Perguntas do paciente (5)

  • Sou casada há 10 anos, desde os 18, hoje tenho 27. Temos hoje um casamento parceiro, transamos regul

    Sou casada há 10 anos, desde os 18, hoje tenho 27. Temos hoje um casamento parceiro, transamos regularmente, porém tive casos extraconjugais no passado, que me assombram hoje no presente. Terminei meu último hoje visto que não entendo porque faço isso se tenho uma pessoa que amo e que faz de tudo por mim em casa. Sou diagnosticada com TOC e depressão, tomo antidepressivo, ansiolítico e remédio pra dormir, mas hoje em dia me sinto um lixo de pessoa por fazer o que fiz e viver nesse ciclo de trair, me arrepender, tentar novamente parar, e depois voltar a trair. A culpa nunca sai de mim, e olho para o meu esposo e me sinto a pior pessoa do mundo, e junto com o fardo da culpa nos ombros, apenas vivo tentando ser feliz...como parar de me culpar? Parar com o ciclos, visto que amo meu marido, ele é ótimo, não temos filhos, temos uma vida boa, somos parceiros um do outro. Já pensei em tirar minha vida, e hoje foi o dia com este pensamento mais intenso, por realmente me sentir uma péssima pessoa, sem entender porque faço o que faço. Tenho medo também da pessoa vir a me fazer algum mal, tentar destruir meu casamento, embora ele seja também uma pessoa casada que jurou que não prejudicaria, mas fui impulsiva e cortei a relação por Instagram e bloqueei sem nem ao menos esperar a resposta dele, e por isso tenho medo da possível revolta, o que espero que não tenha. Não quero viver com esse constante medo, e não posso viver enganando a pessoa com quem durmo, me ajudem por favor.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heloísa Pires de Lucca

    Olá! A questão que você traz é muito importante. Você fala de baixa autoestima ("me sinto um lixo de pessoa"), de culpa, de medo, de ciclos repetitivos e de pensamentos de morte. Mas também fala de amor, de parceria, de vida sexual ativa e de autocuidado, de busca de ajuda. Tudo isso precisa ser olhado e cuidado! Como? Buscando trazer para a consciência quais mecanismos você tem usado para lidar com as situações desafiantes ou traumáticas de sua vida, trazendo para a consciência o autoconhecimento, a compreensão de suas atitudes, possibilitando que você dê novos significados à sua vida. Uma boa terapia será de grande importância para você se enxergar de outra maneira! Muito sucesso na sua busca!


  • Eu falo mas tenho dificuldade pra conversar que devo fazer?

    Eu falo mas tenho dificuldade pra conversar que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heloísa Pires de Lucca

    Olá! Sua pergunta é muito importante: "Eu falo, mas tenho dificuldade para conversar, o que devo fazer". Bem, antes de pensar o que fazer, é importante trazer para a consciência que dificuldade é essa, como você se sente em uma conversa. Essa dificuldade acontece com todas as pessoas, em todos os ambientes, a todo tempo, ou com pessoas ou situações específicas? A psicanálise ira ajudar você a se conhecer melhor, a trazer para a consciência os seus bloqueios e os desejos que estão inconscientes favorecendo a superaração de suas dificuldades ao se relacionar com as pessoas. Espero ter ajudado!


  • Como os problemas familiares afetam a saúde mental?

    Como os problemas familiares afetam a saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heloísa Pires de Lucca

    Bem, em primeiro lugar, é preciso dizer que todas as famílias tem problemas, mesmo aquelas que parecem não ter. Os problemas de relacionamentos entre as pessoas de uma família geram tensões psíquicas e estas tensões nem sempre tem um impacto negativo na saúde mental. Ou problemas, os conflitos, as dificuldades muitas vezes são motivações para o nosso crescimento, amadurecimento, fortalecimento psíquico. Precisamos de frustrações para nos tornarmos adultos saúdáveis. Precisamos nos desiludir para adquirirmos capacidade de lidarmos com a realidade. No entanto, são inúmeros os casos de negligência, de violência, de invalidação, de rejeição, enfim, situações traumáticas na família que podem afetar fortemente a saúde mental. A família é a nossa primeira experiência social e afetiva. É nela que nascemos, crescemos, nos desenvolvemos. É a família que nos diz quem somos, o que somos, como somos. É na família que criamos a nossa identidade, que desenvolvemos os nossos afetos. Tudo o que acontece na família nos impacta, especialmente nos primeiros anos de vida.


  • Quais atividades eu posso fazer para melhorar a minha saúde mental?

