Perguntas do paciente (31)
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Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do
Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do quarto, moro com a minha mãe, mas me sinto estagnada aqui e
eu queria muito trabalhar, mas deixei oportunidades passar por conta do meu estado, eu passo no caps as vezes e tomo antidepressivo, mas preciso de mais acompanhamento e algo mais efetivo pra sair disso, por isso pensei em internação, mas queria a ajuda de vocês sobre o que posso fazer nessa situação.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Obrigado por confiar sua situação aqui. O que você descreve — dificuldade com tarefas básicas, não conseguir sair do quarto, sensação de estagnação — são sintomas da depressão, e não falta de força de vontade. Sobre a internação: ela costuma ser indicada em situações específicas, como risco à própria vida ou impossibilidade de tratamento fora do hospital, e não é o caminho mais efetivo para a maioria dos casos. O que a literatura mostra como mais eficaz é a combinação de medicação com psicoterapia — o antidepressivo sozinho costuma render menos do que quando associado ao acompanhamento psicológico regular.
Uma sugestão concreta: leve exatamente o que você escreveu aqui para a equipe do CAPS e peça uma revisão do seu Projeto Terapêutico Singular. Você tem direito a um acompanhamento mais intensivo — maior frequência, psicoterapia regular, reavaliação da medicação — sem precisar de internação. E sobre o trabalho: não é que você tenha "deixado oportunidades passarem"; foi a depressão que reduziu sua capacidade de agir, e isso volta com tratamento. Se em algum momento surgirem pensamentos de acabar com a própria vida, ligue 188 (CVV, gratuito e 24h) ou procure uma emergência. Estou à disposição se quiser conversar sobre um acompanhamento contínuo.
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Eu tava tomando sertralina parei uma semana, voltei tomar tem 14 dias tô sentindo dor de cabeça faz
Eu tava tomando sertralina parei uma semana, voltei tomar tem 14 dias tô sentindo dor de cabeça faz 6 dias e não passa é normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Preciso ser claro sobre um limite ético: psicólogo não orienta sobre medicação, e quem pode responder isso com segurança é o profissional que prescreveu. O que posso dizer de forma geral é que dor de cabeça está entre os efeitos mais comuns nas primeiras semanas de uso ou de reintrodução da sertralina, e que interromper e retomar o medicamento pode gerar sintomas de ajuste. Costuma ceder — mas seis dias sem melhora merece contato com o seu médico, e não uma decisão por conta própria.
Duas orientações importantes: não pare nem ajuste a dose sozinha, já que a interrupção abrupta é justamente o que costuma provocar esses sintomas; e conte ao médico sobre a pausa de uma semana, porque essa informação muda a avaliação dele.
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A meditação de olhar na vela ela pode acalmar um sentimento muito forte de depressão ou de uma vergo
A meditação de olhar na vela ela pode acalmar um sentimento muito forte de depressão ou de uma vergonha? Tipo ter bebido anoite e acordar com aquela melancolia de lembrar coisas feias que fiz? e ela altera as ondas cerebrais também ? ou permanece em Beta??
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Vou por partes. Práticas de atenção focada, como fixar o olhar numa chama, têm evidência de reduzir ansiedade e ruminação de forma moderada: elas ajudam a não ficar preso ao pensamento desconfortável. São um recurso complementar, não um substituto de tratamento quando há depressão. Já aquela melancolia do dia seguinte ao álcool tem explicação fisiológica: o álcool altera neurotransmissores ligados ao humor e ao sono, e o efeito rebote produz exatamente isso — angústia, vergonha e memórias ruins voltando com força. Não é necessariamente sinal de depressão; é o corpo se reequilibrando.
Sobre as ondas cerebrais, a ideia de que a mente "permanece em Beta" não se sustenta bem: estudos de EEG em meditação de atenção focada mostram, em geral, aumento de ondas alfa e teta, com variações conforme a prática e a experiência do praticante. Só que esse dado diz pouco sobre resultado clínico — o que importa é como você se sente e funciona depois. Se essa melancolia aparece com frequência, vale olhar para o padrão de consumo de álcool e, se ela persistir, buscar uma avaliação psicológica.
