Perguntas do paciente (126)
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O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode querer “testar” se o terapeuta ague
O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode querer “testar” se o terapeuta aguenta suas emoções?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, e isso acontece com mais frequência do que se imagina. Testar o terapeuta é uma forma de perguntar, sem palavras, se ele vai ficar mesmo quando as coisas ficarem difíceis. Para quem viveu relações onde o outro recuou diante da intensidade, sumiu na hora do conflito ou só ficou enquanto tudo estava bem, faz todo sentido precisar verificar se esse vínculo é diferente. O teste não é manipulação, é uma necessidade legítima de segurança que ainda não encontrou outra forma de se expressar. Um bom terapeuta não recua, não pune e não desaparece diante dessas situações, e é exatamente essa constância que vai, aos poucos, criando algo novo para essa pessoa. O momento do teste é parte do tratamento, não um obstáculo a ele.
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O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode sentir raiva do terapeuta?
O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode sentir raiva do terapeuta?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não só pode como é esperado que isso aconteça em algum momento. A raiva do terapeuta é parte do processo, não um problema a ser evitado. Quem tem borderline tende a estabelecer vínculos muito intensos, e onde há intensidade há também a possibilidade de frustração, decepção e raiva. O terapeuta vai falhar em algum momento, vai dizer algo que dói, vai estar ausente numa hora difícil, e tudo isso vai ativar sentimentos muito fortes. A diferença é que dentro do espaço clínico essa raiva pode ser dita, elaborada e compreendida, em vez de agida ou engolida. É justamente aí que o trabalho se aprofunda, porque a forma como o paciente se relaciona com o terapeuta revela muito sobre como ele se relaciona com todo mundo. Sentir raiva e conseguir falar sobre isso já é um avanço significativo.
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O terapeuta deve “substituir” o que faltou na infância?
O terapeuta deve “substituir” o que faltou na infância?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma pergunta muito comum e merece uma resposta cuidadosa. O terapeuta não é e não pode ser uma figura parental substituta, e tentar ocupar esse lugar seria, na verdade, um problema clínico. O que o espaço terapêutico oferece não é o que faltou, mas algo diferente: uma escuta que não julga, que não abandona diante da intensidade e que ajuda o sujeito a entender como o que viveu na infância ainda organiza sua vida hoje. A ideia de "preencher o que faltou" pode até parecer acolhedora, mas ela mantém a pessoa presa numa busca impossível. O trabalho clínico aponta em outra direção, não para reparar o passado, mas para que o passado deixe de determinar tão pesadamente o presente e as escolhas de quem se é hoje.
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Por que pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm medo de perder o terapeuta?
Por que pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm medo de perder o terapeuta?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O medo de perder o terapeuta em quem tem borderline não é irracional, ele faz todo sentido dentro da história dessas pessoas. O vínculo terapêutico muitas vezes é o primeiro espaço onde alguém se sentiu verdadeiramente escutado e presente, sem ser abandonado no meio do caminho. E justamente por isso ele desperta também tudo o que já foi vivido nas relações anteriores, o medo do abandono, a antecipação da perda, a certeza de que cedo ou tarde o outro vai embora. O terapeuta se torna uma figura muito significativa, e a possibilidade de perdê-lo ativa uma dor que é antiga, muito maior do que a situação presente. Esse é inclusive um material riquíssimo dentro do processo clínico, porque é ali, nessa relação, que muito do trabalho acontece de verdade.
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É verdade que na psicanálise o terapeuta quase não fala?
É verdade que na psicanálise o terapeuta quase não fala?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não, embora seja comum que as pessoas pensem assim — e é verdade que existem profissionais mais silenciosos. Mas, na psicanálise, o silêncio não é regra nem ausência de trabalho. O que acontece é que o discurso que ocupa o centro da sessão é o do paciente, não o do analista. Isso significa que o psicanalista não fala de si, não conduz a partir de opiniões pessoais nem emite julgamentos sobre a história do paciente. As intervenções existem e são fundamentais: interpretações, pontuações e cortes na fala fazem parte da condução clínica. O silêncio, quando aparece, é uma ferramenta, não descuido. Um profissional ético e bem formado sabe quando sustentar a escuta e quando intervir para favorecer a elaboração e o avanço do processo analítico.
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Como lidar com pensamentos intrusivos do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e ansiedade antecipat
Como lidar com pensamentos intrusivos do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e ansiedade antecipatória?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pensamentos intrusivos não surgem do nada — eles dizem algo sobre o sujeito que os tem, sobre seus medos, suas exigências internas e o que ele não consegue suportar em si mesmo. Tentar eliminar esses pensamentos à força costuma fazer o efeito contrário: quanto mais você luta contra eles, mais espaço eles ocupam. O caminho não é o controle, mas a escuta — entender o que esse pensamento quer dizer, de onde ele vem e qual função ele cumpre na sua vida psíquica. A ansiedade antecipatória, por sua vez, é quase sempre um sinal de que algo no presente ainda não foi elaborado. Um acompanhamento clínico pode te ajudar a olhar para isso com mais profundidade e, aos poucos, transformar o que hoje aparece como sofrimento em algo compreensível.
