Perguntas do paciente (6)

  • Boa Noite como trato minha ansiedade não consigo mais dormir me sinto muito mal com isso me ajuda

    Boa Noite, como trato minha ansiedade? não consigo mais dormir, me sinto muito mal com isso, me ajuda

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Isabella Chicareli

    Boa noite. Sinto muito que você esteja passando por isso. Quando a ansiedade começa a afetar o sono, o sofrimento aumenta bastante e o corpo entra em um estado de alerta que dificulta ainda mais descansar.

    A ansiedade ativa o sistema de alerta do organismo. Se esse sistema está muito ativado à noite, o sono realmente fica prejudicado. Por isso, além de cuidar da ansiedade, é importante ajustar a rotina de sono.

    Algumas orientações de higiene do sono que podem ajudar:

    • Mantenha horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.
    • Tenha contato com luz natural logo pela manhã, especialmente nos primeiros 30 minutos após acordar. Isso ajuda a regular o ritmo biológico.
    • À noite, reduza a intensidade das luzes da casa e evite exposição a telas pelo menos uma hora antes de deitar.
    • Reduza cafeína, energéticos e outros estimulantes no período da tarde e noite.
    • Evite usar a cama para outras atividades como celular, séries ou trabalho.
    • Se não conseguir dormir após cerca de 20 a 30 minutos, levante, faça algo calmo e volte para a cama quando o sono vier.
    • Crie um ritual previsível antes de dormir, como um banho morno, leitura leve ou respiração lenta.
    • Se a mente estiver acelerada, reserve um momento mais cedo para escrever preocupações e organizar o dia seguinte.

    Se a ansiedade estiver intensa, persistente ou trazendo prejuízo importante, é essencial buscar ajuda profissional. A psicoterapia baseada em evidências é um dos tratamentos mais eficazes, e em alguns casos pode ser necessária também avaliação médica.

    Caso você não tenha acesso a atendimento particular neste momento, pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, serviços-escola de universidades ou CAPS na sua região, que oferecem atendimento gratuito ou a baixo custo.

    Ansiedade tem tratamento. Com orientação adequada e ajustes consistentes, é possível recuperar o sono e melhorar sua qualidade de vida. E se o intuito for iniciar o tratamento para ansiedade com uma psicologa, fico a disposição.


  • Não sou gay mas tenho dificuldade em falar com mulheres, que tipo de ajuda vocês indicam?

    Não sou gay mas tenho dificuldade em falar com mulheres, que tipo de ajuda vocês indicam?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Isabella Chicareli

    Ter dificuldade para falar com mulheres não significa nada sobre sua orientação sexual. Muitas vezes isso está relacionado à timidez, insegurança, medo de rejeição, autocrítica intensa ou até ansiedade social.

    Na terapia, dentro de uma abordagem baseada em evidências, trabalhamos tanto o que acontece externamente quanto internamente nessas situações. Por um lado, podemos utilizar o treinamento de habilidades sociais, desenvolvendo de forma prática e gradual aspectos como iniciar conversas, sustentar diálogo, lidar com silêncio, expressar opiniões e manejar possíveis rejeições.

    Por outro lado, especialmente em abordagens como a ACT, também olhamos para os processos internos que estão mantendo a dificuldade. Que pensamentos aparecem antes ou durante a interação? Algo como “vou parecer estranho” ou “ela vai me julgar”? Que sensações surgem no corpo? Muitas vezes, o problema não é sentir ansiedade, mas a tentativa constante de evitar esse desconforto.

    Trabalhamos então o desenvolvimento de flexibilidade psicológica: aprender a se aproximar dessas situações mesmo com certo nível de ansiedade, guiado por valores como conexão, interesse e autenticidade, sem deixar que pensamentos autocríticos determinem suas escolhas.

    O primeiro passo é entender melhor o que acontece com você nessas interações. Essa compreensão direciona o plano terapêutico, que pode incluir exposição gradual, treino comportamental e fortalecimento da autoconfiança.