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Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coi
Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coisas das revistas que tive ou tenho e costumo anotar num papel, antes eu guardava mas agora jogo fora,e isso está me deixando ansiosa,pois eu esqueço das coisas importantes, mesmo sabendo que essas coisas não são reais eu sinto tipo um impulso pra isso, isso é normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve tem nome na psicologia: comparação social. Todos fazemos isso — é um mecanismo normal de como a mente se avalia — e escrever desejos também não é, por si só, um problema. O ponto de atenção está em outro lugar, e você mesma o identificou: quando isso vira um impulso que consome tempo, gera ansiedade e faz você esquecer o que é importante, deixou de ser um hábito e passou a ter um custo real na sua rotina.
Duas coisas costumam ajudar de imediato: reduzir a exposição às fontes que alimentam a comparação (revistas, redes sociais — elas são desenhadas para isso) e transformar a lista de "coisas que eu queria ter" numa lista de "o que eu quero construir nos próximos meses". Desejo virando objetivo concreto costuma baixar a ansiedade, porque devolve senso de controle. Como isso já está atrapalhando sua rotina, vale uma avaliação com psicólogo; em poucas sessões dá para entender o que esse impulso está tentando resolver. Estou à disposição.
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Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b
Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Seu receio faz sentido e tem base real: em ambientes com forte pressão por conformidade, quem se destaca às vezes vira alvo, e isso é descrito na literatura sobre normas sociais e comparação. Você não está imaginando coisas. O que costuma acontecer, porém, é a mente generalizar: de "algumas pessoas podem reagir mal" para "é arriscado mostrar quem eu sou". Aí você se esconde em todos os contextos, inclusive nos seguros — e o custo é alto, porque suas qualidades param de gerar oportunidades e vínculos.
Três movimentos práticos: separe os ambientes, porque nem todo grupo reage igual e existem espaços onde dedicação e cuidado com a aparência são valorizados; teste em vez de presumir, expondo algo pequeno e observando o que de fato acontece, já que a reação real costuma ser bem menos dramática que a antecipada; e repare em quem está julgando, porque a opinião de quem não faz parte da sua vida não deveria ter poder de veto sobre suas escolhas. Se o medo já vem restringindo o que você faz, a terapia cognitivo-comportamental trabalha exatamente isso, com bons resultados.
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Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?
Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A ordem que você colocou já está certa: primeiro para si, depois como consequência. O que a pesquisa mostra é que a sensação de ser interessante não vem de aprovação externa, e sim de três elementos — competência (fazer algo bem e ver progresso), autonomia (escolher a própria direção) e vínculo (relações que importam). É o núcleo da Teoria da Autodeterminação, uma das linhas mais estudadas em motivação humana.
Na prática: cultive curiosidades de verdade, porque pessoas interessantes costumam ser pessoas interessadas; desenvolva alguma habilidade em profundidade, já que progresso visível constrói autoestima de forma mais sólida do que elogio; saiba o que você valoriza, porque quem tem valores claros parece e se sente mais inteiro; e escute de verdade, que é o traço que as pessoas mais associam a "essa pessoa é interessante". Ser atraente para os outros tende a ser efeito colateral disso, não a meta.
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Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço
Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua observação é precisa, e a distinção existe. Perfeccionismo é um traço: padrões altos, desconforto com o "mal feito", necessidade de certeza. Gera sofrimento, mas está integrado ao seu jeito de ser — você concorda com ele. O TOC tem outra configuração: obsessões (pensamentos ou dúvidas intrusivos, que chegam sem convite e que você reconhece como excessivos ou estranhos a você), compulsões (atos ou rituais mentais repetidos para aliviar a angústia — conferir, repetir, refazer, buscar garantia) e, em geral, mais de uma hora por dia com prejuízo na rotina.
A pergunta-chave que costumo usar é: "eu faço isso porque quero que fique bom, ou porque, se não fizer, algo ruim acontece e a angústia não passa?". A segunda resposta aponta para TOC. Vale notar um detalhe do seu relato: a intolerância à incerteza é comum tanto ao TOC quanto ao transtorno de ansiedade generalizada, e é justamente esse ponto que o tratamento trabalha. Uma avaliação presencial permite nomear com precisão o que está acontecendo, porque a conduta muda conforme o quadro.
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É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após
É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, é possível — mas o mecanismo é diferente do que a pergunta supõe, e essa diferença explica as recaídas. Crenças centrais não são apagadas. O que acontece na terapia é que a crença antiga perde força e credibilidade enquanto uma crença nova e mais funcional é construída com evidências da sua própria vida. As duas passam a coexistir, com pesos diferentes — como dois caminhos: o antigo continua existindo, mas deixa de ser o mais usado. Por isso, em momentos de estresse, sono ruim, luto ou sobrecarga, a crença antiga pode reaparecer: ela é a rota mais automática. Isso é um lapso, não a anulação do tratamento, e a diferença é que agora o paciente reconhece o que está acontecendo e sabe o que fazer, o que encurta muito o episódio.
