Perguntas do paciente (21)
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"Qual a correlação entre eventos traumáticos na infância e a prevalência de defesas primitivas no Tr
"Qual a correlação entre eventos traumáticos na infância e a prevalência de defesas primitivas no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), do ponto de vista clínico e psiquiátrico?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Para a DBT, tudo começa com um encontro mal resolvido. De um lado, uma pessoa que já nasce mais sensível no emocional — sente mais rápido, com mais intensidade e demora mais pra voltar ao normal depois de um abalo. Do outro, um ambiente que, em vez de ajudar a nomear e entender o que ela sente, minimiza, corrige ou simplesmente ignora. Aquele clássico "para de drama", "não é pra tanto".
Quando isso se repete por anos, falta o principal: a pessoa nunca teve com quem aprender a regular as próprias emoções. Então as viradas bruscas, a impulsividade, a sensação de que tudo é intenso demais não são defeito de caráter nem falta de força de vontade. São o resultado previsível dessa combinação entre temperamento e ambiente.
E é justamente aí que a DBT é otimista: o que faltou aprender lá atrás dá pra aprender agora. Ela ensina, na prática, a regular a emoção, atravessar momentos de crise sem piorar as coisas e se relacionar sem se machucar tanto.
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Eu tive vários sonhos dentro de vários sonhos e eu tive uma experiência muito intensa, que mexeu mui
Eu tive vários sonhos dentro de vários sonhos e eu tive uma experiência muito intensa, que mexeu muito e demais comigo seja interno, seja dentro de mim, marcou demais em mim, e ficou muito na minha mente um último sonho meu que ele é meio pesado. Eu queria saber o porquê sonhar várias vezes dentro de vários sonhos e experiências profundas e que mexem demais. Porque sonhar várias vezes dentro de vários sonhos? Porque sentir tão profundo e forte e não conseguir sair do sonho de ser tão profundo e difícil? É porque sonhar com um homem totalmente desconhecido que eu não conheça pessoalmente e nem no sonho mais eu conversar com ele e o homem falar comigo e conversar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sonhar várias vezes em uma mesma noite é mais comum do que parece. Todo mundo passa por vários ciclos de sono, e em cada um deles há uma fase de sonhos chamada REM. Em uma noite inteira, somos visitados por quatro a seis sonhos, mesmo que a maioria não seja lembrada.
Esses sonhos são, basicamente, o jeito que o cérebro encontra de reorganizar o que viveu durante o dia: emoções pendentes, conversas marcantes, preocupações, desejos, lembranças antigas. É como se a mente fizesse uma "faxina noturna" e, no processo, misturasse arquivos antigos com recentes daí surgem cenas estranhas, intensas e cheias de simbolismo.
Sobre o personagem desconhecido: dificilmente é uma pessoa real. Em geral, figuras assim representam aspectos seus que ainda não foram totalmente reconhecidos uma parte sua que quer dizer alguma coisa.
Em vez de buscar uma "tradução" exata, vale apenas viver o que esses sonhos te trouxeram e tentar dar um significado próprio a eles.
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De que forma a experiência de ‘fundir-se com a dor’ no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)
De que forma a experiência de ‘fundir-se com a dor’ no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se relaciona com a forma como a pessoa percebe a si mesma e organiza sua identidade, levando à predominância do sofrimento emocional na construção do senso de identidade em detrimento de uma autoimagem mais integrada e estável?”
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quem convive com TPB costuma descrever algo parecido com isto: "eu não sou triste, eu sou a tristeza". A dor não é vivida como uma emoção que passa pela pessoa — ela vira a própria pessoa. Esse fenômeno tem nome na ACT: fusão cognitiva, e mais especificamente, apego ao self conceitualizado.
O que acontece é que a intensidade emocional é tão alta e tão frequente que o sofrimento vira "matéria-prima" da identidade. Em vez de construir um senso de si a partir de valores, escolhas, vínculos e história — material variado —, a pessoa monta sua autoimagem em cima da única coisa que aparece todos os dias com força total: a dor.
O efeito prático disso é cruel. Quando o sofrimento se ameniza, em vez de alívio, vem confusão: "se eu não estou em crise, eu não sou eu". É comum, inclusive, que alguns pacientes sabotem momentos bons inconscientemente — não por gostar de sofrer, mas porque a estabilidade ameaça a única identidade que conhecem.
O trabalho terapêutico, então, vai por dois caminhos ao mesmo tempo: regular a intensidade emocional (DBT faz isso muito bem) e ampliar o material com que a identidade é construída. Você não é a dor. Você é alguém que sente dor — entre muitas outras coisas que ainda estão por descobrir.
