Perguntas do paciente (5)

  • O que fazer quando me sentir perdida na vida? .

    O que fazer quando me sentir perdida na vida? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lais Serra dos Santos

    Quando você diz que se sente “perdida”, eu escuto algo que vai além de não saber qual decisão tomar. Muitas vezes, sentir-se perdida é sentir que perdeu referências internas, como se aquilo que antes orientava seus passos já não fizesse mais sentido.

    Na perspectiva psicanalítica, esses momentos não são apenas crises, eles podem ser sinais de transformação psíquica. Algo em você já não se sustenta como antes. E isso, embora angustiante, também pode ser fértil. Quero te convidar a olhar para esse estado com um pouco menos de pressa de “resolver” e um pouco mais de curiosidade.

    Algumas reflexões importantes:
    Pergunte-se: perdida em relação a quê? É na carreira? Nos relacionamentos? Em relação a quem você achava que deveria ser? Às vezes, a sensação de perda surge quando estamos vivendo muito a partir das expectativas externas e pouco a partir do próprio desejo.

    Diferencie vazio de pausa. Há momentos em que a vida nos convida a uma suspensão. Nem todo não-saber é fracasso. Às vezes é o intervalo necessário para que um novo sentido se organize.

    Observe suas repetições. Você sente que está perdida porque não sabe o que quer — ou porque quer algo que sempre foi deslegitimado dentro de você? Muitas vezes o desejo foi silenciado lá atrás, e hoje ele aparece como confusão.

    Cuidado com comparações. Ver outras pessoas “decididas” pode intensificar sua angústia. Mas cada sujeito tem seu próprio tempo de elaboração. A vida não é uma linha reta.

    Procure um espaço de escuta. Sentir-se perdida costuma ser solitário. Na análise, não buscamos dar respostas prontas, mas ajudar você a escutar o que em você está pedindo mudança.

    Às vezes, a sensação de estar perdida é o início de um reencontro, mas antes é preciso suportar o desconforto de não ter todas as respostas.

    Quero te fazer uma pergunta importante: Se você pudesse tirar todas as expectativas dos outros por um momento, o que você escolheria experimentar agora? Talvez a perda de direção não seja ausência de caminho, mas o início da construção de um caminho mais seu.

    Te faço um convite para uma sessão de psicoterapia para entendermos onde se encontra o seu desejo e a sua necessidade de trilhar seu próprio caminho.


  • Como o sentimento de não ser amada afeta a saúde mental de uma pessoa ?

    Como o sentimento de não ser amada afeta a saúde mental de uma pessoa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lais Serra dos Santos

    Quando alguém carrega o sentimento de não ser amada, por vezes, não estamos falando apenas de tristeza momentânea, mas de algo que toca em camadas muito profundas da constituição psíquica.

    Na perspectiva psicanalítica, o modo como fomos amados — ou como percebemos ter sido amados — participa diretamente da construção da nossa identidade. É a partir do olhar e do desejo do outro que começamos a formar a ideia de quem somos. Quando esse olhar parece faltar, ou quando ele foi sentido como insuficiente, pode surgir uma marca interna muito dolorosa: a sensação de não ser digna de amor.

    Esse sentimento pode afetar a saúde mental de diversas maneiras, como:
    - Baixa autoestima persistente – a pessoa passa a duvidar do próprio valor, mesmo diante de evidências contrárias.
    - Ansiedade nos relacionamentos – medo constante de abandono, necessidade intensa de confirmação, ciúmes excessivos.
    - Relacionamentos repetitivos e dolorosos – muitas vezes, inconscientemente, a pessoa se envolve com parceiros que reafirmam essa sensação de desamor, como se estivesse tentando “resolver” algo antigo.
    - Estados depressivos – quando o sentimento se internaliza como “há algo errado comigo”, pode surgir culpa, vazio e desesperança.
    - Autossabotagem – dificuldade em sustentar conquistas, como se não se sentisse merecedora de coisas boas.

    É importante dizer algo delicado aqui: muitas vezes, o sofrimento não está apenas na falta real de amor no presente, mas na forma como experiências passadas foram registradas internamente. A criança que fomos pode ter interpretado silêncios, ausências ou críticas como prova de desamor — e essa interpretação pode continuar operando, mesmo quando hoje existem pessoas que nos amam.

    Na clínica, trabalhamos justamente para compreender: De onde vem essa sensação? Em que momentos ela se ativa com mais força? Que histórias ela conta sobre você? A voz que diz “você não é amável” parece com a voz de alguém do seu passado?