Vale acrescentar que a prevenção de recaída faz parte do protocolo da TCC: nas sessões finais se identificam gatilhos, sinais precoces e um plano de ação. E, assim como exercício físico, o efeito se mantém com prática — registros de pensamento, experimentos comportamentais e sessões de reforço ocasionais. Resumindo: mudança duradoura é possível; imunidade permanente não é objetivo realista de nenhum tratamento psicológico.
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Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente,
Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente, mais faz três dias que minhas crises voltaram, a angústia, coração acelerado , a cabeça dói, o entalo , oque fazer ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que esteja passando por isso, ainda mais depois de ter recuperado a vontade de viver — e isso não significa que você voltou à estaca zero. Preciso ser claro sobre o limite da minha atuação: quem avalia medicação é o médico que prescreveu. Procure seu psiquiatra nos próximos dias e relate exatamente o que você escreveu aqui, incluindo há quanto tempo os sintomas voltaram, o que mudou na sua rotina e se houve algum esquecimento de dose. Uma orientação de segurança: não interrompa nem altere a dose por conta própria, porque a venlafaxina está entre os medicamentos com sintomas de descontinuação mais intensos.
Além disso, o retorno de sintomas com medicação bem ajustada muitas vezes tem gatilhos que o remédio sozinho não resolve — estresse, sono, luto, sobrecarga. É onde a psicoterapia entra: os estudos mostram resultado superior e mais duradouro quando medicação e psicoterapia caminham juntas. Se você ainda não faz acompanhamento psicológico, este é um bom momento para começar.
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Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu
Olá, boa noite.
Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
Eu deveria procurar ajuda?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, você deveria procurar ajuda — e quero que saiba que sua pergunta foi corajosa e muito bem descrita. Duas coisas no seu relato merecem atenção. A sensação de que momentos felizes parecem "atuação", ou como se não tivessem acontecido com você, é algo que a psicologia reconhece e nomeia (fenômenos de despersonalização e desrealização), e costuma aparecer associada a depressão, ansiedade ou estresse intenso. Não é loucura e não é invenção sua. A segunda é mais importante: pensamentos de "só acabar com tudo" são sinal de que a dor passou do que se consegue carregar sozinho. Eles são mais comuns do que se imagina e são tratáveis, mas precisam de acompanhamento, não de espera.
Caminhos concretos: procure um psicólogo ou, se o custo for um obstáculo, uma UBS ou o CAPS da sua região, com atendimento gratuito pelo SUS e sem necessidade de encaminhamento. Se em algum momento esses pensamentos ficarem mais fortes ou mais concretos, ligue 188 (CVV, 24h, gratuito e sigiloso) ou vá a uma emergência. E sobre o futuro que parece agonizante: aos 18 anos não ter um plano definido não é fracasso, é o ponto de partida normal — o que está tornando isso insuportável não é a falta de plano, é o estado emocional em que você está tentando fazê-lo, e isso melhora com tratamento. Estou à disposição se quiser conversar.
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Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr
Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua lógica é compreensível, e costuma nascer de decepções reais, não de raciocínio frio — isso já diz algo importante. Sobre os dados: conexão social é um dos preditores mais consistentes de saúde física e mental. Meta-análises amplas (Holt-Lunstad e colaboradores) mostram que ter vínculos significativos se associa a maior expectativa de vida, com efeito comparável ao de fatores clássicos de risco, enquanto o isolamento prolongado é fator de risco para depressão, ansiedade e problemas cardiovasculares. A autossuficiência total protege da perda, mas cobra caro por isso.
Vale também revisar uma premissa: relações não precisam ser permanentes para terem valor. Boa parte das amizades tem um tempo e um contexto, e isso é característica da vida adulta, não fracasso pessoal — uma amizade de cinco anos que terminou por uma mudança de cidade não foi investimento perdido. O objetivo, aliás, não é ter muitos amigos para preencher lacunas, e sim alguns vínculos de qualidade: na pesquisa sobre solidão, qualidade pesa muito mais do que quantidade. Se essa ideia de "melhor ser sozinho" vem crescendo acompanhada de desânimo, vale conversar sobre isso em terapia, porque muitas vezes o desapego é proteção contra a dor da perda, e não uma escolha livre.