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Como a busca pela expressão autêntica afeta o "vínculo terapêutico" no Transtorno de Personalidade B
Como a busca pela expressão autêntica afeta o "vínculo terapêutico" no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A busca pela expressão autêntica é, talvez, o mais importante motor terapêutico para quem tem TPB. Pessoas com esse diagnóstico passaram a vida se moldando ao que o ambiente esperava agradando, performando, se calando e chegam à terapia com pouco contato com o que de fato sentem, pensam e querem.
Quando o setting terapêutico se torna um espaço seguro pra essa autenticidade aparecer, mesmo que aos pedaços, alguma coisa começa a se reorganizar. Discordar do terapeuta sem ser punido, expressar raiva sem ser abandonado, mostrar fragilidade sem ser invalidado cada uma dessas experiências repara, na prática, o que ficou machucado antes.
É por isso que o vínculo terapêutico não é "ambiente para o tratamento acontecer" ele é o tratamento. No TPB, talvez mais do que em qualquer outro quadro, a relação com o terapeuta é o lugar onde a identidade é, finalmente, recebida inteira. E é a partir daí que ela começa a se integrar.
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Qual postura clínica costuma ser mais eficaz no manejo terapêutico de pacientes com Transtorno de Pe
Qual postura clínica costuma ser mais eficaz no manejo terapêutico de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A postura mais eficaz no manejo do TPB, pela ótica da DBT, é o que Marsha Linehan chamou de dialética sustentar duas coisas que parecem opostas ao mesmo tempo: aceitar o paciente exatamente como ele está e, simultaneamente, pedir mudança.
Na prática, isso quer dizer validar a dor, a raiva, o medo, o desespero sem corrigir, julgar ou minimizar e, ao mesmo tempo, apontar que aquele padrão de comportamento não está funcionando e precisa mudar. Validar sem mudança vira complacência. Mudança sem validação vira invalidação exatamente o que produziu o quadro lá atrás.
Em consultório, isso aparece em frases como "faz todo sentido você ter reagido assim, dado tudo que viveu e ao mesmo tempo, essa reação está te custando caro, e a gente precisa fazer diferente". O paciente sente que é finalmente recebido inteiro, mas não fica preso ali. É essa tensão delicada que abre espaço pra mudança real acontecer.
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O que define tecnicamente a "autoimagem camaleônica" no contexto do Transtorno de Personalidade Bord
O que define tecnicamente a "autoimagem camaleônica" no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A "autoimagem camaleônica" é o apelido dado a um dos critérios centrais do TPB no DSM-5: a instabilidade persistente do senso de identidade. Na Terapia do Esquema de Young, isso aparece pelo câmbio rápido entre modos dissociados — criança abandonada, criança zangada, pais punitivos, protetor desligado — cada um com sua própria visão de si. Como a pessoa precisou agradar e se moldar desde cedo para sobreviver, nunca teve espaço para construir uma identidade estável.
Pense em alguém que muda de cor conforme o ambiente: combativa no trabalho, submissa em casa, festeira com um grupo, calada com outro. Não é manipulação nem hipocrisia — é um self que aprendeu a se camuflar para não se machucar. Por dentro, fica a sensação crônica de "não saber quem eu sou de verdade".
O tratamento ajuda exatamente a integrar essas partes em um senso de identidade mais coeso, em que a pessoa pode se adaptar aos contextos sem se perder de si.
Para pessoas com TPB, a terapia dialética (DBT) é a mais recomendada para trabalhar.
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Por que a crise de identidade no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um alvo central do t
Por que a crise de identidade no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um alvo central do tratamento psicoterápico?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Para a DBT (Terapia Comportamental Dialética), de Marsha Linehan, a crise de identidade no TPB não é um sintoma isolado, mas uma consequência direta da desregulação emocional crônica vivida em um ambiente invalidante. Quando, desde cedo, a pessoa ouve que o que sente "não é assim", "está exagerando" ou "não faz sentido", ela aprende a desconfiar das próprias emoções, percepções e desejos — e sem essas referências internas, fica praticamente impossível construir um senso estável de quem se é.
Imagine tentar montar um quebra-cabeça com alguém ao lado dizendo, a cada peça encaixada, que você está errada. A certa altura, você para de confiar até nas peças que claramente se encaixam.
Por isso a DBT trabalha o tempo todo com habilidades de mindfulness — observar, descrever, participar — e validação. Quando a pessoa aprende a reconhecer o que sente, a nomear sem julgamento e a confiar na própria experiência, a identidade começa a se reconstruir de dentro para fora.