    O sentimento de não ser amada não é apenas uma emoção — ele pode se tornar uma narrativa interna que organiza toda a vida afetiva. Mas narrativas podem ser revisitadas, ressignificadas e transformadas.

    Se isso toca algo em você, talvez possamos começar perguntando: Quando foi a primeira vez que você se lembra de ter sentido que não era amada?

    Te convido para uma sessão de psicoterapia para que possamos pensar juntos a sua história, os seus sentimentos e as suas relações.


  • Como o sentimento de menos valia se relaciona com a saúde mental ?

    Como o sentimento de menos valia se relaciona com a saúde mental ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lais Serra dos Santos

    Quando falamos em sentimento de menos valia, estamos nos referindo a algo que vai além de “baixa autoestima”. Estamos falando de uma experiência interna profunda, muitas vezes silenciosa, que diz: “eu não sou suficiente”, “eu sou menor que os outros”, ou até “há algo errado comigo”.

    Na perspectiva psicanalítica, esse sentimento costuma ter raízes muito antigas. Ele se forma a partir das primeiras relações da nossa vida com cuidadores — especialmente das experiências em que fomos reconhecidos, comparados, criticados ou ignorados. A maneira como o olhar do outro nos alcançou (ou falhou em nos alcançar) vai estruturando a imagem que construímos de nós mesmos.

    Quando o sentimento de menos valia se instala, ele pode impactar a saúde mental de várias formas:
    - Ansiedade constante – a pessoa sente que precisa provar o tempo todo seu valor.
    - Perfeccionismo excessivo – como se errar fosse confirmar uma falha essencial.
    - Dificuldade em receber elogios – há uma tendência a desqualificar conquistas.
    - Comparação permanente – o outro é sempre visto como melhor, mais capaz, mais merecedor.
    - Depressão e desânimo – quando a sensação interna é de insuficiência crônica, pode surgir um esvaziamento da energia vital.
    - Relacionamentos desequilibrados – aceitar menos do que merece, tolerar desrespeitos, ou se colocar sempre em posição inferior.

    Do ponto de vista psíquico, o sentimento de menos valia frequentemente está ligado a uma voz muito rígida, crítica, que cobra, acusa e raramente reconhece. É como se houvesse uma voz interna exigente, difícil de satisfazer.

    E aqui há algo importante: muitas vezes, esse sentimento não corresponde à realidade objetiva da pessoa. Ele é uma verdade emocional construída ao longo da história. Por isso, apenas “pensar positivo” ou “ser mais confiante” não resolve. É preciso compreender de onde essa narrativa surgiu e por que ela continua ativa.

    Na análise, buscamos escutar essa voz interna crítica, entender a quem ela se assemelha, quando começou a se formar e quais experiências a fortaleceram. Ao tornar consciente aquilo que antes operava de maneira silenciosa, começamos a abrir espaço para uma relação mais gentil consigo mesmo.

    Se você se reconhece nisso, te convido para uma sessão de psicoterapia onde possamos compreender juntos esse sentimento de menos valia e em quais momentos ele aparece de forma mais intensa em sua vida.


  • Quais são os riscos do uso excessivo de redes sociais para a saúde mental?

    Quais são os riscos do uso excessivo de redes sociais para a saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lais Serra dos Santos

    Quando falamos de uso excessivo de redes sociais, não estamos falando apenas de “tempo de tela”, mas da forma como essa exposição constante pode afetar sua maneira de se perceber, de se relacionar e de se sentir no mundo.

    Do ponto de vista psicológico, alguns riscos são bastante frequentes:
    1. Comparação constante: As redes costumam mostrar recortes idealizados da vida das pessoas. Quando você se expõe repetidamente a essas imagens, pode começar a se comparar — aparência, sucesso, relacionamentos, estilo de vida. Isso pode gerar sentimentos de inadequação, inferioridade e frustração.
    2. Impacto na autoestima: Curtidas, comentários e visualizações podem se tornar uma medida de valor pessoal. Aos poucos, a validação externa passa a influenciar diretamente como você se sente consigo mesmo.
    3. Ansiedade e necessidade de aprovação: A expectativa por respostas, mensagens ou reconhecimento pode gerar tensão constante. Você pode perceber uma dificuldade de se desconectar ou uma sensação de inquietação quando está longe do celular.
    4. Alterações no humor: O excesso de estímulos, notícias negativas ou conteúdos polêmicos pode aumentar irritabilidade, tristeza ou sensação de sobrecarga emocional.
    5. Prejuízo no sono e na atenção: O uso prolongado, especialmente à noite, interfere no descanso e na qualidade do sono, o que impacta diretamente o equilíbrio emocional.
    6. Isolamento disfarçado de conexão: Apesar de estarmos “conectados”, o excesso de interação virtual pode reduzir experiências presenciais profundas, que são fundamentais para a saúde mental.