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Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "cert
Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "certo" mas as vezes esqueço por 1 a 2 horas no MÁXIMO, além disso eu sempre uso camisinha do início ao fim e também faço coito interrompido, existe alguma chance mesmo assim de engravidar? Sou muito paranóica com isso e acho que as vezes acabo estragando o momento por pensar demais e ficar com medo
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A parte sobre eficácia do contraceptivo é de competência médica, e quem pode responder com precisão é sua ginecologista — vale levar essa dúvida na próxima consulta. De modo geral, atrasos de uma a duas horas não são considerados esquecimento de dose para a maioria das pílulas combinadas, e o uso associado de preservativo aumenta a proteção, mas a orientação individual precisa vir dela.
Sobre a parte que é minha: o que mais chama atenção no seu relato não é o risco de gravidez, é o quanto o medo está ocupando espaço. Você já usa dois métodos, faz tudo "certo", e ainda assim o pensamento não sossega e chega a estragar o momento. Esse é um padrão típico de ansiedade: a busca por certeza absoluta traz alívio momentâneo, mas reforça a dúvida — por isso ela sempre volta, exigindo cada vez mais garantia, e nenhuma resposta, nem a de uma médica, encerra o ciclo por muito tempo. A boa notícia é que esse padrão responde bem à terapia cognitivo-comportamental, que trabalha justamente a tolerância à incerteza e a redução dos comportamentos de checagem, costumando ser um processo objetivo e de duração relativamente curta.
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Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré
Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua preocupação é legítima e merece uma resposta honesta: a formação em terapia de casal no Brasil não inclui, como regra, conteúdo específico sobre não-monogamia consensual, então o preparo varia bastante de profissional para profissional. Dito isso, dois pontos importam. O Código de Ética do psicólogo veda qualquer forma de discriminação e prática que favoreça preconceito, de modo que um profissional que patologize a configuração de vocês está fora do que a profissão determina. E a pesquisa sobre relacionamentos consensualmente não-monogâmicos indica níveis de satisfação e qualidade de vínculo comparáveis aos de relações monogâmicas — o que muda são os acordos, não a saúde da relação.
Na prática, vocês não precisam procurar um nicho fechado, mas vale perguntar antes de marcar. Uma mensagem simples resolve: "somos um casal em relacionamento aberto e queremos trabalhar acordos e ciúmes; você tem experiência com esse tipo de demanda?". A resposta — e principalmente o tom dela — já revela muito, e um bom profissional que não tenha essa experiência dirá isso com clareza e poderá indicar alguém. Usem também a primeira sessão como avaliação mútua: sentir-se acolhido é critério de escolha, não luxo.
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Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres
Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos? Crenças da baixa autoestima como: "eu sou feio", "ninguém vai me amar e me achar atraente". Crenças da depressão como: "Sou inútil", "ninguém gosta de mim", "não sou bom o suficiente", "todos são melhores do que eu". E crenças e pensamentos da ansiedade social como: "Estão me julgando", "Eu tenho que agradar todo mundo", "se me criticarem, significa que sou ruim".
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A TCC trabalha os três justamente juntos, e essa é a resposta central da sua pergunta. Olhe para as crenças que você listou: "sou feio", "sou inútil", "não sou bom o suficiente", "estão me julgando". Apesar de estarem em três caixas diagnósticas diferentes, quase todas orbitam o mesmo núcleo — sou inadequado, sou desvalorizado. Na TCC isso é organizado numa conceitualização de caso: um mapa que mostra como uma mesma crença central produz manifestações distintas. Na depressão ela vira desesperança e retraimento; na ansiedade social, antecipação de julgamento e evitação; na autoestima, autocrítica. Um único núcleo, três roupagens.
O tratamento então age em camadas que se reforçam: ativação comportamental para a depressão, retomando atividades com sentido mesmo sem vontade (a motivação costuma vir depois da ação, não antes); reestruturação cognitiva, examinando as evidências reais de "todos são melhores do que eu" — não é pensamento positivo, é checagem de fatos; exposição gradual e experimentos comportamentais para a ansiedade social, testando na prática se a crítica temida acontece e se o resultado é o catastrófico previsto; redução dos comportamentos de segurança (agradar todo mundo, ensaiar falas, evitar contato visual), que aliviam na hora e mantêm o medo no longo prazo; e, ao longo do processo, o trabalho sobre a crença central com registro de evidências contrárias. Vale um detalhe: "tenho que agradar todo mundo" e "se me criticarem, significa que sou ruim" são crenças intermediárias, e costumam ser as mais produtivas de mexer primeiro, porque são mais acessíveis que as centrais e destravam as demais.