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Qual a importância de cultivar um sentido de propósito na análise existencial?
Qual a importância de cultivar um sentido de propósito na análise existencial?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Cultivar um sentido de propósito é um dos pilares tanto da análise existencial quanto de abordagens contemporâneas como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Sem um "para quê", a vida vira uma sequência de reações a estímulos: cumprir prazos, evitar desconforto, sobreviver à semana. O propósito é o que transforma essa rotina em algo que vale ser vivido.
Pense em um barco. Motor potente, combustível sobrando, tripulação a postos — mas, sem rumo definido, ele só vai para onde o vento empurra. É mais ou menos o que acontece quando vivemos no automático, sem clareza sobre o que importa para nós. O propósito é a bússola que transforma movimento em direção.
Reserve um tempo para se perguntar o que você quer representar nesta vida — como pai, amigo, profissional, pessoa. Depois, escolha uma ação pequena hoje que caminhe nesse sentido. Propósito não se descobre num relâmpago; constrói-se um passo por vez.
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A Logoterapia pode ajudar a lidar com a sobrecarga e o esgotamento no contexto familiar?
A Logoterapia pode ajudar a lidar com a sobrecarga e o esgotamento no contexto familiar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim — e talvez seja exatamente nesse contexto que a Logoterapia, de Viktor Frankl, mais brilha. A proposta dela não é eliminar o cansaço, e sim transformar a relação com ele. Frankl observou que o sofrimento se torna insuportável quando perde o sentido; quando reencontramos um "para quê", até as situações mais pesadas ganham outra textura. No contexto familiar — cuidar de filhos pequenos, idosos, alguém doente, manter casa e trabalho — não é a tarefa que esgota, é a sensação de estar cumprindo obrigação sem propósito.
Pense em carregar uma mochila pesada subindo uma trilha. Se você não sabe para onde está indo, cada quilo dobra de peso. Mas se sabe que no topo está alguém que você ama, a mesma mochila vira esforço com sentido — continua pesada, mas suportável.
Resgate, mesmo em meio à correria, pequenos momentos em que você reconecta o esforço ao "para quem" e ao "para quê" daquilo. Sentido não tira o cansaço, mas devolve a dignidade dele.
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Como a Logoterapia promove a Ressignificação? .
Como a Logoterapia promove a Ressignificação? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Ressignificar é mudar o sentido que damos a uma situação — não os fatos em si, mas a leitura que fazemos deles. Na TCC de Beck, isso aparece como reestruturação cognitiva: identificar pensamentos automáticos distorcidos e construir interpretações mais realistas e funcionais.
Pense num quadro pendurado torto. Os móveis, a parede e o ambiente são os mesmos — basta ajustar o quadro para a sala fazer sentido de novo. Ressignificar é isso: corrigir o ângulo de leitura, não trocar a sala.
Em terapia, esse processo acontece com perguntas: "Que evidência sustenta esse pensamento?", "Há outra forma de olhar?", "O que eu diria a um amigo na mesma situação?". Aos poucos, leituras antigas e rígidas dão espaço a interpretações mais justas — e isso muda como você sente e age.
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O que é baixa autoestima e como a logoterapia pode ajudar?
O que é baixa autoestima e como a logoterapia pode ajudar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Baixa autoestima é a tendência persistente de se enxergar como insuficiente, inferior ou indigno — mesmo diante de evidências contrárias. Não é só "se achar feio em dia de cabelo ruim"; é um filtro que distorce conquistas, amplia falhas e mantém a pessoa em uma narrativa interna do tipo "nunca sou o bastante".
Pense em um espelho rachado. Por mais que você se arrume bem, a imagem refletida sempre volta torta. Não adianta trocar de roupa ou caprichar no penteado — o problema não está em você, está no espelho. Baixa autoestima funciona assim: deforma a imagem antes mesmo de você se ver.
A terapia ajuda a trocar esse espelho. No processo, é possível identificar de onde vêm essas crenças (geralmente de experiências antigas), questionar sua veracidade no presente e construir uma forma mais justa e realista de se enxergar. Não vira "amor-próprio inabalável de um dia para o outro", mas a relação consigo mesmo deixa de ser uma briga constante.
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Como se manifestam os valores de atitude? .
Como se manifestam os valores de atitude? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Os valores de atitude se manifestam na forma como nos posicionamos diante do que não pode ser mudado — uma doença grave, um luto, uma perda irreversível. Pela ótica da ACT, isso aparece como aceitação: parar de gastar energia tentando eliminar a dor inevitável e voltar essa energia para o que ainda importa, mesmo em meio ao sofrimento.