    Quais atividades eu posso fazer para melhorar a minha saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heloísa Pires de Lucca

    Eu diria que muitas atividades podem fazer bem para a sua saúde mental, mas é importante considerar que para cada pessoa existe um caminho Algumas pessoas se sentem bem quando estão trabalhando, outras se sentem mais saudáveis quando tiram férias. Algumas, se sentem mais saudáveis quando estão limpando e organizando uma casa, outras se sentem bem praticando um esporte, outras ainda, em um caminho onde possa ter experiências relacionadas à espiritualidade, ao sagrado ou religioso. Algumas, cuidando do jardim, outras caminhando pela praia, viajando, ouvindo música, enfim, existem muitas possibilidades. Eu gostaria de destacar especialmente a arte como um caminho que possibilita a saúde mental. Você não precisa ser artista ou estudar arte para se expressar. Ouvir música, ler, escrever, dançar, desenhar, pintar, colar, rabiscar, interpretar, entre outras, são coisas que fazemos naturalmente quando crianças e depois, por uma série de repressões, muitos de nós paramos de fazer. O importante não é a atividade em si, mas o significado que ela tem em nossas vidas e como ela pode nos transformar na direção de um bem estar. No entando, é notório o aumento do número de pessoas com depressão, ansiedade, pânico, além de relatos de compulsões, dependência emocional, sentimento de solidão, incapacidade de relacionar-se com o outro, perda da identidade, etc. ou seja, em situações que provocam muita dor e sofrimento. Nestes casos, pode ser que as atividades que proporcionem saúde mental sozinhas não sejam suficientes e que precisem de reforços com profissionais especializados, como médicos psiquiatras, psicólogos ou psicanalistas. Destaco a Arteterapia, um dos serviços que realizo em meu consultório, como um recurso terapêutico muito potente para a saúde mental.


  • Durante muito tempo, tempo até demais, evitei a todo custo falar sobre aquilo que me machucava e me

    Durante muito tempo, tempo até demais, evitei a todo custo falar sobre aquilo que me machucava e me causava dor psíquica, como somos ensinados a fazer desde que tomamos consciência de que certas experiências podem nos causar danos além de feridas físicas. E, depois de muitas tentativas frustradas e métodos não adequados à minha questão interna, cheguei à conclusão de que a psicanálise seria o método que mais se vestiria de forma justa as curvas de minhas necessidades de busca por uma cura duradoura e uma experiência mais profunda. Não que eu tenha deixado a análise psicanalítica como último recurso por julgá-la menos importante e eficaz que as demais terapias. Havia em mim, o que observo frequentemente na sociedade atual, que busca aliviar sintomas, mascarar sua face interior e silenciar aquilo que grita internamente. Havia um medo em mim, ao pensar na hipótese de ter que lidar com minhas partes obscuras e inconscientes. Mas, ao navegar rasamente pela superfície profunda e farta que é a psicanálise, me surgiu a sede de conhecimento e autoconhecimento insaciáveis. E dentre tantas dúvidas ao me decidir saltar nas águas misteriosas da minha psique, gostaria de compreender primeiramente: como a psicanálise faz para ressignificar memórias traumáticas e comportamentos repetitivos e inadequados? E tomo também a liberdade de perguntar sobre a formação em psicanálise, o curso é livre? É necessário ter formação antes em psicologia ou em outra área relacionada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Heloísa Pires de Lucca

    Olá! Você faz perguntas muito importantes que podem ajudar muito as pessoas que estão pensando iniciar um processo psicanalítico: Você perguntou: como a psicanálise faz para ressignificar memórias traumáticas e comportamentos repetitivos e inadequados e sobre a formação em psicanálise, se o curso é livre ou se é necessário ter formação antes em psicologia ou em outra área relacionada. Vou me ater à primeira pergunta que considero a mais importante.
    Para responder a primeira pergunta, vou separa-la em duas perguntas: A primeira, como a psicanálise faz para ressignificar memórias traumáticas. O processo psicanalítico ocorre por meio da fala. O paciente fala! No entanto, quando falamos em traumas, precisamos tomar muito cuidado, pois falar sobre o que aconteceu só é possível e curativo quando o paciente se sentir seguro, confiante e desejar falar. Respeitar o tempo do paciente é importante para não retraumatizar. Falar em si já é curativo porque descarrega uma carga de tensão. Mas não basta falar para resignificar. O psicanalista poderá ajudar fazendo perguntas, para que o paciente se ouça falando e se preceba em sua narrativa. Perceba as suas emoções, desejos e fantasias inconscientes. A percepção do fato ocorrido, que causou o trauma, vai se ampliando e ganhando novos significados. A segunda, sobre ressignificar comportamentos repetitivos e inadequados, eu diria que a primeira coisa é que no processo psicanalítico, o paciente vai percebendo as repetições, se ainda não percebeu, e o analista poderá ajudar o paciente a perceber também os desejos inconscientes que motivam determinado comportamento. No entanto, a psicanálise não julga comportamentos, não os classifica em adequados ou inadequados. A mudança ou não também é resultado da autopercepção do desejo. Ou seja, se o paciente percebeu "o porquê" e o "para que" repete o comportamento, a mudança será consequência de um desejo e de um agir, de dentro para fora. Espero que eu tenha contribuído um pouco mais, além de tudo o que já foi dito aqui pelos demais especialistas.


Autor

Psicanalista, Terapeuta complementar

Perguntas frequentes

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