    Se essa dificuldade está trazendo sofrimento ou prejuízo significativo, a psicoterapia pode ajudar bastante. Com acompanhamento adequado, é possível desenvolver mais segurança interna e naturalidade nas relações. Caso deseje, fico à disposição para auxiliar nesse processo.


  • Boa tarde! Tenho sofrido de uma ansiedade severa. Porém, não sei se é sobre só ansiedade ou estresse

    Boa tarde! Tenho sofrido de uma ansiedade severa. Porém, não sei se é sobre só ansiedade ou estresse. Como faço para fazer uma avaliação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Isabella Chicareli

    Boa tarde. Para entender se estamos diante de um quadro de ansiedade, estresse ou uma combinação dos dois, é necessário passar por uma avaliação clínica. Para fazer uma avaliação, o primeiro passo é agendar uma consulta com um psicólogo e/ou psiquiatra.

    Essa avaliação é feita em consulta, onde investigamos seus sintomas com profundidade, há quanto tempo estão presentes, em quais situações aparecem, qual a intensidade e principalmente o impacto na sua rotina. Também analisamos se os sintomas estão ligados a um evento específico ou se são mais persistentes e generalizados. Quando necessário, podem ser utilizados instrumentos psicológicos validados para complementar a investigação.

    A diferenciação não é feita apenas pelo tipo de sintoma, mas pelo padrão, duração e prejuízo funcional. A partir dessa análise, é possível definir com mais clareza o que está acontecendo e indicar o plano de cuidado mais adequado.


  • A causa da timidez é excesso de ansiedade? É a ansiedade que causa a timidez?

    A causa da timidez é excesso de ansiedade? É a ansiedade que causa a timidez?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Isabella Chicareli

    Não necessariamente. Timidez, ansiedade e introspecção não são a mesma coisa.

    Uma pessoa introspectiva prefere ambientes mais tranquilos e momentos sozinha, sem que isso envolva medo.
    A timidez envolve desconforto social, como vergonha ou receio de se expor, mas nem sempre causa prejuízo significativo.
    Já a ansiedade social envolve medo intenso de julgamento, sintomas físicos e evitação frequente.

    É importante lembrar que a ansiedade tem causas multifatoriais. Ela pode estar relacionada a fatores biológicos, experiências de vida, estilo de pensamento, ambiente e aprendizado ao longo do tempo. Não é preciso ser tímido para ter ansiedade, e nem toda pessoa tímida desenvolve um transtorno. Uma pessoa pode ser introspectiva sem ter ansiedade, pode ser tímida sem ter um transtorno, e a ansiedade pode intensificar a timidez quando há medo forte de rejeição.

    A psicoterapia pode ajudar em todos os casos: promovendo autoconhecimento e assertividade na introspecção, fortalecendo autoconfiança e habilidades sociais na timidez, e reduzindo evitação e medo de julgamento quando há ansiedade mais intensa.

    O ponto principal é o impacto na sua vida. Se há sofrimento ou limitação nas relações, buscar avaliação e tratamento com psicoterapia pode ajudar a entender melhor o que está acontecendo e a transformar padrões que estejam mantendo esse desconforto, desenvolvendo mais segurança, autonomia e liberdade nas interações, para que você consiga viver sem medo se ser você mesma e possa se expressar com mais autenticidade, sem ficar presa ao medo ou a padrões que geram sofrimento.


  • Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que e

    Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que eu, que é diagnosticada com depressão
    Tudo isso de escutar todo mundo está me deixando para baixo e eu acabo me sentindo confusa e choro muito ou me sentindo triste quase o tempo todo
    O que eu faço? Devo parar de ajudá-la?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Isabella Chicareli

    Olá. Dá para perceber o quanto você se importa com essa menina da sua escola e está sendo empática com ela. Como amiga, você pode apoiar e torcer pela melhora, mas não pode assumir o papel de terapeuta ou de adulta responsável por ela.