Pense em duas pessoas na sala de espera de um hospital. Mesma notícia, mesma espera, mesmo café ruim. Uma se consome em revolta; a outra encontra forma de estar presente para alguém que ama. A circunstância é igual; a postura diante dela, não.
Quando não há mais o que fazer por fora, ainda sobra a pergunta mais importante: "como eu quero atravessar isso?". É aí que os valores de atitude aparecem — e é aí que a terapia pode ajudar a sustentar essa escolha.
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Como a Logoterapia lida com a descoberta de valores pessoais?
Como a Logoterapia lida com a descoberta de valores pessoais?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Valores não são uma lista pronta que a gente escolhe num menu. Eles são descobertos — geralmente no que indigna, no que comove, no que faz a gente continuar de pé mesmo quando tudo pede para desistir.
Na clínica, tenho visto que muita gente confunde valor com meta. "Quero ser promovida até dezembro" é meta. Já "quero ser uma profissional que faz a diferença para quem trabalha comigo" é valor — e segue valendo independente da promoção.
A diferença prática? Meta tem prazo, valor tem direção. Você nunca "termina" de ser um bom pai, um bom amigo, uma pessoa íntegra. Faz, todo dia, em pequenas escolhas.
O trabalho terapêutico ajuda a separar o que é seu do que foi imposto. Muita coisa que a gente acha que valoriza é, na real, herança da família, cobrança da sociedade ou medo disfarçado. Quando isso fica claro, dá para começar a viver na sua direção — não na que te empurraram.
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Qual o papel do passado na Logoterapia? .
Qual o papel do passado na Logoterapia? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na psicoterapia, o passado não é um lugar para se mudar — é impossível — mas para se compreender. Ele mostra de onde vêm suas crenças, padrões de relacionamento e formas automáticas de reagir, ajudando a entender por que certas coisas hoje doem mais do que deveriam.
Pense num livro. Você não consegue apagar os capítulos já escritos, mas pode relê-los com outro olhar e perceber coisas que antes passavam batido. O passado segue lá; o que muda é o significado que ele tem para você agora.
Esse trabalho permite quebrar repetições — relações iguais com pessoas diferentes, padrões que se repetem em décadas. Quando o passado é compreendido, ele para de ditar o presente e passa a fazer parte da sua história, sem mais comandá-la.
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Como a logoterapia se diferencia de outras abordagens no uso do passado?
Como a logoterapia se diferencia de outras abordagens no uso do passado?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Enquanto outras abordagens olham para o passado para entender a origem dos sintomas — traumas, padrões, crenças formadas na infância —, a Logoterapia olha para o que já foi vivido como algo definitivamente conquistado. Para Frankl, o passado é o "celeiro da existência": tudo o que você fez, amou e suportou está guardado lá, intocável.
Pense numa árvore no inverno. Outras abordagens estudam as raízes para entender por que ela está sem folhas. A Logoterapia diz: olhe também para os anéis no tronco — cada um é um ano que ninguém pode tirar de você.
Isso muda a forma de ver a própria história. Em vez de "carga a ser superada", o passado vira fonte de sentido e prova de que você já atravessou coisas. Não substitui o trabalho clínico das outras abordagens — soma a ele uma camada de pertencimento à própria vida.
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Quando devemos procurar ajuda para transtornos de comportamento disruptivo?
Quando devemos procurar ajuda para transtornos de comportamento disruptivo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Transtornos de comportamento disruptivo — como o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e o Transtorno de Conduta — envolvem padrões persistentes de irritabilidade, desafio à autoridade, agressividade ou violação de regras, que vão além das birras e rebeldias esperadas para a idade. Todo mundo tem dia ruim; o transtorno aparece quando o comportamento vira regra, não exceção.
Pense no painel do carro. Uma luz que acende num buraco e apaga é normal. Mas quando fica acesa, o barulho aumenta e o carro começa a perder força, ninguém sobe o volume do rádio e segue viagem — leva no mecânico. Com o comportamento funciona igual: sinais ocasionais fazem parte do desenvolvimento; sinais frequentes e crescentes pedem avaliação.
Procure ajuda quando o comportamento persiste por mais de seis meses, compromete a rotina (escola, família, amizades), envolve agressão física ou destruição de objetos, ou quando conversas, limites e recompensas já não surtem efeito. Quanto antes o acompanhamento começa, melhor é o prognóstico.
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Quais são as características do modelo transdiagnóstico e da abordagem transdiagnóstica ?