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A pessoa com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual) e Transtorno de Déf
A pessoa com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual) e Transtorno de Déficit de Atenção” pode trabalhar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, pode. Pessoas com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual) e Transtorno de Déficit de Atenção podem trabalhar, desde que as atividades sejam compatíveis com suas habilidades, limites e necessidades de apoio. O DSM descreve que o funcionamento varia bastante de pessoa para pessoa, e isso vale também para a capacidade de inserção no trabalho. Com adaptações adequadas, supervisão e um ambiente que reconheça essas particularidades, o trabalho pode favorecer autonomia, autoestima e participação social. O mais importante é avaliar o caso de forma individual, sem generalizações, considerando não apenas o diagnóstico, mas o sujeito e suas possibilidades reais.
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Como sei se tenho Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?
Como sei se tenho Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A suspeita de TDAH costuma surgir quando dificuldades de atenção, impulsividade ou desorganização estão presentes de forma persistente e impactam diferentes áreas da vida, como trabalho, estudos e relações. Segundo o DSM, esses sinais geralmente aparecem desde a infância, ainda que só sejam reconhecidos na vida adulta. No entanto, nem toda dificuldade de foco ou produtividade indica TDAH, já que ansiedade, sofrimento emocional, conflitos psíquicos e contextos de vida também podem produzir sintomas semelhantes. Por isso, não é possível se diagnosticar apenas pela identificação com descrições na internet. O caminho mais indicado é uma avaliação clínica cuidadosa, que considere a história do sujeito, o modo como essas dificuldades se manifestam ao longo do tempo e o contexto em que surgem. Um acompanhamento terapêutico ajuda a diferenciar o que é um transtorno atencional do que é efeito do sofrimento psíquico, evitando diagnósticos apressados e permitindo um cuidado mais adequado.
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O diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode esconder um Transtorno de Déficit
O diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode esconder um Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, isso pode acontecer. Alguns sintomas do TPB e do TDAH se sobrepõem, como impulsividade, instabilidade emocional e dificuldades nos relacionamentos, o que pode levar a confusões diagnósticas. O DSM reconhece que esses transtornos podem coexistir, e que uma avaliação cuidadosa da história de vida, do início dos sintomas e do contexto em que eles aparecem é fundamental. Do ponto de vista clínico, o diagnóstico não deve se limitar a uma lista de comportamentos, mas considerar o modo de funcionamento do sujeito ao longo do tempo. Um acompanhamento adequado permite diferenciar o que se relaciona a dificuldades atencionais, o que diz respeito à organização emocional e ao laço com o outro, evitando reduções e favorecendo um cuidado mais preciso.
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Como o Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) afeta os relacionamentos no contexto do Transtorno d
Como o Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) afeta os relacionamentos no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando TDAH e TPB coexistem, os impactos nos relacionamentos tendem a ser mais intensos. O DSM descreve que o TDAH envolve dificuldades de atenção, impulsividade e organização, enquanto o TPB é marcado por instabilidade emocional, medo de abandono e relações intensas. Na prática, isso pode aparecer como reações impulsivas, dificuldade em sustentar acordos, esquecimentos vividos pelo outro como desinteresse e oscilações emocionais rápidas, o que aumenta conflitos e mal-entendidos. Do ponto de vista psicanalítico, essas dificuldades atravessam o laço com o outro, favorecendo interpretações marcadas pela urgência do afeto e pela sensação de perda, mesmo quando não há intenção. O trabalho clínico ajuda a diferenciar o que pertence ao funcionamento atencional, ao campo emocional e à dinâmica relacional, favorecendo vínculos menos marcados por rupturas e acusações.
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O Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) causa mudanças de humor tão rápidas quanto o Transtorno d
O Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) causa mudanças de humor tão rápidas quanto o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não exatamente. Embora o TDAH possa envolver impulsividade e variações de humor, essas mudanças tendem a ser mais reativas ao cansaço, frustração ou sobrecarga e não costumam ter a mesma intensidade ou instabilidade relacional observadas no TPB. Segundo o DSM, no TPB as oscilações emocionais são mais abruptas, intensas e fortemente ligadas ao medo de abandono e às relações interpessoais. Do ponto de vista clínico, é comum que o TDAH produza irritabilidade e desorganização emocional, enquanto no TPB o afeto ocupa o centro do funcionamento psíquico e atravessa o modo de se relacionar com o outro. Uma avaliação cuidadosa é essencial para diferenciar esses quadros, especialmente porque eles podem coexistir.