    Na depressão, não é suficiente tentar fazer a pessoa rir, desabafar o tempo todo ou buscar motivos para que ela “saia disso”. Muitas vezes é necessário acompanhamento profissional, e em alguns casos pode haver indicação de medicação para ajudar na regulação do humor. A terapia costuma ser fundamental nesse processo.

    A depressão é algo sério e precisa do acompanhamento de adultos e, muitas vezes, de profissionais. Você pode ajudar incentivando que ela procure um responsável, um orientador da escola ou um psicólogo. Se ela tiver medo ou vergonha, pode se oferecer para estar junto quando for conversar com um adulto. Também é válido explicar, com carinho, que você se importa, mas não tem as ferramentas necessárias para ajudá-la sozinha e que inclusive não estar conseguir ajudar ela tem te feito sofrer e que por isso vocês precisam pedir ajuda para um adulto. Ou até mesmo pode incentivar ela a ir em um atendimento médico, como em posto de saúde e falar com algum profissional sobre isso.

    Sobre parar de ajudar, não precisa ser algo brusco. Talvez o mais saudável seja mudar o papel que você está ocupando. Você pode continuar sendo amiga, mas sem assumir a responsabilidade pelo tratamento ou pelo bem-estar emocional dela. Isso não é egoísmo, é limite e cuidado com você e com ela, já que você não tem o tratamento que ela precisa.

    Tentem manter momentos de amizade que não sejam apenas falar sobre dificuldades. Fazer coisas leves juntas também faz parte de uma relação saudável. Mas se ainda se você perceber que conversar constantemente sobre os problemas dela está te fazendo mal, é válido diminuir a frequência dessas conversas ou dizer com carinho que precisa de um tempo para cuidar de você também.

    E algo muito importante: procure você também um adulto de confiança para conversar sobre como isso está te afetando. Se você está chorando com frequência ou se sentindo triste quase o tempo todo, isso merece atenção. Você não precisa carregar isso sozinha.

    Ajudar não pode significar se sobrecarregar. O melhor apoio que você pode oferecer é incentivar que ela busque adultos e profissionais.


  • Tenho TOC, tenho um ritual que é difícil de fazer, tem várias regras nele e acabo quebrando as regra

    Tenho TOC, tenho um ritual que é difícil de fazer, tem várias regras nele e acabo quebrando as regras sem querer, minha mente diz que tenho que refazer esse ritual, já que não fiz corretamente, há problema em deixar de fazer esse ritual sem refazê-lo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Isabella Chicareli

    Entendo que sua mente te diga que você precisa refazer e possa te trazer sensações ruins caso não faça. No TOC, essa urgência de “corrigir” o ritual faz parte do próprio funcionamento do transtorno. Quando você refaz para aliviar o desconforto, o cérebro aprende que o ritual é necessário para reduzir a ansiedade. Isso fortalece o ciclo obsessão → ansiedade → ritual → alívio temporário → mais obsessão.

    Deixar de refazer pode gerar aumento de ansiedade no curto prazo, mas com o tratamento adequado, essa é justamente a porta de saída do ciclo. Mas é claro que fazemos isso de forma gradativa, trabalhando também os elementos que estão mantendo esse comportamento. Aos poucos, o cérebro vai aprendendo que essa ameaça não é tão grande que você não possa enfrentar, você vai desenvolvendo tolerância as sensações sem responder ao ritual e sem se obrigar a isso, de uma forma gentil e respeitosa com você. Esse processo não é sobre “força de vontade”, e sim sobre um trabalho estruturado, gradual e baseado em evidências, geralmente com técnicas e estratégias tanto cognitivas, como comportamentais e emocionais.

    Se você está passando por isso, procurar acompanhamento especializado pode ajudar a fazer esse caminho com segurança e no seu ritmo. O TOC tem tratamento e você não precisa enfrentar isso sozinho(a). Caso deseje, fico à disposição para ajudar nesse processo.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.