Quais são as características do modelo transdiagnóstico e da abordagem transdiagnóstica ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A abordagem transdiagnóstica parte de uma constatação simples: diferentes transtornos compartilham mecanismos psicológicos comuns. Em vez de tratar ansiedade, depressão, TOC e transtornos alimentares como caixinhas separadas, ela foca os processos que aparecem em todos eles — evitação experiencial, ruminação, intolerância à incerteza, desregulação emocional, perfeccionismo, autocrítica. Modelos como o Protocolo Unificado de Barlow e a ACT são exemplos consolidados dessa lógica.
Pense num mecânico. Em vez de se especializar em uma única marca de carro, ele entende como funcionam motor, freio e transmissão — os componentes que aparecem em todos os modelos. Quando um carro chega à oficina, ele identifica qual sistema está falhando, não qual logotipo o veículo carrega. A abordagem transdiagnóstica funciona assim: olha os processos por trás dos rótulos.
Isso é especialmente útil quando há mais de um diagnóstico ao mesmo tempo (regra, não exceção, na clínica), porque permite tratar a raiz comum em vez de pular de protocolo em protocolo.
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Como a terapia cognitiva baseada em mindfulness (MBCT) ajuda na prevenção de recaídas na saúde menta
Como a terapia cognitiva baseada em mindfulness (MBCT) ajuda na prevenção de recaídas na saúde mental ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A MBCT (Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness) combina técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental com práticas de atenção plena e foi desenvolvida especificamente para prevenir recaídas — sobretudo em depressão e ansiedade recorrentes. Hoje, é recomendada como tratamento de primeira linha pelo NICE (Reino Unido) e pela CANMAT (Canadá), com evidências sólidas de que reduz significativamente o risco de novos episódios em quem já passou por eles.
Pensa na sua mente como uma estação de trem. Passam pensamentos o dia todo — uns bons, uns nem tanto, e aqueles velhos conhecidos do tipo "não vai dar certo" e "sou um fracasso". A MBCT não tenta impedir os trens de passar (spoiler: não dá). Ela ensina você a ficar na plataforma, observar o trem chegar e deixar seguir — em vez de subir automaticamente e ir parar de novo na estação da recaída.
Você não precisa acreditar em todo pensamento que aparece na sua cabeça. Começar com 1 minuto diário de prática formal (atenção à respiração, por exemplo) e incluir "pausas conscientes" no dia a dia já muda a relação com a própria mente, com o tempo pode você vai aumentando o tempo de mindfulness. Se recaídas fazem parte da sua história, vale procurar um psicólogo que trabalhe com MBCT para estruturar esse treino de forma personalizada.
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Quais são os desafios e limitações da Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT)
Quais são os desafios e limitações da Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT)
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A MBCT tem evidências sólidas, sobretudo na prevenção de recaída em depressão recorrente, mas não é solução para tudo. As principais limitações são: exige prática regular (8 semanas de protocolo + meditação diária em casa), o que esbarra na adesão; pode ser menos indicada em fase aguda de depressão grave, episódios psicóticos ou trauma ativo, em que parar para "observar a mente" pode intensificar sintomas; e depende muito da disponibilidade emocional para encarar o que aparece, em vez de fugir.
Pense numa academia. Funciona, tem ciência por trás, melhora a saúde — mas só se você for. E mais: alguém com uma lesão recente não deve sair pegando peso pesado sem orientação; provavelmente vai piorar. A MBCT é parecida: ferramenta poderosa, mas que pede o momento certo, dose certa e acompanhamento.
Por isso, vale conversar com um psicólogo antes de começar por conta própria. Nem toda mente está pronta para sentar em silêncio — e tudo bem.
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O que fazer para reduzir o uso excessivo da internet e das redes sociais?
O que fazer para reduzir o uso excessivo da internet e das redes sociais?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Reduzir o uso excessivo de internet e redes sociais é difícil não por falta de força de vontade, mas porque os aplicativos são desenhados para capturar sua atenção. Estudos mostram que só receber uma notificação já prejudica a concentração quase tanto quanto usar o celular ativamente.
Pense no seu celular como aquele vizinho que toca a campainha a cada 10 minutos só pra dar um "oi". Mesmo que você não abra a porta, sua concentração já foi embora no primeiro toque.
A saída prática é reduzir os gatilhos, não depender só de autocontrole: desligue notificações não essenciais, deixe o celular em outro cômodo nas horas importantes e defina janelas fixas para checar as redes. A ideia não é virar ermitão digital — é voltar a ser você quem decide quando abrir o app.
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Perguntas frequentes
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Neném com nuca 2,5 d 12 semanas d gestação e normal esse valor?
A translucência nucal de 2,5 mm com 12 semanas não deve ser interpretada…