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O Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) afeta a regulação emocional?
O Transtorno de Déficit de Atenção” (TDAH) afeta a regulação emocional?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, o TDAH pode afetar a regulação emocional. O DSM descreve que, além das dificuldades de atenção e impulsividade, muitas pessoas com TDAH apresentam maior sensibilidade à frustração, irritabilidade e reações emocionais rápidas. Essas respostas costumam ser menos sustentadas no tempo e mais ligadas à dificuldade de inibir impulsos do que a conflitos relacionais profundos. Clinicamente, é importante diferenciar quando a desregulação emocional está associada ao funcionamento atencional e quando ela se articula a questões do laço com o outro e da história subjetiva. Uma avaliação cuidadosa permite compreender essas diferenças e orientar o cuidado de forma mais adequada.
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Eu tenho esse sonho há muito tempo, ele é repetido. Onde eu sou um homem e estou procurando meu irmã
Eu tenho esse sonho há muito tempo, ele é repetido. Onde eu sou um homem e estou procurando meu irmão mais novo que é um criança, eu entro numa passagem onde ouço minha própria voz da vida real (sou mulher) passo por uma estrada onde interajo com uma pessoa que conheço que comento sobre ter encontrado o pai dela e falado muito bem dela até menciono o apelido dela que normalmente uso com ela na vida real. até então, eu entro naquela passagem que me leva ate família dessa minha amiga que me cumprimenta e lá encontro a criança que parece ser meu irmão cujo estou procurando nesse sonho, pego ele no colo e aquele grupo da família da minha amiga fala que temos todos que andar de mãos dadas para atravessar a cidade toda. pergunto pro meu irmão se ele tá com fome então solto a mão da avó da minha amiga e entro numa loja para comprar um lanche mas tudo tava caro então compro bolachas bem baratinhas e entrego pra ele e assim volto para o grupo, não lembro se seguro na mão da avó da minha amiga de novo mas sei que elas me levam numa espécie de portão onde tem fila de pessoas e tem um porteiro que faz umas pessoas sobre o que desejo ser e me dá respostas de escolhas mas dentro delas tá uma escolha "ser dos céus" lembro que eu escolho outra opção mas meu irmão que parece ter uns 2 anos de idade escolhe ser dos céus e alguém me fala que essa escolha é a morte e tento convencer meu irmão trocar a resposta enquanto algo já me puxa pela mesma passagem que entrei em busca dele enquanto o meu irmão fica no portão mas não diz nada. daí volto pra onde estava e procuro esse meu irmão e encontro ele mais velho acho que adolescente ou algo assim e fala alguma coisa que provavelmente não é minha culpa e depois some, após isso estou na aparência do homem que mencionei e interajo com umas pessoas que não conheço e depois disso não recordo o que acontece
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sonhos repetidos costumam indicar que algo do campo emocional ou psíquico insiste em ser elaborado, mas é importante ter cuidado para não tratá-los como mensagens literais ou interpretações prontas. Na psicanálise, o sonho é entendido como uma forma singular de expressão do inconsciente, atravessada pela história, pelos vínculos e pelos significantes próprios de cada sujeito. Elementos como mudança de identidade, figuras familiares, escolhas, perda ou separação não têm um sentido universal e não podem ser compreendidos fora do contexto de quem sonha. O que dá direção à compreensão do sonho não é o conteúdo isolado, mas a associação que a própria pessoa faz a essas cenas e afetos. Por isso, quando um sonho se repete e causa angústia ou curiosidade intensa, o mais indicado é levá-lo para um processo terapêutico, onde ele possa ser falado, associado e elaborado no tempo do sujeito, sem reduções ou explicações simplistas.
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O que desencadeia a resposta de luta ou fuga em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (
O que desencadeia a resposta de luta ou fuga em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A resposta de luta ou fuga em pessoas com esse diagnóstico costuma ser desencadeada por situações que, para outros, pareceriam pequenas, um silêncio prolongado, uma mudança de planos, uma palavra dita no tom errado. O que está em jogo não é uma reação desproporcional, mas uma sensibilidade muito aguçada a tudo que evoca abandono, rejeição ou perda de vínculo. O sistema nervoso responde como se o perigo fosse real e imediato, porque, na história dessa pessoa, muitas vezes foi. O trabalho clínico não busca eliminar essa resposta, mas ajudar o sujeito a reconhecer o que a dispara, a criar uma distância mínima entre o estímulo e a reação, e a entender o que essa intensidade está tentando proteger.
