Perguntas do paciente (12)

  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    Essa dor tem nome: é o conflito entre construir sua própria vida e não abandonar quem cuidou de você. Não é sinal de que sua decisão está errada, é sinal de que você se importa.

    Vale separar duas coisas que costumam se misturar: a culpa que você sente e a realidade da situação da sua mãe. Avalie concretamente como será o dia a dia dela sozinha, se ela tem rede de apoio por perto, questões de saúde que peçam atenção mais próxima, e como vocês vão manter contato e vínculo mesmo morando separado.

    A ansiedade costuma diminuir quando a culpa difusa vira plano concreto. Conversar abertamente com sua mãe sobre a mudança, incluindo ela no processo, ajuda mais do que proteger ela da notícia ou adiar a decisão.

    Se essa dor estiver muito intensa, atrapalhando sono ou rotina, vale buscar acompanhamento psicológico para elaborar essa transição.


  • Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    Essa sensação de que tudo depende de você é comum em quem carrega esse tipo de responsabilidade, mas geralmente é mais intensa do que a realidade. Raramente tudo depende de uma única pessoa, mesmo quando parece assim.

    Vale observar se existe uma tendência sua de assumir sozinho responsabilidades que poderiam ser compartilhadas, seja com sua mãe, com outros familiares, com a namorada, com uma rede de apoio que ainda não foi construída. Às vezes essa sensação de peso total revela menos sobre a situação em si e mais sobre um padrão de se colocar como o único responsável pelo bem-estar dos outros.

    Não é algo que "para de sentir" de um dia para o outro. É algo que se transforma quando você começa a dividir, delegar, pedir ajuda e confiar que outras pessoas também podem cuidar. Isso costuma ser trabalho de terapia, porque envolve entender de onde vem esse padrão e não só a situação atual.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    Sim, pode e deve ser considerado um luto. A psicologia trata o fim de um relacionamento significativo como um processo de luto porque envolve perda real: perda de um vínculo, de uma rotina, de projetos futuros que existiam só na relação, às vezes até de uma versão de si mesmo que só existia ali dentro. Os sintomas costumam parecer com os do luto por morte: negação, raiva, tristeza profunda, dificuldade de aceitar, oscilação entre dias melhores e piores.

    Não existe um tempo certo ou uma fórmula pronta para superar. O que costuma ajudar é não pular etapas, evitar tanto o extremo de reprimir a dor quanto o de ficar remoendo o passado sem processar. Permitir sentir sem se afogar nisso, manter minimamente a rotina, cuidado com o corpo e o sono, e não isolar completamente do convívio social, mesmo quando a vontade é de se fechar.

    Um ponto que costuma pesar mais do que se imagina é a ruminação, ficar reconstruindo cenas, mensagens, "e se". Isso mantém a dor ativa em vez de deixar ela seguir seu curso. Se depois de um tempo a dor não estiver diminuindo, ou se estiver impedindo a pessoa de funcionar no dia a dia, vale buscar acompanhamento psicológico para elaborar esse luto.


  • Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda

    Quando um casal perde completamente o respeito um pelo outro após anos de conflitos e ofensas, ainda é possível reconstruir esse respeito do ponto de vista da psicologia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    É possível, mas não é garantido, e depende de fatores específicos que vale nomear em vez de dar uma resposta genérica de "sim, com trabalho dá".

    O respeito não se reconstrói só com boa vontade ou com o casal "se esforçando mais". Depois de anos de conflitos e ofensas, geralmente já existe um padrão relacional consolidado, formas automáticas de reagir um ao outro que se repetem independente da intenção consciente de mudar. Reconstruir respeito exige primeiro interromper esse padrão, o que quase sempre é difícil de fazer sozinho, sem mediação, porque as mesmas dinâmicas que causaram o desgaste tendem a se repetir também nas tentativas de conversar sobre o problema.

    Alguns pontos costumam ser decisivos para saber se a reconstrução é viável: se ainda existe alguma abertura real dos dois lados para reconhecer a própria parte no desgaste, e não só cobrar mudança do outro; se as ofensas ocorridas foram pontuais dentro de conflitos ou se configuram um padrão de desrespeito mais estrutural, porque isso muda completamente o prognóstico; e se ainda existe confiança mínima de que o outro quer o bem do relacionamento, mesmo com toda a mágoa acumulada.

    Terapia de casal pode ajudar bastante nesse processo, mas não é mágica nem funciona em todos os casos. Às vezes o trabalho terapêutico mais honesto é ajudar o casal a entender que o desgaste é irreversível, e que seguir junto por hábito ou medo da separação também tem seu custo psicológico. Vale a pessoa se perguntar se o desejo de reconstruir vem de um afeto que ainda existe, ou de uma dificuldade de lidar com a perda da relação.


  • Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de

    Gostaria de tentar entender o que eu estou sentindo. Tem momentos que sinto uma tristeza a ponto de querer me isolar e choro muito. Não consigo entender de onde vem esse sentimento de tristeza. Estou em um relacionamento que sinto que na hora de expressar meu ponto de vista não sou compreendida ou a sensação que tenho que tenho que pisar em ovos na hora de falar. Já ouve outro episodio de me sentir muita tristeza por meus sentimentos não serem validados. Isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    Pergunta importante, e o fato de você estar tentando entender de onde vem essa tristeza já é um passo significativo. Pelo que você descreve, existe uma ligação bem direta entre o que sente na relação (não ser compreendida, ter que medir as palavras antes de falar) e essa tristeza que aparece depois, às vezes sem você conseguir nomear o motivo na hora.

    Quando alguém sente repetidamente que sua forma de ver as coisas não é levada a sério ou validada, é comum que isso reapareça mesmo fora do momento da conversa: vontade de se isolar, choro, uma tristeza que parece vir do nada mas na verdade é o acúmulo de algo que não teve espaço para ser dito ou sentido. Não é exagero nem fragilidade, é uma resposta bastante coerente a um ambiente relacional onde você não se sente totalmente segura para se expressar.

    Sobre se isso é normal, eu diria o seguinte: é uma reação compreensível dentro do que você está vivendo, mas a recorrência e a intensidade que você descreve merecem atenção, não só aceitação como algo que é assim mesmo. Vale buscar um espaço de acompanhamento psicológico individual para entender melhor a origem dessa tristeza e também olhar com mais clareza para essa dinâmica na relação, sem pressa de chegar a conclusões sobre o que fazer com ela.


  • Como o psicólogo atua na construção de pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderlin

    Como o psicólogo atua na construção de pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    O pertencimento social é, de fato, um dos pontos mais difíceis para quem tem Transtorno de Personalidade Borderline. O medo intenso de abandono, a dificuldade em manter uma visão estável das pessoas (ora muito boas, ora muito ruins) e a oscilação emocional tornam complicado sustentar vínculos ao longo do tempo, mesmo quando existe um desejo real de proximidade. É comum alternar entre buscar muito o outro e afastá-lo, o que acaba gerando rupturas que reforçam a sensação de não pertencer.

    No tratamento, o psicólogo trabalha isso de várias formas. A própria relação terapêutica já funciona como um modelo diferente de vínculo: presença constante, limites claros e acolhimento sem reforçar padrões que machucam o paciente, oferecendo uma experiência de estabilidade que muitas vezes não existiu antes. Terapias em grupo ajudam a praticar habilidades sociais num ambiente protegido, e o trabalho terapêutico em geral foca em ajudar a pessoa a ver o outro, e a si mesma, de forma mais integrada, sem essa alternância entre extremos.

    Também é importante desconstruir a ideia, muito comum em quem tem TPB, de ser "difícil demais" para se relacionar. Esse julgamento alimenta o isolamento como forma de proteção.

    Se esse é um tema que te toca de perto, vale buscar acompanhamento psicológico para trabalhar isso de forma mais aprofundada e individualizada.


  • O que são comportamentos autolesivos? .

    O que são comportamentos autolesivos? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    Comportamentos autolesivos são atos em que a pessoa machuca o próprio corpo de forma intencional, mas sem o objetivo de morrer. Geralmente surgem como uma forma de lidar com uma dor emocional que ainda não encontrou palavras, um jeito de aliviar uma tensão interna que parece grande demais para ser suportada, ou até de romper uma sensação de vazio e entorpecimento.

    É mais comum na adolescência, mas pode aparecer em qualquer momento da vida, muitas vezes ligado a quadros de ansiedade, depressão ou dificuldades para regular emoções intensas. Autolesão não é o mesmo que tentativa de suicídio, mas é um sinal que merece atenção e cuidado, já que pode coexistir com esse risco.

    Se esse tema toca você de perto, buscar apoio psicológico é um caminho importante para entender o que está por trás desse sofrimento e encontrar outras formas de atravessá-lo.


  • O que é Validação Emocional? .

    O que é Validação Emocional? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    Validação emocional é reconhecer que o que a outra pessoa sente faz sentido para ela, mesmo que você não sinta da mesma forma ou não concorde com a maneira como ela está lidando com a situação. Não significa concordar com tudo, dar razão automaticamente ou resolver o problema. Significa comunicar que aquele sentimento é compreensível dentro do contexto em que a pessoa está vivendo.

    Na prática, é a diferença entre ouvir "você está exagerando" e ouvir "entendo por que isso te deixou assim". A primeira frase invalida a experiência da pessoa e costuma fazer com que ela pare de compartilhar o que sente. A segunda mantém o vínculo aberto, mesmo quando há divergência sobre o que fazer a seguir.