    Mas é importante dizer: as redes sociais não são, por si só, vilãs. O que faz diferença é a forma como você as utiliza e o lugar que elas ocupam na sua vida.

    Talvez valha você se perguntar com honestidade: Como você se sente depois de passar muito tempo nas redes — mais leve ou mais pesado? Você usa para se distrair, para se conectar ou para evitar algo que está difícil de enfrentar (uma emoção, um sentimento, uma conversa, uma decisão, um conflito, uma angústia)? É você quem controla o uso ou sente que perdeu um pouco esse controle?

    Se perceber que as redes têm afetado seu bem-estar, isso não é um sinal de fraqueza — é um convite para reorganizar limites e, talvez, olhar para o que está sendo buscado ali. Se isso fez sentido para você, te convido para uma sessão de psicoterapia para que possamos pensar juntos sobre como tem sido a sua relação com elas.


  • Como lidar com o impacto emocional do diagnóstico de uma doença crônica mental ?

    Como lidar com o impacto emocional do diagnóstico de uma doença crônica mental ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Lais Serra dos Santos

    Receber o diagnóstico de uma doença crônica mental costuma ser um momento muito delicado. Mesmo quando já havia sinais de sofrimento, ouvir um nome, um rótulo, pode provocar um abalo profundo. É comum que surjam sentimentos como medo, tristeza, revolta, negação ou até alívio, e todos esses sentimentos são legítimos.

    Primeiro, é importante esclarecer: um diagnóstico não define quem você é. Ele descreve um funcionamento, um conjunto de sintomas, mas não resume sua história, seus afetos, seus desejos ou suas capacidades.

    Do ponto de vista emocional, alguns movimentos costumam acontecer:
    1. Um processo de luto: Muitas vezes há o luto pela imagem de si mesmo que você tinha antes. Pode surgir a sensação de perda — da “normalidade”, de planos idealizados, de uma versão de si que parecia mais simples.
    2. Medo do futuro: Perguntas como “Isso tem cura?”, “Como será minha vida agora?” ou “As pessoas vão me ver diferente?” são muito comuns. A incerteza pode gerar ansiedade intensa.
    3. Culpa ou autoacusação: Algumas pessoas se perguntam se fizeram algo para “causar” aquilo. É importante lembrar que transtornos mentais são multifatoriais — envolvem aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Não são falhas morais. Tente exercer a autocompaixão consigo ao invés de se culpar por algo que nunca esteve sob o seu controle.
    4. Estigma e vergonha: Infelizmente, ainda existe preconceito. Isso pode levar ao isolamento ou à dificuldade de compartilhar o que está acontecendo.

    Como lidar com tudo isso? Permita-se sentir, não apresse o processo. Cada emoção faz parte da elaboração. Busque informação de qualidade, pois conhecer melhor o diagnóstico ajuda a reduzir fantasias catastróficas. Construa uma rede de apoio. Conversar com pessoas de confiança diminui o peso de carregar isso sozinho. Invista em acompanhamento psicológico e psiquiátrico. O espaço terapêutico ajuda a integrar o diagnóstico à sua identidade sem que ele a domine. Faça seu tratamento psiquiátrico de acordo com a orientação do seu médico de confiança. Separe “ter” de “ser”. Você tem um transtorno, você não é apenas o transtorno.

    Muitas vezes, o sofrimento maior não está apenas na condição em si, mas nas histórias internas que começam a se formar a partir dela: “eu sou fraco”, “eu não vou conseguir”, “minha vida acabou”. Essas narrativas podem e precisam ser trabalhadas.

    É importante que você é possível construir uma vida com sentido, vínculos, projetos e alegria mesmo convivendo com uma condição crônica. O diagnóstico pode ser o começo de um cuidado mais consciente consigo mesmo.

    Se isso fez sentido para você, te convido para uma sessão de psicoterapia onde poderemos acolher essa angústia causada pelo diagnóstico e por tudo o que o envolve.


Perguntas frequentes

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