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Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres
Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Os três quadros costumam compartilhar o mesmo núcleo — em geral uma crença de inadequação ("não sou bom o suficiente") — que na depressão aparece como desesperança, na ansiedade social como medo de julgamento e na autoestima como autocrítica. Por isso a TCC não os trata em separado: ela monta uma conceitualização única do caso e trabalha o núcleo comum e suas diferentes manifestações.
As frentes principais são a ativação comportamental (retomar atividades para sair da inércia depressiva), a reestruturação cognitiva (examinar as evidências reais dos pensamentos automáticos), a exposição gradual às situações sociais evitadas com experimentos comportamentais e, ao longo do processo, a reconstrução da crença central com registro de evidências. Na prática, mexer numa frente move as outras: voltar a fazer coisas melhora o humor, o que reduz a autocrítica, o que torna a exposição social mais viável.
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Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas cris
Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas crises psicóticas (esquizofrenia em questionamento)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Vou separar as duas coisas. Sobre o diagnóstico em investigação, não é possível confirmar nem descartar nada por aqui, e é importante que essa investigação continue com psiquiatra e psicólogo — ter esse acompanhamento firmado também te dá algo prático: uma referência externa e confiável sobre a sua própria experiência. Sobre a dinâmica familiar, usar suas crises como argumento contra você, insinuando que você não pode confiar na própria percepção, é um padrão que tem nome na literatura: gaslighting. Independentemente de seus pais terem ou não traços narcisistas, o que eu não teria como avaliar sem atendê-los, o efeito sobre você é real e desgastante.
Algumas estratégias costumam ajudar: registre fatos e datas das conversas importantes, porque o registro externo reduz muito o poder do "isso nunca aconteceu"; não discuta a realidade no calor do momento, já que nessa discussão específica não há vitória, e encerrar para retomar depois protege mais; separe crítica de conteúdo clínico, lembrando que "você está tendo uma crise" usado para te desqualificar não é informação clínica, é argumento de discussão; construa referências fora de casa, porque o isolamento é o que dá mais força a essa dinâmica; e estabeleça limites concretos, já que nem sempre é possível se afastar, mas quase sempre é possível reduzir a exposição a certos temas. Se você depende financeiramente ou mora com eles, o CAPS da sua região oferece acompanhamento gratuito, inclusive apoio à família.
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Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c
Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A TCC começa pela parte que parece contraintuitiva: a ação vem antes da vontade. Na depressão, a lógica "vou fazer quando tiver ânimo" mantém o quadro, porque o ânimo depende de fazer. A ativação comportamental quebra esse ciclo com agendamento gradual de atividades — pequenas, específicas, marcadas na agenda — independentemente da vontade no momento, e é um dos componentes com maior sustentação empírica em depressão. Para a anedonia especificamente, usa-se o registro de prazer e domínio: você pontua cada atividade em quanto prazer deu e quanto senso de realização trouxe, o que serve tanto para reunir dados contra o "nada me dá prazer" (que quase nunca é literalmente verdade) quanto para identificar o que ainda funciona e ampliar.
Sobre as crenças, o trabalho acontece em três níveis: pensamentos automáticos, os mais superficiais e acessíveis, examinados com registro de pensamentos e checagem de evidências; crenças intermediárias, que são as regras e suposições do tipo "se eu não for o melhor, não valho nada", flexibilizadas com experimentos comportamentais; e crenças centrais, o núcleo ("sou incapaz"), enfraquecido gradualmente enquanto uma crença alternativa é construída com evidências colhidas semana a semana. As frentes se sustentam: voltar a agir gera justamente as evidências que a reestruturação cognitiva usa como matéria-prima, e por isso a ordem costuma ser comportamento primeiro, cognição em seguida.
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Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi
Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Obrigado por escrever com tanta honestidade. O que você está sentindo é mais comum do que se fala e não faz de você uma mãe ruim: a ambivalência na gestação — querer e não querer ao mesmo tempo, sentir amor e ressentimento — é descrita na literatura como parte esperada do processo, especialmente em gestações não planejadas, e é o silêncio em torno disso que faz tantas mulheres se sentirem monstruosas por sentirem o que a maioria sente. Ainda assim, quero nomear com cuidado um ponto do seu relato: sentir que "o bebê é amado e eu não", que a vida que começa não é sua, somado ao isolamento e a uma mudança feita sozinha, é um conjunto que serve de alerta para depressão perinatal, que atinge cerca de uma em cada cinco gestantes e tem tratamento eficaz.
