser compreendido, mas não significa necessariamente que exista um transtorno. Na psicanálise, interessa menos dar um nome ao comportamento e mais investigar por que esses afastamentos acontecem, o que eles representam para você e o que faz com que depois venha a saudade e a dificuldade de retomar os vínculos. A análise pode ser um espaço para compreender esse funcionamento e, aos poucos, construir formas mais sustentáveis, mais duradouras e menos complexas de se relacionar.


  • Tenho diagnostico de ansiedade a quase 20 anos e um diagnostico recente de Transtorno misto depressi

    Tenho diagnostico de ansiedade a quase 20 anos e um diagnostico recente de Transtorno misto depressivo-ansioso, já medicada e em tratamento (cloridrato de desvenlafaxina) e faço TCC.
    Percebi que tenho ansiedade todos os dias no mesmo horário (entre 14:30 e 15hs) sem que eu me lembre de algum gatilho especifico nesse horário,não consegui evoluir em terapia ainda essa questão.Pensando em procurar por psicanalise, faz sentido mudar a abordagem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Faz sentido, sim. A psicanálise parte da ideia de que nem todo sintoma tem um gatilho consciente. Muitas vezes, aquilo que se repete — como a ansiedade sempre no mesmo horário — pode dizer algo importante sobre a história e a forma como cada pessoa vive seus conflitos. Em análise, esse sintoma é escutado sem julgamentos, com a intenção de investigar o que ele comunica, por que se mantém e qual função ocupa na vida do sujeito. É muito comum receber pacientes com ansiedade que, ao longo do processo de análise, passam a ocupar uma posição diferente na própria história e experimentar transformções profundas que permitem uma vida com mais autonomia, menos sofrimento e novas possibilidades de viver.


  • Quais ferramentas a análise pode me dar para que eu pare de tentar 'curar' o abandono do meu pai no

    Quais ferramentas a análise pode me dar para que eu pare de tentar 'curar' o abandono do meu pai no passado através das minhas relações do presente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Essa é uma pergunta muito importante. A análise oferece um espaço para que você possa entender como essa experiência de abandono continua produzindo efeitos na sua vida hoje. Aos poucos, você passa a reconhecer essas marcas, elaborar o que ficou doloroso e perceber que seus relacionamentos não precisam mais carregar a tarefa de reparar uma ausência antiga. Esse processo costuma trazer mais autonomia para viver os vínculos do presente com mais segurança, autenticidade e menos sofrimento.


  • De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de

    De que forma o vazio deixado pelo abandono do meu pai se transformou em uma insegurança constante de que serei deixada a qualquer momento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Essa é uma pergunta muito importante. O abandono pode deixar marcas profundas, mas elas não precisam determinar a forma como você viverá seus relacionamentos para sempre. A análise ajuda a compreender como essa experiência passou a influenciar seus vínculos e permite elaborar essas marcas com tempo, cuidado e sem julgamentos. Ao longo desse processo, é muito comum que a pessoa passe a confiar mais em si, viva as relações com mais segurança e descubra novas formas de amar e de se deixar amar, sem que o passado continue ocupando o centro da sua vida.


  • Eu descobri uma traição recentemente e percebo que isso está ocupando todo o meu pensamento. Gostari

    Eu descobri uma traição recentemente e percebo que isso está ocupando todo o meu pensamento. Gostaria de entender o que essa dor está revelando sobre a minha estrutura emocional agora.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Descobrir uma traição costuma ser uma das experiências mais dolorosas que alguém pode viver. Sinto muito que você esteja passando por esse momento. É compreensível que sua mente volte ao assunto o tempo todo. Quando a confiança é rompida, é natural que seja muito difícil controlar o que se sente e até mesmo o que se pensa.

    A intensidade dessa dor também pode indicar que essa experiência tocou aspectos muito profundos da sua história, da forma como você constrói seus vínculos afetivos e do lugar que essa relação ocupa ou ocupava na sua vida. Não existe uma única forma de viver uma traição. O que ela desperta em cada pessoa depende da própria história, dos vínculos construídos e dos significados que essa relação tinha.

    A análise oferece um espaço para compreender o que essa experiência representa para você. Aos poucos, aquilo que hoje parece insuportável pode ganhar novos sentidos. Com isso, a dor deixa de ocupar um lugar tão central na vida, abrindo espaço para que outras experiências, afetos e possibilidades voltem a existir.


  • Descobri uma traição do meu parceiro e terminei, como posso trabalhar o medo de que essa situação se

    Descobri uma traição do meu parceiro e terminei, como posso trabalhar o medo de que essa situação se repita em outros vínculos?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Descobrir uma traição costuma abalar profundamente a confiança, não apenas no parceiro, mas também em si mesmo e na segurança dos vínculos. É natural que, depois de uma experiência como essa, surja o medo de que a história volte a se repetir.

    Na psicanálise, esse medo é compreendido como algo que merece ser escutado, e não combatido ou ignorado. Além da dor da perda, é importante entender o que essa experiência despertou, quais marcas deixou e como ela passou a influenciar a forma de confiar e de se relacionar.

    A análise oferece um espaço para que esse medo possa ser compreendido, em vez de apenas suportado. Quando ele encontra um lugar para ser pensado e elaborado, deixa de ocupar sozinho o centro da vida emocional, permitindo que novas experiências possam ser vividas sem que o passado precise determinar todas as escolhas.


  • Olá, quanto tempo dura uma análise? Muito obrigada

    Olá, quanto tempo dura uma análise? Muito obrigada

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Olá! Na psicanálise, assim como em outras modalidades terapêuticas, não existe um tempo pré-definido para o processo. Isso acontece porque cada pessoa chega com uma história, um momento de vida e questões muito próprias.

    A análise costuma durar o tempo necessário para que a pessoa possa compreender e elaborar aquilo que a levou a buscar ajuda.

    Algumas pessoas encerram o processo quando sentem que alcançaram um objetivo específico. Outras descobrem novas questões que desejam compreender melhor ou percebem os benefícios das transformações que vão acontecendo e escolhem continuar. O mais importante é que esse percurso faça sentido para você e contribua para uma vida com mais compreensão, mais desejo e menos sofrimento.


  • Minha família é muito tóxica e me sinto culpada por querer me afastar. A psicanálise ajuda a lidar c

    Minha família é muito tóxica e me sinto culpada por querer me afastar. A psicanálise ajuda a lidar com essa culpa sem me forçar a perdoar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Geany Bastos

    Sinto muito que você esteja vivendo essa situação. Quando uma relação familiar é fonte de sofrimento, é muito comum que o desejo de se proteger venha acompanhado de culpa. Isso não significa que o seu sentimento esteja errado, mas que esse conflito merece ser acolhido e compreendido com cuidado.

    A psicanálise não parte da ideia de que você precisa perdoar, se reconciliar ou manter um vínculo a qualquer custo. Uma análise de qualidade jamais vai dizer o que você deve fazer. Ela oferece um espaço de escuta, sem julgamentos e sem respostas prontas, para que você possa descobrir, no seu próprio tempo, qual lugar essas relações podem ocupar na sua vida, sem que sejam definidas apenas pela culpa, pelo medo ou pelo sofrimento.

    O papel da análise é ajudar você a compreender o que vive, para que suas escolhas possam nascer do que você realmente deseja para a sua vida, e não apenas da culpa, do medo ou da angústia. Ninguém deveria sentir que precisa permanecer em uma relação que machuca apenas porque acredita que não tem o direito de escolher outro caminho.


Perguntas frequentes

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