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O papel da família no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
O papel da família no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A família ocupa um lugar importante na vida de quem tem diagnóstico de borderline, mas esse lugar nem sempre é simples. Muitas vezes, as relações familiares estão no centro do próprio sofrimento é ali que os padrões mais intensos de amor, rejeição, abandono e conflito se organizam. Isso não significa culpar a família, mas entender que o tratamento não acontece isolado do contexto relacional em que a pessoa está inserida. O envolvimento familiar pode ser um recurso quando há disposição para compreender, sem tentar apressar ou corrigir o processo do outro. Mais do que um papel de "suporte prático", o que a família pode oferecer é uma presença que não recue diante da intensidade e isso, por si só, já é muito.
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O que causa a dor emocional intensa no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
O que causa a dor emocional intensa no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A dor emocional intensa no borderline tem raízes numa forma muito particular de se relacionar com o outro e consigo mesmo. Quando o sentido de quem se é depende muito do olhar, da presença e da validação do outro, qualquer ameaça a esse vínculo vira uma ameaça à própria existência. Não é exagero, é uma experiência genuinamente avassaladora. Há também uma dificuldade em modular o que se sente, como se as emoções não tivessem volume ajustável e viessem sempre no máximo. O sofrimento é real e merece ser levado a sério, não minimizado nem explicado de forma simplista. Um acompanhamento clínico cuidadoso pode ajudar essa pessoa a encontrar uma forma mais habitável de estar consigo mesma e com os outros.
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O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) causa agressão direcionada a outras pessoas?
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) causa agressão direcionada a outras pessoas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O borderline não é sinônimo de agressividade, e essa associação faz muito mal a quem carrega esse diagnóstico. O que pode acontecer é que, diante de uma dor emocional muito intensa e sem recursos para elaborá-la, a pessoa reaja de formas que machucam quem está por perto, não por maldade, mas por desamparo. A agressão, quando aparece, quase sempre é uma resposta a algo que foi sentido como abandono, humilhação ou ameaça ao vínculo. Entender isso não é justificar o comportamento, mas reconhecer que por trás de cada reação intensa há um sofrimento que ainda não encontrou outra forma de se expressar. O trabalho clínico abre espaço justamente para que outras saídas se tornem possíveis.
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As pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são propositalmente manipuladoras?
As pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são propositalmente manipuladoras?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não. No TPB, comportamentos que muitas vezes são nomeados como “manipulação” costumam estar ligados a tentativas desesperadas de regular emoções intensas, evitar abandono ou aliviar angústias, e não a uma intenção consciente de controlar o outro. Segundo o DSM-5, há impulsividade e instabilidade nas relações, o que pode gerar atitudes contraditórias ou extremadas, mas vividas como necessárias naquele momento. Do ponto de vista psicanalítico, trata-se de modos precários de lidar com o afeto e com o laço com o outro, mais próximos de um pedido de sustentação do que de uma estratégia calculada. O trabalho clínico permite transformar esses atos em algo que possa ser pensado e simbolizado, reduzindo a necessidade de agir no lugar de dizer.
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A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) distorce a realidade intencionalmente?
A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) distorce a realidade intencionalmente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não. A distorção não é intencional.
No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), as interpretações da realidade costumam ser fortemente atravessadas pelo estado emocional do momento. Quando o afeto é muito intenso — especialmente diante de medo de abandono, rejeição ou frustração — a percepção do outro e da situação pode se tornar mais rígida ou extremada.
Isso não significa manipulação consciente ou tentativa deliberada de enganar. Para a pessoa, aquela vivência é sentida como verdadeira naquele instante. O que ocorre é uma dificuldade de sustentar nuances, ambivalências e mudanças emocionais ao longo do tempo.
Na clínica, o trabalho visa ampliar a possibilidade de reflexão sobre essas experiências, ajudando o sujeito a diferenciar o que é vivido emocionalmente do que pode ser elaborado e pensado com mais distância.
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A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tem consciência do viés emocional ?
A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tem consciência do viés emocional ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na maioria das vezes, não de forma clara ou contínua.
No TPB, as reações emocionais costumam ser muito intensas e rápidas. O viés emocional aparece como algo que acontece com a pessoa, mais do que algo que ela percebe enquanto está vivendo a situação. Por isso, é comum que o sofrimento seja sentido com força, mas sem que haja, naquele momento, consciência de como a emoção está influenciando a forma de interpretar o outro ou a situação.
Muitas pessoas até reconhecem depois que “exageraram” ou que reagiram de forma impulsiva, mas tendem a entender isso como resposta ao que o outro fez, e não como parte de um funcionamento emocional próprio.
Na clínica, o trabalho possibilita justamente criar um espaço para que essas experiências possam ser nomeadas e pensadas, favorecendo aos poucos uma maior consciência sobre os afetos e suas repercussões nas relações.
Perguntas frequentes
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Iniciei tratamento com escitalopram há 21 dias. Comecei com 5mg e no 8° dia, aumentei para 10mg. Tiv
Boa tarde. Tudo bem? Entendo o susto de acordar assim hoje, ainda mais depois…