Sobre a sua pergunta — como é possível não ter planos e ao mesmo tempo sentir que o filho vai roubar sua vida — não há contradição: a sensação de perda não é dos planos que você tinha, é da possibilidade de tê-los. E essa possibilidade não acaba, ela muda de ritmo; aos 23 anos você tem tempo, e sua vida não é uma vaga que outra pessoa vai ocupar. Três encaminhamentos concretos: leve tudo isso ao pré-natal, que é o lugar certo e cuja equipe está preparada para ouvir; busque acompanhamento psicológico, seja particular, na UBS ou no CAPS, os dois últimos gratuitos; e não faça a mudança de forma totalmente isolada, porque ter ao menos uma pessoa de confiança sabendo faz diferença real no puerpério. Estou à disposição se quiser conversar.
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Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou
Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou 100mg de sertralina, mas não resolveu. Faz 3 anos que eu não vou a escola por conta dessa ansiedade. Tenho medo do julgamento, medo do que os outros estão pensando, medo de ser rejeitado, criticado, medo de desagradar alguém, autoestima baixa. Quando alguém me chama para sair, ir em algum evento, festas ou um jogo de futebol, eu nunca vou por conta dessa ansiedade. Já passei por 2 psicólogas da TCC, mas eu parei de fazer terapia porque eu achei que não estava resolvendo.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua frustração faz sentido, e sua pergunta merece uma resposta franca: é bem possível que o que faltou tenha sido a exposição. A TCC para ansiedade social tem um ingrediente que carrega a maior parte do resultado — a exposição gradual acompanhada de experimentos comportamentais. Não é apenas conversar sobre o medo ou reestruturar pensamentos no consultório; é construir uma hierarquia de situações temidas, do mais fácil ao mais difícil, e enfrentá-las de forma planejada, testando na prática se o julgamento temido acontece e se o resultado é aquele que a ansiedade previa. Terapia que fica só na conversa rende pouco nesse quadro. Somam-se a isso os comportamentos de segurança — evitar contato visual, ensaiar falas, só ir se alguém for junto, recusar convites —, que aliviam na hora e são exatamente o que mantém o medo, porque impedem você de descobrir que daria conta.
Sobre a medicação, 100mg de sertralina sem resposta é informação que precisa chegar ao seu psiquiatra, porque existem ajustes possíveis de dose, tempo, troca ou associação, e essa avaliação é dele; vale lembrar que na ansiedade social a medicação costuma reduzir a intensidade dos sintomas, mas quem produz mudança duradoura é a exposição. E três anos fora da escola é bastante tempo, mas é reversível: o retorno não precisa e nem deve ser de uma vez, e sim construído por etapas pequenas o suficiente para serem possíveis. Se decidir tentar de novo, pergunte ao profissional logo na primeira conversa como ele trabalha exposição — você tem todo o direito de fazer essa pergunta.
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A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediá
A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais sozinho?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, e esse é literalmente um dos objetivos declarados da abordagem: a TCC costuma ser descrita como um modelo que busca tornar o paciente seu próprio terapeuta. Isso acontece por alguns caminhos — psicoeducação, em que a pessoa aprende o modelo e não apenas recebe interpretações; tarefas entre as sessões, que é onde a mudança de fato se consolida; e ferramentas que ficam com ela, como registro de pensamentos, questionamento socrático aplicado a si mesmo e planejamento de experimentos comportamentais.
Há uma ressalva importante, porém: sozinho depois, não sozinho desde o início. Crenças centrais são, por definição, o ponto cego — são o filtro através do qual a pessoa enxerga e, por isso, parecem fatos e não opiniões. O terapeuta é quem oferece a perspectiva externa que torna esse filtro visível e quem sustenta o processo quando ele fica desconfortável. Depois que a mecânica é aprendida, ela passa a ser aplicada de forma cada vez mais autônoma, e é justamente por isso que a TCC costuma ter alta programada e efeitos que se mantêm após o fim do tratamento.
Perguntas frequentes
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Pra quem tem ansiedade, existe diferença entre cloridrato de bupropiona 12h e Zetron XL? Estou fazen
Sim, existe diferença entre as formulações de bupropiona de liberação prolongada:…