    A falta de validação, principalmente quando repetida ao longo do tempo, tem efeito acumulativo: a pessoa começa a duvidar da própria percepção, evita se expressar e, em alguns casos, passa a silenciar o que sente até consigo mesma. Por isso, validação emocional não é só uma habilidade de comunicação, é também um fator de proteção importante para a saúde mental nos relacionamentos.


  • Boa Noite como trato minha ansiedade não consigo mais dormir me sinto muito mal com isso me ajuda

    Boa Noite, como trato minha ansiedade? não consigo mais dormir, me sinto muito mal com isso, me ajuda

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    A ansiedade pode afetar diretamente o sono e o bem-estar, gerando um ciclo difícil em que a preocupação aumenta a insônia e a falta de descanso intensifica o sofrimento emocional.

    O primeiro passo é compreender que esses sinais não devem ser enfrentados sozinho. Quando a ansiedade começa a impactar o sono e o funcionamento diário, é importante buscar ajuda profissional.

    A psicoterapia pode auxiliar na identificação das causas da ansiedade, no desenvolvimento de formas mais saudáveis de lidar com pensamentos e emoções e na construção de recursos internos para reduzir a tensão.

    Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser indicado para avaliar a necessidade de suporte medicamentoso.

    Cuidar da ansiedade é possível e o apoio adequado pode ajudar a restabelecer o equilíbrio emocional e a qualidade do sono.


  • UM TERAPEUTA PODE TRATAR DEPRESSÃO E / OU ESSES OUTROS TRANSTORNOS COMO ANSIEDADE , E AJUDAR UMA PES

    Um terapeuta pode tratar depressão e ou esses outros transtornos como ansiedade, e ajudar uma pessoa que pode ter algum bloqueio por trauma?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    Sim. A psicoterapia é um dos principais recursos no cuidado de quadros como depressão, ansiedade e dificuldades relacionadas a experiências traumáticas.

    O terapeuta ajuda a compreender não apenas os sintomas, mas também os processos emocionais e as vivências que podem estar por trás deles, como bloqueios, medos ou padrões que se formaram como forma de proteção após situações difíceis.

    Em alguns casos, o trabalho pode ser feito em conjunto com acompanhamento psiquiátrico, especialmente quando há necessidade de avaliação medicamentosa.

    A psicoterapia oferece um espaço seguro para elaborar o sofrimento e desenvolver formas mais saudáveis de se relacionar consigo mesmo e com a própria história.


  • Autoestima baixa pode significar depressão? Para aumentar a autoestima o que pode ser feito?

    Autoestima baixa pode significar depressão? Para aumentar a autoestima o que pode ser feito?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    A baixa autoestima pode estar presente na depressão, mas nem sempre significa que a pessoa esteja deprimida.

    Ela pode surgir em diferentes momentos da vida, especialmente após perdas, mudanças ou experiências que fragilizam o senso de valor pessoal. Na depressão, costuma vir acompanhada de outros sinais, como desânimo persistente, sensação de vazio, culpa excessiva e perda de interesse pelas atividades.

    Para fortalecer a autoestima, é importante olhar além da tentativa de “pensar positivo”. Algumas possibilidades incluem:

    • compreender as próprias histórias e crenças sobre si
    • elaborar experiências que impactaram o sentimento de valor pessoal
    • desenvolver relações mais saudáveis consigo e com os outros
    • reconhecer limites e potencialidades reais

    A psicoterapia pode ajudar nesse processo, oferecendo um espaço para reconstruir a relação consigo mesmo de forma mais integrada e menos baseada apenas em exigências externas.


  • Tenho um histórico de relacionamentos abusivos. Depois do último, fiquei com receio de me relacionar

    Tenho um histórico de relacionamentos abusivos. Depois do último, fiquei com receio de me relacionar pessoalmente com outros homens. Me fechei para outras relações e sinto falta dos dois últimos abusadores. Sei que isso não é normal. Qual especialista devo procurar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Giulia Morais

    Após vivências em relacionamentos abusivos, é comum que o medo de se envolver novamente conviva com a saudade de quem causou sofrimento. Esse vínculo ambivalente não é sinal de fraqueza, mas pode estar relacionado a dinâmicas emocionais profundas, como dependência afetiva e repetição de padrões relacionais.

    O fechamento para novos vínculos costuma funcionar como uma forma de proteção, enquanto a falta pode indicar que ainda há aspectos da experiência que não foram elaborados.

    Nesse caso, o profissional mais indicado é o psicólogo ou psicoterapeuta, que poderá ajudar a compreender esses padrões, elaborar os impactos das relações vividas e reconstruir a confiança nos vínculos.

    Em algumas situações, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser considerado, especialmente se houver sintomas intensos de ansiedade, depressão ou sofrimento persistente.

    Buscar apoio especializado é um passo importante para interromper ciclos e construir relações mais seguras no futuro.


Perguntas frequentes

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